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3 Analyse

3.7 Jentefellesskapet - Felles vegring mot kvinnerollen

Alfonso permaneceu em Castela até fins de 1247, quando, atendendo ao chamado de Fernando III, reuniu suas tropas para participar daquela que seria a maior e última vitória do monarca castelhano-leonês: a conquista de Sevilha.

Antes, porém, é preciso lembrar que enquanto Alfonso se aventurava por terras portuguesas, Fernando III dava continuidade às suas campanhas de conquista na Andaluzia. Em 1245, o monarca promoveu o terceiro e definitivo cerco contra Jaén, um enclave granadino situado na fronteira com Castela.

Entretanto, devido as intempéries, a campanha militar contra Jaén demorou mais tempo do que se esperava. Segundo a Crónica de Veinte Reyes, o exército de Fernando III teve que suportar um inverno rigoroso, o que provocou a perda de “[...]

muchas bestias e muchos omnes”138.

Após um assédio de sete meses, em fins de fevereiro de 1246 Muhammad Ibn al-Ahmar, rei de Granada, considerando que seria inútil resistir ao cerco, negociou com o monarca castelhano a rendição de Jaén. Como em toda rendição negociada, Fernando III concedeu um prazo para que os muçulmanos deixassem a cidade.

A Primera Crónica General de España relata a ocupação de Jaén de forma bastante precisa:

Desque ouo el nobre rey don Fernando cobrado Jahen [...] et fue apoderado della, entro y con grant proçesion que fezieron toda la clerezia. Et fue luego derechamiente para la mezquita mayor, que fizo luego poner nonbre Sancta Maria et fizo y luego altar a onrra de sancta Maria, et cantar misa a don Gutierre, obispo de Cordoua; estableçio y luego siella et obispado, et heredo muy bien la yglesia et

diol uillas et castiellos et heredamientos. Desy enbio por pobladores a todas partes, enbiando prometer grandes libertades a quantos y veniesen a poblar, et venieron y muchas gentes de toda la tierra, et mandoles partir la uilla et los heredamientos a todos muy comunalmiente, a cada vnos segunt pertenescie, et desy aforolos et conplioles quanto les prometiera139.

A capitulação de Jaén era parte de um acordo muito mais amplo, pelo qual o rei de Granada tornou-se vassalo de Fernando III. Muhammad Ibn al-Ahmar percebeu que não poderia continuar resistindo às investidas do monarca castelhano. Na condição de vassalo, estaria protegido de qualquer agressão.

De acordo com González Jiménez,

[...] la entrada en vasallaje, simbolizada por el gesto de besar la mano del rey de Castilla y la expresión verbal y pública del juramento de fidelidad a su nuevo señor, se completó con una serie de compromisos concretos [...]. El rey de Granda hizo entrega a Fernando III, con Jaén, de toda su tierra140.

Finalizado o ritual de vassalagem, Fernando III devolveu o território de Granada a Ibn al-Ahmar, retendo apenas Jaén. O rei granadino o recebeu na condição de feudo141, obrigando-se a prestar ajuda militar ao monarca castelhano e assistir à sua corte, anualmente. Também ficou estipulado o pagamento anual de 150 mil maravedís142.

Durante o período em que permaneceu em Jaén, Fernando III preparou um cerco a Sevilha. Iniciou efetuando algumas expedições de reconhecimento nos

139 PCG (1955, p.746-747, Tomo II). 140 GONZÁLEZ JIMÉNEZ (2006, p.197).

141 Ganshof classifica essa forma de feudo como “feudo de reprise” (feudun oblatum). Na maioria dos casos o “feudo de reprise” nascia quando o proprietário de um alódio abandonava-o por renúncia, isto é, segundo as formas solenes do abandono de um direito, a uma outra pessoa. Em seguida, depois de ter-se tornado, pela fé e pela homenagem, vassalo da pessoa a quem o havia entregado, recebia a concessão daquele mesmo bem como feudo (GANSHOF, F. L. Que é feudalismo. Mira Sintra – Mem Martins: Europa-América, 1976. p.62).

arredores da capital andaluza. Acompanhado por um destacamento da cavalaria muçulmana da qual se encontrava à frente o rei de Granada, seu mais recente vassalo, o monarca saqueou Carmona e dirigiu-se para Alcalá de Guadaíra, situada a umas três léguas de Sevilha. Após uma breve resistência, o alcaide dessa fortaleza se rendeu ao rei de Granada, que a entregou a Fernando III143.

Na primavera de 1247 Fernando III reiniciou as campanhas militares, tendo dessa vez como objetivo final a conquista de Sevilha144. A primeira vila atacada foi a

de Carmona. Depois a hoste seguiu até o rio Guadalquivir, e enquanto as milícias dos Conselhos lideradas pelo prior de San Juan ocupavam Lora e Setefilla, o monarca, acompanhado pelo restante do exército, atravessou o rio até Cantillana, cuja população foi rendida, e avançou pela margem direita até Alcalá del Rio. Em meados de agosto, uma frota reunida nos portos cantábricos bloqueou a desembocadura do rio Guadalquivir. Iniciou-se então um longo cerco, o maior e mais demorado da Reconquista145.

Em fins de 1247, Fernando III solicitou a Alfonso que se juntasse a ele no acampamento de Tablada, localizado no sul da cidade de Guadalquivir. Alfonso chegou no final de janeiro de 1248, trazendo consigo um numeroso exército, composto por nobres portugueses que haviam acompanhado Sancho II em seu exílio em Toledo146, e por cavaleiros aragoneses e catalães enviados por Jaime I147.

143 PCG (1955, p.748, Tomo II).

144 A conquista de Sevilha ocupa quase toda a narrativa dedicada ao reinado de Fernando III, na Primera Crónica General de España. De um total de 83 capítulos, 55 são dedicados à campanha militar sevilhana.

145 PCG (1955, p.754-757, Tomo II).

146 Sobre a participação de portugueses na campanha de Sevilha, conferir: DAVID, H. Os portugueses e a Reconquista castelhano-aragonesa do século XIII. Actas das II Jornadas Luso- Espanholas de História Medieval, Porto, v.4, p.1029-1041, 1990.

A incorporação de Alfonso à hoste era o reforço de que o rei precisava para apertar o cerco a Sevilha. As tropas acamparam próximo aos muros da cidade; Alfonso cercou a zona palaciana de Buhaira, chamada posteriormente de “Huerta del Rey”, e desse ponto, controlou a região localizada entre o alcácer e a “Puerta de Carmona” (Figura 4).

FIGURA 4 – Mapa: Cerco de Sevilha (1248)

1: Acampamento de Fernando III; 2: Frota de Ramón Bonifaz; 3: Acampamento

sobre a ponte de Triana; 4: Acampamento do príncipe Alfonso; 5: Acampamento de D. Diego López de Haro; 6 Acampamento de D. Rodrigo Gómez de Galícia

Extraído de Torres (2003).

Encurralados, os muçulmanos de Sevilha decidiram negociar a rendição com Fernando III. De acordo com a Primera Crónica General de España, os sevilhanos

apresentaram três propostas para a rendição: primeira, dariam o alcácer de Sevilha; segunda, dariam o alcácer e um terço das rendas com todos os direitos de senhorio; e terceira, cederiam a metade da cidade e fariam um muro entre eles e os cristãos, para que estivessem todos a salvo148.

Diante da recusa de Fernando III, não restou alternativa aos muçulmanos a não ser a de aceitar as duras condições impostas a todas cidades e vilas que haviam enfrentado o rei castelhano: a entrega da cidade e a saída de toda a população muçulmana, à qual foi permitida que levasse consigo “[...] sus aueres et

sus armas et todas sus cosas”149.

As famílias dirigentes de Sevilha foram abandonando paulatinamente a capital. Algumas seguiram o grosso da população muçulmana, em direção à Granada, enquanto outras cruzaram o oceano e foram instalar-se no norte da África ou no Oriente.

O historiador muçulmano Ben Said escreveu, em seu exílio em Meca, um poema no qual lamenta e chora a perda de Sevilha:

Este es Egipto, pero ¿dó está la patria mía? Lágrimas de recuerdos me arrancan sin cesar; Locura fue dejarte, ¡oh bella Andalucía! Tu bien, perdido ahora, acierto a ponderar. ¿Dónde está mi Sevilla? Desde el tiempo dichoso que yo moraba en ella, lo que es gozar no sé. ¡Qué apacible deleite cuando, al son melodioso del laúd, por su río, cantando navegué

Gemían las palomas en el bosque, a la orilla músicas resonaban en el vecino alcor... Cuando pienso en la vida alegre de Sevilla, lo demás de mi vida me parece dolor150.

148 PCG (1955, p.766, Tomo II). 149 PCG (1955, p.767, Tomo II).

Ibn Idhari, cronista árabe contemporâneo, relata com indignação a perda de Sevilha e destila seu ódio contra Alfonso, o responsável, segundo ele, pelo infortúnio dos muçulmanos:

[...] El año 646... se apoderó el tirano Alfonso, el maldito, de la ciudad de Sevilla... después de propinar a sus habitantes el caliz de la muerte con la mucha hambre y la falta de alimentos; todos ellos se hundieron y nadaron en el mar de la muerte, por lo que les sobrevino de calamidades y dolores, que son largos de explicar y describir con palabras y en los que se agotan el papel y la pluma151.

Em 23 de novembro de 1248, um ano e quatro meses após o início do cerco, Alfonso acompanhou Fernando III em sua entrada triunfal em Sevilha. A menos de quatro anos de se tornar monarca, o príncipe testemunhou o acontecimento mais notável do reinado de seu pai: a conquista da antiga capital do império almóada.

Assim que ocupou Sevilha, a primeira providência tomada pelo monarca foi a de instalar a corte para facilitar os trabalhos de organização e distribuição do território e dos imóveis sevilhanos, aos que participaram da conquista152.

Em meados de 1249 Fernando III empreendeu breves campanhas militares, que resultaram na conquista de algumas vilas no extremo sul de Sevilha, como Arcos, Jerez de la Frontera, Cádiz, Medina Sidonia e Vejer, estendendo, desse modo, os domínios de Castela até o Mediterrâneo.

Em 1250 ocorreria um feito de grande valor simbólico para todos os cristãos peninsulares. Nesse ano, os castelhanos liderados por Fernando III chegaram à desembocadura do rio Guadalquivir, o rio que 600 anos antes viu chegar, da África, um exército de muçulmanos a caminho do norte.

151 Apud RODRÍGUEZ LÓPEZ (1994, p.132).