5 Diskusjon
5.3 Implikasjoner for forskningspolitikk og innovasjon
Acidente Vascular Cerebral é uma das principais causas de morte em Portugal; b) a febre, hiperglicemia e disfagia são complicações frequentes em doentes com AVC e são indicadores de pior prognóstico e que c) um grupo de investigadores na Austrália realizou um estudo QASC, com 1696 participantes, tendo demonstrado que a intervenção de Enfermagem na avaliação e gestão da febre, da hiperglicemia e da deglutição (protocolos FeSS – Fever,
Sugar, Swallow) após AVC, diminui a morte e a dependência em 16%. (Middleton et al.,
2011), elaborou-se a seguinte questão de investigação:
Q1: Qual o impacto da implementação dos protocolos FeSS (Fever, Sugar, Swallow) nos doentes com AVC internado na Unidade de AVC de uma instituição da zona centro de Portugal?
Como nos refere Fortin (1999), as questões de investigação são interrogações claras sobre o domínio que motiva o estudo e direcionados à população-alvo definida.
Tendo por referência a questão de investigação enunciada, definiu-se como objetivo geral do estudo: avaliar o impacto da implementação do protocolo FeSS (Fever, Sugar, Swallow) no doente com AVC internado na UAVC-UCAP.
Em investigação, os objetivos surgem como delimitadores do problema e do alcance da investigação, definindo o que se pretende analisar. Auxiliam na definição do tipo de estudo e os dados a colher (Gauthier, Cabral, Santos, & Tavares, 1998). Fortin (1999) refere ainda que os objetivos indicam o porquê da investigação.
De modo especificar o objetivo geral e a necessidade de caracterizar algumas variáveis sociodemográficas e clínicas da população alvo foram definidos os seguintes objetivos específicos:
1. Descrever as características sociodemográficas dos doentes com AVC internados na UAVC-UCAP;
2. Monitorizar o grau de funcionalidade (Rankin) dos doentes antes do AVC, à admissão, na alta hospitalar e aos 3 meses após o AVC;
3. Monitorizar o grau de dependência (Barthel) dos doentes antes do AVC, à admissão, na alta hospitalar e aos 3 meses após o AVC;
4. Verificar se a temperatura e a glicémia capilar são avaliadas pelo menos quatro vezes por dia nas primeiras 72 horas de internamento na UAVC-UCAP;
5. Analisar o número de doentes que foi sujeito a rastreio da disfagia;
6. Caracterizar os profissionais de saúde que realizaram a avaliação da disfagia;
7. Comparar os cuidados ao doente com AVC antes e após a implementação dos protocolos FeSS do projeto QASC, relativamente à monitorização e tratamento da febre, hiperglicemia e disfagia;
Como refere Fortin (1999), uma hipótese relaciona duas ou mais variáveis, combina o problema e o objetivo com o intuito de ir ao encontro dos resultados esperados. Tendo por base a bibliografia consultada para a elaboração do enquadramento teórico, a questão de investigação, assim como os objetivos delineados, elaboraram-se as seguintes hipóteses de investigação:
H1: A funcionalidade do doente aos três meses após AVC melhora com a implementação do protocolo FeSS;
H2: A independência do doente aos três meses após AVC melhora com a implementação do protocolo FeSS;
De modo a concretizar o estudo, decidiu-se formar duas amostras/grupos de doentes com AVC: um primeiro grupo, como grupo de controlo, não tendo sido instituída nenhuma
alteração nos cuidados prestados após o AVC; e um segundo grupo a quem foi sujeito a implementação do protocolo FeSS.
Numa primeira fase foi efetuada a colheita de dados referente ao primeiro grupo, onde não foi implementada nenhuma alteração aos cuidados de Enfermagem à pessoa com AVC. Após a colheita de dados ao primeiro grupo, procedeu-se a implementação do protocolo FeSS. Para ser possível cumprir os timings da realização do presente trabalho académico, a colheita de dados do segundo grupo, decorreu logo após terem sidos colocados em prática os protocolos, com conhecimento por parte da equipa internacional QASC, desfasando assim do Projeto Europa QASC, que recomenda três meses de aplicação do protocolo e só posteriormente iniciar a colheita do segundo grupo. Assim, os dados do grupo após implementação serão exclusivos do presente trabalho, sendo à posteriori realizada a colheita do grupo de doentes após implementação a inserir na base de dados RES-Q, aquando dos
timings definidos do projeto.
Apresenta-se de seguida o desenho (Figura 3) do presente trabalho de investigação para melhor compreensão das várias fases do estudo:
Figura 3 - Desenho/cronograma do estudo
Avaliação e discussão de resultados Pós- Implementação Implementação do Protocolo FeSS Pré- Implementação Colheita de dados QASC Europa (1º grupo) n=40 a 100 Formação sobre o Protocolo FeSS à Equipa UCAP Colheita de dados (2º grupo) n=40 a 100
Monitorização dos doentes aos 3 meses (2º Grupo)
Monitorização dos doentes aos
3meses
Continuação da monitorização aos 3 meses (1º Grupo) Desenvolvimento
do Protocolo FeSS
Tendo por base o exposto, o nosso estudo é longitudinal prospetivo, descritivo comparativo e do tipo quase experimental. Classificamos como quase experimental, dado que não há controlo de algumas variáveis e porque as pessoas em estudo não foram selecionadas ao acaso para os grupos. No que concerne ao método de tratamento de dados trata-se de um estudo quantitativo, dado que se pretende descrever, e verificar relações entre variáveis (Fortin, 1999).
2.2. POPULAÇÃO E AMOSTRA
A população-alvo deste estudo inclui os doentes internados na Unidade de Cuidados Agudos Polivalente do Centro Hospitalar de Leiria com AVC. A técnica de amostragem utilizada foi a não probabilística por conveniência, cumprindo os critérios de inclusão e exclusão definidos. Foram formados dois grupos de avaliação:
• O primeiro grupo composto pelos doentes internados de 20 de junho até 20 de setembro de 2019, antes da implementação dos protocolos FeSS;
• O segundo grupo, composto pelos doentes internados entre 9 de outubro de 2019 e 31 de dezembro de 2019, após a realização da formação para implementação dos protocolos FeSS.
Para a seleção da amostra foram definidos os seguintes critérios de inclusão, cumprindo os previamente definidos pelo projeto QASC:
• Doentes internados com AVC na Unidade de AVC da Unidade de Cuidados Agudos Polivalente do Centro Hospitalar de Leiria;
• Doentes com início de sintomas com menos de 48 horas à admissão hospitalar; • Doentes que não se encontrem em cuidados paliativos.
• Doentes com diagnóstico de AVC, AVC isquémico, AVC Hemorrágico, Enfarte Cerebral, Hemorragia Cerebral, AVC não especificado, Hemorragia intracerebral não especificada;
• Doentes com idade superior a 18 anos;
• Doentes com capacidade para assinar e consentir a participação do estudo (através do consentimento informado, livre e esclarecido para participação em investigação aprovado para o estudo);
Definiram-se ainda critérios de exclusão:
• Doentes com hemorragia subaracnóideia, hematoma subdural/epidural ou acidente isquémico transitório;
• Doentes incapazes de consentir a sua participação no estudo.
Apesar de número total de doentes admitidos na UAVC-UCAP, de 20 de junho até 31 de dezembro de 2019 ter sido 262 doentes, após aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, incluindo o respetivo consentimento informado, obteve um total de 88 doentes para o presente estudo. Assim, o primeiro grupo conta com a participação de 46 doentes e o segundo com 42 doentes.