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Intervju med prosjektleder totalentreprenør

4.1 P ROSJEKT MED TOTALENTREPRISE

4.1.5 Intervju med prosjektleder totalentreprenør

Nesta etapa iniciamos o contato com os oleiros. Esse primeiro momento foi para conversar e mostrar os objetivos da investigação aos oleiros para que a coleta dos dados fosse realizada com fidedignidade. Ela foi realizada à base da observação participante e entrevistas semiestruturadas. Tivemos vários encontros ao ambiente de estudo – Cerâmica Peruana – com a intenção de conhecer e entender a realidade dos oleiros no Povoado Currais Novos.

Quadro 1 - Visita de campo, período e equipamentos utilizados na coleta dos dados da investigação.

Recursos utilizados Descrição Data

Diagnósticos preliminares Levantamentos das Cerâmicas da região do Seridó

Dez./2009 e jan.fev.mar./2010

Entrevistas Celular LG X-250 Dez./2010 a jul./ 2011

Fotografias Câmera digital Sony 10.1 Dez./2010 a jul./2012 Observações participantes

(Diário de campo)

33 encontros Dez./2010 a jul./2012

Fonte: arquivo pessoal.

As coletas de dados aconteceram no início de dezembro de 2010 no ambiente de trabalho dos oleiros, sendo utilizado um celular modelo LG X-250 para gravar as entrevistas, uma câmera Sony 10.1 Mega Pixels e um caderno de campo.

Os equipamentos descritos foram utilizados e serviram para documentar e registrar todos os dados. Em dezembro de 2010, em meio ao tempo seco do Seridó, fizemos a primeira visita ao Povoado Currais Novos com nosso guia Francisjudson Costa de Azevedo. Nesse

momento foi observado se existia mais de uma cerâmica no Povoado em estudo e quais as possibilidades de trabalharmos com fábricas de telhas de cerâmica vermelha e tijolos na comunidade. Foi uma visita rápida, com poucas fotografias e sem muito contato com os moradores da comunidade. Ainda no mês de dezembro, realizamos a segunda visita ao Povoado Currais Novos. Dessa vez tivemos contato com os oleiros e foram registradas fotografias do ambiente de trabalho dos oleiros, da comunidade Povoado Currais Novos, e rápidas conversas com os oleiros.

Depois das festas do final de ano de 2010 era hora de voltarmos para o foco: campo da investigação ou ambiente em estudo, e em janeiro de 2011 voltamos ao Município de Jardim do Seridó, para procurarmos outras fábricas de telhas de cerâmica vermelha, estas instaladas às margens do Rio Seridó, um quilômetro de distância do centro dessa cidade. Tivemos contato direto com o proprietário e expomos os objetivos do trabalho, e ele liberou nossa entrada na Cerâmica. Fizemos observações e registramos fotografias, algo que não demorasse muito. Agradecemos e fomos embora, mas antes de nos despedirmos, agendamos uma nova visita à Cerâmica.

Após quinze dias da última visita estávamos lá, mais uma vez para colher informações sobre a Cerâmica, mas o proprietário estava com restrições ao nosso trabalho. Preferimos, então, registrar com poucas fotografias e agradecemos pelo registro dos trabalhadores em suas funções laborais, mas antes de sairmos, o proprietário deixou claro que “não queria ver aquelas fotos em lugar nenhum”. Concordamos com ele e deixamos claro que elas só seriam publicadas caso autorizasse por escrito, assim como os outros oleiros autorizaram (ver nos apêndices A e B). Saímos daquele ambiente decepcionados, com o gosto de derrota. Passamos alguns dias pensando se era realmente interessante procurar outra cerâmica ou voltar a visitar a Cerâmica Peruana, onde fomos tão bem recebidos.

As dificuldades começaram a aparecer e se não bastasse o que tinha acontecido na última visita à Cerâmica citada, o pen drive com todas as fotografias registradas e alguns dados até o final de 2010 veio a queimar, perdendo tudo. Nesse momento perdemos todos os dados dos dois encontros realizados. A depressão baixou, não sabíamos o que fazer nem como iríamos recuperá-los, procuramos muitos técnicos de informática, mas nenhum deu jeito, logo era hora de sentar e analisar os erros cometidos, pois eles eram aprendizados para um futuro próximo.

Em fevereiro de 2011, já próximo ao carnaval, o tempo era outro, as plantas da região estavam verdes, pois havia chovido na região do Seridó. Voltamos ao Povoado Currais Novos com alguns objetivos já traçados. Dessa vez fomos mais cautelosos, procuramos o

proprietário Manoel Marcelino de Azevedo Neto6, mais conhecido como Manuca7, para expor o que nós estávamos querendo colher da fabricação de telha de cerâmica vermelha, foi uma conversa muito longa, mas muito proveitosa, pois sentimos que ele estava realmente interessado em nos ajudar e contribuir com a investigação. Ficamos fascinados com a forma como ele contava a história de sua família naquele povoado, fomos embora, e num período curto voltamos à Cerâmica Peruana para realizar outros levantamentos sobre ela.

Devido às aulas do mestrado, alguns eventos em Educação Matemática e o lado profissional, não deu para continuar as visitas de campo quinzenalmente. Logo, voltamos ao Povoado Currais Novos em abril de 2011 com as entrevistas semiestruturadas a serem realizadas e fotografias a serem registradas, foram entrevistas rápidas, mas de grande valor.

Quase um mês depois da última entrevista, em meados de maio de 2011, voltamos ao Povoado Currais Novos. Nesse período não estávamos bem psicologicamente em virtude da perda de um ente querido da família, mas como as dificuldades e as barreiras são postas para serem quebradas, buscamos força e passamos por elas dando continuidade à investigação. Voltamos à Cerâmica Peruana durante todo o ano de 2011. Foram ao todo 10 visitas.

A investigação deste trabalho aprofundou-se em janeiro de 2012, quando realizamos 20 visitas à Cerâmica Peruana. Durante as visitas, algumas no período matutino, outras no vespertino, observamos, fotografamos, e conversamos com os oleiros, registrando tudo que podíamos. Foi uma experiência bastante gratificante, pois aprendemos muito com eles e conseguimos transcrever e descrever todo o processo da fabricação das telhas de cerâmica vermelha da Cerâmica Peruana, com detalhes. Nossa investigação tem caráter descritivo e etnográfico apontando formas dos saberes matemáticos do grupo sociocultural – os oleiros da Cerâmica Peruana. Para esse caso a investigação in loco foi fundamental para colhermos os dados e interpretá-las à luz da Etnomatemática.

Destacaremos, no capítulo seguinte, todo o processo da fabricação de telhas de cerâmica vermelha tipo colonial na Cerâmica Peruana.

6 Nome próprio de um dos proprietários da Cerâmica Peruana, o mesmo aceitou que publicássemos seu nome neste trabalho e em artigos acadêmicos, ver no apêndice A.