Kapittel 4 – Narviks strategiske betydning
4.4 Norsk nøytralitetsvakt
4.4.1 Hva ble oppnådd under nøytralitetsvakten?
A recente crise afeta diversos países, adicionalmente, os impactos da globalização criam um cenário de grandes desafios para todas as nações. Continentes como a Europa e a América do Norte são os mais afetados, tendo a hegemonia de suas nações ameaçadas pelos países em desenvolvimento, que compõe o grupo dos BRICS. Neste cenário, a educação superior passa a ser um dos principais caminhos visando auxiliar no progresso das nações. Europa, América do Norte, Ásia e América do Sul demonstram uma intensa preocupação e buscam ampliar os investimentos na educação superior, com o objetivo de aumentar o número de inovações, geração de empregos e diversos outros indicadores que terão impacto direto no desenvolvimento até então esperado.
2.2.2.1 Educação superior e a inovação: a estratégia para o progresso da Europa
Nos últimos anos, o continente europeu vem sendo assolado por uma grande crise, que afeta também outros continentes. Na Europa, países como Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha, dentre outros, enfrentam um dos piores resultados financeiros de sua história (CALDEIRA, 2011). A partir de então, a Comissão Europeia desenvolveu um relatório chamado de “Progress Report on Europe 2020”, que apresenta as estratégias que a Europa deverá implantar até o ano de 2020 para conseguir reverter os resultados adversos (EUROPEAN COMISSION, 2011).
Uma das maiores preocupações do relatório diz respeito à geração de novos empregos com a consequente diminuição do desemprego. Esta medida é considerada vital, pois o aumento do número de pessoas empregadas gera um aumento diretamente proporcional ao consumo do mercado interno, aquecendo assim a economia. Entretanto, para que se gere novos empregos, além do incentivo às indústrias, será necessário aumentar a mão-de-obra qualificada, que remete aos investimentos na educação profissionalizante e na educação superior.
Outra ação observada no relatório é o estímulo das inovações nas organizações, no mercado e nas universidades. Setores como os de serviços e o energético (tendo como o foco gerar energias de baixo custo e sustentável) representam uma das principais frentes, sendo o investimento em biocombustíveis como uma saída observada. A partir de então, diversas universidades europeias, sobretudo na Alemanha, intensificam as pesquisas neste setor, haja
vista que o mesmo representa uma grande demanda em todo mercado mundial. Outro fator para este investimento é a influência direta que ele tem nos sistemas de produção e transporte, algo que trará um impacto positivo em diversos outros setores também afetados pela crise. De qualquer forma, a inovação só irá de fato acontecer se houver confiança para um relacionamento efetivo entre o governo, as empresas e as universidades (KRIMSKY et al., 1991).
Para a Comissão Europeia, a inovação está diretamente ligada ao acesso aos recursos financeiros, por meio de financiamento público e privado, que dará o aporte necessário para as pesquisas nas Universidades e nos centros de pesquisa. Este investimento financeiro deverá ser ampliado durante a vigência do plano, até 2020. Além disso, outras cinco áreas são consideradas críticas, e também deverão receber os devidos investimentos:
a) geração de empregos; b) pesquisa e desenvolvimento; c) políticas de clima e energia; d) educação e treinamento;
e) inclusão social / luta contra a pobreza.
As referidas áreas representam um pilar vital para o progresso do continente, e para se erguer cada um destes pilares, será necessária a participação da educação superior (EUROPEAN COMISSION, 2011).
No que se refere à geração de emprego, indicador de suma importância, com o aumento da participação das pessoas no mercado de trabalho aumentará a renda bruta da população, diminuirá o desemprego e consequentemente aquecerá a economia. Para que isto seja possível, uma das ações será o investimento na educação superior, visando não apenas preparar mais mão-de-obra qualificada para o mercado como também aumentar a criação de novos negócios, por meio da formação de empreendedores.
Os investimentos em pesquisa e desenvolvimento e políticas de clima e energia também podem trazer bons resultados para a economia dos países, prática já observada no continente asiático, que tem intensificado os investimentos em inovações e geração de patentes. Áreas como a produção de energias renováveis, por meio dos biocombustíveis, podem aumentar a eficiência energética a um baixo custo, ajudando na reversão de alguns indicadores negativos. Inegavelmente a educação superior também perpassa por esse objetivo, tendo em vista que as maiorias das pesquisas acontecem dentro das universidades (ERNST, 2005).
A área de educação e treinamento corrobora com o grande papel desempenhado pelas escolas e universidades para o desenvolvimento do continente europeu, demonstrando que o progresso só pode ser alcançado se as nações tiverem mão-de-obra capacitada e treinada. Adicionalmente, a inclusão social e a luta contra a pobreza também perpassa pela educação superior, por meio de iniciativas como o empreendedorismo social e os projetos de extensões universitárias, fazendo com que as universidades fiquem disponíveis para a sociedade (EUROPEAN COMISSION, 2011).
As metas traçadas pela comissão européia representam uma importante ação para evitar que a crise se fortaleça no continente. Para cada uma delas, há participação da educação superior, que deverá receber mais financiamento nos próximos anos e se tornar uma das armas essenciais para superar as principais adversidades.
2.2.2.2 Os Estados Unidos e o importante papel das universidades mais inovadoras do mundo
Sendo considerada a principal potência da América do Norte e do mundo, os Estados Unidos alcançou esta posição por meio de uma série de fatores que em conjunto, promoveram este resultado. Entretanto, uma forte crise econômica que atingiu o país entre os anos de 2008 e 2011 e o crescimento econômico chinês fez com que a hegemonia dos americanos ficasse ameaçada (SAWAYA, 2009).
Antes de enfrentar essas adversidades, durante várias décadas, pesquisadores e empresários de todo o mundo buscavam compreender o que ocasionou o sucesso de locais como o Vale do Silício ou das renomadas universidades na região de Boston, que desenvolviam pesquisas revolucionárias que rapidamente eram comercializadas para os demais países do mundo. As respostas a estes questionamentos eram respondidas pelo avançado sistema educacional (sobretudo para a educação superior) e principalmente por possuir as melhores universidades do mundo: 1ª – Harvard University, 2ª – Massachusetts Institute of Technology (MIT), 3ª - Stanford University (WEBOMETRICS, 2015), que são as universidades que possuem o maior número de pesquisadores na indústria, uma prática recomendada pelo governo, visando promover a Hélice Tripla, ou Triple Helix, que é a cooperação entre universidade, empresa e governo (KRIMSKY et al., 1991). Durante muitos anos, várias foram as nações que tentaram implantar a fórmula de sucesso do Vale do Silício, mas sem obter os mesmos resultados.
Independente de estar se recuperando de uma forte crise, o exemplo que os Estados Unidos transmitem para o mundo é que os investimentos em educação, sobretudo na
Educação Superior, foi um dos principais responsáveis pelos sucessos acumulados pelo país nas últimas décadas. No entanto, realizar apenas o investimento em educação não é capaz de trazer os retornos esperados. O investimento em pesquisa e desenvolvimento foi um dos fatores preponderantes para que os americanos alcançassem a hegemonia econômica. De forma a contribuir com os resultados da nação, as pesquisas realizadas sempre possuíram como foco atender a alguma necessidade observada e a comercialização dos resultados encontrados, perpassando pelas fases de invenção, transição e inovação (CLARYSSE et al., 2005).
Com o objetivo de evitar o agravamento da crise mundial no país, mesmo já possuindo as universidades mais inovadoras do mundo, os Estados Unidos pretendem intensificar ainda mais o investimento na Educação Superior, visando impulsionar as inovações frente às economias emergentes:
O presidente americano, Barack Obama, clamou na terça-feira (18 de Janeiro de 2011) por um maior impulso à inovação nos Estados Unidos, em um mundo cada vez mais competitivo com potências emergentes como Índia e China, em seu discurso sobre o Estado da União perante o Congresso, no qual pediu unidade (UOL, 2011).
A preocupação dos Estados Unidos com o continente asiático é absolutamente relevante, haja vista que o crescimento de países como a China, Índia, Coréia do Sul, Taiwan, Cingapura, dentre outros, é uma realidade que deve ser enfrentada (SAWAYA, 2009) e um dos principais instrumentos para atender a esta necessidade é a Educação Superior.
2.2.2.3. O alto investimento em educação e os avanços da Ásia na geração de patentes
Nos últimos anos uma grande mudança tem sido observada no mundo. Com a forte crise que afeta o mercado global, grandes países da Europa e os Estados Unidos estão enfrentando períodos difíceis. Por outro lado, a Ásia passa a se destacar no mercado internacional. Esta novidade tem sido evidenciada em publicações de todo o mundo.
Um dos fatores que culminam para esse destaque é o fato de que a Ásia passa a enxergar um espaço que ultrapassa os limites da simples imitação das inovações já produzidas por outros países, principalmente em relação aos produtos eletrônicos. Devido às transformações do mercado global que atingiram fortemente a Europa e os Estados Unidos, a Ásia encontrou um espaço para crescer, algo que, mediante aos grandes investimentos na educação, passaram a resultar em indicadores positivos no que tange ao empreendedorismo e
a inovação, que passa a ser vista como uma das maiores fontes para o crescimento econômico (ERNST, 2005).
No início da década de 1980, o investimento dos países da Ásia na educação ainda era tímido (com exceção do Japão). Durante muitos anos, a preocupação se pautava apenas em copiar as inovações criadas por outras nações para comercializá-las de forma mais barata. Entretanto, diversos países que compõe este continente querem agora desenvolver inovações tecnológicas, efetuando grande investimento nas universidades e incentivando as pesquisas. A presença de grandes players como a Intel, Dell, Apple, Samsung dentre outras organizações, acabam por também ajudar nesse processo, sobretudo na transferência de conhecimento. Os países que mais têm se destacado neste novo fenômeno são a China, a Índia, Taiwan, Coréia do Sul e Cingapura (ERNST, 2005).
Ernst (2005) apresenta que o processo de inovação não deve ser medido de forma abstrata, é necessário que se avalie por um aspecto prático como o número de geração de patentes. Tendo esse indicador como base, é possível observar que pequenos países asiáticos passaram a figurar como os 10 primeiros criadores de patentes nos últimos anos. Detalhando os resultados, vale à pena observar o crescimento de Taiwan em 10 anos, que foi da 11ª para a 4ª posição no ranking dos países que mais produzem patentes. A Coréia do Sul é outro país que se destaca, pois em 1990 nem ao menos constava na lista dos 10 países mais inovadores, mas no ano de 1995 e no ano 2000 atinge a 8ª posição, eliminando a Holanda do ranking.
Quando se analisa a origem destas patentes por país, percebem-se informações relevantes. Na Coréia do Sul, apenas a empresa Samsung é responsável por mais de 6.000 patentes (mais de 50% do total produzido no país), o que demonstra a força e a importância da empresa para o desenvolvimento da nação. Na China, embora o país ainda não se destaque no volume total de patentes geradas, quando se analisa a origem de suas patentes, percebe-se que o país é o único a contar com uma universidade entre as três organizações que mais geram patentes na respectiva nação. A universidade que se destaca neste sentido é a Tsinghua
University (清华大学) que, além disso, esta classificada como a 3ª melhor universidade em
um ranking envolvendo os países que compõe os BRICS, disponível no Webometrics (2015). Além da universidade citada, outras também merecem destaque, como a Peking University ( 北 京 大 学), Tianjin University ( 天 津 大 学 ), Nan Kai University ( 南 开 大 学 ), Beijing
Polytechnic University (北京工业大学), Jilin University of Technology (吉林大学) e a South
investimento da China na Educação superior e no desenvolvimento de pesquisas, algo que tem sido um diferencial da China para o resto do mundo (MAHMOOD; SINGH, 2003).
Este novo posicionamento econômico e inovador dos respectivos países é algo possível devido à atenção que se tem dado para o financiamento da Educação Superior, com um acrescimento de investimento observado a cada ano. Os novos players da Ásia vêm demonstrando sua notabilidade em nível global, e é necessário que outros países que também estão em processo de desenvolvimento, como o Brasil, extraiam pontos positivos desses casos de sucesso.
2.2.2.4. O embate da inovação na América do Sul: cenário brasileiro
Como principal fonte que alimenta a geração de inovações nos países da América do Sul, as universidades passaram a debater a evolução do Triple Helix, que é a cooperação entre universidade, empresa e governo. Este tema passa a entrar em foco como uma das saídas para espantar a crise que assola diversos países ao redor do mundo, conforme já observado. Nesse cenário de incertezas, as universidades passam a ocupar um importante papel (ETZKOWITZ
et al., 2005).
Ao se analisar as pesquisas desenvolvidas no Brasil, pode-se identificar uma diferença entre os aspectos das pesquisas via iniciativa pública, que possuem um caráter mais social, e via iniciativa privada, que focam em aspectos mercadológicos. Essa situação gera um dificultador para a presença de pesquisadores da universidade dentro das indústrias, haja vista os diferentes interesses de pesquisa.
Para o avanço das pesquisas no país, além do necessário e fundamental investimento na educação superior, o incentivo financeiro, fiscal e também intelectual são fundamentais para que se alcance o sucesso. Este incentivo deve ser fornecido pelo governo, mediante as políticas públicas de apoio a pesquisa (ETZKOWITZ et al., 2005). Dessa forma, as empresas que são geradas em incubadoras, têm muito mais chance de sucesso, por contarem de maneira intrínseca com estes importantes itens.
Entretanto, a injusta distribuição geográfica do terceiro grau no país também acompanha a distribuição das incubadoras. De todas as incubadoras existentes no Brasil, segundo Etzkowitz et al. (2005), mais de 80% se concentram no eixo sul-sudeste, que são as regiões economicamente mais desenvolvidas do país. O resultado deste indicador se dá por vários motivos e o principal deles é a forte presença da educação superior nestas regiões, conforme já apresentado na Tabela 2.
O crescimento das incubadoras se dá na cooperação entre o governo e as universidades e também do governo com as empresas, dessa forma, o governo trabalha como uma ponte neste processo, devendo estreitar os laços das universidades e das empresas, melhorar as condições das universidades e destinar um maior financiamento para tal. Além de tudo, o processo de incubação possui também um aspecto social, pois auxilia na geração de emprego, caso as empresas sejam de fato instituídas (ETZKOWITZ et al., 2005), o que pode representar um importante instrumento para enfrentar a crise mundial.
O grande tema desta pesquisa perpassa por este assunto na medida em que as políticas públicas para educação superior devem buscar garantir o acesso e a permanência dos jovens na educação superior, mas também deve garantir o desenvolvimento de pesquisas que sejam relevantes para o cenário nacional, algo que irá impactar em diversos indicadores que auferem no progresso de um país. Para tanto, deve-se compreender em detalhes como se dá o financiamento para educação superior tanto no Brasil quanto nos demais países estudados: Canadá e China.