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The Roles and Impacts of the Third Sector in Europe

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Esse processo deslindado por Valle (2007) foi intensificado ao longo dos anos 2000. Mais precisamente, houve a adoção de novas tecnologias, que aumentaram ainda mais a precisão da montagem de placas e reduziram os postos de trabalho nos setores de componentes. É o caso, por exemplo, da tecnologia de montagem de superfície (Surface Mount Technology – SMT) que, diferentemente da tecnologia through hole123, fez com que os componentes fossem montados juntamente com o corpo das próprias PCBA’s, uma vez que possuíam terminais mais curtos. Por seu turno, com a miniaturização crescente, a tecnologia SMT possibilitou que os componentes pudessem ser montados nas duas superfícies das placas, racionalizando ainda mais a produção e diminuindo mais postos de trabalho.

122 Refere-se à forma como o componente fica disposto na placa. Quando ele é colocado na posição vertical,

chama-se “inserção radial”. Na posição horizontal, denomina-se “inserção axial”.

123 Componentes inseridos em buracos abertos nas placas de circuito impresso e soldados do lado oposto

Dessa forma, o que se vê atualmente no setor de montagem de componentes na PlacasChina, por exemplo, é uma grande robotização e miniaturização protagonizadas por máquinas que, em cada linha, produzem cerca de duas mil e quinhentas placas por dia. Dada a existência de seis linhas de produção, mas apenas quatro em operação contínua, há uma produção média de dez mil placas por turno de trabalho nesta empresa. O setor recebe o que os engenheiros entrevistados chamam de “placa nua”, que passa por uma máquina onde são inseridos os componentes eletrônicos e as memórias, que mudam dependendo do tipo de placa que está sendo produzida, ou seja, se é placa para monitores ou televisores124, ou se é a placa main ou a placa power125. Depois, em alta velocidade e com precisão baseada em tecnologia laser, outras máquinas inserem os componentes mais “discretos”, como resistores e transformadores. Entre um processo e outro, há dois postos de inspeção, responsáveis “por garantir que a máquina não está deixando passar absolutamente nada” (Gerente de Produção).

Então, as placas entram no setor de inserção manual, onde são colocados os componentes maiores, que são outros resistores, transformadores, bobinas, conectores e sintonizadores. É feita a soldagem final, quando, por sua vez, a placa entra em fornos para a secagem da solda. Por fim, há uma fase de testes eletrônicos, onde um trabalhador observa em um monitor se as medições, circuitos e inserções estão dentro dos parâmetros exigidos pelo cliente126.

Nesse setor de inserção manual, a produção é feita em linha de montagem, com trabalhadores sentados, onde cada um deles insere dois ou três componentes, tendo um tempo específico de execução de cada ação, e passa a placa para o operador ao lado127. Para os trabalhadores entrevistados, trata-se de um trabalho repetitivo e cansativo, o que é agravado – ou é causado – pela inexistência de rodízio de funções entre os trabalhadores. Mas segundo um gerente,

124 Segundo o gerente de produção, as máquinas insersoras são flexíveis. Significa que elas podem ser

programadas para montar não somente placas de televisores e monitores, mas qualquer tipo de PCBAs.

125 A placa main é o “cérebro” das PCBAs, por onde se conectam e se interligam os circuitos eletrônicos.

Nela estão inseridos os componentes de menores dimensões e que “comandam” as diferentes funções que vão ser executadas no aparelho. Já a placa power é a “fonte” para os circuitos elétricos. É por onde a energia residencial é transformada em menor tensão para que seja utilizada dentro do aparelho.

126 Apesar desse processo de testes, assim informa o gerente de produção da empresa: “É o seguinte: não

se garante 100% de teste de placa. É impossível você garantir todos os parâmetros dentro de um processo produtivo. Você faz as medições de acordo com aquilo que é mais comum de acontecer, e é óbvio que quando alguma coisa na montagem do produto do cliente dá problema, isso é retroalimentado para essa fábrica. Se passar a ser um problema comum no cliente, passa a integrar os testes aqui. Aí, você vai cuidando dessa forma, porque para fazer um teste 100% levaria muito tempo e ficaria improdutivo”.

127 Todos eles usam luvas e toucas, além de uma espécie de “bota” que, segundo os engenheiros, inibe a

não adianta trocar de posto de trabalho, porque vai ser a mesma coisa sempre. Veja que o movimento vai ser sempre o mesmo [o gerente aponta para um trabalhador que estava ao nosso lado na linha]: pega o componente, traz, monta. Então, os movimentos, eles são sempre os mesmos nos ombros, nos braços, nas mãos, são sempre os mesmos em todo esse processo aqui. Quer dizer, não adianta fazer rodízio porque dá no mesmo.

O fato é que tal forma de organização do processo de trabalho acaba por causar lesões, como mostra o relato a seguir:

O que mais conta, o que mais cansa na fabricação, na montagem de uma placa para o operador é a questão de estar repetindo. Para mim, não só o que cansa, mas o que mais lesiona é a questão do movimento repetitivo. No meu caso, quando eu entrei na época tinha uma tal de manta. A gente colocava a manta, colocava a placa, vinha em cima, e tinha que tirar a placa. Pegava a manta, colocava em cima. Como era um pouco alto, tipo tirava a placa aqui, colocava a manta aqui, isso toda hora, então, o meu ombro ficou doente (Operador de produção). Na linha de produção da inserção manual de componentes de placas a maioria dos trabalhadores é composta por mulheres (cerca de 70%), pois segundo um gerente – que reproduz o discurso que já vem sendo prática antiga do PIM – “as mulheres são mais detalhistas e prestam mais atenção na hora de colocar o componente, que é bem pequeno”. Nas linhas que compõem esta parte de produção na empresa PlacasChina, há um supervisor, um líder e um coordenador para cada linha. Ao redor das linhas, há também um supervisor chinês, que, na época da pesquisa, tinha vindo da China especificamente para acompanhar um novo tipo de placa que estava sendo montada. Ademais, o layout do setor, que é cercado por paredes de vidro, permite que os engenheiros consigam visualizar, a todo o momento, o que está acontecendo na produção, que é sinalizada por luzes indicando se o nível produzido está na quantidade programada pelos líderes. Também há um monitor no centro da fábrica, que mostra a estimativa de produção diária de placas, quantas já foram feitas e quantas ainda precisam ser produzidas.

A despeito da robotização introduzida ao longo dos últimos anos, o uso de mão de obra na montagem de placas ainda é utilizado pela empresa, pois, como informa um gerente, existem certos tipos de inserções que a máquina ainda não consegue fazer sem quebrar ou danificar o componente. Além disso, de acordo com ele, seriam necessários altos investimentos que “a empresa matriz ainda está averiguando se vale a pena fazer”.

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