3 Materiale og Metode
5.2 Styrker og svakheter med metoden
5.2.3 Intern validitet
Fonte: Coleção Português: linguagens, ref. PNLD 2005 (CEREJA & MAGALHÃES, 7º ano 2002, p. 94).
O tratamento dado ao sujeito e predicado parece integrado à construção de sentido do texto, especialmente porque há um direcionamento para a compreensão desse sentido. Isso pode ser verificado na questão 1, reproduzida no exemplo 6. Nela, o aluno é instado a observar a
estrutura das três primeiras estrofes do poema, reproduzido integralmente. Mas, observação é a única operação que o aluno tem de realizar, porque o trabalho fica simplificado ao se perguntar somente o local da ação, sem um objetivo aparente – pela maneira como está formulada a questão – e a partir daí, as letras (b), (c) e (d) priorizam o reconhecimento de funções sintáticas, em nível frasal – considerando-se os versos e as estrofes.
Há que se reconhecer, no entanto, uma boa proposta de trabalho interpretativo sobre a construção do sentido texto, como, por exemplo, a indicação de que a repetição do predicado produz efeitos sonoros e a polissemia da palavra “corda” no poema. Mesmo assim, uma análise mais criteriosa evidenciaria o fato de que há uma forte sugestão de identificar o sujeito como praticante de uma ação, e o predicado, como o lugar de realização da ação. Não há considerações acerca das funções efetivamente exercidas pelos sujeitos no contexto atual do poema. É importante pensar porque é a varredeira que varre, e a lavadeira que bate e a menininha que escova os dentes, quebrando o cognato (varredeira – varre). O sujeito não é batedeira, no caso da lavadeira e nem “escovadeira”, no caso da menininha. Muda-se o elo semântico através de modificações no sujeito e no predicado, ou seja, à lavadeira é imputado o trabalho duro, pesado de “bater” a roupa e à menininha não é imputado nenhum trabalho. De qualquer forma, todos estão seguindo o ritmo, assim como o faz um pião. Seria suficiente trabalhar o sujeito e o predicado assim como o faz o livro didático na questão (1)? Que relação a identificação dessas categorias tem com o restante das questões? De que forma elas participam da construção do sentido do texto? Estando lá, simplesmente? A questão (3) ainda solicita aos alunos “Qual o sujeito dos verbos desenrola e gira?” e o questionamento, do modo como está, não tem nenhum outro objetivo que não seja a identificação da função sintática de sujeito, isto é, a rotulação como um fim em si mesma. Nesse caso, mais uma vez, o objeto de ensino “sujeito” fica restrito ao nível frasal, porque o texto funciona como um suporte para o reconhecimento do sujeito.
As coleções referentes aos PNLDs de 2008, 2011 e 2014 trazem, todas elas, o poema74 “O pássaro e a pedra”, de Ana Paula David dos Santos. Desta vez, foram elaboradas sete questões sobre o poema, sendo que, em uma delas – questão (2), no exemplo 7 – se pergunta qual é o sujeito e qual é o predicado de orações retiradas do poema; mais uma vez, trata-se de um
74
Com exceção da edição referente ao PNLD de 2005, todas as outras trazem na Unidade 2 o tema “Viagem pela
palavra”, em que se trata do gênero poema. Por isso, é razoável que os textos utilizados para explorar o sujeito e
exercício de identificação somente, restrito ao nível frasal, já que as outras questões se dedicam ao desenvolvimento da capacidade de compreensão e interpretação do texto, não necessariamente relacionada ao sujeito e predicado. Esse tipo de proposta faz supor que o trabalho possível de ser realizado com o sujeito “na construção do texto”, como a seção da coleção indica, se limita a uma operação de identificação e (re)conhecimento de funções sintáticas de termos das orações.
Para que seja considerado o nível discursivo, é desejável que se explicite de que modo o sujeito participa da construção do texto. Isso pode ser tratado, no mesmo texto “O pássaro e a pedra”, ensejando uma reflexão sobre a escolha do sujeito “expresso” pelo sintagma nominal. Proceder desse modo é priorizar que o sujeito, conforme observado pela coleção, apresenta como núcleo um substantivo que opera no texto para determinar o tema de que se fala e isso implica razões que são de ordem discursivo-textuais e não porque, como diria Neves, “alguém decidiu, num determinado momento, contemplar uma das ‘subclasses’ de sujeito da Nomenclatura Gramatical Brasileira75” (NEVES, 2003, p. 120).
No caso do poema, a descrição expressa pelo substantivo “pássaro” e, inclusive, sua repetição ao longo do poema tem um efeito, como pode ser analisado no exemplo 7, assim como as elipses, sobretudo, nos três últimos versos. Uma reflexão interessante seria trazer à tona o efeito imagético que a repetição do sintagma nominal pode criar, com as idas e vindas do pássaro na pedra e, ao final, com a permanência dele na pedra – e aí não foi necessária a retomada explícita do sujeito, talvez porque não se precise mais reafirmar que se trata do mesmo pássaro, ao passo que anteriormente isso fosse desejável. Ainda nessa parte, há o mesmo boxe em todas essas três edições, com dizeres semelhantes com aqueles da edição referente ao PNLD 2005 – Exemplo 6 – sobre “Para que servem o sujeito e o predicado”.76 A seguir, o exemplo 7 reproduz a página com a análise que fizemos.
75 A Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB), instituída pela Portaria nº 36 do Ministério da Educação, de 28 de janeiro de 1959, é a sistematização da terminologia do conteúdo de Língua Portuguesa a ser adotada nas escolas do país. Bortoni-Ricardo tece considerações importantes para este trabalho, ao apontar um dos problemas
gerados pela NGB. Ela afirma que “nossos sistemas educacionais não se prepararam para receber, a escola
brasileira foi aos poucos elegendo como o próprio objetivo do ensino da língua portuguesa a memorização dos
conceitos arrolados na NGB, que era uma tarefa mais aligeirada”. Disponível em
<http://www.stellabortoni.com.br/index.php/projetos/projeto-leitura/category/25-
artigos?download=143:nomenclatura-gramatical-brasileira-50-anos-depois>, acesso em 20/01/2015.
76O texto é o seguinte: “Se dizemos simplesmente ‘o mundo’, ‘o homem’, temos a informação sobre dois seres, mas não podemos saber que tipo de relação há entre eles. Se, entretanto, dizemos ‘O homem transforma o mundo’ ou ‘O pássaro transforma a pedra’, conseguimos precisar de quem ou de que estamos falando (sujeito) e