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juni Nr. 638 2008

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Qual o conceito de Universidade Corporativa? Segundo Jeanne Meister (1998), da Corporate Universities Xchange, "É um guarda-chuva estratégico para desenvolvimento e educação de funcionários, clientes e fornecedores, buscando otimizar as estratégias organizacionais". As Universidades Corporativas têm como pressuposto o alinhamento da educação praticada na empresa aos ditames da estratégia empresarial.

No Banco do Brasil, para falar em educação empresarial, é inevitável uma volta no tempo, aos primórdios da criação do DESED, em 1965, a primeira estrutura organizacional com essa finalidade. Os normativos do Banco registravam alterações dessa estrutura baseadas na ampliação de seu papel e atuação durante as décadas de 1970 e 1980, no entanto sem perder de vista a função básica que era a qualificação e o desenvolvimento do quadro de pessoal da Empresa.

O DESED acompanha as mudanças organizacionais, amplia suas funções e adquire outras siglas no organograma. Desde 2002, sob o nome de Universidade Corporativa Banco do Brasil, oferece vários programas: bolsas de idiomas, graduação e pós-graduação, lato (MBAs, especializações) e stricto sensu (mestrado e doutorado), além de cursos de capacitação profissional na área de gestão e estratégia, negócios e apoio aos negócios, responsabilidade

socioambiental e educação e pedagogia empresarial.

A década de 1990 foi palco de profundas transformações na política financeira do Brasil, com medidas severas para conter o quadro de hiperinflação que vivia o país. Em 1994 foi lançado o Plano Real e, em 1995, foi implementado um plano de reestruturação financeira do Banco do Brasil, o Plano de Ajustes, que provocou mudanças tanto na sua estrutura administrativa, como na sua estratégia de atuação no mercado.

Fruto desse Plano de Ajustes, a estrutura organizacional do Banco foi modificada para Unidades Estratégicas de Negócios (UEN), Unidades de Função (UF) e Unidades de Assessoramento (UA), inspirada na experiência da General Electric, da década de 1970. Os antigos Departamentos: Departamento de Controle de Pessoal (FUNCI), Departamento de Formação do Pessoal (DESED) e Departamento de Assistência e Disciplina

(DEASP) são unificados na Unidade de Função Recursos Humanos (UFRH). O DESED transforma-se na Gerência de Desenvolvimento Profissional (GEDEP).

O Plano Diretor de Recursos Humanos, lançado em 1997, definia como papel da nova Unidade (UFRH): “Atrair, desenvolver e manter profissionais que garantam a produtividade do conhecimento e da informação e a competitividade do Conglomerado” (BB/PDRH, 1997). Em 1999, esse papel foi revisto e foi divulgada a seguinte proposição:

Garantir a competitividade, a produtividade e a perpetuidade do capital intelectual - conhecimento e experiência - originados nos processos negociais do Conglomerado, por meio da contratação, desenvolvimento e manutenção de profissionais qualificados e compromissados com os propósitos organizacionais (BB/PDRH, 1999).

De 2000 a 2001, em nova reestruturação, a UFRH torna-se UF Gestão de Pessoas e Diretoria Gestão de Pessoas (DIPES). A nova Diretoria adota como papel: “Liderar a construção de soluções inovadoras em gestão de pessoas, desenvolvendo profissionais comprometidos com a fidelização dos clientes, a cidadania e a melhoria permanente dos resultados da Organização”.

Em julho de 2002, o Banco lançou a Universidade Corporativa (UniBB), tendo como papel: “Desenvolver a excelência humana e profissional de seus públicos, por meio da criação de valor em soluções educacionais, contribuindo para a melhoria do desempenho organizacional e para o fortalecimento da imagem institucional do Banco do Brasil” (http://www.bb.com.br). A proposta dessa Universidade contempla vários ambientes de formação profissional: as salas de aulas nas gerências regionais (GEPES), a interatividade na Internet e Intranet, os vídeos, a TV Corporativa, as publicações impressas e as parcerias com o meio acadêmico e organizacional.

O funcionário do BB dispõe de duas bibliotecas: A biblioteca do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no Rio de Janeiro, criada em 1931, voltada para as áreas de Artes, Ciências Sociais e Literatura que, em 2006, com um acervo de 120.000 títulos. Outra, localizada em Brasília, na DIPES, com um acervo de cerca 45.000 títulos.

Em 2005, o BB coordena e participa do Fórum das Estatais pela Educação e apóia a criação da Universidade Aberta do Brasil, pelo Ministério da Educação (MEC), em consórcio com outras empresas estatais. A utilização da educação a distância em cursos de

graduação e especialização favorece o alcance da graduação a todos os profissionais da Empresa.

A Universidade Corporativa Banco do Brasil disponibilizou, em 2006, mais de 200 cursos desenvolvidos internamente, nas modalidades: presencial e a distância. Conta com mais de três mil educadores da própria empresa. Foram registradas 270.000 pessoas em capacitação, em todas as modalidades oferecidas (uma pessoa pode participar de várias ações). A capacitação atingiu a média de 85 horas/aula por funcionário. O sistema de bibliotecas fez 25.000 empréstimos. Foram investidos cerca de 62 milhões de reais no desenvolvimento e atualização de cursos, como também na logística de deslocamento (passagens e hospedagens), contratação de cursos externos, concessões de bolsas de idiomas, graduação e pós-graduação.

Gráfico 4 – Paticipação em treinamentos em 200615. Fonte: DIPES-GEDUC-DIPAR e DIPES-GEMAC-COGEP

A criação da Universidade Corporativa Banco do Brasil representou um redirecionamento nas ações de educação da Empresa. Ampliaram-se as oportunidades para todos os funcionários. As diretrizes definidas pelo Vice-presidente de Gestão de Pessoas e Responsabilidade Socioambiental, a partir de 2003, foram “democratização do acesso e

15 O número de participações não é igual à quantidade de funcionários. (um mesmo funcionário pode participar

de vários treinamentos, sendo computada sua participação em cada treinamento realizado). Participações em treinamento - 2006 62.200 57.816 14.446 185.081 22.550 Auto-instrucional FAZAP Presencial Contratados Concessão Bolsas 398 24 335 8.160 10 5.520 Programa idiomas Graduação MBA MBA à distância Pós-graduação/Lato-Sensu Mestrado/Doutorado 8.594 13.956 Abaixo R$ 16 mil A partir de R$ 16 mil Participações em treinamento - 2006 62.200 57.816 14.446 185.081 22.550 Auto-instrucional FAZAP Presencial Contratados Concessão Bolsas 398 24 335 8.160 10 5.520 Programa idiomas Graduação MBA MBA à distância Pós-graduação/Lato-Sensu Mestrado/Doutorado 8.594 13.956 Abaixo R$ 16 mil A partir de R$ 16 mil

universalização das oportunidades de educação” (difundida nos diversos encontros com funcionários e funcionárias realizados em todo o País).

A história do Banco do Brasil, embora extremamente sumarizada neste trabalho, revela o papel relevante que essa Empresa desempenhou como instrumento de implementação de políticas monetárias no Brasil, desde o Império até os dias atuais. Ter 198 anos de existência em 2006, revela nesse itinerário três “certidões de nascimento”: 1808, 1892 e 1906, longos períodos de liquidação entre essas fases e duas fusões, com o Banco Comercial do Rio de Janeiro e com o Banco da República dos Estados Unidos do Brasil. Como também, sofreu o impacto dos ciclos econômicos (pau-brasil, cana-de-açúcar, ouro, algodão, café, borracha, industrialização); dos ciclos políticos como Monarquia16, República17, Estado Novo18, Regime Militar19, Nova República20, dos inúmeros Planos Econômicos e várias moedas, ora para o desenvolvimento, ora para a estabilização da Economia. O Banco tem marcado em sua história, ciclos de mudanças financeira, administrativa e política, como a perda de sua função como autoridade monetária e a sua transformação em banco múltiplo, e o exercício de um duplo papel: como banco de governo e como banco de mercado.

Essa realidade, nesse complexo contexto, impulsionou a adoção de inúmeras políticas de formação de seus profissionais, ao longo de sua história, voltadas para o enfrentamento desses ciclos de mudança, As políticas de formação serão identificadas na pesquisa empírica na análise documental e nas entrevistas narrativas.

16 1500 a 1889 17 Desde 1889 18 1935 a 1947 19 1964 a 1985 20 1985 a 2002

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