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 PENSAR A ESCOLA COMO EMPRESA;

 PRODUTORA DE RIQUEZAS MORAIS E MATERIAIS;  FORMADORA DE CIDADÃOS ÉTICOS, APTOS A

EMPRESARIAR;

 FORMADORA DE UMA GERAÇÃO DE LÍDERES;  VOLTADA PARA PLANEJAR, EXECUTAR, AVALIAR E

CORRIGIR DESVIOS;

 EFICIENTE EM MÉTODOS E TÉCNICAS;

 EFICAZ NOS RESULTADOS SUPERANDO EXPECTATIVA DA COMUNIDADE E DO INVESTIDOR SOCIAL;

 AGENTE DE EMANCIPAÇÃO PESSOAL.

“v p ”, p p l í p u “ f f á p u v ”, qu g f qu p , tempo. Tais características de ra cionalização são incorporadas ao conceito de produtividade que responde à flexibilização advinda com o modelo de produção toytista como aventado no capítulo 2 deste esforço acadêmico. Neste sentido, a escola,

Com a mencionada transposição, manisfestou -se a tendência a considerar aqueles que ensinam como prestadores de serviço, os que aprendem como clientes e a educação como produto que pode ser produzido com qualidade variável. No entanto sob a égide da qualidade total, o verdadeiro cliente das escolas é a empresa ou a sociedade e os alunos são produtos que os estabelecimentos de ensino fornecer as seus clientes. Para que este produto se revista de alta qualidade, lança - “ qu l l”, que, tendo em vista a satisfação dos clientes, en gaja na tarefa todos os participantes do processo conjugando suas ações, melhorando continuamente suas formas de organização, seus procedimentos e seus produtos. (SAVIANI, 2008c, p. 440).

Do exposto, evidencia- “discurso da qualidade foi assumindo a fisionomia de uma retórica conservadora funcional e coerente como o feroz ataque que hoje sofrem os espaços públicos (democráticos ou potencialmente democráticos), entre eles, a escola das maiorias” GENTI E, 00 , p 115 N sentido, existe a crença de que a escola funcionaria melhor caso seus processos se assemelhassem ao de uma empresa, o que, ademais, é assumida abertamente conforme evidencia a figura 4.

Figura 8 - Slide Nº 10 Apresentação do módulo 2. Premissas da TESE/Formação de gestores escolares. Fev. 2009. SEDUC - CE.

Fonte: Elaboração da equipe de formadores: Ivanildo, Taylana, Fábia, Leila, Morlânia e Mônica.

Em síntese a TESE , g , b “ v up g ”, pressupostos teórico-metodológicos da Teoria do Capital humano e da Qualidade Total na Educação. Com efeito, a Teoria do Capital Humano emerge originalmente no Brasil na vigência da época áurea do Estado de Bem-Estar Social, tendo feições voltadas para a preparação para o trabalho em uma época de expansão do mercado de emprego. Não obstante, pós-década de 1970, verifica-se um ajuste de sua natureza, a qual passa a reforçar os processos de responsabilização do indivíduo pela sua inserção no mercado de trabalho, cada vez mais escassos, em face da crise do capital. Assim, estas características são consubstanciadas nos vocábulos protagonismo juvenil e empregabilidade , o que ademais está consoante ao que preconiza o neoliberalismo, pari passu ao processo de reestruturação produtiva que têm na flexibilização o mote de sua organização. Com efeito, estes processos demandam formas alternativas de formação coetâneas às demandas do capital. Assim,

O novo modelo significa também a passagem da concepção de trabalhador objeto, no sentido de que apenas executa as determinações da cúpula da empresa, para a concepção de trabalhador sujeito, no sentido em que tem autonomia para planejar o próprio trabalho, criar e inovar a serviço do capital [e nos limites deste]. Desta forma, ocorre a valorização da subjetividade, subordinada a lógica do capital, que é explorada a serviço da empresa e a inteligência exigida de forma explícita. Sabe-se que no taylorismo, embora o trabalho também exigisse as atividades intelectuais, elas eram minimizadas e o trabalho fundamentalmente explicitado como “b l”, u j , pu fí . (BRITO, 2005, p.34).

Destarte, portanto, a TESE é mostrada como formidável resposta à racionalização da formação humana ensejada pelos processos de produção na contemporaneidade, ao tempo em que instiga todos na instituição escolar a se esponsabilizarem pelo destino do seu negócio, a educação, ao tempo em que propugna que os indivíduos, caso não sejam absorvidos pelos postos formais de trabalho, podem “empreender” u gó . Elide-se, portanto, qualquer vestígio de antagonismos sociais, poquanto o patrão, assumindo as feições de empresário e agora nosso parceiro nos negócios da educação, e os outrora proletários e trabalhadores, passam a ser considerados também empresários e empreendedores e, por conseguinte, também parceiros. Com efeito, haveremos de precisar que

[...] as relações sociais de produção de existência social são marcadas por uma cisão fundamental: proprietários dos meios de produção e assalariados, não-proprietários, que dispõem, para a troca, unicamente sua força de trabalho, criadora do valor, agora transfigurada numa mercadoria, para o capitalista, igual a qualquer outra. Esta cisão delineia as classes fundamentais do modo de produção capitalista e o eixo para entender as

relações sociais de produção e prática educacional que se dá no seu interior (FRIGOTO, 1989, p.77).

Com suporte nesta premissa epistemológica fundamental, foi possível desvelar muitas das contradições apresentadas no tocante à TESE, às quais acrescentamos aquela relacionada ao ressarcimento do estágio curricular previsto no quadro 7. Com efeito, o estágio que comumente é ressarcido pela empresa aos alunos-estagiários, no EMI desenvolvido no Ceará, é financiado às expensas de recursos públicos. Assim, durante o período de estágio, que varia de quatro a cinco meses, cada aluno recebe o valor de R$ 300,00 mensais. Logo, a burguesia local conta com mais essa outra benesse do Estado que, neste sentido, foi e continua sendo conivente com a socialização de custos outrora assumidos pelas empresas [...] (BOLTANSKI, 2009, p. 280). Ademais, os problemas relacionados aos atrasos e à precária condição social dos discentes, acabam por se apresentar de modo diverso. Com efeito, conforme alude o gestor A,

Os alunos de enfermagem iniciaram as atividades de estágio em junho, mês seis, nós já estamos no mês nove, até agora não receberam, estão esperando, esse recurso seria para custear a ida e volta do estágio, aquisição de algum material para estudos, para que ele pudesse se qualificar. Lamentavelmente os jovens são muito mal orientados, mal esclarecidos, aí vem toda a questão social e acabam por desperdiçar esse dinheiro com frivolidades, gastando com coisas que não tem a menor importância para a sua formação, muitos até se endivida m confiando nesse recurso que é garantido, mas não é certo [...].

Do exposto, no tocante à realidade escolar estadual cearense, há uma tendência à continuidade histórica de linhagem de g v qu p v “ u ” b égide predileta do discurso do atraso econômico e da importância da educação como veículo promotor de desenvolvimento social. Não obstante, de forma subjacente são retomados os pressupostos da Teoria do Capital Humano, mise-em-scène de termos e linguagens derivadas do ambiente empresarial, tendente a mascarar os pressupostos de exploração da classe subalterna, carecendo, assim, de uma crítica contundente às propostas educacionais mistificadoras que a burguesia, como minoria, impõe como sendo de interesse universal.

Instruí-vos, porque precisamos de vossa inteligência. Agitai-vos, porque precisamos de vosso entusiasmo. Organizai-vos, porque carecemos de toda vossa força. (GRAMSCI, 1919, p. 1).