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KLOROPLASTER OG ANDRE PLASTIDER

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Resende e Ramalho (2006), explicam que Fairclough define discurso como uma prática social, um elemento da vida que se conecta a outros elementos.

Desta forma, Fairclough (2016) ressalta que o discurso se assemelha a outras formas de práticas sociais e utiliza o modelo tridimensional de Análise de Discurso, que abrange a análise do texto, a prática discursiva e a prática social, representado na figura abaixo.

 

Figura 1 - Concepção Tridimensional do Discurso

Fonte: Fairclough, 2016, p. 105

Fairclough (2016) explica que a análise do texto compreende o vocabulário, a gramática, a coesão e a estrutura textual. O estudo do vocabulário trata das palavras individuais, enquanto a gramática preocupa-se das palavras combinadas em frases. A coesão se ocupa das ligações entre as frases, já a estrutura textual refere-se às propriedades organizacionais do texto de forma ampla - como e em que ordem os elementos são combinados.

O autor reforça que os textos, em geral, possuem mais de um significado e estão abertos a múltiplas interpretações.

Na análise das práticas discursivas, participam as atividades de produção, distribuição e consumo do texto. O autor deixa claro que tanto a produção quanto o consumo vão

variar de acordo com o contexto social, que podem ser individuais ou coletivos. Já a distribuição pode ser caracterizada como simples ou complexa, pois cada canal possui padrões e rotinas próprias de consumo pra reprodução e transformação dos textos. Já nas práticas discursivas, analisam-se também as categorias força, coerência, e intertextualidade, que atingem aspectos sociocognitivos da produção e interpretação2. O autor esclarece que a força dos enunciados refere-se aos tipos de atos de fala desempenhados (dar uma ordem, prometer, perguntar) interpretado pelo contexto da situação; a coerência é traduzida nas conexões e inferências que se apoiam em pressupostos ideológicos; a análise intertextual refere-se às relações dialógicas entre o texto e outros textos (intertextualidade) e às relações entre ordens de discurso (interdiscursividade).

Resende e Ramalho (2006), acrescentam que a prática social é uma dimensão do evento discursivo, assim como o texto, ou seja, a prática social e o texto são mediadas pela prática discursiva, que analisa os processos sociocognitivos de produção, distribuição e consumo do texto, além de processos sociais relacionados ao contexto do ambiente. As autoras ressaltam que esse modelo tridimensional proposto por Fairclough em 1989 e aprimorado em 1992, tem por objetivo a organização para análise e pode ser representado de acordo com o quadro abaixo:

TEXTO PRÁTICA DISCURSIVA PRÁTICA SOCIAL

Vocabulário Produção Ideologia

Gramática Distribuição - sentidos

Coesão Consumo - pressuposições

Estrutura textual Contexto - metáforas

Força Hegemonia

Coerência - orientações econômicas

Intertextualidade - políticas, culturais, ideológicas

Quadro 4 - Categorias Analíticas Propostas no Modelo Tridimensional

Fonte: Resende e Ramalho, 2006, p. 29

Desta forma, o discurso é colocado na posição de um dos elementos das práticas sociais,

       

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 Fairclough (2016, p.114) retrata interpretação de duas formas: em níveis inferiores, onde é analisado apenas uma sequência de marcas gráficas (processo descendente); e em níveis superiores onde se interpreta de forma mais profunda e coerente, com a mesma parte do texto ou até com diferentes textos (processo ascendente). 

que se conecta a outros elementos da vida social.

Fairclough (2003, p. 25) aponta cinco momentos da prática social onde existe a articulação entre relações sociais, pessoas, mundo material e discurso, representados na figura abaixo.

 

Figura 2 - Momentos das Práticas Sociais

Fonte: Elaborado com base em Fairclough, 2003, p. 25

O autor acrescenta ainda que na forma da linguagem e seus elementos, temos como estruturas sociais as línguas, como práticas sociais a ordem de discursos e como eventos sociais os textos.

Já Chouliaraki e Fairclough (1999), elaboram um novo método de análise para o estudo sobre a mudança contemporânea, sobre possibilidade de autonomia em estruturas padronizadas na vida social. Os autores elaboram um enquadre de análise para a ADC mais complexo que a abordagem anterior, abrindo as possibilidades de análises e captando a interligação entre o discurso e outros elemento sociais na formação de práticas sociais.

De acordo com Resende e Ramalho (2006), esse enquadre se inicia com um primeiro passo, que é identificar o problema, que tem como pressuposto uma relação de poder, na desigualdade de recursos materiais e na disseminação de discursos particulares como sendo universais.

Um segundo passo desse método é identificar o que faz com que esse problema seja superado. Para isso existem três visões de análises: (1) análise da conjuntura, da qual o discurso analisado é extraído; (2) análise da prática particular, possui foco no discurso, no momento em que ocorre sua prática e na ligação do discurso com outros momentos;

(3) análise do discurso, atenção em sua ordem e na sua estrutura, além da sua interação – recursos utilizados e sua relação com a prática social.

O terceiro passo é a função do problema na prática, que verifica aspectos problemáticos para além dos conflitos de poder, analisando nesses aspectos a relação com as práticas discursiva e social.

O próximo passo é analisar os possíveis modos de ultrapassar os obstáculos, estudando possíveis mudanças e alternativas para superação dos problemas. E por último, a reflexão sobre a análise. Segundo Chouliaraki e Fairclough (1999, p. 60), toda pesquisa crítica deve ser reflexiva, conforme enquadre abaixo:

ETAPAS DO ENQUADRE PARA ADC DE CHOULIARAKI E FAIRCLOUGH 1) Um problema (atividade, reflexividade)

2) Obstáculos para serem superados

(a) análise de conjuntura (b) análise da prática particular

(i) práticas relevantes (ii) relações do discurso com outros momentos da prática

(c) análise do discurso (i) análise estrutural (ii) análise interacional 3) Função do problema na prática

4) Possíveis maneiras de superar os obstáculos 5) Reflexão sobre a análise

Quadro 5 - Enquadre para ADC de Chouliaraki e Fairclough

Fonte: Chouliaraki e Fairclough, 1999, p. 60

Chouliaraki e Fairclough (1999) explicam que o método da ADC deve ser visto como em constante evolução à medida que sua aplicação a novas áreas da vida social se estende. Apesar da estrutura ser complexa, para certos fins os analistas podem se concentrar em algumas partes do enquadre. Portanto, deve ser avaliada e utilizada de acordo com sua capacidade de produzir análises teoricamente fundamentadas em uma ampla gama de casos.

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