5. Empiri
5.1. Intervju
As variáveis relacionadas às trabalhadoras foram: a) Variáveis sociodemográficas:
Escolaridade: 0 = não estudou; 1 = ensino fundamental incompleto;
2 = ensino fundamental completo; 3 = ensino médio incompleto; 4 = ensino médio completo; 5 = ensino superior incompleto; 6 = ensino superior completo; 7 = pós-graduação.
Situação conjugal: 1 = casada; 2 = vive junto; 3 = solteira; 4 = separada / divorciada; 5 = viúva.
Número de filhos: variável quantitativa contínua. b) Informações sobre o trabalho:
Tempo de trabalho na indústria: em meses.
Setor de trabalho: 1 = costura; 2 = acabamento; 3 = passadoria. Horário de trabalho: hora de início e de término.
Tipo de contrato: codificado em 0 = atípico6; 1 = típico. c) Variáveis relacionadas ao estilo de vida:
Índice de massa corporal (IMC). O IMC foi calculado a partir da
fórmula peso/altura2. Para a medida do peso foi utilizada uma balança portátil da marca CAMRY® e a altura foi medida com auxílio de uma fita métrica. A trabalhadora era orientada a retirar os sapatos e, de pé, com o dorso encostado na parede, mantinha o queixo paralelo ao chão e, em seguida, a pesquisadora fazia a medida do ponto mais alto da cabeça ao chão. A partir do valor alcançado no cálculo do IMC, o peso foi classificado de acordo com o QUADRO 3.
QUADRO 3
Classificação do peso de acordo com o índice de massa corporal (IMC)
Valor do IMC Peso
Abaixo de 18,5 Peso abaixo do ideal
18,5 a 24,9 Peso ideal
25 a 29,9 Sobrepeso
30 a 34,9 Obesidade I
35 a 39,9 Obesidade II
Acima de 40 Obesidade III
Fonte: World Health Organization (WHO).
6 São considerados contratos típicos o emprego-padrão com jornada fixa de oito horas diárias e
relativa estabilidade. Os contratos atípicos são referentes ao trabalho temporário, parcial, em domicílio e consultoria, resultantes do processo de flexibilização e desregulamentação do trabalho. Esse processo contribui para o aumento da insegurança e precarização de emprego (MATTOSO, 1995).
Tabagismo. O tabagismo foi avaliado com base na recomendação
da Organização Mundial de Saúde (OMS) (1992) em três categorias: fumante = 1: indivíduo que na ocasião da entrevista fuma diariamente qualquer quantidade de cigarro por, pelo menos, seis meses ou que tenha parado de fumar há menos de seis meses; ex-fumante = 2: indivíduo que, tendo sido fumante, não tenha fumado nos últimos seis meses; e não fumante = 3: indivíduo que nunca fumou ou que tenha fumado de forma esporádica em qualquer período da sua vida. Posteriormente, para facilitar análises, considerou-se ex-fumante e fumante = 0; não fumante = 1.
Alcoolismo. O alcoolismo foi avaliado pela escala Cage,
desenvolvida por Mayfield et al. (1974), na sua versão em português. Esta escala contém quatro perguntas e representa um teste de triagem para alcoolismo, sendo considerado alcoolista o indivíduo que apresenta duas ou mais respostas positivas. A variável foi codificada em: não alcoólico = 0; alcoólico = 1.
Prática de atividade física: classificada de acordo com a
recomendação da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte. Não pratica = 0; pratica atividade física por, no mínimo, trinta minutos, pelo menos três vezes por semana = 1 (LEITÃO et al., 2000, SAMPAIO et al., 2009).
Condicionamento físico: avaliado numa escala de 0 a 5 pontos. 0 =
condicionamento precário; e 5 = condicionamento excelente. Valores iguais a zero, 1 e 2 foram considerados baixo condicionamento físico, e valores iguais ou maiores que 3 foram considerados alto condicionamento físico.
d) Variáveis relacionadas à saúde:
Dor: ausência de dor = 0; presença de dor = 1. No caso de
presença de dor, a trabalhadora indicava o local acometido.
Distúrbio psíquico menor (DPM): avaliado pelo Self Reporting Questionnaire (SRQ20). Este instrumento foi proposto por Harding
e colaboradores em 1980 para rastrear distúrbios psíquicos menores e apresenta bom desempenho em termos de
discriminação dos casos positivos e negativos, sendo efetivo para o uso em larga escala. Traduzido e validado para população brasileira apresenta propriedades psicométricas com desempenho aceitável (MARI; WILLIANS, 1986). Trata-se de um instrumento de rápida e fácil aplicação, sendo bem compreendido por pessoas com baixa escolaridade. O escore do SRQ-20 varia desde zero, que indica nenhuma possibilidade de transtorno, a vinte, que sugere extrema possibilidade de transtorno psíquico (GONÇALVES
et al., 2008). O ponto de corte utilizado é de sete respostas
positivas, conforme recomendado por Gonçalves e colaboradores (2008).
e) Atividade doméstica:
A atividade doméstica foi avaliada por um indicador de sobrecarga proposto por Aquino (1996), utilizado em outros estudos no Brasil (REIS et al., 2006; PINHO; ARAÚJO, 2012). Este indicador avalia atividades de cuidar da limpeza, cozinhar, lavar e passar a roupa da casa, numa escala ordinal de 1 a 5, sendo quanto maior o valor maior a participação do indivíduo na atividade. O somatório dos escores correspondentes a estas tarefas gera um escore final para atividade doméstica. A mediana do escore final foi utilizada para classificar a atividade doméstica em: baixa atividade doméstica = 0; alta atividade doméstica = 1.
f) Capacidade para o trabalho:
A capacidade para o trabalho foi avaliada pelo Índice de Capacidade para o Trabalho (ICT). Este índice permite avaliar e detectar precocemente alterações na CT, além de subsidiar informações direcionando medidas preventivas. O ICT avalia a capacidade para o trabalho sob a perspectiva do trabalhador, e é composto por sete dimensões: capacidade para o trabalho atual; capacidade para o trabalho em relação às exigências do trabalho; número atual de doenças autorreferidas e diagnosticadas por médico; perda estimada para o trabalho por causa de doenças; falta ao trabalho decorrente de doenças; prognóstico próprio sobre
a capacidade para o trabalho; e recursos mentais (MARTINEZ; LATORRE, 2006).
O escore total do ICT varia de 7 a 49 pontos, e quanto maior o escore, melhor a capacidade para o trabalho. Este instrumento foi traduzido e adaptado para o português por um grupo multidisciplinar de pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FISCHER, 2005). O ICT mostrou propriedades psicométricas satisfatórias quanto à validade de constructo, critério e confiabilidade (Martinez et al., 2009). De acordo com o escore final, a CT pode ser classificada em quatro categorias de baixa a ótima. Para cada categoria existem medidas ou objetivos específicos, conforme o QUADRO 4 abaixo:
QUADRO 4
Classificação da capacidade para o trabalho e objetivo das medidas
Fonte: Índice de capacidade para o trabalho (TUOMI et al., 2005).