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As plantas pertencentes a esta família caracterizam-se por serem ervas, subarbustos ou árvores com caule geralmente ramoso. Suas folhas podem ser do tipo simples, alternadas, opostas ou verticiladas, sem estípulas. As inflorescências são, predominantemente, de tipo cimosos (cimas escorpióides), com ou sem brácteas. (BARRROSO, 1984; REITZ, 1970).

Além disso, segundo Barroso (1984, p. 88, 89, grifo nosso), estas plantas apresentam as seguintes características:

As flores são andróginas ou unissexuadas, por aborto, diclamídeas, actinomorfas ou zigomorfas. Cálice gramossépalo, tubuloso, com lobos curtos [...]. Corola tubulosa, infundibuliforme, campanulada, hipocrateriforme ou rotácea, com ou sem apêndices faucais [...], com bordos regular ou irregularmente lobados. Os apêndices da corola podem apresentar-se como saliências carnosas, de vários tipos, originados de dobras ou invaginações do tecido das pétalas [...], e localizar-se na fauce, ou constituir campos pilosos formados de cerdas uncinadas ou retas [...]. Androceu geralmente formado de cinco estames livres, exsertos ou não, com filetes curtos ou longos, filiformes ou mais ou menos robustos, com ou sem apêndices [...], anteras biloculares, rimosas, com lóculos globosos, ovóides, oblongos. Em Heliotropium e Tourcefortia, os estames podem ter anteras livres, com lóculos lineares, filetes curtos, inseridos na base ou na região mediana do tubo da corola, ou as anteras são coniventes, formando estrutura piramidal, sobre o estilete [...]. Gineceu composto de dois a quatro carpelos, constituindo ovário súpero, com dois a quatro lóculos, uniovulados, ou, raramente, uniloculares, com quatro óvulos. Óvulo anátropo, pêndulo do ápice do lóculo; estilete terminal ou ginobásico dividido em dois a quatro ramos ou lobos [...], ou dois estiletes. Fruto indeiscente, carnoso, constituindo uma drupa com dois a quatro lóculos ou unilocular por aborto [...] ou um esquizocarpo dissolvido em quatro núculas livres ou concrescidas duas a duas, com estrutura drupácea [...]; raramente o fruto é seco, unilocular, com pericarpo tênue [...]. Semente com ou sem endosperma. Embrião reto ou curvo [...], com cotilédones planos ou dobrados.

O gênero Heliotropium pertence à família Boraginaceae. O seu nome provém das flores todas viradas para o sol, do grego “helius”, que significa sol e “trope”, virando. As plantas que formam este gênero estão distribuídas predominantemente em regiões tropicais e subtropicais do mundo, principalmente, as áridas (BARROSO, 1984).

A espécie Heliotropium indicum L. (Fig. 1A, p. 37) é uma planta daninha

medianamente frequente nas regiões tropicais do país, onde infesta beira de estradas, terrenos baldios e pastagens. Caracteriza-se pela nítida preferência por solos úmidos e ricos em

matéria orgânica. Popularmente denominada de fedegoso, nos Estados do Ceará e

Pernambuco; podendo ser conhecida como borragem-brava na Bahia, crista de galo na

Bahia, Norte de Minas Gerais e Amazonas ou como água-raquiunhaaçu, jamacanga,

aguaraciunha-açu, jacuacanga, erva-de-são-fiacre, aguaraá, escorpião, cravo-de-urubu,

tureroque, turirí nas outras regiões brasileiras (BRAGA, 1976; LORENZI, 2000; REITZ, 1970).

É válido salientar que segundo Corrêa (1984) outras espécies de plantas também

podem ser conhecidas popularmente de fedegoso.

Como as espécies da família das Leguminosas (divisão Cesalpiniáceas): Cassia calycioides DC, C. chrysocarpa Desv., C. dysophylla Benth., C. Hirsuta L., C. leiophylla Vog., C. oblongifolia Vog., C. paradictyon Vog., C. pauciflora HBK., C. pentagonia Mill., C. pilífera Vog., C. praetexta Vog., C. rotundifolia Pers., C. splendida Vog., C. sulcata DC.,ou variações semelhantes tais como: fedegoso bravo (Heliotropium parviflorum DC., H. portoricense Bello, H. angiospermum Murray, H. parviflorum L.), fedegoso de folha torta (Cassia corumbosa Lam, C. crassifólia Ortega, C. falcata Dum., C. floribunda Hort.); fedegoso do mato (Cassia pubescens Jacq.); fedegoso do Pará (Cassia sericea Sw.); fedegoso dos jardins (Cassia angulata Vog.); fedegoso grande (Cassia quinqueangulata Rich., C. medica Vell.); fedegoso legítimo (Cassia affinis Benth.); fedegoso nativo (Cassia appendiculata Vog., C. australis Vell.); fedegoso verdadeiro (Cassia occidentalis L., C. falcata L., C. geminiflora Schrank, C. linearis Michx.).

As características peculiares à espécie devem-se a presença de frutos fortemente riscados, pecíolos alados, pelos todos singelos (REITZ, 1970), conforme Figura 1D (p. 37).

Essa planta é uma erva anual grosseira, miudamente vilosa, híspida ou hispidulosa, possui de 1,0 a 10,0 dm de altura. Os seus caules são soltamente ramosos, de 3,0 a 10,0 mm de espessura, folhosos, frequentemente fistulosos (Fig. 1E, p. 37). As folhas variam de lâminas ovadas até elípticas, evidentemente venosas, de 4,0 a 15,0 cm de comprimento, e de 2,0 a 10,0 cm de largura; apresentam margem repanda ou ondulosa; ápice

agudo; base obliquamente aguda até obtusa ou subcordada e pecíolo de 4,0 a 10,0 cm de comprimento, geralmente, alado especialmente além do meio (Fig. 1C, p. 37). As inflorescências são uma cima escorpióide singela, muito prolongada, de 5,0 a 30,0 cm de comprimento, levando 2 fileiras densas de flores e frutos (Fig. 1B-F, p. 37). O cálice largamente séssil, de ordinário 1,5 a 2,0 mm de comprimento, lobos lineares ou linear- lanceolados, desiguais; corola azul, roxa ou raramente branca, miudamente pubescente ou estrigosa fora; limbo de 3,0 a 3,5 mm de diâmetro ou raramente estendendo-se até 4,5 mm; lobos largos, largamente ascendentes, obtusos, de 1,0 a 1,3 mm de largura, 0,6 a 0,8 mm de comprimento; tubo prolongado, evidentemente encimando o cálice, em cerca de 3,0 mm de comprimento, com cerca de 1,0 mm de espessura, constringido pela fauce; anteras de 0,5 a 0,6 mm de comprimento, agudas não coerentes, levadas de 0,8 a 1,0 mm acima da base da corola; capítulo estigmático cerca de 0,3 mm de largura e 0,2 mm de comprimento (REITZ, 1970). Os frutos são drupáceo, glabro, de 2,5 mm de comprimento (BRAGA, 1976) (Fig. 1D, p. 37).

As raízes, folhas e flores são utilizadas na medicina popular como desobstruentes diuréticos e peitorais. Suas raízes são comercializadas em barracas de feira livre para formulação de xaropes caseiros utilizados para tratamento auxiliar de bronquites (BRAGA, 1976). Suas folhas são usadas no tratamento de sinais e sintomas considerados como

Fotografia: João Sammy Nery de Souza (A, B, F) Fonte: wikipédia (C, D, E) (A) (B) (C) (D) (E) (F)

Figura 1: Fotografias da espécie Heliotropium indicum L

Legenda: Parte aérea A, inflorescência B, folhas C,