CHAPTER V : BEYOND CSR
V.III I NDIVIDUAL W ORKERS ’ S TORIES
O primeiro bloco a ser analisado comporta dois entrevistados, sendo o primeiro entrevistado (E.1) o Capitão-de-Mar-e-Guerra Ribeiro da Costa, atual Adido de Defesa em Díli, na embaixada portuguesa. O segundo entrevistado (E.2) é o Tenente-Coronel Ribeiro Fernandes, que desempenha atualmente a função de gestor do programa de cooperação com Timor-Leste na DGPDN. Ambas as entrevistas podem ser consultadas neste trabalho no Apêndices D e E, respetivamente.
A ambos os entrevistados foram realizadas questões que se enquadram com o disposto na revisão da literatura efetuada no Capítulo 2 deste trabalho, ou seja, ao nível da política externa portuguesa e da CTM no geral.
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6.2.1. O Trabalho da Assessoria Portuguesa no Desenvolvimento das F-FDTL
A questão inicial que se colocou aos entrevistados visa perceber se o trabalho que a assessoria portuguesa desenvolve é essencial ao desenvolvimento das F-FDTL. Desta forma, o E.1 considera de extrema importância este trabalho da CTM em Timor-Leste. Por outro lado, considera que Timor-Leste tem apoios de outras potências regionais, como o caso da Austrália e a Indonésia, mas que estes, ao contrário de Portugal, têm interesses político- estratégicos, contrários ao desenvolvimento das F-FDTL, devido às reservas de petróleo e à divisão da ZEE entre estes países.
O E.2 dá importância à questão da segurança, sendo que o contributo, a este nível, é garantido por um desenvolvimento de umas F-FDTL sustentáveis, e destaca ainda o papel de Portugal ao nível da modernização do Sector de Defesa, em recursos humanos e materiais, de forma a preparar as F-FDTL para as novas missões.
6.2.2. O Nível Estratégico das Missões de CTM com Timor-Leste
As missões de CTM representam, como afirma o E.1, a solidariedade para com Timor-Leste, país que faz parte da nossa comunidade. É uma oportunidade de negócio para a Indústria de Defesa e é uma forma de Portugal exercer a sua influência estratégica no exterior, quer ao nível da doutrina militar, que ao nível da expansão e afirmação da Língua e Cultura Portuguesa.
O E.2 apresenta quatro palavras orientadoras da estratégia de cooperação, sendo elas Língua, Mar, Parcerias e Conetividade. Refere que as missões de CTM têm procurado desenvolver um modelo que assente na sustentabilidade e autonomização dos seus projetos e assessorias, de forma a garantir um desenvolvimento melhorado, mas que isto só é possível através da corresponsabilização do país parceiro.
A língua volta a ser um fator chave na estratégia da cooperação, sendo que deve ser estimulado e incentivado o seu ensino e uso. Deve ser dada prioridade à implementação do Programa de Ensino Militar em Portugal (PEMPOR); deve haver um reforço ao nível do apoio à Estrutura Superior de Defesa Nacional e das Forças Armadas de Defesa dos países-
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parceiros; deve, igualmente, ser melhorado o sistema de controlo e avaliação dos projetos e assessorias.
6.2.3. O Prestígio Internacional de Portugal
A CTM é um vetor do desenvolvimento dos países. Timor-Leste tem na sua história um passado cheio de problemas, e o apoio prestado pela comunidade internacional tem sido essencial para a restruturação do país, sendo que, devido ao seu passado, o sector da Defesa é considerada uma área sensível. As missões de CTM são um instrumento da Política Externa Portuguesa, com o principal objetivo de apoiar a constituição de Forças Armadas nacionais apartidárias. Estas missões de CTM não se restringem ao domínio militar, fortalecem o relacionamento secular com os diferentes países e fomentam a cooperação em diversas áreas de interesse e contribuem para a projeção do prestígio internacional de Portugal.
As missões realizadas no exterior trazem sempre um reconhecimento e um certo prestígio às nações. Quando é reconhecida a qualidade e o profissionalismo do trabalho desenvolvido, torna-se mais simples haver esse reconhecimento. Mas, por outro lado, como afirma o E.1, o reduzido número de intervenientes internacionais no terreno e a reduzida dimensão e mediatização do país tornam este reconhecimento mais limitado.
6.2.4. Importância das Missões de CTM
Os objetivos da CTM são basicamente transversais a todos os países com os quais se executa a CTM, sendo que estes têm diferentes pesos conforme o país em questão. Estes objetivos, segundo o E.1, resumem-se à pertença a uma comunidade comum, à Indústria de Defesa, à influência de Portugal e da Língua Portuguesa.
As missões de CTM não são apenas bilaterais, isto é, desenvolvidas entre dois países. Elas desenvolvem-se igualmente ao nível multilateral, inserindo-se no quadro da CPLP, através da inclusão nos Estatutos da CPLP. O esforço português ao nível da cooperação representa um capital importante para Portugal, tanto pelas vantagens decorrentes deste
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como também do esforço de rentabilização da cooperação.
6.2.5. Continuidade da CTM com Timor-Leste
Na assinatura do PQ que veio substituir o PQ 2011-2013, Xanana Gusmão refere que foi discutida a possibilidade de alargamento da CTM, com vista ao desenvolvimento e formação das capacidades tecnológicas das F-FDTL. E, segundo as palavras do Ministro da Defesa portuguesa, a CTM é o reforço da confiança e da cooperação humana.
Timor-Leste é um país recente, com um longo caminho pela frente para se tornar um país moderno e evoluído. Faltam quadros-médios e superiores no país e as F-FDTL não fogem a este problema. Não existe uma estrutura que permita a formação destes quadros, já que não existe uma Academia Militar em Timor-Leste, o Instituto da Defesa Nacional (IDN) tem pouco mais que um ano e não existe qualquer agência ou entidade de carácter científico dentro das Forças Armadas.
Devido a todos estes aspetos, o E.1 afirma que existe matéria para continuar com a CTM com Timor-Leste durante largos anos. Já o E.2 refere que a continuidade da CTM está inteiramente relacionada com a vontade expressa pelas autoridades timorenses.