Este ensaio foi apresentado na London School of Economics, na primeira David Glass Memorial Lecture, e foi publicado separadamente pela LSE e na New Left Review, 125 ( fevereiro de 1981), pp. 3-19. Encontra-se aqui ligeiramente resumido.
Esta é a primeira de uma série de conferências destinadas a homenagear David Glass. Foi ele um dos mais ilustres estudiosos a lecionar na LSE, à qual seu nome esteve por tanto tempo associado e cuja reputação deve muito à sua presença. Eu poderia acrescentar que ele representou as melhores tradições dessa escola numa época em que nem todos ali o faziam: as tradições de compreender a sociedade a m de torná-la melhor, de um radicalismo espontâneo, de uma instituição cujos estudantes, como ele mesmo, não nasceram em berço de ouro. É sintomático que ele tenha concluído seu primeiro livro sobre demogra a — ciência de que foi em sua existência o mais eminente pro ssional na Inglaterra — com o apelo para que se “propiciem condições nas quais a classe trabalhadora seja capaz de educar os lhos sem com isso passar di culdades econômicas e sociais”. Ele se orgulhava de ser o primeiro cientista social a ser eleito para a Royal Society desde o grande dr. William Farr em 1855, porque se considerava (como Farr) um cientista social na sociedade e para a sociedade, e não apenas sobre a sociedade.
Dessa forma, é natural que as conferências dedicadas à sua memória sejam sobre “tendências sociais”, que entendo signi car, no sentido amplo, a investigação sobre o rumo do desenvolvimento social, e o que podemos fazer a respeito. Isso implica olhar o futuro, na medida do possível. Trata-se de uma atividade arriscada, muitas vezes decepcionante, mas, também, uma atividade necessária. E toda a previsão sobre o mundo real repousa em grande parte em algum tipo de inferência sobre o futuro a partir daquilo que aconteceu no passado, ou seja, a partir da história. O historiador, portanto, deve ter algo pertinente a dizer sobre o assunto. Reciprocamente, a história não pode se esquivar do futuro, no mínimo porque não há nenhuma linha separando os dois. O que acabei de dizer agora pertence ao passado. O que estou prestes a dizer pertence ao futuro. Em algum lugar entre os dois há um ponto imaginário mas constantemente móvel que, se preferirem, podem chamar de “presente”. É possível que haja razões técnicas para se diferenciar passado e futuro, como sabe qualquer editor de livros. Também pode haver razões técnicas para distinguir o presente do passado. Não podemos pedir ao passado respostas diretas para quaisquer perguntas que já não lhe tenham sido feitas, embora possamos usar nossa inventividade como historiadores para ler respostas indiretas naquilo que ele deixou para trás. Reciprocamente, como sabe todo pesquisador de opinião, podemos fazer ao presente qualquer pergunta passível de resposta, embora, no momento em que ela seja respondida e registrada, também pertença, estritamente falando, ao passado, ainda que ao passado recente. Não obstante, passado, presente e futuro constituem um continuum.
Além disso, até mesmo quando historiadores e lósofos desejam fazer uma distinção clara entre passado e futuro, como fazem alguns, isso ca apenas entre eles. Todos os seres humanos
e sociedades estão enraizados no passado — o de suas famílias, comunidades, nações ou outros grupos de referência, ou mesmo de memória pessoal — e todos de nem sua posição em relação a ele, positiva ou negativamente. Tanto hoje como sempre: somos quase tentados a dizer “hoje mais que nunca”. E mais, a maior parte da ação humana consciente, baseada em aprendizado, memória e experiência, constitui um vasto mecanismo para comparar constantemente passado, presente e futuro. As pessoas não podem evitar a tentativa de antever o futuro mediante alguma forma de leitura do passado. Elas precisam fazer isso. Os processos comuns da vida humana consciente, para não falar das políticas públicas, assim o exigem. E é claro que as pessoas o fazem com base na suposição justi cada de que, em geral, o futuro está sistematicamente vinculado ao passado, que, por sua vez, não é uma concatenação arbitrária de circunstâncias e eventos. As estruturas das sociedades humanas, seus processos e mecanismos de reprodução, mudança e transformação, estão voltadas a restringir o número de coisas passíveis de acontecer, determinar algumas das coisas que acontecerão e possibilitar a indicação de probabilidades maiores ou menores para grande parte das restantes. Isso implica um certo grau (admitidamente limitado) de previsibilidade — mas, como todos nós sabemos, isso não é, de modo algum, o mesmo que presciência. Além disso, cumpre ter em mente que a imprevisibilidade se a gura maior principalmente porque as discussões sobre previsão tendem a se concentrar, por razões óbvias, nas seções do futuro em que a incerteza parece ser maior, e não naquelas em que ela é menor. Não é necessário que os meteorologistas nos digam que a primavera virá depois do inverno.
Minha opinião é a de que é desejável, possível e até necessário prever o futuro até certo ponto. Isso não implica que o futuro seja determinado nem, ainda que o fosse, que ele seja cognoscível. Não implica que não haja nenhuma escolha ou resultado alternativos, e muito menos que os previsores tenham razão. As perguntas que tenho em mente são diferentes: Quanto de previsão? De que tipo? Como ela pode ser melhorada? E onde entram os historiadores? Mesmo que alguém possa responder a essas perguntas, ainda haverá muitas coisas do futuro de que nada podemos saber, por razões teóricas ou práticas, mas pelo menos podemos concentrar nossos esforços com mais eficácia.
Porém, antes de considerar essas perguntas, é preciso re etir por um momento sobre as razões pelas quais não só a função do prognóstico é tão impopular entre muitos historiadores, mas também por que se tem dedicado tão pouco esforço intelectual em seu aprimoramento, ou na consideração de seus problemas, até mesmo entre os historiadores francamente empenhados em seu caráter desejável e praticável, como os marxistas. A resposta, vocês poderão dizer, é óbvia. A trajetória da previsão histórica é, numa a rmação moderada, desigual. Todos nós que fazemos previsões frequentemente fracassamos diante da tarefa. O mais seguro é evitar a profecia a rmando que nossas atividades pro ssionais param no ontem, ou con narmo-nos às ambiguidades estudadas que costumavam ser a especialidade de oráculos antigos e ainda fazem parte do repertório dos astrólogos de jornal. Mas, na verdade, esses pobres antecedentes preditivos não impediram que outras pessoas, disciplinas ou pseudodisciplinas previssem. Atualmente há uma indústria enorme dedicada a isso e que não se detém por seus fracassos e incertezas. A Rand Corporation, desesperada, recriou até uma versão atualizada do Oráculo de Delfos (não estou brincando; o nome desse jogo peculiar é “técnica de Delfos”) pedindo a grupos selecionados de peritos que consultem as entranhas de
sua galinha e depois tirem conclusões a partir do consenso que possa ou não emergir. Além disso, há inúmeros exemplos de boas previsões entre historiadores, cientistas sociais e observadores academicamente inclassi cáveis. Se vocês não querem ouvir citações de Marx, permitam que me reporte a Tocqueville e Burckhardt. A menos que admitamos, o que é improvável, que sejam acertos meramente fortuitos, devemos aceitar que suas previsões estejam baseadas em métodos dignos de serem investigados, se desejarmos concentrar fogo em alvos que podemos esperar acertar e melhorar nosso coe ciente de desvios em relação à mosca. E, inversamente, as razões para fracassos notórios também são dignas de serem investigadas com o mesmo objetivo.
Um desses conjuntos de razões, infelizmente, é a força do desejo humano. Tanto a previsão humana quanto a meteorológica são iniciativas precárias e incertas, ainda que não possam ser descartadas. Por outro lado, aqueles que se valem da meteorologia sabem que não podem — ou, se vocês preferirem, ainda não podem — mudar o clima. Seu objetivo é planejar suas ações de modo a fazer o melhor uso daquilo que não podem mudar. Seres humanos individuais provavelmente utilizam previsões de um modo muito parecido nos casos comparativamente raros em que efetivamente atuam a partir delas. Meu falecido sogro, tendo concluído acertadamente que a Áustria não poderia fazer nada contra Hitler, transferiu seu negócio de Viena para Manchester em 1937 — mas poucos outros judeus vienenses foram tão lógicos quanto ele. Porém, coletivamente, os seres humanos tendem a recorrer às previsões históricas para conhecerem aquilo que lhes permitirá alterar o futuro; não só, por exemplo, sobre quando aumentar o estoque de loção de bronzear, mas quando criar luz solar. Uma vez que algumas decisões humanas, grandes ou pequenas, claramente fazem diferença para o futuro, essa expectativa não deve ser inteiramente desconsiderada. Porém, ela afeta o processo de prever, em geral adversamente. Assim, diferentemente da meteorologia, as previsões históricas são acompanhadas por um comentário daqueles que julgam, em diversas bases, serem elas impossíveis ou indesejáveis, geralmente porque não gostamos do que elas nos dizem. Os historiadores sofrem a desvantagem adicional de carecerem de grupos sólidos de clientes que, independentes de ideologia, necessitam de previsões do tempo com regularidade e urgência: marinheiros, fazendeiros e outros.
Estamos rodeados de pessoas, notadamente políticos, que proclamam a necessidade de aprender as lições do passado — quando não proclamam que já as descobriram —, mas uma vez que o interesse principal de praticamente todos eles está em utilizar a história para justi car o que gostariam de fazer de qualquer maneira, infelizmente se dispõe de pouco incentivo para melhorar as capacidades preditivas dos historiadores.
Porém, não podemos culpar apenas os clientes. Os profetas também precisam assumir sua cota de culpa. O próprio Marx estava empenhado em uma meta especí ca da história humana, o comunismo, e em um papel especí co para o proletariado, antes de desenvolver a análise histórica que, conforme acreditava, demonstrou seu caráter inelutável — na verdade, antes de saber muita coisa acerca do proletariado. Na medida em que suas previsões antecederam sua análise histórica, aquelas não podem ser ditas baseadas nesta, ainda que isso não as torne necessariamente errôneas. Na pior das hipóteses devemos tomar o cuidado de distinguir entre previsões baseadas em análise e previsões baseadas em desejo. Assim, na famosa passagem sobre a tendência histórica da acumulação capitalista, a previsão de Marx da expropriação do
capitalista individual por meio das “leis imanentes de produção capitalista em si” (isto é, mediante a concentração de capital e a necessidade de uma forma cada vez mais social do processo de trabalho, do uso consciente da tecnologia e da exploração planejada dos recursos do planeta) está baseada em uma análise histórico-teórica diferente e mais signi cativa que a previsão de que o próprio proletariado como classe será o “expropriador dos expropriadores”. As duas previsões, embora vinculadas, não são idênticas, e podemos realmente aceitar a primeira sem aceitar a segunda.
Todos nós que zemos previsões — e quem não fez? — conhecemos essas tentações psicológicas, ou, se preferirem, ideológicas. Tampouco as evitamos. Se aqueles que fazem previsões históricas fossem tão neutros em suas previsões de depressões e anticiclones sociais quanto os meteorologistas, o prognóstico histórico seria mais avançado do que é. Junto com a mera ignorância, é este, a meu ver, o principal obstáculo no caminho do previsor. É um obstáculo muito mais sério que o fato de as previsões poderem ser falsi cadas pelas ações conscientes das pessoas que estão cientes das mesmas. Existe pouca evidência empírica de que tais ações tenham sido até agora empreendidas com frequência ou e cácia. A generalização empírica mais segura sobre a história ainda é a de que ninguém presta muita atenção a suas lições óbvias — como con rmará qualquer estudioso das políticas agrárias de regimes socialistas ou das políticas econômicas da sra. Thatcher. Infelizmente Édipo continua a ser uma parábola da humanidade confrontada com o futuro, mas, que tristeza, com uma importante diferença: Édipo desejou sinceramente evitar matar seu pai e casar com sua mãe (como o Oráculo corretamente previu), mas não conseguiu. A maioria dos profetas e seus clientes é capaz de sustentar que as previsões desagradáveis são, em certos sentidos, evitáveis porque são desagradáveis, que elas não signi cam aquilo que dizem, ou que algo irá acontecer para invalidá-las.
Conforme sugeri, já existe uma grande indústria da previsão. A maior parte dela está preocupada com o efeito de desenvolvimentos futuros em atividades bastante especí cas, principalmente nos campos da economia e da tecnologia civil e militar. Ela está voltada, portanto, para um conjunto bastante especí co e restrito de perguntas que podem até certo ponto ser isoladas, embora naturalmente possam ser afetadas por uma ampla gama de variáveis. Há ainda uma quantidade enorme de previsões que, afetem ou não a prática pública ou privada, não pretendem prever o futuro real, mas con rmar ou falsi car. Daí serem feitas, em geral, na forma condicional. Em princípio não importa se ocorre veri cação no futuro real ou em um futuro especialmente construído como uma situação de laboratório da qual se eliminaram todos os elementos extrínsecos à matéria sob controle. Também há proposições, principalmente do tipo lógico-matemático, que de nem consequências. Se, por acaso, uma situação real corresponder a tais proposições, pode-se dizer que elas preveem tais consequências.
A previsão histórica difere em dois sentidos de todas as outras formas de previsão. Em primeiro lugar, os historiadores se preocupam com o mundo real no qual as outras coisas nunca são iguais ou negligenciáveis. Nesse sentido, sabem que não há nenhum laboratório global ideal — já que teoricamente concebível — no qual poderíamos construir uma situação em que os preços de mercado teriam uma relação previsível com a oferta monetária. Os historiadores estão, por de nição, preocupados com conjuntos complexos e mutáveis, e até as
questões de nidas de modo mais especí co e estrito apenas fazem sentido nesse contexto. Ao contrário, digamos, dos previsores das grandes agências de viagem, os historiadores estão interessados em tendências futuras nas férias não porque elas sejam nossa preocupação primária — ainda que possamos fazer pesquisas especializadas nesse campo — mas em relação ao restante da sociedade e cultura britânicas em transformação em um mundo mutável. Nesse aspecto, a história se assemelha a disciplinas como a ecologia, embora seja mais ampla e mais complexa. Conquanto possamos e devamos isolar os especí cos da malha contínua de interações, se não estivéssemos primordialmente interessados na malha em si, não deveríamos estar fazendo ecologia ou história. A previsão histórica, portanto, está voltada, em princípio, a fornecer a estrutura e a textura gerais que, pelo menos potencialmente, incluem os meios para responder a todas as perguntas especí cas de previsão que as pessoas com interesses particulares possam desejar fazer — claro que até onde possam ser respondidas.
Em segundo lugar, como teóricos, os historiadores não estão preocupados com a previsão enquanto con rmação. Muitas de suas previsões não poderiam ser testadas de modo algum no âmbito da existência desta geração ou das seguintes, não mais que as previsões de disciplinas históricas nas ciências naturais — as dos climatologistas, por exemplo, no tocante a futuras eras glaciais. Podemos con ar mais nos climatologistas que nos historiadores, mas ainda não podemos veri car suas previsões. Dizer que as análises das tendências de mudança social devem “ser formuladas como proposições preditivas veri cáveis” demonstra gentileza para com nossos lhos e netos, mas descortesia para com os pobres velhos Vico, Marx, Max Weber e, de quebra, Darwin, porque isso restringe o escopo da análise social e interpreta mal a história, cuja essência é estudar transformações complexas ao longo do tempo. Alguém poderia dizer que se trata de uma questão de conveniência o fato de que a história se concentre nos dados já disponíveis, e não naqueles que o futuro ainda não tornou disponíveis. Pode ou não ser desejável testar a previsão, mas ela emerge automaticamente da formulação de proposições sobre o continuum entre passado, presente e futuro, porque tal formulação implica referências ao futuro; mesmo que muitos historiadores possam até preferir não levar mais adiante suas formulações. Para adaptar a frase de Auguste Comte, savoir não é pour prévoir mas prévoir é parte do savoir, prever faz parte do saber.
E os historiadores estão constantemente prevendo, ainda que apenas retroativamente. Seu futuro passa a ser o presente ou um passado mais recente comparado a um passado mais remoto. Os historiadores mais convencionais e “anticientí cos” estão perpetuamente analisando as consequências de situações e eventos, ou possibilidades contrárias alternativas, o aparecimento de uma era a partir de sua predecessora. Alguns que o fazem com frequência, como Lord Dacre (Hugh Trevor-Roper) em seu discurso de formatura em Oxford, fazem-no para argumentar contra a previsibilidade, mas para tanto utilizam técnicas de previsão. Ora, os métodos elaborados para analisar causas, consequências e alternativas históricas com a ajuda da arma nal mas inacessível dos futurologistas, a saber, a retrovisão, são relevantes ao previsor, desde que sejam em princípio similares. Seu valor não reside apenas na enorme acumulação de experiências históricas concretas de todos os tipos úteis na orientação do presente; não só no registro de previsões passadas que podem ser testadas contra consequências reais para determinar por que estavam certas ou erradas; e não só na experiência e avaliação práticas bastante consideráveis que os historiadores adquiriram em relação a gerações que prosseguiam
em suas atividades. Reside principalmente em duas coisas. Primeiro, as previsões dos historiadores, conquanto retrospectivas, dizem respeito justamente à realidade complexa e abrangente da vida humana, às outras coisas que nunca são iguais, e que de fato não são “outras coisas”, mas o sistema de relações do qual nunca podem ser inteiramente separadas as declarações sobre a vida humana em sociedade. E, segundo, qualquer disciplina histórica digna desse nome tenta descobrir precisamente os padrões de interação em sociedade, os mecanismos e tendências de mudança e transformação, e os rumos da transformação na sociedade, que por si sós forneçam um arcabouço adequado para a previsão que é mais do que aquilo que foi chamado de “projeções estatísticas baseadas em compilações de dados empíricos em categorias de signi cado teórico talvez pequeno”. Mais ainda que o do tipo de palpite imaginativo ou
Ahnung, para empregar o termo de Burckhardt, que, para o historiador, é o equivalente do voo
por instinto e sem instrumentos. Eu não subestimo isso: mas não é o bastante. E nisso reside, se me perdoam um breve comercial, o valor singular de Marx e daqueles que, marxistas ou não, adotam uma abordagem similar para o desenvolvimento histórico.
Essas previsões por meio da história utilizam dois métodos, geralmente conjugados: a previsão de tendências por meio de generalização, também chamada de modelagem; e a previsão de eventos ou consequências concretas por meio de uma modalidade de análise de trajetória. Prever o declínio contínuo da economia britânica é um exemplo do primeiro método, e prever o futuro do governo da sra. Thatcher é um exemplo do segundo. Prever algo como as Revoluções Russa ou Iraniana (que, por acaso, conhecemos em um caso, mas ainda não no outro) combina os dois métodos. Ambos são necessários, no mínimo porque eventos concretos têm muita importância pelo menos em relação a algumas tendências, como a que a divisão da Alemanha em 1945 tem para a análise de tendências sociais naquilo que são hoje dois países muito diferentes [como cou evidente depois que foram reuni cados em 1990]. Todavia, a margem presente de incerteza sobre os eventos futuros é tão grande — mesmo quando posteriormente se possa demonstrar que estavam longe de serem incertos, como uma luta de boxe “arranjada’’ — que apenas podemos limitar a um conjunto de cenários alternativos. Também podemos menosprezar alguns imponderáveis como triviais, mas isso