5. Presentasjon og drøfting av utfordringer i arbeidet med Utdanningsvalg i
5.1. Utgangspunktet for samarbeidet og prosessen fram mot
5.1.2. Innhold, organisering, ansvar og samarbeid
O retorno às escolas, algumas semanas depois, se deu para a produção dos dados. Os primeiros procedimentos envolveram a aplicação dos questionários nas escolas, visitas nas casas de alguns pais e entrevistas com professores, técnicos gestores. O Grupo Focal (GF) foi realizado em três escolas, a escola Pau Rosa foi a primeira. Nela a diretora definiu o dia, hora e alunos que participariam do GF tendo em vista a prerrogativa da pesquisa de priorizar aqueles que expressassem interesse pela questão, a direção considerou que os alunos da 8o série dos três turnos (manhã/tarde/noite) seriam mais indicados por serem mais velhos e adiantados no grau de escolaridade, mais tarde percebi que havia consultado alguns professores sobre os alunos mais hábeis, extrovertidos, soltos e com coragem de falar. Uma questão foi destacada diante da condução dada para a formação do GF, era preciso garantir liberdade de expressão e opinião caso contrário o grupo não teria valor.
92 Mais tarde percebi os alunos indicados tinham expressões corporais e comportamentos mais livres na escola. Alguns eram filhos de agricultores associados à ACOJUV, o que indicou que talvez houvesse outros critérios da gestora para a escolha daqueles alunos para a participação no estudo. Ficou acertado que o GF aconteceria debaixo de uma árvore que serve para as roda de bate papo de alunos e de conversas íntimas de alguns professores e funcionários. Neste grupo, participaram alunos, de todos os turnos e turmas que haviam respondido o questionário.
O GF aconteceu num dia ensolarado com muito vento; o clima estava maravilhoso. Meninos e meninas carregaram as cadeiras para debaixo da árvore, um dos alunos registrou a presença da lua no céu, foi então que percebi o significado daquele lugar na escola, para aquelas pessoas. Um oásis de beleza e tranquilidade... Com os alunos posicionados expliquei a técnica do GF e os motivos de estarmos ali conversando, vale destacar que muitos já haviam respondido o questionário e, portanto, já me conheciam e a pesquisa. Mesmo assim, por alguns momento houve certa tensão entre o grupo e o pesquisador a presença da direção foi fundamental, pois transmitiu confiança e familiaridade para o grupo, ale de falando um pouco sobre a ALCOA, isto os deixou mais a vontade para participar. Expliquei o uso da bola que iria circular conforme os pedidos de fala e a sequência das perguntas pré-selecionadas. Os alunos escolheram um para filmar e iniciamos a conversa falando do questionário aplicado nas salas, como forma de chamar atenção para o tema.
No início, o aluno que filmava atrapalhou um pouco interrompendo as falas solicitando para olhar na direção da câmera, tive que intervir para explicar mais uma vez como deveria ser o andamento do trabalho. Em seguida fiz algumas provocações para que as falas fossem direcionadas para o foco do trabalho, o processo de instalação da ALCOA, coisas do tipo: chegou muita gente na cidade, muitos carros, etc... Tivemos momentos maravilhosos, de depoimentos individuais, falas cotidianas sobre a mineradora. De positivo posso destacar a adesão da discussão ao tema, com expressões corporais que indicaram, em muitos momentos, total esquecimento da filmagem. O GF durou cerca de 45/50 minutos. No final a diretora fez o registro de todos com uma fotografia e sorteamos os objetos (bolsa, rádio, relógios, fones) que havia levado para a escola, um deles ficou como prêmio para uma rifa que a direção estava preparando.
O segundo GF foi realizado na escola Jatobá. Num dos intervalos da aplicação dos questionários, conversando com uma das técnicas da escola, que havia sido minha aluna na UFPA, sobre a PUC, o doutorado e sua possibilidade de fazer mestrado, falamos de projeto de pesquisa e aproveitei para tratar do meu trabalho; expliquei a técnica do GF e ela foi logo
93 indicando a 8ª série e alguns alunos/alunas para fazer parte, devido algumas de suas características. Fez colocações também sobre as minhas características e os movimentos sociais e políticas. Perguntou se a base do GF era Paulo Freire em função do debate aberto em grupo e marcou dia e horário para conversar com os alunos e selecionar aqueles que iriam participar. O retorno a escola foi alguns dias depois, um dos professores da 8ª série ajudou a selecionar os alunos e o GF aconteceu nos três últimos tempos de aula, pois neste dia este horário estava vago.
A técnica da escola reservou a sala de leitura (biblioteca) para a realização do GF, um espaço amplo, fechado e com ar condicionado, sem interferência de alunos, funcionários ou professores. Inicialmente fiz a exposição da técnica do Grupo para os alunos e o uso da bola; mostrei diversos objetos (pequenos rádios, relógios, bolsas femininas, fones) produzidos com ajuda do alumínio para favorecer a discussão. Perguntei se podia filmar e gravar a conversa, logo eles se mostraram mais animados. Um dos alunos fez as imagens e o gravador ficou ligado em cima da mesa.
Iniciamos destacamos algumas questões sobre o processo de instalação da mineradora e dados da cidade de Juruti, depois abrimos para as falas. Foi difícil no início conseguir concentração, a máquina de filmar incomodou, eles olhavam muito para ela, depois de um tempo o clima mudou. A conversa começou a fluir livremente quando algumas questões chamaram a atenção e as falas ficaram mais intensas, encontros, desencontros e reencontros de ideias fizeram o grupo esquecer a hora. O assunto foi debatido até esgotar a questão proposta, a vontade de falar era tão grande que outras questões relacionadas à própria escola começou a emergir, foi quando intervi para fechar a discussão do Grupo.
Ninguém da escola acompanhou a discussão do GF os alunos tiveram total liberdade de expressão. Alguns alunos se destacaram pela sua posição frente aos problemas da escola e da mineradora. Expressaram a distância da mineradora do dia a dia da cidade, a promessa do emprego que ainda é forte e a falta da participação coletiva no dia a dia. Disseram acreditam na possibilidade de uma grande destruição ambiental e destacaram que na escola ninguém trata deste assunto. O GF durou cerca de 40 minutos e no final sorteamos os objetos que havia levado.
O terceiro GF foi na escola Preciosa. Este foi o GF mais difícil de ser realizado, pois a escola tem uma vasta experiência com o processo de instalação da mineradora. Apesar do acesso à escola ter sido fácil, houve um pouco de burocracia para a efetivação do GF. A diretora pediu para explicar todos os procedimentos do GF com maior detalhe, mesmo havendo falado dele em nossa primeira conversa, solicitou ainda que a escolha dos
94 participantes fosse exclusivamente da escola. Esta solicitação não era com a intenção de construir um discurso prévio com os alunos sobre o tema, mas queria garantir que as falas no GF fossem recheadas de informação.
O grupo aconteceu no dia, no horário e na sala marcada pela diretora. Ao chegar à escola encontrei os alunos no corredor próximo a secretaria e reconheci alguns do momento de aplicação do questionário. Eles eram de turmas e turnos diferentes, escolhidos pela diretora. Fomos para a sala de aula reservada, logo após o intervalo da merenda. Já não se encontrava quase alunos no corredor, pois estavam em período de prova, isto permitiu tranquilidade para a realização do GF. Tive um trabalho maior para estabelecer interação entre eles e deles com o pesquisador. Olhavam-se desconfiados, inseguros, pois não sabiam o que ia acontecer. Fiz algumas brincadeiras em um relato da experiência pessoal e profissional para deixa-los mais soltos. Eram nove alunos, um ficou por conta da filmagem.
A sala estava arrumada com cadeiras em círculo. Cada um se apresentou e eu comecei a fala destacando a aplicação do questionário e algumas questões lá contidas. Apresentei a técnica do GF, como funcionaria e justificamos a utilização da bola. Entreguei algumas cópias impressa dos temas a ser discutido no Grupo sobre a implantação da Alcoa e iniciamos o bate papo, os alunos estavam tensos, e demorou para relaxarem. A diferença de nível de ensino, de turmas, falta de convivência mais íntima e tempo curto para criar o ambiente prejudicou a expressão livre e participativa dos alunos; a filmagem e a gravação foram fundamentais para um aproveitamento maior das questões colocadas, pois apesar das dificuldades, tivemos falas expressivas, densas, carregadas de histórias e significados sobre a presença da Alcoa no município. O tempo do grupo focal durou 35 minutos.
95 3 VIVÊNCIAS, GESTOS, ATOS, SONHOS E MOVIMENTOS REAIS DA VIDA E DA ESCOLA NA AMAZÔNIA