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Antes de entrar na descrição e detalhes do grupo focal, vale fazer uma pequena consideração sobre o que é um grupo focal.

Com os objetivos de contribuir, orientar e subsidiar os pesquisadores que já desenvolvem ou almejam incorporar a técnica de grupos focais ao escopo metodológico de seus estudos, três pesquisadores da Fundação Fiocruz: Otávio Cruz Neto, Fiocruz/ENSP, Marcelo Rasga Moreira, Fiocruz/ENSP/DCS, e Luiz Fernando Mazzei Sucena, Fiocruz/EσSP/DCS, desenvolveram o artigo ―Grupos Focais e Pesquisa Social Qualitativa: o debate orientado como técnica de investigação‖.

Devido ao aprofundamento e à complexidade desenvolvida pelos pesquisadores no referido artigo, utilizaremos de seus conteúdos, de maneira sintética, para apresentar as principais características dessa técnica metodológica, escolhida para coletar os dados qualitativos dessa pesquisa- ação.

De acordo com o artigo, a técnica de grupos focais vem, desde a década de 80, conquistando um local privilegiado, em diferentes áreas de estudo. Os resultados foram de tal forma positivos que a técnica recebeu novo alento no campo das ciências sociais.

5.4.1 Definição de Grupo Focal

Segundo Rodrigues (1988), Grupo Focal (GF) é uma forma rápida, fácil e prática de estar em contato com o outro que se deseja investigar; Gomes e Barbosa (1999) acrescentam que o grupo focal é nada mais nada menos do que um grupo de discussão, não muito grande, informal, mas com o propósito de obter informações de caráter qualitativo em profundidade; por sua vez, Krueger (1996) descreve-o como pessoas reunidas, em um ou em uma série de grupos, com determinada características e que produzem dados qualitativos sobre uma discussão focalizada‖.

Procurando contemplar as preocupações dos diversos autores, poder-se-ia dizer que grupo focal é uma técnica na qual o pesquisador reúne, num mesmo local e período, uma determinada quantidade de pessoas de seu público-alvo de investigações, tendo como

objetivo coletar, a partir do diálogo e do debate, informações acerca de um tema específico.

A principal característica da técnica de Grupos Focais está no fato de ela trabalhar com a reflexão expressa através da ―fala‖ dos participantes (destaca-se que é uma ―fala em debate‖), permitindo que eles apresentem, simultaneamente, seus conceitos, impressões e concepções sobre determinado tema. As informações produzidas ou aprofundadas são essencialmente qualitativas.

Importante é que todos tenham possibilidades iguais de mostrar suas concepções e que elas sejam discutidas. Valoriza-se os debates e o tempo a eles destinado. Acrescenta-se que ―as situações propícias para a aplicação da técnica de Grupo Focal são aquelas nas quais os objetivos da pesquisa, para serem atingidos, requisitam o levantamento, através de debate, das impressões, visões e concepções de mundo de seu público-alvo.‖

5.4.2 Funções desempenhadas na aplicação da técnica de Grupos Focais

Para que a técnica de Grupo Focal atinja pleno êxito, faz-se necessário o desempenho de seis funções, distribuídas e organizadas em dois momentos: durante a realização do grupo: Mediador, Relator, Observador e Operador de Gravação; no pós- grupo: Transcritor de Gravações e Digitador.

Mediador: É o responsável pelo início, pela motivação, pelo desenvolvimento e pela conclusão dos debates.

Relator: É o responsável por anotar as falas, nominando-as, associando-as aos motivos que as incitaram e enfatizando as ideias nelas contidas, além de registrar também a linguagem não verbal dos participantes. O material produzido não precisa ser a transcrição literal das falas, mas sim um rol de posturas, ideias e pontos de vistas que subsidiarão as análises posteriores.

Observador: Função que tem como objetivo analisar e avaliar o processo de condução do Grupo Focal, atendo-se aos participantes isoladamente e em suas relações com o Mediador, Relator e Operador de Gravação.

Operador de Gravação: Função destinada à gravação integral – de acordo com o equipamento disponível - dos debates.

Transcritor de fitas: Sua função é transcrever as falas gravadas, devendo ser a mais fiel possível.

Na pesquisa social, defende-se que os próprios pesquisadores devem realizar os grupos focais, uma vez que a proximidade, o estudo e o conhecimento do objeto de investigação são de fundamental importância para o bom desenvolvimento da técnica.

Devido à precariedade e escassez de recursos, exemplos e evidências demonstram que uma equipe composta por dois pesquisadores, atuando com aplicação, severa disciplina e tempo disponível, pode aplicar a técnica e com ela obter consideráveis êxitos.

Para isso, no momento de realização do grupo, as funções de Relator, Observador e Operador de Gravação, possam ser realizadas por um mesmo pesquisador, permitindo que o outro pesquisador trabalhe apenas como Mediador. Já no momento do pós-grupo, as funções de Transcritor e Digitador podem ser divididas de forma igualitária.

5.4.3 Realização do Grupo Focal - Descrição detalhada sobre o evento

No dia início do segundo semestre de 2016, no CCM, da Universidade Federal da Paraíba, na sala 33, das 17h às 20h, ocorreu o encontro para realização do grupo focal.

O evento esteve sob minha coordenação, contou com a participação do Senhor Ernande Valetin do Prado, nas funções de observador e técnico de filmagens e gravações. Além das nossas presenças, participaram também cinco estudantes extensionistas do Grupo PalhaSUS, presentes nas duas fases da pesquisa: formação em contação de histórias e atuação, como contadores de histórias, em diferentes espaços e ambientes de vivência. O evento tinha previsto em seu escopo a presença de sete participantes, mas que, por motivos pessoais e aspectos conjecturais do dia, teve a ausência de dois participantes.

Iniciamos as atividades às 17h, acolhendo os participantes, onde foi oferecido, preliminarmente um pequeno lanche, com o objetivo de propiciar um ambiente agradável e de conforto. Após o lanche, foi apresentado ao grupo as características do encontro, a forma de condução, as funções de cada participante e as questões que seriam debatidas durante o evento.

Durante a realização do evento, observou-se um clima de grande cordialidade, descontração, concentração e colaboração e tornou-se prazeroso estar presente no evento, agregasse, ainda, o fato de que todos se conheciam, estavam trabalhando juntos nas duas etapas realizadas. Tais aspectos, aliados ao respeito pelas posições individuais e a ausência de constrangimento, favoreceu a construção de um clima de criatividade e produtividade, propiciando um bom resultado.

5.5 APRESENTAÇÃO DE ALGUMAS PERCEPÇÕES, ALGUNS RESULTADOS