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HVA SKILLER ET NUF SOM HAR LEVERT REGNSKAP FRA ET NUF SOM IKKE HAR LEVERT

De acordo com Costabeber e Moyano (2002), no centro da dimensão ambiental, e a partir da perspectiva do processo de ecologização, estaria o propósito de viabilizar a recuperação e manutenção da capacidade produtiva dos agroecossistemas, por meio da adoção de métodos, técnicas e processos de produção mais prudentes, do ponto de vista ecológico. É necessário, portanto, substituir a artificialização, alicerçada na utilização de insumos químicos de origem industrial, pela “noção de potencialização” da utilização de recursos localmente existentes.

O desenvolvimento de modelos de produção sustentáveis passa pela maximização do emprego de insumos biológicos, em detrimento dos insumos industriais, pois, como sinaliza Gliessman (2008), a produção sustentável está associada (também) à menor dependência de recursos de energia cultural industrial e, particularmente, de combustíveis fósseis. Além de serem renováveis, os insumos biológicos apresentam os seguintes aspectos vantajosos: a) estão disponíveis localmente; b) a população local pode exercer o controle de tais recursos e;

c) concorrerem para a saúde dos agroecossistemas. Apesar dessas vantagens, é importante assinalar que nem sempre a adoção de insumos biológicos, em substituição aos industriais, implica em avanços na direção da agricultura sustentável.

Altieri (2004, p. 76) afirma que “nem toda substituição de insumos é ecologicamente correta” e alerta que a adoção de algumas práticas (às vezes, inclusive, bastante incentivadas por entusiastas orgânicos) podem repercutir em sérios impactos aos agroecossistemas. De forma semelhante, Caporal (2004) reconhece que a adoção de insumos de origem orgânica em substituição às práticas convencionais, nem sempre configura solução, em determinadas situações, na verdade, isto pode consistir na causa de outra forma de contaminação. Para que a redução do emprego de insumos externos resulte, efetivamente, em avanços, com a diminuição da dependência de recursos industriais e a manutenção dos rendimentos, torna-se imprescindível a utilização de técnicas apropriadas (ALTIERI; NICHOLLS, 2000). Além disso:

A título de exemplo, não podemos, simplesmente, entender a agricultura ecológica como aquela agricultura que não utiliza agrotóxicos ou fertilizantes químicos de síntese em seu processo produtivo. No limite, uma agricultura com esta característica pode corresponder a uma agricultura pobre, desprotegida, cujos praticantes não têm ou não tiveram acesso aos insumos modernos por impossibilidade econômica, por falta de informação ou por ausência de políticas públicas adequadas para este fim (CAPORAL, 2009, p. 10).

As mudanças que culminam na redução da dependência dos agroecossistemas em relação aos agroquímicos são geralmente compreendidas como processos graduais que viabilizam o aumento do emprego de recursos endógenos em detrimento da utilização de insumos industriais. Nesta direção, Altieri (2004) sustenta que a conversão do manejo convencional, altamente demandante de insumos, por outro modelo de manejo menos demandante em relação a insumos externos, caracteriza-se por um processo de transição que contempla quatro fases: a) eliminação progressiva de agroquímicos; b) uso eficaz de insumos/racionalização e melhoramento da eficiência no emprego de agroquímicos; c) substituição de insumos, com a utilização de tecnologias alternativas e menos demandantes de energia e; d) “replanejamento” do sistema agrícola, com vistas à integração da produção vegetal à animal (ALTIERI, 2004, p. 76 ). Estas fases estão ilustradas na Figura 1, apresentada pelo próprio autor.

Figura 1- Etapas da conversão do sistema convencional para o sistema agroecológico.

Fonte: Altieri (2004).

Gliessman (2008, p. 576) por sua vez, afirma que a conversão de agroecossistemas convencionais a sustentáveis pode ser dividida em três níveis:

Nível 1: Aumento da eficiência de práticas convencionais a fim de reduzir o uso e o consumo de insumos escassos, caros ou ambientalmente danosos.

Neste caso, a meta se resume ao emprego de insumos de forma mais eficiente, de modo que uma menor quantidade seja necessária, com a redução simultânea dos impactos negativos decorrentes de sua utilização. Podem ser citados, como exemplos dentro deste nível, o espaçamento e densidade ótimos, o monitoramento de pragas que implique em maior eficiência na aplicação de agrotóxicos e uma melhor sincronia entre atividades distintas e cultivo de precisão, com vistas à disponibilização ótima de água e fertilizantes. Embora, esses esforços contribuam para reduzir os impactos negativos da agricultura convencional, não auxiliam na quebra da sua dependência em relação a insumos externos.

Nível 2: Substituição de insumos e práticas convencionais por alternativas.

Neste nível de conversão, pretende-se substituir insumos e práticas baseados no uso intensivo de recursos e causadores de degradação ao meio ambiente por outros “mais benignos”. Entre as práticas alternativas, citam-se a utilização da adubação verde, em substituição aos fertilizantes nitrogenados sintéticos; o emprego de agentes de controle biológico, em vez de agrotóxicos, e a adoção do cultivo mínimo. Em tal nível, a estrutura básica do agroecossistema não sofre alteração profunda, e, por consequência, muitos dos mesmos problemas recorrentes em sistemas convencionais, também, se sucedem nestes sistemas alicerçados na substituição de insumos.

Nível 3: Redesenhar o agroecossistema de forma que ele funcione baseado em um conjunto de processos ecológicos.

Neste nível, o (re)desenho geral do sistema eliminaria as causas responsáveis por muitos problemas que persistem nos níveis 1 e 2. Os aspectos limitantes são identificados e, com isso, prevenidos, por meio de uma abordagem de desenho e manejo internos, adequados ao lugar e ao tempo, em vez da aplicação de insumos externos. Um exemplo pertinente a isso se refere à diversificação da estrutura e manejo da unidade de produção agrícola, por meio do uso de rotações, cultivo mínimo e sistemas agroflorestais (GLIESSMAN, 2008).

Os níveis apresentados por Gliessman (2008) ilustram também a transição agroecológica como um processo gradual de mudanças para a construção de agroecossistemas baseados nos preceitos da Agroecologia; entretanto, enfatiza-se que não se compreende aqui que tais níveis conformem um caminho unilinear, o qual representaria a trajetória (única) a ser seguida por agricultores em sua busca de agroecossistemas sustentáveis. Dado que o processo de ecologização da agricultura, como explicado por Costabeber (1998), não constitui uma tendência unilinear de mudança a uma nova homogeneização das agriculturas; tratando- se, na verdade, de um processo dinâmico, contínuo e multilinear, o qual está em constante adaptação às circunstâncias de tempo e de lugar, que deve respeitar as especificidades, potencialidades e limitações próprias de cada ecossistema.

Gliessman (2008) cita alguns dos fatores que têm encorajado os agricultores a iniciarem o processo de transição à agroecossistemas sustentáveis: o aumento no custo da energia; as reduzidas margens de lucro das técnicas convencionais; o avanço da conscientização ambiental entre agricultores, consumidores e legisladores e a ampliação dos mercados para produtos oriundos de sistemas produtivos alternativos. É importante frisar que para muitos produtores, como ainda mencionado pelo autor, a rápida conversão a agroecossistemas de manejo e desenho sustentáveis não é possível e nem prática; em vista disso, muitos esforços de conversão avançam de forma mais lenta na direção do objetivo final da sustentabilidade, ou, em alguns casos, os produtores centralizam esforços no desenvolvimento de sistemas de produção de alimentos caracterizados, meramente, por algumas melhorias do ponto de vista ambiental (GLIESSMAN, 2008). Isso, comumente, se traduz na simples redução no emprego de agroquímicos, em virtude da adoção de soluções alternativas. Nesta direção, é relevante enfatizar que a substituição de insumos convencionais por orgânicos refere-se a uma etapa relevante no processo de transição de um modelo convencional para outro norteado pela agroecologia, no entanto, esta não pode ser

considerada como a etapa final do processo de transição, a qual deve visar à garantia da sustentabilidade do agroecossistema, em suas distintas dimensões (ASSIS, 2006).