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Kapitalstruktur

In document Verdsettelse av konsernet Gyldendal (sider 76-81)

7 REGNSKAPSANALYSE

7.4 A NALYSE AV FORHOLDSTALL

7.4.3 Kapitalstruktur

Este recente espetáculo teve sua estreia em 2013. É o primeiro trabalho solo de Raquel

Scotti Hirson, resultado de sua pesquisa de doutorado, intitulada “Alphonsus de Guimaraens:

reconstruções da memória e recriações no corpo”, defendida em 2012 na Unicamp. Segundo a

atriz, o espetáculo e a pesquisa acadêmica eram maneiras de:

Pesquisar poemas de meu bisavô é uma oportunidade de conhecê-lo por detrás da poesia; ir do poeta à poesia e da poesia ao poeta pelo viés do corpo e da memória, vivida ou não, conhecida ou não. Essa memória é alimentada por uma mistura saudável e prazerosa daquilo que vi, ouvi e li e das lacunas que preencho com minha fantasia corporal, recriando poeta e poesia, como o sabor de determinada comida, capaz de reavivar tantas memórias. (HIRSON, 2012, p.11)

Desta vez, a atriz se propôs a usar a técnica da Mímesis Corpórea não do modo como

ela foi primeiramente elaborada – a partir da imitação de gestos, vozes e imagens estáticas

(fotos e pinturas) – e, sim, criar uma mímesis a partir da palavra:

Não se trata em absoluto de representar a poesia e sim de recriá-la, em um fazer teatral não-representativo. Desta forma adentro em uma questão diferencial da mímesis corpórea: a mímesis da palavra. A palavra em ação pode conter todas as dimensões das conexões de imagens que detona e ainda as dimensões do corpo, jogando com espaço e tempo. A palavra poetizada sugere sons, tensões, ações que tomam outras formas e sugerem novas poesias quando corporificadas. Um emaranhado de recriações que afeta a mim como leitora, que afeta e gera reatualizações de dimensões poéticas, afeta o observador, que por sua vez recria sua poesia. (HIRSON, 2012, p.20)

A atriz explica que elabora o trabalho de mímesis a partir de palavras desde 2000,

durante a criação do espetáculo “Um dia...”.

A palavra, assim trabalhada, vem tomando corpo em minha pesquisa desde o ano 2000, quando da criação do espetáculo “Um dia...”, no qual buscamos dançar contos e poemas que nos remetessem ao corpo em trauma, objeto de nossa busca naquele momento. (HIRSON, 2012, p.20)

Partindo da poesia de “Alphonsus” de Guimaraes, das fotos e relatos de família,

Raquel Scotti Hirson iniciou, sozinha, o processo de criação de seu espetáculo. Durante esse

primeiro momento de criação solo, a atriz relatou em entrevista qual foi o primeiro indício do

traje de cena: a necessidade de utilizar sapatos de salto alto. Apesar de este tipo de sapato ser

considerado feminino, e a temática de sua criação ser seu bisavô – portanto, masculina –, a

necessidade do salto se dava em função da instabilidade que esse tipo de sapato proporciona

ao corpo. Pois, a instabilidade física ajudava a atriz refletir em seu corpo a instabilidade

emocional do seu poeta-bisavô. Ainda sobre os sapatos de salto, a atriz comenta que a mistura

de gêneros (feminino e masculino) lhe agradava, uma vez que as memórias familiares sobre

“Alphonsus” eram permeadas pelo universo feminino das tias da atriz, pessoas que contavam

e recontavam essas memórias.

A partir das fotos de família, Hirson buscou no guarda-roupa

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do Lume Teatro um

lenço, uma calça e um paletó para usar durante o processo de criação. Segundo a atriz, o

paletó encontrado acabou virando parte do figurino final, pois, tinha características que ela

não encontrou em outros ternos. Uma das características encontradas por Hirson no terno era

a cor escura que para a atriz remetia às cores das fotos (em preto de branco) da família. Outro

fator da vestimenta que agradou a intérprete foi o tamanho do terno: a atriz buscava um terno

que fosse grande – para que, em certos momentos, ela pudesse parecer uma criança vestindo

roupas de adultos – mas não a ponto de sempre transmitir essa imagem. Tinha que ser um

tamanho mediano.

Assim como apontamos em “Café com queijo”, mais uma vez temos um traje que

permite ser transformado pelo ator em cena, reiterando o conceito growtoskiano de figurino

dentro do Teatro Pobre. O sentido ambíguo do terno foi resolvido pela mímesis da atriz em

cena. O signo do traje fica sob o controle da atriz, que, oras, emite com sua presença o sentido

de uma criança usando roupas de adulto, oras emite a presença do homem “Alphonsus”

usando terno.

Na figura 55, podemos ver uma fotografia do espetáculo no momento em que Raquel

faz uma criança. Na cena a menina veste o terno e brinca com o lenço, ambos encontrados

pela atriz no acervo de figurinos do Lume Teatro.

Figura 55 - Raquel Scotti Hirson em “Alphonsus” (Foto: Laura Françozo).

Figura 56 - Alphonsus de Guimaraes (fonte: <http://www.portalmariana.org/cidades/ouro- preto-mg/escritores-ouro-pretanos-sao- homenageados/#.VMJW5YFdVyI > Acesso: 27 fev 2015

Figura 57 - Raquel Scotti Hirson em Alphonsus (Foto: Laura Françozo).

Nas figuras 56 e 57 podemos ver “Alphonsus” de Guimaraes, à esquerda, e, à direita, a

atriz Raquel Scotti Hirson em cena. Além dos já citados terno e lenço, podemos perceber pela

imagem que mesmo os cabelos da atriz foram arrumados de modo a se aproximar ao do poeta.

Em um determinado momento do espetáculo, a atriz completa a transformação em

“Alphonsus” ao pintar bigode no rosto

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.

A figurinista convidada por Raquel Scotti Hirson foi Silvana Nascimento. Seu papel

foi elaborar a silhueta a partir do que Raquel já tinha pensado e criar o figurino da criança. Na

criação deste traje a figurinista escolheu por aumentar a saia de tutu idealizada pela diretora

Ana Cristina Colla. Silvana Nascimento também foi responsável por incluir elementos no

figurino que remetem ao Estado de Minas Gerais, como bordados e cores pastéis, como o rosa

queimado. Para a cena final, Silvana Nascimento elaborou um vestido bege neutro, quase

lembrando um corpo nu.

Além de “Alphonsus”, Silvana Nascimento também foi responsável pelos trajes da

demonstração que será descrita a seguir.

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