5.2 D ISKUSJON AV RESULTATER
5.2.3 Kartlegging av kost
Um dos conceitos mais importantes desenvolvidos por Tuchman (1978) foi o conceito de tipificação. A noção de tipificação desenvolvida pela sociofeno- menologia encontra-se entre um conceito que de modo mais profícuo e per- sistente originaram conclusões no campo dos estudos jornalísticos.
O conhecimento do senso comum implica um padrão organizado de ro- tina apreendido a partir do conhecimento de “receitas” e comportamentos tí- picos (Schutz, 1975 b, pp. 94-95). Surge assim o conceito de “tipificação” como um modo de classificação em que são tidas em conta certas característi- cas básicas para a solução das tarefas práticas que se apresentam aos actores. Schutz refere-se, a propósito, a esquemas interpretativos que são organiza- dos de acordo com as experiências do nosso passado que se apresentam em configurações de sentido do tipo “o que já se sabe” (Schutz, 1967, p. 84). Es- tas idealizações fornecem quadros típicos que estruturam uma familiaridade típica geral.
Ou seja, em face de cada nova situação, o actor agirá do mesmo modo partindo do princípio de que as coisas se apresentarão idênticas àquelas que se apresentaram da última vez e que, do mesmo modo, os efeitos obtidos por acções idênticas serão, também eles, idênticos.
Em face da fragmentação da experiência quotidiana, o jornalismo desem- penha um papel ainda mais importante: à medida que as sociedades modernas ficam mais marcadas pelo pluralismo, mais os media têm que atender a um domínio cada vez mais vasto de subsistemas. A organização noticiosa é uma instituição que permite a obtenção, armazenamento e disseminação dos mais variados tipos de informação de centenas, senão milhares de formações so- ciais e culturais (Ericson, Baranek e Chan, 1987, p. 15).
A tipificação é o reconhecimento de uma situação graças à rotina interio- rizada na vida quotidiana e à prescrição de uma receita. Está direccionada para uma generalização baseada na experiência individual, e por conseguinte, para a formação das condições que permitem o estabelecimento de um esquema www.livroslabcom.ubi.pt
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de organização cognitivo. Nas grandes organizações burocráticas, ela traduz- se numa anonimização da experiência, a qual perde as suas características singulares a fim de ser configurada numa generalização que se aplica a todos os casos semelhantes.
A tipificação é usada e entendida como uma forma de classificação em que são tidas em conta certas características básicas para a solução das tarefas práticas que se apresentam aos actores. Refere-se a determinadas característi- cas relevantes para a solução de problemas práticos encontrados na actividade quotidiana (Tuchman, 1978, p. 50). Tem a ver com o facto de os seres huma- nos só processarem uma escassa quantidade de informação e, por isso, sob a pressão do tempo, necessitarem de recorrer a esquemas que lhes permitam a produção de um significado objectivo e partilhado.
É a existência da tipificação que permite transcender momentos parti- culares da acção, auxiliando o jornalista na construção de uma narrativa es- tandardizada e padronizada pensada de modo a superar os constrangimentos espaciais e temporais e conquistar o agrado por parte das audiências. Ser um jornalista profissional significa ser capaz de utilizar tipificações para invocar técnicas de reportagem adequadas.
Deste modo, mesmo em face de histórias aparentemente imprevisíveis e dotadas de uma carga emocional inesperada, os jornalistas imediatamente re- correm a tipificações tidas por adquiridas a fim de lidar com tais aconteci- mentos, comparando-os com situações similares no passado. Tuchman invoca mesmo um estudo efectuado pelo Bureau of Applied Social Science Research na Universidade de Columbia no qual, durante entrevistas conduzidas a traba- lhadores de cadeias de televisão que participaram na cobertura do assassinato do Presidente Kennedy, estes classificaram este trabalho como “business as usual”. Ou seja, “os valores e normas da profissão estiveram presentes da mesma forma que noutras ocasiões” (Tuchman, 1978, p. 64). No caso dos acontecimentos da Praia de Carcavelos em 10 de Junho de 2005 – indepen- dentemente do que se tenha passado efectivamente – o “arrastão” das praias do Rio de Janeiro foi o precedente usado para conferir aos jornalistas uma “his- tória de convergência”. As notícias correspondem desta forma à insistente tentativa de inscrição dos acontecimentos numa certa ordem significativa pré- existente. É, pois, o conjunto de tipificações a que se procede no decurso da actividade profissional que permite ao jornalista agir “como sempre” em
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face de circunstâncias idênticas, tipificando a ocorrência com o recurso a um conjunto de conhecimentos pré-adquiridos.
Assim, pode-se falar de um vocabulário de precedentes, uma espécie de acervo de conhecimentos disponíveis adquiridos pela experiência e dirigidos para a prática diária da profissão. Adquire-se, deste modo, um saber de re- conhecimento que permite identificar um acontecimento em termos da sua potencial transformação em notícia; um saber de procedimento que recorre à experiência para identificar os passos necessários para o desenvolvimento da história ao nível de questões como sejam a selecção e contacto com as fontes ou os modos de lidar com constrangimentos espaciais e temporais; e um saber de narração, isto é como construír um enunciado nos termos do discurso noti- cioso. O que os jornalistas observam é mediado pelo vocabulário de recursos simbólicos e esquemas de classificação que eles desenvolvem na sua cultura profissional. O jornalista competente reconhece um acontecimento em termos da sua significação como notícia, sabe como agir ao seleccionar e entrevistar as fontes e produzir um relato considerado competente no âmbito do discurso noticioso. O vocabulário de precedentes, aprendido pela socialização profis- sional junto de colegas, editores e fontes é um depósito de conhecimentos que os jornalistas têm como disponível para agirem e relatarem acontecimentos. O facto de apenas estar disponível através da experiência e da transmissão oral, e não através de manuais, é a chave para percebermos porque os jornalistas enfatizam a componente mais intuitiva e menos analítica e sistemática do seu trabalho, algo que é notório no conceito de “faro para as notícias” (Ericson, Baranek e Chan, 1987, pp. 133; 135).