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INNGANGSDATA OG FORUTSETNINGER

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2 INNGANGSDATA OG FORUTSETNINGER

Se a religião pode ser um elemento inibidor, uma fronteira, para integração dos migrantes, e sobretudo o Islão é percecionado na Europa como algo indesejável e ameaçador, certo é que também pode funcionar de maneira oposta. Mesquitas islâmicas, templos budistas e hindus, igrejas e sinagogas, diferentes locais de culto, espalham-se pelos mais diversos cenários geográficos e coexistem entre si. Embora, certos elementos e práticas religiosas possam parecer estrangeiras (Hirschman 2004), para os imigrantes podem representar um caminho para a integração e adaptação a uma nova cultura e sociedade.

Grupos ou instituições religiosas afiguraram-se muitas vezes como uma das primeiras, senão mesmo a primeira organização onde os imigrantes participam tendo em conta o seu livre acesso, na medida em que não requerem estatuto social nem competências linguísticas, económicas, académicas… (Foley e Hoge 2007; Huang 2015). Ao fazer parte da comunidade religiosa, participando de atividades formais e informais que as congregações proporcionam, o imigrante desenvolve e estabelece uma série de contactos e relações que podem contribuir positivamente para a sua integração e, neste sentido, é de relevância trazer para a investigação o conceito de redes socias que Oliveira (2012: 211) apresenta como “elementos potencialmente facilitadores da participação dos imigrantes na nova ordem interativa”.

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As redes sociais, são relações baseadas na família, parentes, vizinhança, amigos (Boyd 1989), onde se destaca a riqueza da dinâmica inerente à interação social e económica, às trajetórias e canais de mobilidade social e dinâmicas de conflito e mudança (Piselli 1998). No caso dos imigrantes, a comunidade religiosa potencia a criação dessas redes. “A ideia de uma comunidade – de valores partilhados e associação duradoura – muitas vezes são suficientes para motivar as pessoas a confiar e ajudar-se mutuamente, mesmo na ausência de longas relações pessoais" (Hirschman 2004: 1208). As redes sociais envolvem capital social definido por Bourdieu (cit. em Portes, 2000: 134) como “o agregado dos recursos efetivos ou potenciais ligados à posse de uma rede durável de relações mais ou menos institucionalizadas de conhecimento ou reconhecimento mútuo” e é neste sentido que as comunidades religiosas para além do suprimento das necessidades espirituais e emocionais contribuem para os migrantes alcançarem objetivos materiais e lidarem com os desafios que encontram no país de acolhimento, ao mesmo tempo que orientam a vida dos migrantes nos mais diversos níveis, económico, social, cultural… pois, atendem a necessidades de expressão da identidade cultural, equilíbrio emocional e até apoio logístico (OIM 2006; Vilaça 2008).

Hirschman (2004) resume a centralidade do papel da religião em três R’s: refúgio, respeitabilidade e recursos. Embora a sua teoria tenha sido elaborada para estudar o contexto americano, alguns estudos como o de Vilaça (2008) sobre imigração religião e etnicidade e o de Huang (2015) sobre a religião enquanto capital social na Gra-Bretanha, mostram-nos que a mesma pode também ser adaptada a contextos europeus.

O refúgio diz respeito sobretudo ao bem-estar psicológico (Kivisto 2014; Foner e Alba 2008).

A migração internacional, mesmo nesta era de comunicações instantâneas e de viagens de baixo custo, pode ser uma experiência traumatizante. Com a perda de sons, lugares e cheiros familiares, os imigrantes tornam-se estranhos numa terra nova. A expectativa do comportamento habitual, a audição da língua materna, e o apoio de familiares e amigos já não pode ser tomada como garantida. (Hirscham 2004: 1210)

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Os imigrantes recém-chegados, enfrentam desafios e um futuro imprevisível, têm de se adequar a um novo ambiente, aprender uma nova língua… e é neste sentido que a prática da fé se assume como um papel importante que contribui para enfrentar obstáculos e desenvolver um sentimento de pertença e segurança entre os migrantes. De forma a adaptarem-se e a encontrarem significado e identidade num novo contexto social, a reafirmação de crenças tradicionais em geral e a religião em particular desempenham um papel fundamental na medida em que servem de suporte a muitas obrigações e padrões intergeracionais (hierarquia de género, práticas familiares habituais…), ao mesmo tempo que contribuem para o seu reajustamento ao novo contexto (Hirschman 2004). Assim, através da religião é possível os imigrantes preencherem o vazio da perda, na medida em que se relacionam com pessoas que partilham a mesma língua, cultura, valores, crenças e tradições.

Com respeitabilidade estão relacionadas questões como o estatuto e a mobilidade social. Segundo Hirschman (2004) ainda que seja concedido aos imigrantes o acesso formal à educação e ao emprego, muitas outras barreiras informais podem surgir, decorrentes sobretudo do relacionamento com outros membros da sociedade, por exemplo, nos ciclos de amizade ou outros grupos sociais, onde são alvo de discriminação. Por outro lado, muitos imigrantes, no país de destino, experienciam uma mobilidade profissional descendente na medida em que, por exemplo, ocupavam altos cargos profissionais no país de origem que não estão à sua disposição no país de acolhimento por diversas razões. “Ser um bom Cristão, Muçulmano, ou Budista trás respeito dentro da comunidade religiosa (e num contexto mais alargado, étnica). Dentro dos grupos religiosos, normalmente há oportunidades para liderança e serviço que trazem prestígio” (Foner e Alba 2008: 362). É dentro deste quadro que os recém- chegados muitas vezes trilham o caminho para o avanço social e integração na sociedade. Kivisto (2014) acrescenta ainda que em sociedades com uma vasta pluralidade religiosa, a conversão e pertença dos imigrantes a uma determinada religião representa a tentativa de serem aceites na cultura dominante, ou pelo menos numa das várias culturas existes.

Enquanto fonte de recursos, as comunidades religiosas disponibilizam bens e serviços. “Os vínculos de fé são reforçados quando uma comunidade religiosa pode

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fornecer companheirismo não-espiritual e assistência prática para os muitos problemas que os imigrantes enfrentam” (Hirschman 2004: 1229). As comunidades religiosas podem fornecer informações sobre habitação, postos de trabalho, auxiliar na aprendizagem da língua não materna e, dentro da comunidade religiosa, as gerações mais novas, podem conhecer potenciais cônjuges que certamente terão a aprovação dos pais. Assim, “igrejas, sinagogas, templos e mesquitas respondem às necessidades religiosas e espirituais e ao mesmo tempo atendem às necessidades práticas diárias dos seus membros” (Hirschman 2004: 1230) quer a nível económico, social ou cultural.

Neste sentido, e voltando ao conceito de capital social parece-nos importante lembrar Portes (2000: 134) que refere que:

A originalidade e o poder heurístico da noção de capital social provêm de duas fontes: em primeiro lugar, o conceito incide sobre as consequências positivas da sociabilidade, pondo de lado as suas características menos atrativas; em segundo lugar, enquadra essas consequências positivas numa discussão mais ampla acerca do capital, chamando a atenção para o facto de que as formas não monetárias podem ser fontes importantes de poder e influência, à semelhança do volume da carteira de ações ou da conta bancária.

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VI – A Religião: O Islão

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