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5. Kvalitative funn og diskusjon

5.4. Informasjon via tekst versus tegnspråk

tre pontos ou até mesmo intervalos abstratos e, muitas vezes, sua utilização cobre uma variedade tão ampla de objetos e significados que procurar conceituá -lo implica uma tarefa árdua. Segundo Kant (1996, p.75), a noção de espaço procura dar conta da forma de todos os fenômenos dos sentidos externos, pois é visto como a “condição subjetiva da sensibilidade unicamente sob a qual nos é possível a intuição externa”. Na acepção kantiana, o espaço é visto como um contêiner – premissa de influência newtoniana segundo a qual a ideia de “espaço -nível” ou de “espaço -continente” é anterior ao conjunto das relações humanas.

No entanto, não é assim para a geografia. Segundo Santos (1996, p.120), “o espaço que nos interessa é o espaço humano ou o espaço social” e, ao tentarmos conduzir a discussão para essa abordagem, percebemos que a noção kantiana de espaço como mero receptáculo das coisas se apresenta pouco abrangente. Isso se dá, entre outros motivos, porque, nessa perspectiva, uma visão social compreende- ria o espaço somente como “um reflexo da sociedade, uma tela de fundo onde os fatos sociais se inscrevem à vontade, na medida em que acontecem” (Santos, 1996, p.126).

Ora, um espaço social pensado como mero pano de fundo traz consigo uma passividade, um vazio que, de fato, não existe. Uma conclusão embasada nessa reflexão deduziria, no máximo, que as relações sociais e suas contradições se dão sobre uma base neutra, inerte e apolítica. Ao contrapor tal definição, Santos (1996, p.128) defende a ideia de que o espaço é “um fato social, uma realidade objetiva”. Como um resultado histórico das relações e das práticas sociais, ele adquire uma significação autêntica e se impõe ao indiví- duo e às coisas, atribuindo -lhes um sentido.

Desse modo, o espaço deve ser considerado uma instância social, ou seja, “a essência do espaço é social” e, tal como se apresenta, ele contém as instâncias econômicas, políticas e culturais -ideológicas, assim como cada uma dessas instâncias o contém (Santos, 2008, p.12). A partir dessa apreensão, conclui -se que o “espaço social- mente construído compreende o conjunto de elementos materiais transformados pelas práticas econômicas, apropriadas pelas práti-

cas políticas e constituídas em significações pelas práticas culturais- -ideológicas” (Barrios, 1986, p.19). Como os processos sociais só se realizam quando assumem uma forma espacial, não existe dinâmica econômica, política ou cultural que prescinda do espaço. Da mes- ma forma, o espaço é o acúmulo das dinâmicas mencionadas num contexto histórico.

Pensar o espaço na contextura das práticas sociais é conceder -lhe uma vivência efetiva. Essa espacialidade, uma construção socialmen- te elaborada e rica em relações contraditórias, apresenta -se quando o ser humano projeta a si mesmo na natureza. Tal projeção se dá por meio do trabalho, mais especificamente do trabalho organizado coletivamente ao longo dos processos históricos: o trabalho social. Portanto, vemos o espaço “como um produto histórico e social das relações que se estabelecem entre a sociedade e o meio circundante. Essas relações são, antes de mais nada, relações de trabalho dentro do processo produtivo geral da sociedade” (Carlos, 1992, p.15).

Contudo, é inconcebível imaginar um sistema produtivo que não traga em si as bases para sua própria continuidade. Pensar numa situação desse tipo significaria conceber os meios de produção e as forças produtivas como sistemas absurdamente curtos, incapazes de estruturar valores estratégicos. Sabemos que isso não corresponde à verdade: os meios de produção e as forças produtivas se fazem re- sistentes justamente por propiciarem, no seu processo produtivo, as condições para sua reprodução. Assim, as próprias relações sociais de uma determinada configuração de acumulação elaboram os meios que reproduzirão as suas necessidades e os seus valores. É bom dei- xarmos claro que o termo “produção” deve ser interpretado de duas maneiras: por seu sentido estrito (criação de bens e mercadorias) e pela geração dos modelos organizacionais do sistema (valores incrus- tados nas relações, costumes e ideologias sociais).

Dessa maneira, ao considerar o espaço um plano dimensional em que a sociedade vê cristalizado o resultado do seu trabalho, es- tamos interpretando -o não apenas como um produto social, mas também como um condicionante da articulação das condições que reproduzem as práticas sociais, econômicas e políticas. O espaço

geográfico, “conjunto de objetos criados pelo homem e dispostos sobre a superfície da terra, é assim um meio de vida no presente (produção), mas também uma condição para o futuro (reprodu- ção)” (Corrêa, 1991, p.55).

No que diz respeito à interpretação das diferentes configurações de acumulação capitalista, podemos concebê -las intrinsecamente ligadas à organização espacial. Essa organização, envolvida direta- mente com o resultado do trabalho, refletirá todas as relações de apropriação/dominação numa sociedade fundada na produção/ circulação/consumo de mercadorias. As contradições apreendidas no espaço serão manifestações da lógica desse sistema.

O conceito de organização, nesse caso, não pode se limitar à con- cepção trabalhada pela sociologia funcional e pela gestão empresa- rial, que o lê a partir de uma visão racionalista simples, com um funcionamento fixado a um organograma e movido por finalidades claramente definidas. A essa visão de organização como “sistema cooperativo”, contrapomos um olhar mais abrangente, que alcança o conjunto de processos sociais ao tornar possível a dinâmica de um sistema por meio de suas composições, contradições, mudanças e superações (Lévy; Lassault, 2003).

A organização espacial (ou territorial) implica, tal como apon- ta Corrêa (1991, p.54), que os objetos fixos e as formas espaciais “estão distribuídos e/ou organizados sobre a superfície da Terra de acordo com alguma lógica”. Desse modo, “o conjunto de todas essas formas configura a organização espacial da sociedade”, que é assim constituída pelo conjunto das inúmeras cristalizações criadas pelo trabalho social. O caráter repetitivo das operações econômicas, políticas e culturais na sociedade implica que se tenha uma locali- zação fixa para os objetos e que os fluxos de produtos e pessoas se realizem com eficiência, resultando em materializações constituí-

das por padrões de localização (Coraggio6 apud Corrêa, 1991). Os

pontos, as linhas e as áreas que correspondem à linguagem desses

6 CORAGGIO, José Luís. Considerações teórico -metodológicas sobre as for- mas sociais da organização do espaço e suas tendências na América Latina.

padrões de localização, nunca indiferentes ao movimento da histó- ria, representam a organização espacial ou territorial.

Nesse sentido, a busca por uma análise mais completa das hete- rogeneidades das transformações sociais, políticas e econômicas em tempos de mundialização capitalista perpassa por uma investigação da dialética espacial e de sua organização. “Os dois conjuntos de re- lações estruturadas (o social e o espacial) são não apenas homólogos, no sentido de provirem das mesmas origens no modo de produção, como também dialeticamente inseparáveis” (Soja, 1993, p.99).

Território: como trabalhar esse conceito a partir