4. Maturity and facies parameters
4.1 Iatroscan TLC-FID
Desde os tempos mais remotos, as epidemias fazem parte da história da civilização humana, algumas de maneira fugaz, outras permanecendo por longos períodos, refletindo a realidade sócio-cultural e econômica da época e, ao mesmo tempo, imprimindo sua marca no tempo e no espaço histórico da humanidade (TAKAHASHI; SHIMA, 2005).
Segundo Silva e Abrantes (2005), cada sociedade, em um determinado período, tem uma doença que é a metáfora dos seus problemas. São enfermidades que, a partir do imaginário social, perpetuam na coletividade a ideia de perenidade do mal e de limites do ser humano frente à ameaça da morte. As grandes epidemias que marcaram certos momentos da história tiveram sua representação no imaginário coletivo, havendo consequência para a própria doença, seu tratamento e o meio onde propagava.
A aids é uma epidemia repleta de significados simbólicos, sendo que muitas descobertas científicas não foram compartilhadas, e mesmo entre os profissionais da saúde permanecem ideias preconceituosas, o que faz persistir sentimentos de ameaça e medo. A imagem corporal da aids, considerada como assustadora, ruim, negativa e desagradável, tem sido mudada, porém a imagem da doença ainda não. A revelação do status soropositivo pode representar a ruptura de relacionamentos tradicionais, uma redefinição dos papéis de gênero e a assunção de identidades consideradas pelo grupo de referência como socialmente desviante, como traidor/infiel, homossexual, usuário de drogas e profissional do sexo (FERNANDEZ; HORTA, 2005).
Para Sadala e Marques (2006), dados recentes da literatura mostram que hoje a discriminação é inaceitável, embora ainda persistam comportamentos de discriminação e intolerância em relação a pacientes homossexuais e usuários de drogas, mas em menor intensidade. Segundo os autores, angústia, impotência e ansiedade são os sentimentos descritos por profissionais que atendem pacientes com HIV positivo por se depararem com questões como a morte, sexualidade e abuso de drogas.
A visualização da aids como restrita a determinados "grupos de risco" imprimiu um forte caráter estigmatizante, pois repassou a ideia de que ela afetava somente pessoas que apresentavam comportamentos altamente condenados pela sociedade. Determinados meios de comunicação de massa, somados a atitudes indesejáveis de alguns profissionais de saúde, tiveram papel fundamental na construção social e cultural da aids, fomentando o medo e o preconceito através da reprodução e divulgação de informações distorcidas e equivocadas com relação à doença, fazendo com que até hoje os portadores do vírus HIV sejam alvo de condenação, preconceitos, medo e discriminação (NICHIATA; SHIMA; TAKAHASHI, 1995).
Ser portador do vírus HIV pode sugerir que se faz parte de um determinado grupo ou comunidade, pois o comportamento perigoso que “produz” a aids é encarado como algo mais do que fraqueza, podendo ser visto como irresponsabilidade ou delinquência, pois o doente é visto como viciado em substâncias ilegais ou sua sexualidade é considerada divergente (SONTAG, 1989).
Para Garcia e Koyama (2008), é preciso deixar de pensar na aids como a doença do outro. O estigma e a discriminação podem dificultar a procura pela realização do teste, bem como a busca pelo tratamento adequado. A natureza da epidemia da aids, sua dinâmica, abrangência, características específicas e questões morais envolvidas impõem desafios. Segundo Mann (1987, apud GARCIA; KOYAMA, 2008), o estigma não é um atributo fixo, mas uma construção social e cultural, sendo histórica e mutável, estabelecendo relações de desvalorização do outro e envolvendo a discriminação nos espaços públicos e instituições privadas, gerando hostilidade, segregação, exclusão e auto-exclusão daqueles que têm sua condição sorológica revelada.
Polejack e Costa (2002) referem que a infecção pelo HIV pode acarretar uma série de consequências sociais e individuais como, por exemplo, o preconceito relacionado com a forma de contaminação e medo de ser contaminado, o que pode também gerar isolamento social, problemas com a família e no trabalho, além das angústias do próprio paciente, como solidão, culpa ou medo da morte. O impacto nos projetos de vida, na auto-estima, nos relacionamentos afetivos e nos papéis sociais desempenhados pelo indivíduo é grande.
Jodelet (2002) afirma que no início da aids, devido à ausência de referências médicas, a mídia e as pessoas se apoderaram deste mal desconhecido e estranho, elaborando teorias apoiadas nos dados que dispunham. Isso favoreceu a eclosão de duas concepções: uma de tipo moral, sendo vista como uma doença-punição pelas condutas degeneradas, pela irresponsabilidade sexual e decadência moral; e outra de tipo biológico, o contágio poderia
ocorrer também por meio de outros líquidos corporais, além do esperma, particularmente a saliva e o suor. Tais representações, em menor grau e de formas variadas, permanece até hoje em crenças acerca da aids que influenciam nos programas de tratamento do doente, bem como na prevenção do HIV.
Garcia e Koyama (2008) verificaram que houve uma redução significante no percentual de pessoas que, entre 1998 e 2005, responderam “sim” à obrigatoriedade do teste da aids nas seguintes situações: para admissão no emprego, antes do casamento, entrada no exército/forças armadas, usuários de drogas, entrada de estrangeiros no país e profissionais do sexo. O percentual foi mantido para situações como: antes de internação em hospitais e de mulheres grávidas. Porém, houve alto nível de concordância nos dois períodos quanto à obrigatoriedade do teste para os seguintes grupos: profissionais do sexo, usuários de drogas e mulheres grávidas, o que evidencia elementos estigmatizantes, demandando maior controle social desses grupos.
Para os autores, tal resultado mostra que a disseminação de informação sobre formas de transmissão (e não transmissão) da aids ainda requer melhor elaboração e divulgação, principalmente para as populações que apresentam maior nível de intenção de discriminação: as de menor escolaridade, residentes nos estados do Norte/Nordeste e pertencentes à faixa etária acima de 45 anos.
1.4 – USO DE PRESERVATIVO E AS TRANSFORMAÇÕES NA