• No results found

Innside (meldepliktige) eiere

In document Statlig eierskap på Oslo Børs (sider 48-58)

SAS AB

B.4 Innside (meldepliktige) eiere

Num estudo bastante minucioso sobre a colocação pronominal no português brasileiro Schei (2003) fez uma comparação entre o português brasileiro (doravante PB) e a gramática normativa, optando por analisar a língua literária, já que para a autora, esta é a modalidade que deveria ser a mais parecida com a descrita nas gramáticas. O objetivo era constatar até que ponto as gramáticas se assemelham ou diferem da modalidade que elas mesmas afirmam descrever. Com relação à escolha do material a ser pesquisado, a autora faz a seguinte afirmação:

Se observarmos a colocação pronominal do PB escrito, podemos constatar que não é só a língua literária que difere das recomendações das gramáticas; há diferenças em qualquer tipo de escrita. Poderíamos, pois, ter escolhido como objeto de estudo

qualquer outro gênero de texto escrito; jornais, revistas, literatura especializada, cartas pessoais, etc.

Um dos pontos positivos do trabalho é que não há preocupação somente em detectar as diferenças, mas também em tentar apontar os fatores que regem a colocação no corpus, ou pelo menos tentar detectar tendências gerais. Segundo a autora, a divergência entre o que se observa no PB literário e a colocação recomendada pelas gramáticas pode ser explicada pelo fato de que as gramáticas baseiam sua descrição da colocação pronominal no português europeu. Há certas diferenças entre o português brasileiro e o europeu, devido a evoluções históricas diferentes nas duas variantes. A norma escrita culta que se formou no Brasil no século XIX foi baseada na variante européia, no entanto, o PB desenvolveu uma colocação pronominal diferente, em um dado momento houve um distanciamento entre a norma e o uso. A norma continuou sendo baseada no PE, enquanto que o uso ficou praticamente sem normatização. Segundo Schei (2003) o modelo brasileiro de colocação ganhou terreno na língua escrita a partir do Modernismo, no entanto a gramática tradicional ainda descreve principalmente a colocação pronominal do português europeu. Com relação a este problema a autora afirma que:

O fato de no Brasil existirem dois modelos de colocação pronominal, um da língua falada e outro da gramática normativa, faz com que na língua escrita de hoje se verifique uma mistura entre o uso do PB falado e a norma da gramática... cada escritor brasileiro faz a sua própria composição individual. (Schei 2003:30).

Foi verificado que não há um único modelo de colocação pronominal usado por todos os escritores, apesar de haver muitos contextos sintáticos nos quais os escritores do corpus analisado usavam a mesma colocação, há também contextos em que há diferenças entre eles. A autora salienta que, certas diferenças entre os escritores poderiam ser explicadas, pelo menos em parte, devido a um desejo por parte deles de aproximar ou distanciar sua linguagem da língua falada. Luft (apud Schei, 2003) aponta que a colocação pronominal com próclise inicial é usada nos escritos que procuram evocar a fala ou dar-lhes um tom coloquial, intimista ou descontraído; enquanto que, por contraste, a ênclise soa a cerimônia e a linguagem objetiva. A autora levanta a hipótese de que os diferentes graus de coloquialidade estariam relacionados a um maior ou menor uso da próclise, e esta é mais característica do PB falado; enquanto que a ênclise é a colocação recomendada pela gramática normativa.

Por meio de uma análise pormenorizada da colocação pronominal em seis gramáticas, em sua maioria, gramáticas bem conhecidas e usadas no país: Bechara (1967), Cuesta & Luz (1983), Cunha (1984), Cunha & Cintra (1991) Luft (1985), Rocha Lima (1980) e Said Ali (1964), a autora chega à conclusão que as gramáticas descrevem antes de tudo a modalidade culta da língua e a língua literária, há poucas referências à linguagem coloquial. No que diz respeito ao PB quase todas apontam algumas características típicas, especialmente a colocação do pronome em início de período e a próclise ao verbo principal nas locuções verbais, mas dão a impressão de que as regras que apresentam valem tanto para o português brasileiro quanto para o europeu. Apresentam praticamente as mesmas regras. 11

Apresentaremos a seguir o resumo de algumas das características da colocação pronominal do PB encontradas por Schei (2003) na análise das obras literárias.

1) O pronome clítico pode ser colocado em início de período, especialmente na fala espontânea e coloquial, o que pode acontecer também na escrita quando se quer dar um tom intimista, descontraído ou coloquial ao escrito.

2) O PB tem uma preferência pela próclise mesmo em casos em que as gramáticas recomendam a ênclise.

3) O pronome é, às vezes, colocado enclítico em casos para os quais as gramáticas prescrevem a próclise. (por exemplo, ênclise em orações subordinadas e depois de negação).

4) No PB há uma grande variabilidade na colocação dos pronomes clíticos, ao contrário do que acontece no português europeu.

5) A mesóclise não ocorre na língua falada do Brasil.

6) É comum, em locuções verbais, a próclise ao verbo principal.

7) Muito pouco é dito sobre as diferenças entre a língua falada e escrita ou entre diferentes níveis estilísticos no PB.

Outra conclusão da autora com relação à comparação dos romances analisados com as gramáticas é que há uma grande diferença entre as gramáticas e o corpus, sendo a próclise bastante comum nos contextos para os quais a gramática prescreve a ênclise (com formas verbais finitas). A autora também conclui que as gramáticas normativas analisadas “não dão conta da colocação pronominal no PB, nem sequer no PB literário”. (Schei 2003:194). E ainda que, não há um único modelo de colocação utilizado por todos os escritores do corpus, mas

11 Bechara (2004) possui uma posição diferente da encontrada nos gramáticos pesquisados por Schei (2003): “Pelas mesmas razões variadíssimas é que no Brasil, na linguagem coloquial, o pronome átono pode assumir posição inicial de período”. (Bechara, 2004:591). Tal posicionamento pode sinalizar o início de uma mudança, da aceitação de uma gramática mais brasileira e que descreva o uso que os brasileiros fazem de sua LM.

que se observam alguns traços comuns a todos ou a quase todos, tais traços poderiam ser considerados típicos do PB, “sobretudo porque, em maior ou menor grau, também se verificam no PB falado”. (Schei 2003:194)

Perini (1998) possui uma posição semelhante à de Schei (2003). Num trabalho descritivo sobre a gramática do português, o autor apresenta uma tendência expressa de considerar o que lhe parece mais “amplamente aceito pelos usuários do padrão brasileiro” (Perini, 1998:229). Tendo como base o que é mais comumente aceito e usado pelos brasileiros, o autor também considera que a ênclise está desaparecendo no PB, e que esta tendência que era dominante na modalidade falada já deixou marcas muito profundas no próprio padrão escrito. Estaríamos caminhando em direção a um só princípio de colocação pronominal, muito mais simples, que estabelece apenas que os clíticos se colocam sempre antes do verbo.

Com relação ao português brasileiro falado, Schei (2003) 12 afirma que a próclise é a colocação predominante, e a variação entre próclise e ênclise que existe em determinados contextos sintáticos é em parte afetada pelo próprio pronome. A autora afirma que a forte preferência do PB pela próclise o distancia do português europeu, mas que, por outro lado, o aproxima do espanhol, do francês e do italiano, que já generalizaram a próclise com verbos finitos simples (menos com certos casos do imperativo). Dentre as características gerais do PB falado encontraram-se as seguintes:

1) a próclise é a colocação predominante e a variação entre próclise e ênclise depende, na maioria das vezes, do próprio pronome.

2) Me é o pronome com maior tendência à próclise, enquanto que se, especialmente indeterminador, tem tendência à ênclise.

3) A próclise é mais comum depois de um sujeito pronominal do que depois de um sujeito nominal, e a próclise ao verbo principal é a colocação predominante nas locuções verbais, a não ser que o pronome seja o.

4) De acordo com a autora, há muitas semelhanças entre a colocação pronominal no PB falado e no PB literário, e que ambas as modalidades diferem do modelo de colocação apresentado pelas gramáticas analisadas.

12 Para a apresentação da colocação pronominal do PB falado a autora baseou-se principalmente em estudos que analisam o corpus do projeto NURC - Projeto de Estudo da Norma Urbana Lingüística Culta. Esse estudo registrou, nos anos 70, a fala de pessoas, geralmente de formação universitária, em situações formais e informais. Visava detectar a norma que está realmente na base da comunicação desta camada social. De acordo com Gärtner (1996) a análise das elocuções registradas no projeto NURC permite ver uma série de fenômenos que vinham sendo considerados substandard pela gramática normativa brasileira, já fazia parte da fala (tensa ou distensa) de pessoas com formação superior.

É importante salientar que, até aqui somente estamos referindo-nos à colocação pronominal, os casos de uso ou não-uso dos pronomes no PB falado e escrito serão tratados mais adiante.

Além do problema da colocação pronominal abordado por Schei (2003), aparece também outro ponto central: a diferença do sistema pronominal, tanto na posição de sujeito, como de complemento, com reflexos inevitáveis nos possessivos e no paradigma das flexões número-pessoais do verbo. Cyrino (1993) em um trabalho similar ao de Schei (2003), que analisou obras teatrais do século XVIII ao século XX, chegou a conclusões semelhantes com relação à mudança dos clíticos no PB.

In document Statlig eierskap på Oslo Børs (sider 48-58)