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INNLEDNING

In document Bennett Reklamebyrå AS (sider 5-9)

Outra importante função da arte de contar histórias é o processo de cura terapêutica. Atuando como educador e terapeuta de crianças consideradas problemáticas, Bettelheim (1980) busca restaurar um significado na vida dessas crianças. Ele observa que, através dos séculos, durante os quais os contos de fadas foram sendo recontados, refinados, passaram a transmitir ao mesmo tempo significados manifestos e encobertos, falando simultaneamente a todos os níveis da personalidade humana, comunicando com eficiência a mente ingênua da criança tanto quanto a do adulto.

Aplicado ao modelo psicanalítico, esses contos transmitem importantes mensagens à mente consciente, pré-consciente e inconsciente, em qualquer nível que esteja funcionando. Ao lidar com problemas humanos universais, essas ―estórias‖ falam ao ego em germinação e encorajam o seu desenvolvimento, ao mesmo tempo aliviam as pressões pré-conscientes e inconscientes. O desenrolar dessas ―estórias‖, dão validade e corpo às

pressões do id, mostrando caminho para satisfazê-las, de acordo com as necessidades do ego e do superego.

Quando tentei entender a razão destas estórias terem tanto êxito no enriquecimento da vida interior da criança, tanto mais percebi que estes contos, num sentido bem mais profundo do que outros tipos de leitura, começam onde a criança realmente se encontra no seu psicológico e emocional. Falam de pressões internas graves de um modo que ela inconscientemente compreende e – sem menosprezar as lutas interiores mais sérias que o crescimento pressupõe – oferecem exemplos tanto de soluções temporárias quanto permanentes para dificuldades prementes. [...] transmitem à criança de forma múltipla: que uma luta contra dificuldades graves na vida é inevitável, é parte intrínseca da existência humana – mas se a pessoa não se intimida mas se defronta de modo firme com as opressões inesperadas e muitas vezes injustas, ela dominará todos os obstáculos e, ao fim, emergirá vitoriosa. (BETTELHEIM, 1980, p.14).

Importante observação nos conduz Bettelheim (1980), sobre a intenção da cultura dominante de fingir que o lado escuro do homem não existe, proferindo uma crença num aprimoramento otimista. Sendo a própria psicanálise encarada com o propósito de tornar a vida mais fácil, contrariando o que pretendeu Freud, que seria de capacitar o homem a aceitar sua natureza problemática de vida, sem ser derrotado por ela, ou ser levado ao escapismo: ―A prescrição de Freud é de que só lutando corajosamente contra o que parecem probabilidades sobrepujantes o homem pode ter sucesso em extrair um sentido da sua existência‖. (BETTELHEIM, 1980, p.17).

Observa-se que o texto citado foi escrito na década de 1940, fala de cura terapêutica, de restaurar significado de vida, de opressão e tem uma profunda sintonia com o conceito de inédito-viável, elaborado de forma esperançosa pelo mestre maior da educação popular, Paulo Freire.

Outro aspecto importante que merece reflexão sobre a arte de contar história e o processo de cura dos seres humanos e da sociedade é a revisitação aos conceitos de doença e de saúde. Boff (1999) tece uma significativa reflexão sobre as dimensões saúde e doença. A saúde não é um estado, mas um processo permanente de equilíbrio de todos os fatores que compõem a vida. Que doença significa um dano á totalidade da existência. A vida adoece em diversas dimensões: individual, social e no sentido global da vida. Para este autor, saúde é uma atitude face às várias situações que podem ser doentias ou sãs.

Boff (1999), ao refletir sobre a saúde integral do ser humano, destaca que não é recente a percepção de que a cura é um processo global, que envolve a totalidade do ser humano. Que atitudes desarmônicas consigo, com os outros, com o cosmo e com a forte originária de tudo afetam o equilíbrio físico-psíquico-espiritual do ser humano. Que a cura

acontece com a recuperação deste equilíbrio. Observa que a moderna medicina alternativa busca fazer um resgate das práticas utilizadas pelas medicinas tradicionais, onde as curas eram processadas de forma holística, que se utilizava de diferentes métodos: dança, música, ginástica, poesia, ritos, teatro, admiração de obras de arte e participação de discussões sobre os mais diversos temas.

Observa-se, ainda com Boff (1999), que nas ciências contemporâneas fala-se em corporeidade para expressar o ser humano como um todo vivo e orgânico, extinguindo com a contradição corpo-alma, matéria espírito. Neste sentido, merece reflexão a busca cientifica de extinguir a contradição de razão e emoção. Gonsalves (2015) que pesquisa a importância da educação emocional para o desenvolvimento integral do ser humano, considera que a auto cura é o momento que é possível vivenciar as emoções, que atribui novos significados as situações vivenciadas.

Para Gonsalves (2015) o significado é essencial, pois determina as tendências das respostas, que atuarão de forma decisiva no processo de cura, que é definido pelo estado de harmonia emocional. A autocura é o momento onde se substituem as respostas impulsivas através do manejo consciente, que proporciona o bem-estar. Ou seja, quando ocorre o processo de resignificar a situação, mudam-se os comportamentos, ao mudar a percepção, muda-se realidade.

A arte de contar histórias, que atua nas mais diferentes dimensões do processo humano, pode, de alguma forma, colaborar com a criação de uma visão mais holística do ser humano. Pode ainda, trazer novas respostas as inquietudes conscientes e inconscientes, sejam elas respostas individuais ou coletivas. Pode alterar estados de ânimos, com isto, construir pontes para uma nova compreensão do processo da doença, da cura, da vida. Com isto, colaborar com a realização de um estado harmonioso de viver a vida em sua totalidade.

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