O VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) é um sistema de transporte de passageiros sobre trilhos que possui características que o diferenciam dos sistemas de alta escala como, metrôs e trens urbanos e dos sistemas urbanos rodoviários, ônibus e BRT’s (Bus Rapid Transit), ou Transporte Rápido por Ônibus. Um exemplo de VLT pode ser observado na Figura 4, que mostra o caso da cidade de Charlotte (EUA).
Figura 4 - VLT em Charlotte nos Estados Unidos Fonte: Wikipédia (2015c)
O VLT ocupa uma posição intermediária dentro de uma hierarquia de transporte urbano, isto porque, em centros urbanos pode oferecer uma mistura de acessibilidade peculiar ao ônibus nas ruas com a velocidade e confiabilidade do trem, além de poder atender áreas urbanas percorrendo curtas distâncias ou viagens de médias distâncias em circuitos regionais (MAUNSELL/DPI, 2007).
Para Alouche (2012), “o VLT cumpre um papel estruturador da cidade porque atrai a renovação e uma valorização urbana, coisa que o ônibus não consegue isto porque, o VLT não degrada o ambiente, ao contrário do ônibus” Figura 5.
Figura 5 - VLT como estruturador da paisagem urbana Fonte: Maunsell/DPI (2007)
Segundo (MINISTÈRE DE L’ECOLOGIE, DU DEVÉLOPPEMENT DURABLE ET DE L’ÉNERGIE, 2012, p.10), “o VLT é um acelerador de tendências pré-existentes, seus projetos são acompanhados por uma reabilitação de espaços públicos através de uma mudança de imagem”.
Para Klimekowski e Mielke, (2007) apud Santos et al. (2011, p.2),
O VLT traz características que remontam aos antigos bondes que circulavam nas cidades brasileiras no século XIX até meados do século XX, possuindo, entretanto, um caráter mais inovador, sendo esse indutor de um processo maior de requalificação urbana em grandes centros, permitindo solucionar problemas advindos de aumentos repentinos na demanda por transporte público de massa, do dinamismo urbano associado ao seu crescimento, da poluição e dos congestionamentos nas vias rodoviárias, para principalmente equacionar a qualidade de vida da população urbana e a relação com o ambiente.
Muitas são as cidades no mundo que possuem em suas redes de transporte urbano o sistema VLT. Braz apud Gusson (2008) apud Santos et al. (2011, p.9), afirma que “o sistema de VLT ou Metrô Leve é largamente utilizado e adotado em cerca de mais de 270 cidades pelo mundo, em grande parte em importantes cidades da Europa e dos Estados Unidos”.
Conhecido também como Tramway na Europa e como Light Rail Transit nos Estados Unidos, ele pode operar em vias segregadas ou compartilhando o sistema viário com o tráfego local. Segundo Alouche (2006), as principais características do sistema VLT são:
Custos operacionais próximos aos dos sistemas de ônibus articulados e bi- articulados;
Maior adaptação ao meio urbano e paisagístico, permitindo projeto associado de renovação ou de desenvolvimento urbano;
Compatíveis com áreas de pedestres; Baixo impacto ambiental;
Integra-se facilmente com os sistemas de ônibus e metrô; Ciclo de vida de mais de 30 anos;
Possibilidade de tráfego em trechos segregados; e Alimentação elétrica, biodiesel ou híbrido.
O nível de segregação também é fator que influencia na operacionalidade do sistema, especialmente na velocidade, visto que, um baixo nível de segregação implica em um maior compartilhamento de vias com o tráfego local, resultando em mais cruzamentos e semáforos. Sendo assim, a velocidade precisa ser reduzida, e por consequência a capacidade de transporte diminui. A Figura 6 mostra um exemplo onde o VLT compartilha a via com o tráfego de veículos.
Figura 6 - VLT com baixo nível de segregação
Fonte: MINISTÈRE DE L’ECOLOGIE, DU DEVÉLOPPEMENT DURABLE ET DE L’ÉNERGIE (2012)
Por outro lado, se o sistema tiver alto nível de segregação, as condições de velocidade e capacidade de transporte são melhoradas, conforme demonstrado na Figura 7.
Figura 7 - VLT com alto nível de segregação Fonte: Maunsell/DPI (2007)
Segundo MCIDADES (2007), nessas condições a velocidade de operação fica entre 15 a 30 km/h com uma capacidade de transporte de 25 mil passageiros/hora/sentido, enquanto que, com baixo nível de segregação, esses índices são outros, a velocidade fica entre 12 e 22 km/h e a capacidade de transporte em torno de 18 mil passageiros/hora/sentido.
Outra possibilidade é a operação do sistema em vias totalmente confinadas, neste caso, além da possibilidade de maior automatização, a velocidade de operação fica entre 20 e 37 Km/h e a capacidade de transporte pode ultrapassar os 36 mil passageiros/hora/sentido (MCIDADES, 2007). O VLT em geral é um sistema semi-automatizado, cuja operação é usualmente realizada no modo “marcha à vista”, o que significa ter a intervenção direta do condutor, Figura 8a, supervisionada pelo Centro de Controle Operacional (CCO), como mostra a Figura 8b.
Figura 8ª - Marcha à vista condutor operando o VLT Figura 8b - Sala do CCO do Metrô SP
Fonte: VLT Brasil (2014) Fonte: Metrô SP (2011)
O sistema de bilhetagem também influi nas condições de operacionalidade do VLT, isto porque, quanto mais dinâmico e prático for, maior será a fluidez nas operações de embarque, redundando em menos tempo de parada e de viagem. Bilhetes e cartões comprados
antecipadamente e validados no momento do embarque estão entre as possibilidades (CCR, 2013).
Há ainda outros fatores relevantes à implantação e à operacionalidade do sistema VLT, tais como, tipos de estações e a distância entre elas, abrigos para manutenção e alojamento das composições, controle do sistema de arrecadação, treinamento de pessoal operacional e de manutenção, além dos estudos preliminares imprescindíveis relacionados à demanda, ao trajeto, aos pontos de parada, às intervenções no meio urbano, como desapropriações e outros.
A implantação de um sistema de transporte coletivo sobre trilhos demanda investimentos de alta monta e não é somente isso, a sua operação também é de alto custo. A Constituição brasileira imputa aos municípios a responsabilidade pelo transporte urbano nas cidades, porém esses não têm como arcar sozinhos sem a ajuda do Estado. Dessa maneira, a questão dos recursos parece ser o maior desafio que as cidades brasileiras têm a enfrentar, porém não o único (ALOUCHE, 2008).
3.2. Características técnicas e operacionais do VLT