6. ANALYSE
6.2 F INANSIERINGSFORM OG MANGFOLD
6.2.3 Hotelling i et TV-marked
Em ergologia, busca-se trabalhar uma “análise pluridisciplinar da atividade” através de um “dispositivo dinâmico de três polos” (DD3P), que:
[...] consiste em confrontar saberes acadêmicos e saberes desenvolvidos pelos trabalhadores em seu cotidiano. Um primeiro pólo é aquele dos
57 Esses e outros verbetes podem ser apreciados no “Glossário da ergologia” (DURRIVE;
saberes armazenados pelo patrimônio conceitual das disciplinas. Um segundo pólo é aquele dos saberes investidos no exercício do trabalho, saberes da experiência a serem resgatados e, em alguns casos, formalizados, a partir de análises finas das atividades de trabalho situadas. Um terceiro pólo se inscreve aqui para designar uma postura ética e epistemológica presente nos projetos em comum que acordam entre si os dois outros pólos. (CUNHA, 2007, p. 42).
O método de investigação em ergologia inclui a produção de conhecimentos em situações reais de trabalho por meio de observações, entrevistas, conversas e outras técnicas, sempre objetivando explicitar a ação humana na confrontação de “traços objetivos das situações de trabalho e traços subjetivos da ação humana situada” (CUNHA, 2007, p. 42).
Os DD3Ps, como apresentado por Schwartz (2002a, p. 144-147), podem ser pensados como dispositivos socrático de mão dupla, orientação com o sentido inverso de uma perspectiva taylorista, que desenvolve uma ciência com pressupostos redutores voltados à implementação de uma forma específica de governo do trabalho. O dispositivo socrático teria por vocação organizar o confronto e o entrecruzamento de áreas específicas de cultura e incultura, “[...] saberes armazenados em domínios teóricos constituídos [...] disponibilidade para o retrabalho infinito dos saberes operacionais [...], valores reguladores gerados no calor das ‘dramáticas’ da atividade social”.
Tais dispositivos apresentam ainda a característica de serem matriciais e de geometria extremamente variável, com funções que se adequam aos locais. Por exemplo, podem ter função mais formadora se o que se busca é a formação, mais profissionalizante se o que se quer é preparar para um ofício, ou serem voltadas para a busca de soluções operacionais. Schwartz (2002a, p. 144), referindo-se a tais dispositivos, diz que, quando “integrados à vida desses vários organismos ou instituições têm por vocação ampliar e até transformar os ofícios correspondentes”, buscando sempre reinstituir os saberes entre conceito e vida.
Referindo-se ao sentido de “dinâmico” nesses dispositivos, Schwartz (2002a, p. 147) remonta ao permanente retrabalho dos saberes e valores que recolocam em questão as disciplinas científicas e as pessoas “rumo a futuros não-antecipáveis e sempre abertos”. O autor afirma ainda que acredita que a frequentação desses dispositivos é meio de uma aprendizagem e também do que nomeia com o neologismo “imprendizagem”, com o sentido de uma trajetória onde se pode deixar impregnar pelo aleatório, mesmo que parcialmente, desenvolvendo o saber
intemporal e a inteligência Kairos58, decisão virtuosa de uma ação que sabe encontrar seu momento propício, oportuno, favorável.
Quanto à implantação de tais dispositivos, segundo Schwartz (2004c, p.166), a própria característica das sociedades modernas, permeadas por interrogações e contradições, justifica e legitima, “nos nódulos das articulações entre formação, pesquisa e gestões da transformação social”. O autor adverte que, sem razão para que se estabeleça qualquer etiqueta social ou política, esses dispositivos rejeitam “sectarismos e verdades simplistas”, sendo, ainda assim, “utensílios do saber” que trazem benefícios a todos (SCHWARTZ, 2004c, p. 166).
Podemos atribuir a matriz dos DD3P à maior, mais completa e duradoura de suas experiências de implantação, que é o Instituto de Ergologia na Universidade Aix-Marseille na França. Ele abriga experiências de formação, transmissão e aplicação da ergologia sob a forma de especialização, mestrado, doutorado, vínculos múltiplos com atividades econômicas, redes de cooperações científicas e associativas, além do acolhimento de pesquisadores estrangeiros. Entre as produções do instituto, encontramos publicações, dissertações, teses, uma revista e um site.
Sua raiz remonta, segundo Schwartz (2009/2013), à Marselha no outono de 1983, quando se reuniram Yves Schwartz, Daniel Faita, Bernard Vuillon e um grupo de trabalhadores para, em uma prática extramuros da universidade, questionar as transformações do trabalho que muito se proclamava na época, com a crise do modelo taylorista clássico.
A forma desse grupo, sem quadro institucional ou disciplinar estabelecido, alternava reuniões e visitas a empresas. Durante três anos, funcionou como um estágio de formação continuada, intitulado “Cultures professionnelles, savoir faire, mutations technologiques”. Em 1986, a iniciativa foi validada pela Universidade de Provence com o diploma universitário “Analyse Pluridisciplinaire des Situations de Travail - APST”, que agregou à prática quatro módulos de disciplinas teóricas. Esse momento, segundo Schwartz, inaugura a mistura formação inicial/formação continuada, essencial à démarche ergológica. Com votação unânime do conselho de
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Schwartz fala da inteligência do kairos como “aquela que permitiria reaprender debates parcialmente "contingentes" entre coletivos humanos e condições preexistentes à sua tentativa de império sobre seu meio, como se a humanidade enquanto atividade, nunca deixasse que descrição teórica alguma se estabilizasse” (Schwartz, 2002a, p. 130-131).
administração da universidade, é colocado em funcionamento em janeiro de 1999 um novo departamento, “desafio de fazer viver na universidade um departamento de uma disciplina que não existe” (SCHWARTZ, 2009/2013, s.p. , tradução nossa)59.
Em 2003, são habilitados uma especialização e um mestrado em ergologia-APST, agregando à formação mais algumas disciplinas. Em 2012, no processo de fusão de universidades que cria a Universidade de Aix-Marseille, o departamento de ergologia torna-se instituto de ergologia.
Também considerada uma conquista foi a renovação do “Séminaire d’Epistémologie Comparative”, inicialmente dirigido por Gilles Gaston Granger. O “Centre National de la Recherche Scientifique – CNRS”, em 1995, incorpora à sua nomenclatura o termo “ergologia”, criando na então Universidade de Provence o “Centre d’Épismemologie et d’Ergologie Compartive – CEPERC”.
O que anima o funcionamento do departamento é associar a ele e à sua rede de trabalho colaborações de universitários do mundo todo e de todas as origens disciplinares, além de atores da vida econômica e de todos os setores (SCHWARTZ, 2009/2013). Um singular dispositivo, cuja orientação é a aprendizagem recíproca de seus protagonistas no encontro das mudanças que atravessam todos os aspectos da vida econômica e social, na busca de meios de enfrentá-las, principalmente no que concerne às atividades de trabalho. Nele, os saberes universitários requeridos por empregos, ofícios e técnicas em movimento são confrontados aos novos saberes que as configurações das atividades portam.
Sem se limitar ao saber de nenhuma disciplina em particular e tendo a ambição de requerer o saber de todas elas, de forma pluridisciplinar e pluriprofissinal, o dispositivo posto em marcha nessa universidade reconhece que “a atividade humana, e notoriamente a atividade de trabalho, atravessam e interrogam todos os saberes e experiências industriosas” (INSTITUTO DE ERGOLOGIA, 2013, s.p., tradução nossa)60. Atribuir a esse dispositivo a qualificação de ergológico inclui estudar as atividades humanas que exigem, para serem apreciadas e conhecidas, o encontro de saberes múltiplos e experiências diversas. Esses princípios exigiram da metodologia de ensino nos cursos do instituto associar universitários e não- universitários em posições que não se fixam em alunos e mestres. Lá, ensino e
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ce défi de faire vivre dans l’université un département d’une discipline qui n’existe pas.
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l'activité humaine, et notoirement l'activité de travail, traversent et interrogent tous les savoirs et
pesquisa são necessariamente ligados, por exemplo, nos cursos de formação continuada, no intuito de promover com os atores econômicos e sociais o confronto de seus saberes aos saberes instituídos. Assim, busca-se fazer com que ensino e pesquisa sejam desenvolvidos o mais próximo possível da situação concreta que apresenta a forma viva da atividade.
Podemos concluir que o modo de fazer com a ergologia supõe a disposição do ergopraticante em se colocar em posição de reconhecer a impossibilidade de um saber integral e universal. O saber que aí se faz operar é aquele que concebe o