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Neste trabalho foi desenvolvida uma pesquisa bibliográfica, em que, a partir do referencial teórico levantou-se elementos de apoio à pesquisa, no que se refere à questão dos níveis de pressão sonora e tempo de reverberação em salas de aula.

Uma vez que o sistema de informação estava devidamente estruturado, realizou-se um estudo de caso em nove escolas da rede pública e privada de ensino do Distrito Federal. Do total de escolas, duas estão localizadas na cidade de Taguatinga, quatro na cidade do Núcleo Bandeirante e três na cidade de Brasília.

A escolha das escolas particulares das cidades de Taguatinga e Núcleo Bandeirante deu-se principalmente por dois motivos: facilidade de entrada nas instituições, e necessidade de verificar se essas escolas estavam sujeitas a altos níveis de pressão sonora, principalmente em decorrência do tráfego aéreo e terrestre. Quanto às escolas públicas, foram escolhidas três na cidade do Núcleo Bandeirante e três na cidade de Brasília. A escolha das escolas seguiu basicamente os mesmos motivos. Para finalizar, foi escolhida uma décima escola da rede privada de ensino da cidade de Taguatinga, com a finalidade tão somente de analisar alguns pontos acerca da flexibilização das regras de uso e ocupação do solo proposta pelo Plano Diretor Local.

Optou-se pela metodologia qualitativa, em virtude do objetivo da pesquisa ser o de investigar o ambiente escolar no DF, envolvendo professores e alunos para levantar o nível de informação sobre a problemática em sala de aula, a relevância desse aspecto no processo ensino-aprendizagem e os efeitos potenciais da poluição sonora na saúde humana.

Em primeiro lugar mediu-se o nível de pressão sonora no interior das salas de aula das escolas da rede pública e privada. A fim de verificar o incômodo advindo do

tráfego aéreo e/ou terrestre, mediu-se o nível de pressão sonora no exterior de duas escolas da rede particular de ensino.

Na segunda fase da pesquisa, com o intuito de complementar o estudo acerca das condições acústicas das salas de aula, mediu-se o tempo de reverberação, importante parâmetro acústico de recintos fechados. Este tipo de informação possibilita verificar se há algum tipo de preocupação com os aspectos arquitetônicos das salas em questão.

Na terceira fase, foi aplicado um questionário fechado para professores e alunos, elaborados com base em um estudo realizado pelo Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da UFBA (1995). A finalidade foi a de tão somente, investigar a problemática da poluição sonora em sala de aula e ainda levantar informações acerca das condições de trabalho e saúde dos professores. São informações que buscam traduzir os efeitos negativos do excesso de ruído no processo ensino aprendizagem e os efeitos potenciais sobre a saúde humana. Nesta fase buscou-se, junto aos profissionais, correlacionar a poluição sonora com alguns sintomas desencadeados por este tipo de agressão.

Na quarta e última fase, confrontou-se os níveis de pressão sonora e tempo de reverberação com as normas vigentes e analisou-se e interpretou-se os resultados das respostas dos dois grupos pesquisados.

3.1 Método de avaliação dos níveis de pressão sonora

No caso dos níveis de pressão sonora foi escolhido o LAeq (nível de pressão

sonora equivalente) por melhor representar a exposição sonora em cada região, uma vez que leva em consideração a média das ocorrências sonoras num certo

ponto (WHO,1980). Também foram medidos Lmín, L10, L90 e Lmáx. Os equipamentos utilizados foram: medidor da Minipa, modelo MSL 1352 A tipo2, com protetor de vento e tripé e calibrador acústico. Os LAeq foram confrontados com a

NBR 10.151 e 10.152 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

O já referido Decreto n. 20.769, de 03 de novembro de 1999, que aprova as normas relativas a obras de construção e de modificação em estabelecimentos de ensino destinados à Educação Infantil, ao Ensino Fundamental e ao Ensino Médio do Sistema de Ensino do Distrito Federal, complementou o estudo da legislação vigente.

As medidas foram realizadas ao longo da manhã (7h30 às 12h30 – aproximadamente), em vários dias da semana. O NPS foi medido em dois horários distintos: antes e depois do intervalo. As medidas foram feitas em intervalos aproximados de 2 horas, sempre nas salas de aula mais próximas às ruas ou avenidas vizinhas, e respeitaram as especificações da NBR 10.151. A proposição de medidas em todo o período de aula é uma decisão do grupo de trabalho, pois não há ainda uma metodologia específica que comprove a eficácia dos resultados em intervalos de tempo inferiores.

O estudo considerou os alunos dentro da sala de aula – com suas atividades normais. Apesar de muito mais trabalhoso, a opção foi por realizar medidas durante todo o período, pois além do fato citado anteriormente, as aulas e as atividades desenvolvidas por cada professor são bem diferenciadas.

Aqui, suscita-se um questionamento sobre os níveis de ruído indicados pela NBR 10.152. Para salas de aula, a norma indica valores entre 40 e 50 dB (A), ou seja, valores que não consideram a presença de alunos e professores em sala. Sendo assim, adotou-se como referência 68 dB (A), nível mensurado durante vários

dias da semana, em intervalos de vinte minutos, numa escola com ruído de fundo discreto – entre 50 e 55 dB (A) – com as atividades normais, porém com os alunos e professor, falando moderadamente e de forma organizada. As medidas foram realizadas durante as aulas de vários professores, numa sala de aula da 2ª série do EM, com aproximadamente 150m3, sempre considerando a intensidade normal de voz de cada professor.

Com relação ao ruído de fundo, o mesmo foi medido no recesso escolar e no período normal de atividades da escola. As medidas foram realizadas em intervalos de tempo de 1 hora e também nas salas de aula mais próximas às ruas ou avenidas adjacentes. Para tanto, no período normal de atividades, desconsiderou-se ruídos transitórios tais como campainhas ou sirenes.

Como já citado anteriormente, foram efetuadas medidas na área externa de duas escolas particulares, sendo uma na cidade de Taguatinga e outra na cidade do Núcleo Bandeirante. Aqui, o intuito foi o de relacionar os níveis de pressão sonora no interior das salas de aula com o tráfego aéreo e/ou terrestre.

A coleta de dados foi feita em vários dias da semana, iniciando-se sempre às 10 horas e terminando às 11 horas. Este intervalo de tempo foi escolhido pelo fato de se perceber que o tráfego aéreo e terrestre na redondeza das escolas é relativamente constante. Para obter uma estimativa mais próxima da realidade foi feita uma média22 dos níveis de pressão sonora e do fluxo de veículos nos vários

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Para se obter a média dos níveis de pressão sonora nos vários dias e horários estimados, tanto para as medidas no interior da sala de aula, quanto para as medidas nas imediações das escolas foi utilizado um programa escrito em linguagem “c” desenvolvido pelo Departamento de Física da Universidade Católica de Brasília (UCB). Como o equipamento utilizado na pesquisa (medidor de pressão sonora da Minipa modelo MSL 1352 A tipo 2) não faz a integração direta, os dados eram descarregados e manuseados em um computador compatível. Para o cálculo dos níveis de pressão sonora equivalente (LAeq) reunia-se todas as medidas da semana, de um determinado horário, em

um único arquivo e o programa em linguagem “c” fazia a integração segundo Anexo A da NBR 10.151 da Associação Brasileira de Normas Técnicas.

dias e horários estimados.

Para complementar a pesquisa foi feita uma relação entre os níveis de pressão sonora com o tráfego urbano, estimando-se o número de veículos durante os períodos de medição. Foram considerados: carros de passeio, motocicletas, ônibus, caminhões, vans, camionetes, carros de propaganda ou carros de som e aviões.

Para as medidas foram consideradas as recomendações da norma técnica NBR 10.151, com distâncias mínimas do piso e de quaisquer superfícies refletoras como paredes ou muros. O NPS foi medido ainda em dB (A), em resposta rápida

fast e a cada 5 s.

3.2 Avaliação do tempo de reverberação

No que se refere ao tempo de reverberação, sua medida foi realizada com o auxílio do medidor da 01dB – SIP95 Tipo 1, com filtro de 1 e 1 1/3 de oitavas. Segundo Gerges (2000), o tempo de reverberação t60 é um importante parâmetro acústico de recintos fechados e ainda é definido como o tempo necessário para que o nível de pressão sonora seja atenuado em 60 dB.

Para a devida avaliação do tempo de reverberação das salas de aula, foram demarcados cinco pontos, que interligados formariam uma figura tal qual a letra “X”. Para cada ponto foram efetuadas três medidas, totalizando quinze medidas por sala, onde para cada ambiente foi feita uma média dos tempos de reverberação medidos em seus diferentes pontos.

Além do medidor 01 dB – SIP 95, foram usados balões n. 9, uma vez que o estouro de balões apresentou-se como uma metodologia alternativa para a determinação do tempo de reverberação de um determinado recinto.

Segundo TRAVAGLIA FILHO; ALVES; GARAVELLI (2003) foi feita uma análise com balões de números 5, 7, 9, 10 e 11, em bandas de um terço de oitava, em vários pontos de uma determinada sala, onde os resultados foram comparados com o método do ruído interrompido utilizando o ruído rosa23. De acordo com os

resultados, esta metodologia mostrou-se eficaz devido ao baixo erro percentual entre o ruído rosa e o estouro dos balões e precisa, devido ao baixo desvio padrão entre os estouros dos balões. Sendo assim, esta alternativa revelou-se viável para a medição do tempo de reverberação de uma sala de aula ou de qualquer ambiente fechado. O balão n. 9 foi o que melhor se encaixou nos padrões do ruído rosa sendo este, portanto, adotado nesta metodologia.

Como as salas de aula de cada escola têm características e dimensões bem semelhantes, foi medido somente o tempo de reverberação de uma sala em cada instituição.

O tempo de reverberação foi medido com a sala desocupada, uma vez que as pessoas e suas vestimentas oferecem uma absorção sonora adicional. A sala desocupada representa o pior caso, entretanto ainda realista, considerando que a ocupação da maioria das salas varia. “Numa análise completa, este cálculo dever ser feito em cada banda de oitava, já que o TR pode variar consideravelmente em diferentes freqüências. Porém, para uma estimativa, o TR de uma sala de aula pode ser calculado para apenas uma banda de oitava representativa da freqüência da fala, como 1000 Hz. Se esse TR é aceitável, então o TR para as outras bandas de

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“O ruído rosa é uma filtragem do ruído branco, abrangendo uma área mais reduzida do espectro audível, ou seja, sua energia está igualmente distribuída na faixa de freqüências de 500 a 4000 Hz. Por ter energia concentrada numa faixa de freqüências mais estreita do que o ruído branco, sua efetividade de mascaramento para sons da fala é maior, necessitando de menor intensidade total” (SANTOS & RUSSO, 1993 apud RUSSO, 1999, p.165).

freqüência da fala será provavelmente aceitável” (SEEP et al., 2002, p. 18). Neste caso, como se trata de um trabalho mais completo, resolveu-se medir o TR em quatro bandas de freqüência: 250, 500, 1000 e 2000 Hz, visto que “os sons emitidos numa conversação normal estão compreendidos numa faixa de freqüência que varia de 300 a 3000 Hz” (OKUNO; CALDAS; CHOW, 1982, p. 232).

3.3 Pesquisa com professores e alunos

A coleta de dados, nas dez escolas envolvidas na pesquisa, foi feita em épocas diferentes, o que de maneira alguma acarretou prejuízos ao estudo. Como critério de inclusão, considerou-se integrante do estudo a totalidade de alunos regularmente matriculados no Ensino Médio, que freqüentavam as aulas no turno matutino. Quanto aos profissionais, estabeleceu-se, como critério de exclusão, os professores de Educação Física e Educação Artística.

Os professores que ensinavam em mais de um estabelecimento de ensino foram orientados a preencher o questionário somente com base na escola pesquisada.

O questionário já referido continha quatro partes (Apêndice A):

a) identificação geral dos participantes quanto a idade, sexo, tempo de trabalho como professor, segmento em que atua, turno, e exame audiométrico (não era necessário a identificação pessoal do entrevistado, mantendo-se o seu anonimato);

b) questões referentes às condições do ambiente de trabalho; c) questões referentes às condições gerais de saúde;

d) avaliação das condições de trabalho dentro de sala de aula – questões que tratavam especificamente das bases da Psicoacústica ou Acústica Fisiológica.

Foram consideradas no estudo informações de 234 formulários. Os professores da Escola 7 não fizeram parte da amostra, uma vez que a escola tem uma característica muito peculiar, que é a de trabalhar com deficientes auditivos. Por possuir este tipo de característica, não se mensurou os níveis de pressão sonora durante as aulas.

Com relação aos alunos, foram aplicados 673 questionários (Apêndice B). Foram considerados apenas estudantes pertencentes ao Ensino Médio, como citado anteriormente. Os alunos da Escola 5 não fizeram parte da amostra, uma vez que a escola possui uma dinâmica completamente diferente das outras. Nesta, as salas de aula são salas ambiente, onde quem se desloca de uma sala a outra são os alunos. Por esse motivo, também não se mensurou os NPS durante o período das aulas.

Como já mencionado, a escolha da décima escola foi feita apenas com a finalidade de se analisar alguns pontos acerca da flexibilização das regras de uso e ocupação do solo proposta pelo Plano Diretor Local da cidade de Taguatinga. Sendo assim, não houve necessidade de incluir os estudantes na pesquisa, nem tão pouco, avaliar os níveis de pressão sonora durante as aulas.