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Embora este tema já tenha sido desenvolvido dentro do corpo central do projeto, é relevante enfatizar o caráter científico que pautou a seleção das áreas consideradas aptas à criação dos Corredores Ecológicos. As fontes de informação para este procedimento são os trabalhos científicos de cerca de 200 diferentes pesquisadores de várias naciona- lidades, trabalhando com os mais diversos grupos taxonômicos da flora e da fauna.

Estes trabalhos foram consolidados (no sentido de definir áreas prioritárias para con- servação) nos últimos sete anos, principalmente em quatro eventos (dois workshops internacionais – Manaus e Miami, e dois workshops regionais – na mata atlântica nordes- tina). Existem tentativas atuais de reavaliar e atualizar tais informações, especialmente através de workshops de iniciativa do Pronabio.

Recomenda-se que o Projeto Parques e Reservas, representado pelos indivíduos que estiverem à sua frente, estejam atentos para possíveis fatos novos advindos dos esfor- ços que eventualmente venham a ser desenvolvidos para a definição ou redefinição de áreas prioritárias para conservação nos biomas Amazônia e Mata Atlântica, bem como em outros biomas brasileiros onde o Projeto possa vir a ser estendido no futuro.

Os corredores foram selecionados usando uma combinação de critérios biológicos e critérios de localização de unidades de conservação existentes. O Projeto tem o objetivo prioritário de consolidar o sistema de unidades de conservação para torná-las mais efeti- vas em seu papel de proteger e conservar a biodiversidade das florestas tropicais bra- sileiras.

O critério de seleção de corredores combinou as metas de consolidação de unidades de conservação com as metas de maximizar a preservação da biodiversidade. Desta forma, a análise compreendeu duas etapas distintas.

Na primeira, foram mapeadas as unidades de conservação na Amazônia e Mata Atlân- tica, e identificados os possíveis corredores, que atenderiam à função de interligar e consolidar as UCs. Ainda nesta etapa, foram selecionados os corredores que apresenta- vam viabilidade institucional para consolidação, por intermédio de criação de novas UCs públicas, por associação com áreas preservadas de grupos indígenas, ou por criação de Reservas Particulares do Patrimônio Natural.

Uma vez definidos os corredores passíveis de criação, foi feita uma seleção baseada em critérios biológicos. Nesta segunda etapa, a distribuição da biodiversidade e de seus componentes mais relevantes (como os endemismos) foram considerados. Tais critérios biológicos devem ser perfeitamente compreendidos neste contexto. Tais critérios foram:

Riqueza de espécies, incluindo número absoluto, bem como percentagem total da

Diversidade de comunidades e ecossistemas, incluindo número de comunidades dis-

tintas e percentagem das comunidades típicas da região.

Conectividade, ou integridade das ligações entre comunidades terrestres e aquáticas

ao longo do corredor.

Integridade, ou tamanho mínimo dos blocos de paisagem natural, para definir a capa-

cidade de suporte de populações de espécies raras e ameaçadas.

Adicionalmente, para a Mata Atlântica, foi acrescentado o critério de riqueza de espé- cies endêmicas, tendo em vista a altíssima proporção de endemismos deste bioma. Como resultado deste processo, chegou-se aos cinco corredores da Amazônia e aos dois da Mata Atlântica.

O Corredor Central da Amazônia, alvo da primeira etapa do projeto, abrange 21.938.000 hectares, que representa 5,48% da área original florestada da Amazônia Legal. Isto repre- senta um pouco mais da metade da área total desmatada das florestas da Amazônia Legal até 1991 (10,5%) de acordo com Fearnside (1995). A maioria do corredor se encontra inserida no estado do Amazonas, embora incluindo também pequenas porções no leste do Pará e extremo sul do estado de Roraima. Abrange 15 unidades de conservação, com uma área total de 8.361.863 ha, ou seja, 37,6% da área do corredor. Todas essas unidades ocorrem dentro do estado do Amazonas, representando 37,5% das 40 unidades existentes e 37,6% da área total de unidades de conservação no estado, que é de 20.272.038 hectares. Em termos de unidades de uso indireto, a representatividade é mais expressiva, contendo 41,3% da área total sob esta categoria de manejo no estado (9.087.433 ha). Um total de 33% da área de unidades de conservação de uso direto do estado do Amazonas (11.147.705 ha) também se encontram dentro do corredor.

Províncias biogeográficas

Em 1975, Udvardy, a pedido da União Mundial para a Conservação (IUCN), elaborou um esquema para categorizar as grandes províncias bióticas do mundo. Para os neotrópi- cos foram identificadas oito províncias a seguir: Guyanan (8.4.1), Amazonian (8.5.1), Madeiran (8.6.1), Campos Limpos (8.28.10), Babaçual (8.29.10), Campos Cerrados (8.30.10), Colombian Montane (8.34.12) e Yungas (8.35.12). O Corredor Central se insere inteiramen- te na Província Amazônica (8.5.1). Udvardy (1984) revisou este esquema, com mais deta- lhe, tomando como base para a Amazônia, as regiões fitogeográficas elaboradas por Prance (1977). Nesse esquema, o Corredor Central está inserido em três províncias: Rio Negro (8.5.1), Manaus (8.7.1) e Solimões (8.8.1).

Províncias geoquímicas

Fittkau (1971) dividiu a bacia Amazônica em três grandes províncias geoquímicas: 1) Região Periférica do Oeste, com formações aluviais que penetram ao leste, e águas e solos relativamente ricas em nutrientes; 2) Regiões Periféricas do Norte e do Sul, os Escudos das Guianas e do Brasil Central, com águas e solos relativamente pobres em nutrientes; e 3) Região Central, de extrema pobreza em termos de nutrientes, coberto por sedimentos terciários de origem fluvial e lacustre. O Corredor Central abrange parte da Região Periférica do Oeste, parte da Região Central, e a Região Periférica do Norte. Klammer (1984) categorizou e mapeou a geologia e as formas de relevo na bacia: Aluvião Quaterná- rio, Sedimentos Pré-Terciários, e Embasamento Cristalino. O Corredor abrange todas as três chamadas “Províncias de Relevo” (Klammer, 1984).

A. 5

ANÁLISE DE REPRESENTATIVIDADE DO