2. Pressestøtte, formål og praksis
2.5 Innføring av en plattformnøytral støtte i 2014
Paratexto ANO 2007
Assinatura Secretário Municipal de Educação Alexandre Alves Schneider
Capa Amarela – com desenho de crianças brincando e adulto em jogo de tons amarelos. Cores diferentes para cada segmento
Contracapa Nomeia os seguintes membros: Prefeitura da Cidade de São Paulo Secretaria Municipal de Educação Coordenadores de Educação Diretoria de Orientação Técnica
Divisão de Orientação Técnica - Educação De Jovens e Adultos
Divisão de Orientação Técnica - Ensino Fundamental E Médio
Divisão De Orientação Técnica - Educação Infantil Educação Especial
Círculo de Leitura
Tecnologia da Informação e da Comunicação Projetos Especiais / Assessoria Especial Equipe Técnica de Apoio da SME/DOT
Editora Imprensa Oficial
Rua da Mooca, 1921 - São Paulo Estatuto
genérico
Dado no documento de forma explícita
1- Título: Orientações curriculares: expectativas de aprendizagens e orientações didáticas para a educação infantil
2- “Este material busca
subsidiar a prática e a reflexão de todos os envolvidos com uma pedagogia para a infância, na construção de um novo paradigma para a educação infantil.” (Carta do Secretário).
O contexto de produção das OCs nos mostra que a Educação Infantil é supervisionada e regulamentada pelos Municípios, o que justifica a elaboração desse documento pela Prefeitura de São Paulo. O documento não foi criado de forma isolada,
112
9 . # .= % %
( H+'77H# '
tendo sido precedido por uma série de outras prescrições, como pelo Referencial Nacional elaborado em 1997 (MEC), e, posteriormente, por outros documentos intermediários até a elaboração dos documentos em 2006 e 2007 pela Prefeitura de São Paulo, descritos no primeiro capítulo desta tese, desenvolvidos pelo mesmo grupo de elaboradores da prescrição, foco deste estudo, como mostrado no capítulo inicial desta tese.
As discussões sobre formação de professores e adequação dos espaços ainda são centrais no debate desse segmento. Isso se comprova por dois documentos: um documento do MEC voltado para a regulamentação da infraestrutura física dos prédios, e outro da Prefeitura de São Paulo, voltado para formação continuada. Essas discussões são, ainda, reflexo do contexto de criação das instituições de educação infantil.
As OCs seguem todas as características apresentadas por Machado e Bronckart (2005) discutidas no segundo capítulo desta tese, como o fato de proceder de um especialista apresentado na contracapa e citado na Carta, mas sua presença enunciativa não é marcada, ou seja, há o apagamento desse autor real; o coenunciador é mencionado explicitamente na carta - dirigida ao professor; o documento parece ser regido por um contrato implícito de verdade, de garantia de sucesso se o coenunciador cumprir todos os procedimentos indicados; é o “contrato de felicidade”, como ilustra a carta que coloca o documento como um instrumento vivo para o professor. Assim, o documento segue a regra: A (produtor do texto) diz para B (prefeitura de São Paulo) o que C (professores) deve fazer.
Assim, podemos concluir se tratar de uma prescrição descendente, ou seja, oriunda de instâncias superiores, voltada para professores de educação infantil, elaborada pela Prefeitura de São Paulo, como parte de um processo de elaboração de prescrições voltadas para todos os segmentos atendidos pela prefeitura, que se coloca como orientadora das práticas educacionais.
Com esse levantamento, pudemos conhecer o processo que possibilitou a elaboração das Orientações Curriculares de acordo com os dados fornecidos pela Secretaria Municipal de Educação. Assim, encerramos esta seção e nos dirigimos, a seguir, para o contexto de produção das entrevistas.
113
9 . # .= % %
( H+'77H# '
5.2 Contexto de produção da entrevista com a Prescritora
Como discutido anteriormente nesta tese, o contexto de produção influencia a produção de qualquer texto. Assim, também as entrevistas produzidas pela pesquisadora e pelos participantes tiveram essa interferência. Desse modo, iniciamos a análise com a discussão do contexto de produção da entrevista da Prescritora.
Como apresentado, a entrevista se realizou oralmente. Participaram da interação unicamente a pesquisadora e a Prescritora; o encontro aconteceu na PUC de São Paulo em dezembro de 2008. A entrevista se desenvolveu com a finalidade de produzir dados para uma pesquisa em andamento, portanto, tanto a pesquisadora como a Prescritora possuíam, previamente, alguma ideia do tipo de informação a ser obtido. Consequentemente, esse fato direcionou a elaboração das perguntas e, posteriormente, as respostas da Prescritora.
No quadro a seguir podemos verificar as questões relacionadas com o contexto de produção da entrevista.
Quadro 11. Contexto de produção da entrevista da Prescritora Contexto sócio-
histórico mais amplo em que o texto foi produzido, circula e é usado
Acadêmico
Suporte em que o texto é produzido
Linguagem Oral
Modalidade do texto Transcrição de uma interação oral que circulará em uma tese Situação de produção 1. Enunciador – pesquisadora e Prescritora alternadamente
2. Coenunciador – Prescritora e pesquisadora alternadamente 3. O lugar físico da produção – uma sala na PUC – SP
4. O momento da produção – dezembro de 2008, período da manhã 5. O lugar social - acadêmico – entrevista para produção de dados
da pesquisa
6. O papel social do enunciador pesquisadora - entrevistadora e doutoranda
7. O papel social do coenunciador Prescritora – entrevistada, elaboradora de prescrições e professora universitária
8. Hipótese sobre o efeito desejado pelo entrevistador – fazer com que a entrevistada fornecesse as informações sobre o processo de
114
9 . # .= % %
( H+'77H# '
elaboração da prescrição
9. Hipótese sobre o efeito desejado pela entrevistada – fazer com a entrevistadora ficasse satisfeita com as respostas fornecidas
De acordo com o quadro apresentado anteriormente, é possível levantar as primeiras hipóteses sobre a entrevista que poderão, ou não, se confirmar pela análise que se segue. Em primeiro lugar, por se tratar de um contexto sócio-histórico relacionado à esfera acadêmica, algumas características marcantes são conhecidas e esperadas, como, por exemplo, a utilização de um léxico mais adequado a esse contexto, utilização de marcadores organizacionais mais próximos dos marcadores utilizados em textos escritos (após, assim etc.), colocação em cena de um discurso mais teórico.
Do mesmo modo, por se tratar de um texto que provavelmente circulará na esfera acadêmica, a pesquisadora pode ser considerada a primeira destinatária, mas não a única, pois o texto chegará a outras instâncias por meio de diferentes situações, como bancas, apresentação em congressos, artigos e, principalmente, da própria comunidade de pesquisa. A entrevistada, como professora universitária, conhece os desdobramentos de uma pesquisa e sabe que esse texto produzido na entrevista será dirigido, também, para outros enunciadores, ou seja, esse texto terá essa influência. Com isso, podemos dizer que o efeito esperado é mais do que simplesmente fornecer informações para a pesquisadora; é provável que a entrevistada almejasse, também, legitimar seu papel de Prescritora, de especialista selecionada pela Secretaria Municipal de Educação para coordenar a elaboração das Orientações Curriculares de São Paulo.
Outro aspecto relevante refere-se à relação hierárquica estabelecida nesse tipo de troca. Geralmente, parte-se do princípio de que toda relação professor-aluno e pesquisadora-entrevistada, por exemplo, é hierárquica. Essencialmente, qualquer relação professor-aluno é marcada pelo fato de que o professor detém um saber que o aluno deseja (na maioria dos casos) conseguir. De modo semelhante, no caso desta pesquisa, a pesquisadora tem o controle da interação por meio de perguntas que serão colocadas e que são desconhecidas pela entrevistada; porém, por outro lado, a entrevistada tem informações que a pesquisadora não tem e almeja conseguir no tocante ao processo de elaboração do documento.
Assim, no caso específico desta entrevista, temos a colocação em cena de papéis sociais contraditórias, pois ambas, entrevistada e pesquisadora, oscilam na hierarquia de
115
9 . # .= % %
( H+'77H# '
acordo com os papéis: entrevistada e professora universitária; pesquisadora e aluna de doutorado.
Em relação à quantidade de palavras proferidas pela Prescritora, temos os seguintes números: 6536 palavras da Prescritora e 181 da pesquisadora. Esses números mostram que a Prescritora teve oportunidade de se expressar com liberdade e que, provavelmente, a interferência da pesquisadora no direcionamento das respostas foi reduzida. Nesse caso, o contexto de produção interferiu na situação de produção do texto, e a oscilação hierárquica entre as participantes da interação – pesquisadora e entrevistada – possibilitou a produção de um texto em desequilíbrio em termos de interação.
5.3 Contexto de produção da entrevista com a Formadora
Como também apresentado anteriormente, a entrevista se realizou oralmente. Participaram da interação unicamente a pesquisadora e a Formadora; o encontro aconteceu na PUC de São Paulo em 2010. A pesquisadora e a Formadora possuíam, previamente, alguma ideia do tipo de informação a ser obtida.
No quadro a seguir podemos verificar as questões relacionadas com o contexto de produção da entrevista.
Quadro 12. Contexto de produção da entrevista da Formadora Contexto sócio-histórico
mais amplo em que o texto se produz, circula e é usado
Acadêmico
Modalidade do texto Transcrição de uma interação oral que circulará em uma tese Suporte em que o texto é
produzido
Linguagem Oral
Suporte de circulação do texto
Tese
Situação de produção 1. Enunciador – pesquisadora e Formadora alternadamente 2. Coenunciador – Formadora e pesquisadora alternadamente 3. O lugar físico da produção – PUC/SP
4. O momento da produção – junho de 2010, período da manhã 5. O lugar social - acadêmico – entrevista para produção de dados
116
9 . # .= % %
( H+'77H# '
da pesquisa
6. O papel social do enunciador pesquisadora – entrevistadora, doutoranda
7. O papel social do coenunciador Formadora – entrevistada, membro do grupo de formadores da Prefeitura de São Paulo 8. Hipótese sobre o efeito desejado pelo entrevistador – fazer com
que a entrevistada fornecesse as informações sobre o processo de difusão da prescrição
9. Hipótese sobre o efeito desejado - atender as expectativas da entrevistadora com as respostas fornecidas
De acordo com o quadro apresentado anteriormente, é possível levantar algumas hipóteses sobre a entrevista. Em primeiro lugar, assim como a Prescritora, a Formadora conhece o meio acadêmico, pois já possui o título de mestre, portanto, ela também tem conhecimento dos possíveis locais de circulação da entrevista, por isso, pode-se pensar que esse fato influenciou suas respostas. No entanto, no início da entrevista foi acordado entre pesquisadora e Formadora a omissão do nome da entrevistada; em vista disso, podemos supor que a omissão do nome tenha gerado outro tipo de influência nas respostas dadas. O fato de a pesquisadora e de a Formadora se conhecerem previamente facilitou a interação; as duas estavam muito à vontade e pode-se dizer que a entrevista se desenvolveu como um bate-papo. Em termos quantitativos, temos: 5.541 palavras da Formadora e 1.249 da pesquisadora. Esses números podem parecer contraditórios em relação à afirmação anterior sobre a interação dos participantes da entrevista; no entanto, os turnos esclarecem melhor esse ponto, como veremos ainda neste capítulo.