�uais as matérias de uma cosmogonia poética presentes na imagem fotográica de Enoque?
�ual a dinâmica da água na fotograia de Enoque? O que simboliza a água em terras áridas?
Como pensar o devaneio do fotógrafo na mobilização da imagem da água?
O universo plástico revela as intimidades do homem no seu universo próprio, cujos elementos do devaneio da matéria predominante são: a água e a terra, matérias da cosmo- gonia que no pensamento bachelardiano, são reveladores de uma pulsão criadora. Ambas as matérias são iliadas. Bachelard (1990b): diz “pela fatalidade da matéria grosseira, a vida terrestre conquista o sonhador que dos relexos da água toma apenas o pretexto de seus sonhos”.
O sonho de água é um indício da vontade de parecer, de duplicar de um sonhador que a contempla. O imaginário da água encontra raízes profundas e nutritivas, a água “não constrói mentiras verdadeiras” (BACHELARD, 1990b), a imagem da água é um imaginário materializante, que une sonho de água a devaneios sensuais.
Diante das águas Narciso tem a revelação de sua identidade, entre o ver e o mostrar, Narciso deseja a água para ser o dono de sua própria imagem. Narciso se entrega às águas, o homem do sertão é o Narciso que olha para a natureza buscando entender os “sinais” do tempo, atribui à água o centro do mundo, a precipitação d’água generaliza a beleza narcí- sica nos sertões, pois é a água o elemento maravilhoso.
O acervo de Enoque sobre a água recorre a três temáticas denunciadoras do apego do sertanejo à água: a valorização de um movimento vivo (o pescador, a canoa, o açude, e o peixe); a celebração (os banhos, e os encontros) e a água como substância de natureza feminina fecundante. Sendo que o mais importante é pensar a água como um elemento singular que transversaliza a vida no sertão de modo uniicador, a imaginação material da água tem um movimento quase imóvel e silencioso, “a água leva-nos. A água embala-nos. A água adormece-nos. A água devolve-nos a nossa mãe” (BACHELARD, 1990b, p. 136).
De outro modo, as vivências no sertão a água e a terra apresentam relação de oposi- ção e complementaridade entre falta e excesso, a umidade da terra molhada é o ponto de fuga da aridez, provedora da vida.
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A composição fotográica da água tem plasticidade. Os ângulos são retos, os hori- zontes amplos, numa composição com bastante unicidade; o espaço da água é supericial, o espelho d´água se sobressai como símbolo da matéria criante.
Mesmo sendo uma substância líquida, a água é “cercada” e “presa” nas paredes dos açudes, uma forma astuciosa que o sertanejo encontrou para “enganar” os regimes de es- cassez da natureza, pois, o “sertão se mostra por meio de uma vegetação quase rasteira, for- mando uma massa ocre-terra, ocre-vegetação, que se estende e oprime os ios de espelhos d’água que insistem em correr entre as terras secas” (ALMEIDA, 2004, p. 24).
O açude surge do paradoxo do ter e do não ter, da manutenção e da desfeita, da escassez e do depois da fartura das chuvas a água mingua, os rebanhos, o homem e as plantações murcham, desiam, e agonizam. O engenho humano restitui a astúcia e, no en- tendimento de Faria (1978, p. 17), o açude é cativeiro d’água, um refrigério para o sertanejo. No acervo de Enoque a água desagua como um universo belo de imagens. A água é um bem simbólico adorado pelo povo do sertão, sonho de vida, uma imagem poética, um princípio do devaneio do ser, de um ser que quer tranquilidade, e a continuidade do ser. Grosso modo, o imaginário age na matéria úmida, de modo que a água desponta como forma primitiva, fértil, feminina nos sertões.
Enoque esteve com o povo. Fotografou o cotidiano do sertanejo. A vida no sertão e os tempos da natureza inspiraram a alma solitária do fotógrafo. Andando pelas cartograias úmidas dos rios intermitentes do sertão – Piranhas/Açu; Seridó, Sabugi; Barra Nova; Acauã. Rios que passavam com seus aguaceiros molhando a terra, e fertilizando a vida, um contra- ponto à escassez. Faria (1978, p. 13) escreveu sobre o rio, belo, pleno em composição, que se harmoniza a uma série de elementos naturais que crescem com o rio:
[...] estancado em açude, continua depois, em verde sinuoso de capinzais, co- pas de mangueiras, leques de coqueiros ou canaviais penteados pelo vento. Milhões de metros cúbicos de água-doce, fria e cheirosa – é que a água nos desertos também cheira – esbarrados pela muralha da parede, aninham pei- xes, caules, folhas, lores e frutos e se esclerosam em veias pela terra a dentro, esverdeando em folhas os sedentos chãos cinzentos daqueles sertões.
O sujeito que acompanha os ritmos do lugar desejava se fotografar em abundância, mesmo efêmera, na água ribanceira. O homem se despe do vestuário utilitarista e diário – da camisa “volta ao mundo”, da calça, dos chinelos e do chapéu de couro; um corpo que deve ser escondido do sol, protegido contra a vegetação espinhosa e traiçoeira, que rasga e inlama o corpo.
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No banho a estética das roupas se dissolve, icando apenas o “pouco pano” das ber- mudas; mesmo assim, na pele do homem sertanejo permanece uma espécie de “segunda pele”, um mimetismo camaleônico herdeiro do sol, num homem que persegue, enfrenta e busca entender a natureza do sertão. A água do sertão se mostra em contrastes, é azul, barrenta, fria, doce, quente, lava e relava o chão cansado, mas ovulante.
A água do rio é caudalosa, rápida, ondulante, inscreve redemoinhos em suas mar- gens, mesmo assim o sujeito a enfrenta, mergulha nela, e volta, formando uma espécie de cerca humana vazada por água. Mesmo com a sisudez dos semblantes marcados pelo sol ardente, existe a certeza de que a vida no sertão triunfa com a água. Por isso, a alegria que o sertanejo tem é inspiração de um bem viver, essa alegria não se traduz, não é vista com os olhos da matéria, e sim pelos olhos dos sentidos e do espírito (ALMEIDA, 2004, p. 28).
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A água que mais sensibilizou o olhar do fotógrafo foi a dos açudes anônimos. A água do açude é uma permanência de esperança, é persistente, duradoura. Deve sobreviver à quentura lamejante do sol na passagem das estações até o retorno do próximo inverno.
A água do açude na enchente é baldeada, escura, barrenta, com o im das chuvas, na estiagem – o tempo se encarrega de depurar, decantar, limpar todas as partículas de impureza do barro, ainda em suspensão na água.
No auge de sua boniteza, a água dos açudes é azul, um azul intenso; e ilumina o horizonte como se o espelho d’água fosse o relexo de um céu azul, limpo, claro, dando a impressão de que a grandeza do céu se funde com a água, descendo ao fundo da ocre terra sem-im.
A água dos açudes têm muitos cheiros; ao longo do dia tem perfume de terra molha- da, de chuva, de água doce; à noite as lores aquáticas (golfe, e vitória-régia) desabrocham tornando o sonho do sertanejo perfumado, e o perfume dessas lores libera a essência da água desnuda, um cheiro de vida, de fertilidade.
No açude a água se impõe em diferentes ritmos, distintamente dos rios, que só tem dois – no rio as margens são rasas, somente o dorso do ribeirão é profundo; no açude a água das margens é sempre calma, serena, segura.
A água do açude é profunda, quanto mais distante das margens, um verdadeiro submundo aquático, plantônico, acolhedor de uma ictiofauna1 singular, um corpo d’água escuro, e frio contrasta com as margens; quanto mais se aproxima da parede, mais pro- fundidade tem a água; o último lugar a secar é o porão do açude e agonizando mostra a intimidade da água – os pequenos peixes, o lodo, e a lama.
À medida que a água evapora, um ritmo novo de vida se manifesta nas vazantes, verdadeiros oásis vivem às margens dos açudes. Na vazante do açude tem milho, melancia, batata, e feijão, safras que se prolongam tanto quanto a bondade da água. Faria (1978, p. 13), em seus estudos sobre o açude, traz uma dimensão de conjunto aquoso representativo do açude (o açude de minha infância). Assim diz:
Espia-se a água se derramando líquida e horizontal pela terra a dentro a se perder de vista. As represas [açudes] esgueiram-se em margens contorcidas e embastadas, onde touceiras de capim de planta ou o mandante de hastes arroxeadas debruçam-se na lodosa lama. O verde das vazantes emoldura o açude no cinzento dos chãos. Do silêncio dos descampados vem o marulhar das marolas que morrem nos rasos. Curimatãs em cardumes comem e va-
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deam nas águas beirihas nas horas frias do quebrar da barra ou ao morrer do dia. Nuvens de marrecas caem dos céus. Pato verdadeiro, putrião e paturi grasnam em coral com o coaxar dos sapos que abraçados se multiplicam em inindáveis desovas geométricas. Gritos de socó martelam espaçadamento os silêncios. O mergulhão risca em rasante voo o espelho líquido das águas. Gar- ças em branco-noivo fazem alvura na lama. É o arremedar, naqueles mundos, do começo do mundo.
A água dos açudes é emblemática no acervo, uma água cativa. É água doce. Parada. Sinonimática de alegria nos encontros entre amigos, parentes nas sangrias dos açudes, um bálsamo para a vida. Uma água tranquila se instala no interior da imagem, signiicando uma calma melancólica e sonhadora do sujeito maravilhado diante das grandes matérias criantes – a água e a terra.
Um campo de visão contínuo, reto, dando por vezes a impressão de uma suspensão da matéria sem a preocupação de historicizar o espaço, prevalecendo apenas a água. Um espelho d’água narcísico
Há um forte apelo estético na composição do acervo fotográico deixado por Eno- que, um sentido de enraizamento se mantém constante. O devaneio poético cria mundos imaginários com abertura para a iccionalização das águas. O sonho de água tem uma raiz pivotante que desce no grande inconsciente da vida infantil primitiva (BACHELARD, 1998b), água é para o homem do sertão o centro de todo o interesse orgânico.
A água está dentro do campo estético do sujeito como maravilhamento, como plas- ticidade que congrega a imensidão numa espécie de beleza sensível. Os espelhos d’água nos açudes, nas barragens, a dança do rio nas margens, constituem um capital cognitivo cheio de imagens e experiências vividas ou projetadas imaginariamente (ALMEIDA, 2004, p. 18).
A água é o elemento potencializador da vida nos sertões, líquido mítico. Sua ausên- cia corresponde à emergência da morte, à propagação dramática da aridez, uma ode ao infortúnio, à vida vegetal, animal e à dinâmica social que se dramatiza ampliando a tragédia do sujeito no espaço. Pois, “todo sertanejo tem sonhos de água. São sonhos com imagens palpáveis, visíveis, ele sonha que um dia o sertão será invadido pelas águas bailarinas da chuva” (ALMEIDA, 2004, p.28).
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Na imagem o espelho de água é quem ganha evidência compositiva, a ênfase vi- sual corresponde a mais de cinquenta por cento de água, em um campo de visão que dá sempre a conotação de profundidade, de amplitude através da água. Água como leveza e melancolia, cuja imensidão se equipara à amplitude do céu.
Bem no meio da imagem desponta uma cerca de pedras e uma vegetação den- sa disposta paralelamente, abrindo para outra perspectiva na imagem, não há margens, cruzam-se os planos horizontais e verticais da imagem como completude, complementari- dade, como se a água reletisse seu duplo num jogo de espelhos. Surge como expansão na dádiva da enchente plena dos açudes, barragens, rios e lagoas.
Na imagem do açude temos uma cosmologia da água envolvente e romantizada, no primeiro plano a água desponta ampla, profunda, leve e silenciosa, ocupando mais de cinquenta por cento do campo de visão, enquanto que no segundo plano aparece na com- posição uma casa harmoniosamente instalada entre a “beira” do açude e uma vegetação levemente espaçada.
As janelas estão fechadas e apenas uma porta lateral se abre, duas janelas postas ao leste da casa permanecem fechadas. A água dá, por vezes, a impressão que adentrará a residência, prevalece um arranjo discreto, mas muito simétrico, fazendo ressaltar a noção de que as margens são seguras.
A simetria leste/oeste some na imagem, prevalecendo somente os eixos superior/ inferior, horizontal/vertical no devaneio aquoso – no centro do campo de visão –, está a água, com sua forma plana, lutuante e profunda restitui a noção de águas primitivas de onde se originou a vida.
A água dos açudes, das barragens, e dos rios, se amplia no campo de visão reto, que se estende ao longo do horizonte, tornando-se grande e profunda em sua singularidade, fazendo surgir uma beleza imaginária através da matéria aquosa – sobretudo porque a água é a condição sui generis para a emergência da vida vegetal, reprodução e sobrevivên- cia animal em domínios do sertão.
No devaneio da matéria, o excesso da água é a resposta à natureza árida. O fotó- grafo precisa preencher as ausências, a falta e a carência desta que se esvai lenta e calma- mente com o sol escaldante no transcorrer do tempo da natureza. A água surge como um bálsamo irradiante de vida, e o sertanejo demonstra o amor pela água entrando em seus leitos numa comunhão renovante. Sendo ponto comum os encontros, os piqueniques, os banhos, a música como uma celebração à água. Nas enchentes dos rios, barragens, açudes
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e lagoas, os sujeitos praticantes do lugar respondem com entusiasmo, sendo comum o banho entre grupos de diferentes idades (da criança até o idoso), numa comunhão harmo- niosa.
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O contentamento é expresso através de demonstrações de coragem, vigor e jovia- lidade nos banhos em açudes. Na pose para a fotograia os sujeitos desejam “ir aos céus”, e se equilibram em cima dos galhos mais altos da árvore morta, provavelmente em função da seca antecedente às águas, e agora mesmo com toda vazão de água se decomporá na esterilidade mortal de sua matéria.
A água suprime a escassez da terra árida, e o fotógrafo cria em seu devaneio uma tessitura imaginária, evocativa dos efeitos da água. O devaneio da água é muito mais uma resistência evocativa da presença simbólica da vida, da fertilidade, pois a água faz renascer o sertão.
O peixe, a pescaria, a canoa mobilizam a água, e instauram o princípio de circulação. O homem com o peixe mostra o resultado de uma pescaria feliz, e todo o esforço do traba- lhado é recompensando com o “troféu-peixe”.
O tamanho do peixe é denunciador de sua precocida- de formativa, o tempo de vida dos microvertebrados aquá- ticos depende diretamente dos ritmos de duração da água, como se trata de uma presença-ausência aquosa, os peixes no sertão não têm tempo para o desenvolvimento total, se- rão sempre peixes pequenos, prevalecendo os cardumes de traíras, curimatã, piau, cascudo. (Faria, 1978.)
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O peixe é ainda um indicativo da relação sertanejo x água, de um homem que não se intimida em dizer que ama e deseja a água com todas as forças da vida. Essa é uma forma de ressaltar que ele a tendo, vive em plenitude.
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A água vem como perspectiva de luidez, leveza, e de lexibilização no enfretamento dos materiais duros. Como na imagem mítica da Fênix que ressurge das cinzas através do tempo, a água faz (re)surgir a fartura, uma pulsão de vida ressurge o tempo todo das águas nas terras ressequidas dos sertões, transformando a aridez em fertilidade, jovialidade e boniteza verdejante.
A celebração porque o sertanejo festeja a água. A água nos açudes possibilita a cele- bração, o descanso, a apreciação das águas, um princípio de imersão, e o encontro festivo entre os sertanejos.
Corrêa e Alvim (1999, p. 60), estudando as águas do rio Tietê/São Paulo, entendem que há uma íntima associação do banho em águas correntes com o simbolismo do batis- mo, que representa a morte e a sepultura, a vida e a ressureição, como foi exposto por São João, assim “a imersão nas águas tem signiicado o retorno ao pré-formal, com seu duplo sentido de morte e dissolução, e também de renascimento e nova circulação, pois imersão multiplica o potencial de vida”.
Para o sertanejo a abundância de água nos tempos de chuva constitui uma rede simbólica de partilha e consumo desta, seja através do encontro dos grupos para o banho, seja como praticantes do ambiente em sua plenitude.
O campo de visão permite compreender a beleza da água que habita o sujeito em seu processo de criação, o elemento aquoso em sua ocupação no espaço que poderá se tornar vazio. Água opera como imaginário carregado de primitividade que atravessa a es- perança silenciosa do sujeito diante da natureza porosa, solúvel e lexível da água.
O enquadramento da água na imagem fotográica emerge sempre no primeiro pla- no, fazendo prevalecer um sentido de profundidade. Um símbolo leve, profundo, intenso, que se impõe à terra dura, pedregosa, e atormentadora do sertão.
A água desponta sempre numa perspectiva linear e com profundidade , como orien- tação do olhar. A distribuição da luz e da sombra permitem acompanhar o movimento do líquido aquoso, suas curvas e sua diminuta ondulação ocasionando um prazer visual na/ da composição.
Enoque revela em sua narrativa de experiências com a água, em sua profundidade, dormente, melancólica, lenta ou calma. Almeida (2003, p. 28), em sua compreensão sobre o sertão enquanto domínio estético, entende que a água é o sonho real-imaginário do ser- tanejo que o mantém dentro da cosmologia sertaneja, num estado vivencial e imaginário.
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Do ponto de vista físico e químico, a água é o solvente universal que transporta gases, elementos e substâncias, compostos orgânicos dissolvidos que são a base da vida animal e vegetal no planeta. O clico hidrológico é um sistema aberto no qual a água circula por meio de precipitação, evaporação e drenagem.
Os estudos de Tundisi (2008) sobre a limnologia2 situam a água como uma substân- cia peculiar, podendo ser encontrada em três estados: líquido, sólido e gasoso. A passagem de um estado para outro se processa por meio da transformação da matéria. A metamor- fose da água é emblemática do poder da transformação e uma forma plena de imaginação (BACHELARD, 1998).
Todo o ciclo hidrológico da água depende da mudança do estado desta da forma líquida (encontrada nos rios, lagos, mares, oceanos, açudes) para a forma gasosa (disposta na atmosfera), numa precipitação ancestral.
O ciclo hidrológico é o princípio uniicador fundamental de tudo o que se refere à água no planeta. O ciclo é o modelo pelo qual se representam a in- terdependência e o movimento contínuo da água nas fases sólida, líquida e gasosa. Toda a água do planeta está em contínuo movimento cíclico entre as reservas sólida, líquida e gasosa. [...] até o inal da década de 1980, acreditava- -se que o ciclo hidrológico no planeta era fechado, ou seja, que a quantidade total de água permanecera sempre a mesma desde o início da Terra. Nenhu- ma água entraria ou deixaria o Planeta a partir do espaço exterior. Descober- tas recentes, entretanto, sugerem que bolas de neve de 20 a 40 toneladas, denominadas pelos cientistas “pequenos cometas”, provenientes de outras regiões do Sistema Solar [...] (TUNDISI, 2008, p. 39).
O sistema hidrológico é, portanto, um sistema aberto que recebe inluência de ou- tros domínios aquosos do Sistema Solar que se vaporizam quando se aproximam da atmos- fera. A físico-química da á água é o mais próximo do pensamento inconsciente do sistema digestor porque tem a imagem clara de que a água alimenta, nutre, sendo uma substância