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3.1 Termoresistente bakterier

3.2.2 August uttaket, meieri A

5.2 CERÂMICA DO VALE DO RIBEIRA - APIAÍ

O Vale do Ribeira compreende cerca de 28.306 km2, abrangendo as regiões sudeste do Estado de São Paulo e leste do Estado do Paraná, (a bacia hidrográfica do Rio Ribeira do Iguape e o Complexo Estuário Lagunar de Iguape-Cananéia - Paranaguá). Apresenta, em boas condições, mais de 2,1 milhões de hectares de florestas (21% da Mata Atlântica do país), e ainda 150 mil hectares de restingas e 17 mil hectares de manguezais. Compreende três sub-regiões: a Baixada do Ribeira abrangendo os municípios de Eldorado, Jacupiranga, Pariquera-Açu, Registro e Sete Barras; a sublitorânea, municípios de Iguape e Cananéia, e o Alto Ribeira - Apiaí, Iporanga e Ribeira.

Além de ser de um rico representante do patrimônio ambiental, o Vale do Ribeira possui grande importância cultural, abrigando o maior número de sítios tombados paulistas e inúmeros registros arqueológicos7.

Representante de enorme diversidade cultural, pois é ainda é habitado por comunidades indígenas caiçaras, remanescentes de quilombos e agricultores. Por outro lado, apresenta os mais baixos indicadores sociais (mortalidade infantil e analfabetismo) dos Estados de São Paulo e Paraná.

O município de Apiaí possui população estimada em 25.191 hab. segundo censo do IBGE de 2010, com uma área de 974,322 km2, compreendendo quatro distritos: Araçaíba, Barra do chapéu, Itaoca e o distrito sede. Cada distrito há bairros rurais, como os seguintes: Encapoeirado, Cambuta, Pinheiro Verde, Gurutuba, Serrinha entre outros (Figura 5.2.1).

Segundo Frota (2005) a região de Apiaí foi ocupada no séc. XVII com a exploração aurífera. Atualmente a principal fonte de renda é a agricultura, pecuária e extração de minérios. Pequenos sitiantes realizam agricultura de subsistência e venda. A cerâmica é atividade feminina para complementação da renda familiar, nesses bairros rurais, onde transmissãode conhecimentos dá-se ao longo de muitas gerações.

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Há registros de ocupação do planalto sul-sudeste brasileiro por grupos indígenas caçadores-coletores a partir de 12 mil anos a.C. até o século II d.C aproximadamente, quando começam a ocorrer sítios arqueológicos com material cerâmico, cuja técnica de manufatura é a acordelado. (ROBRAHN, 1989)

Figura 5.2.1 - Localização do município de Apiaí no Estado de São Paulo

Modificado a partir da Fonte: site do IBGE (s/ escala)

No período colonial, o Vale do Ribeira constituiria uma área periférica para as tribos do grupo tupi-guarani. O rio servia como forma de ligação com o planalto. A cidade de Apiaí revela em sua toponímia (língua tupi) a importância cultural desses grupos para sua colonização.

Além da influência indígena pode-se dizer que a cerâmica utilitária, na região do Alto Vale do Ribeira, tem influência das três principais etnias da formação do povo brasileiro, com preponderância da indígena e da africana. Acrescendo-se a notória importância da cultura tupi-guarani verificada nos topônimos da região, também as técnicas de confecção e de queima cerâmicas também teriam sido herdadas desta etnia. Foram localizadas urnas mortuárias na rodovia que liga Apiaí ao município de Ribeirão Branco. como cemitério indígena, que atualmente são reproduzidas por ceramistas do Bairro Encapoeirado.

A presença da etnia africana seria decorrente, segundo Luz (1996), da vinda do capitão-mor Francisco Xavier da Rocha de um dos arraiais de Minas Gerais, na segunda metade do século XVIII, acompanhado por mineradores, suas esposas e filhos, e ainda 150 escravos negros. E acredita-se que a confecção de bonecas e bichos se deva a influência africana daí decorrente.

O isolamento do Alto Vale do Ribeira levou à continuidade da produção de utensílios feitos com matérias-primas naturais como: barro palha, madeira, cipó, entre outras.

Em 1954, em virtude da comemoração do 4º Centenário da capital paulista, que a arte popular de Apiaí foi “redescoberta” por Oswald de Andrade, filho do poeta modernista Oswald de Andrade, que participando da Comissão Paulista de folclore, coletando peças para uma grande exposição, acabou promovendo a divulgação e valorização da arte de Apiaí. Ceravolo et al. (1982) citam que, somente no final da década de 60, o artesanato local passou a receber maior apoio através de iniciativas municipais como: a criação do Museu Municipal de Folclore, Artesanato e Histórico em 1968 (decreto Lei de nº 385,de 12 de julho de 1968).

Posteriormente, na década de 70, a historiadora Haydée Nascimento e a artista plástica Lourdes Cedran, também voltaram sua atenção para Apiaí. Começaram a colecionar peças de Apiaí e a cedê-las para Exposições, entre elas no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) em São Paulo (1981); no Museu Paulista (MUPA) em São Paulo (1983) e o no Museu do Folclore Edison Carneiro no Rio de Janeiro (1989).

A Casa do Artesão, que abriga o Museu Sala das Mestras, foi criada em 25 de junho de 2003, numa parceria da Prefeitura Municipal e de diversas entidades. Funciona hoje como um local para exposição e venda principalmente das peças cerâmicas, mas também de trançado produzidas na região. Os artesãos também conseguem apoio para divulgar seu trabalho participando de feiras culturais como: “Revelando São Paulo” que ocorre, já há mais de uma década, em diferentes cidades do Estado todos os anos, inclusive no município de São Paulo.

A Associação de Artesãs de Apiaí “Custódia Jesus da Cruz” localizada no Bairro Encapoeirado e criada em 11 de maio de 2005, cumpre um importante papel para a continuidade desta atividade na região procurando formas de suprir as dificuldades. Funciona todos os dias da semana, suas instalações estão sempre abertas para qualquer artesã que decida trabalhar em uma hora de folga dos trabalhos domésticos ou da lavoura de tomate. Sempre há uma artesã responsável pelo dia. Atualmente 14 artesãs dedicam-se à atividade, sendo que todas foram treinadas pela mestra Ivone Pontes, filha de Custódia Pontes (Foto 5.2.1). Além desta Associação, também há a Associação dos Artesãos do Alto Vale do Ribeira.

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