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7.1 The IEA in Global Energy Governance

7.1.3 The IEA and Environmental Stability

A convivência com documentaristas e pesquisadores do audiovisual de não- ficção tem acontecido, principalmente, graças ao grupo de pesquisas Aruanda lab.doc. Sou integrante do laboratório desde o ano de 2005.

Nas reuniões realizadas aos sábados, além de discutir e analisar aspectos teóricos da linguagem audiovisual da não-ficção, em conexão com a sua dimensão de informação, de entretenimento e de experiência estética, o grupo recebe profissionais e pesquisadores de áreas transversais – história oral, jornalismo, legislação, preservação e restauro, constituição de acervo, tecnologia etc. – e realizadores.

O grupo tem como visibilidade principal o sítio Mnemocine (www.mnemocine.com.br/aruanda), desenvolvido como parte da dissertação de mestrado de Flávio de Souza Brito, apresentada e defendida na ECA–USP em agosto de 2001. Todo o sítio foi criado e desenvolvido como um instrumento de apoio e interação para o ensino de audiovisual, com seções sobre audiovisual e educação, cursos, oficinas, cineclubes etc.

Desde a sua criação, a equipe do Aruanda lab.doc. também constituiu um acervo preliminar de imagens (em vídeo digital), com entrevistas e depoimentos realizados (alguns deles transcritos e publicados no sítio), bem como documentários realizados por membros do grupo, finalizados ou apenas captados.

Além disso, os líderes e outros pesquisadores do grupo têm atuação permanente na área de ensino e pesquisa de audiovisual, com ênfase em produção de não-ficção, incluindo, nessas atividades, os segmentos de ensino de primeiro, segundo e terceiro graus.

O grupo analisa os métodos de realização dos documentários partindo da hipótese de que, na medida em que os audiovisuais de não-ficção têm por condição fundante o compromisso com o real, não há uma metodologia unificadora dos procedimentos de produção.

Como hipótese de pesquisa, acredito que, na realização documental, os métodos se impõem pelo embate entre o assunto, o olhar do realizador e as condições de produção e pela busca de um equilíbrio entre os conceitos e métodos preestabelecidos e aqueles estruturados historicamente e, diretamente, na prática. Como proposta de análise, identifico como condições de produção aquelas que dizem respeito às etapas de criação e gerenciamento do projeto.

No âmbito da criação são analisados neste capítulo: a abordagem pessoal, a construção do conhecimento acerca do objeto de estudo e o vínculo ideológico com o documentário. O processo de aproximação com os entrevistados será analisado no capítulo três.

Dentre as condições de produção relativas ao gerenciamento do projeto, que serão contempladas no capítulo quatro, estão: a demanda, o financiamento e a formação da equipe.

Os procedimentos de produção, que serão analisados no capítulo quatro, compreendem: pesquisas preliminares, roteiro de gravações, gravação das entrevistas, edição e montagem, inserção social e procedimentos de produção para finalização do documentário.

Meu aprendizado adquiriu maior aprofundamento na cultura documentarista no ano de 2008, principalmente com relação às questões de ordem da produção do documentário. O Aruanda lab.doc, sob a coordenação da Profa. Dra. Marília Franco, iniciou uma nova atividade: concebeu e ministrou dois cursos de documentário, que envolviam teoria e prática. O primeiro aconteceu no primeiro semestre, em parceria com o SESC Vila Mariana. Coube a Ana Cristina Venancio da Silva e a mim a coordenação do curso. Essa experiência foi inédita e importante, na medida em que todos os integrantes do Aruanda participaram do planejamento do curso e, posteriormente, vivenciamos a experiência de ministrar as aulas em grupo. Partimos de um novo paradigma conceitual, fruto da experiência da trajetória profissional da Profa. Marília Franco.

O enfoque do curso eram as competências e habilidades necessárias ao processo da produção audiovisual: expressão visual (fotografia e direção de arte), sonora (projeto de som), articulatória (roteiro e edição) e habilidade gerencial

(produção e direção). Cada dupla de professores responsáveis pela aula concebia o assunto à luz da(s) habilidade(s) envolvida(s). Assisti a todas as aulas. Ao final do curso, previa-se a gravação e edição de um exercício com duração de cinco minutos. Foi interessante aprender com as aulas, com a prática do exercício, quando os alunos narravam suas experiências do embate com o mundo histórico.

No contexto desse curso, consegui resolver várias dúvidas e questões, entre elas: se na produção do documentário não há roteiro fixo desde a gravação, como ele, de roteiro de gravação, transforma-se em roteiro de edição?

O segundo curso transcorreu ao longo do segundo semestre do ano de 2008. Foi realizado em parceria com a São Paulo Film Commission e a USP – Ribeirão Preto, como curso de extensão universitária, com carga horária maior do que o anterior. Isso nos possibilitou um aprofundamento teórico.

Os perfis dos alunos inscritos eram diferenciados. Em sua maioria, eram profissionais da área audiovisual da região ribeirão-pretana interessados em apreender novos repertórios e novos métodos de produção e concepção, uma vez que suas experiências profissionais estão voltadas para atender ao mercado audiovisual regional: telejornalismo, publicidade e institucionais. Nesse curso, percebemos o processo de aprendizagem e construção de conhecimento dos alunos. Após o término da aula de produção e direção (Tatiana Polastri, produtora de documentários da Varal Filmes, e eu ministramos a aula), notamos a transformação dos alunos quando descobriram os fundamentos da produção. Ao sairmos da aula, eles estavam raciocinando como produtores. Suas preocupações eram com orçamentos a serem elaborados e seguidos, cronogramas a serem cumpridos, compromissos a serem agendados, enfim, estavam prontos para produzirem seus exercícios. Foi uma experiência singular.

Ao longo das discussões desse curso, também aprendi acerca das nuances da produção do documentário. Percebi que a hipótese do Aruanda estava se comprovando. Cada documentário e seu tema impõem desafios particulares ao documentarista. Porque os temas eram diferenciados entre os grupos, cada grupo formulou seu tema de interesse sobre questões da região ribeirão-pretana. Ao longo do processo de produção, constatamos que as necessidades da produção eram pertinentes e específicas de cada tema.