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De acordo com Pertschi (2006) os principais tipos de resíduos gerados na hotelaria são:

 Orgânico: restos de alimentos de cozinha e áreas de preparo;  Seco: papéis, tecidos, vidros e latas;

 Químico: restos de produtos da lavandaria, cozinha e limpeza (produtos para limpeza pesada);

53 Kasim (2007) estima que os resíduos produzidos por hotéis são compostos por 46% de resíduos alimentares, 25,3% de papel, 11,7% de papelão, 6,7% de plásticos, 5,6% de vidro e 4,5% de resíduos metálicos. Isto indica que a prática de redução de lixo é uma questão ambiental urgente para garantir o equilíbrio ecológico e prevenir danos à saúde da população local. O mesmo autor considera que a geração de resíduos, por hotéis, é produzida em escala muito maior em comparação com resíduos domésticos. No entanto, é possível considerar que a quantidade de resíduos gerados depende do tamanho do hotel. Uma vez que oferece mais serviços, um hotel de luxo gera uma quantidade muito mais significativa do que um hotel de tamanho médio.

Os critérios básicos de gestão de resíduos sólidos são universalmente aceitos actualmente. Carvalho et al (2006) consideram gestão de resíduos: a minimização na geração de resíduos, segregação na origem dos resíduos gerados, forma de acondicionamento e transporte temporários e destinação final dos resíduos. A disposição final envolverá a reutilização dos materiais no estado em que se encontram, a reciclagem dos materiais, que se constitui num novo processo de industrialização, ou destinação a aterro sanitário licenciado.

Dief & Font (2010) afirmam que a maioria dos hotéis paga duas vezes pelos resíduos que geram: pela embalagem, composto em até 35% do total do resíduo, e para eliminação do produto. O custo da eliminação de resíduos convencionais têm crescido e, devido à escassez de aterros sanitários, é mais do que provável que continuará aumentando.

Um exemplo de boa prática de redução de resíduo é da rede RIU Hotels & Resorts, que adoptou um programa chamado “Pequeno-almoço Ecológico”, que parou de usar embalagens individuais de doce, mel, iogurte ou manteiga. Tiveram a ideia de substituir as pequenas embalagens individuais por produtos a granel. A implantação deste projecto evitou o uso de quase 46 milhões de embalagens individuais durante 2007 e foi calculado que, de Janeiro de 2000 até Dezembro de 2007, foi evitada a utilização de 295 milhões destas embalagens em todos os hotéis da RIU; evitou-se, neste período, a geração de aproximadamente, 4.731 toneladas de resíduo plástico, em todo o Grupo, procedente destas embalagens individuais (RIU, 2011 n.d.)

54 Muitas vezes os hotéis hesitam em estabelecer programas de minimização dos resíduos sólidos, por falta de interesse da administração e/ou funcionários em geral. No entanto, o resultado: custo benefício é o maior estímulo. Como exemplo de adopção de programa de redução de resíduos o Westin San Francisco Airport Hotel, implementou um programa de redução, em 1994, que incentivou a compra de produtos de material reciclado, realização de educação ambiental para seus funcionários, doação do excesso de alimentos para organizações locais, e reciclagem de papel, alumínio e plásticos.

Pode-se considerar a recolha selectiva dos resíduos gerados dentro das unidades habitacionais uma estratégia de gestão. Adoptando esta prática há a possibilidade de reciclar uma maior parte deste material gerado.

Um outro aspecto a considerar é lidar com resíduos alimentares, que podem ser uma grande parte de resíduos produzidos em meios de hospedagem. Restos de alimentos podem ser usados no processo de compostagem, uma melhor solução para os resíduos orgânicos ao invés de aterros sanitários. Já existem várias empresas especializadas em compostagem e os hotéis podem beneficiar deste serviço.

Um programa de formação dos funcionários com a finalidade de estimulá-los a separar o resíduo orgânico para ser utilizado na compostagem, também é considerado uma prática de gestão do resíduo.

Outro tipo de medidas passa pela recolha e eliminação de resíduos especiais, como óleo usado, pilhas e tinteiros. A recolha diferenciada de alguns resíduos desta procedência é de carácter obrigatório em algumas situações, como no caso do óleo para a restauração portuguesa. Algumas empresas especializaram-se já na prestação deste serviço, garantindo a entrega de recipientes específicos e posterior recolha (Souza, 2010).

3.6.4. Outras práticas

A utilização de materiais reciclados tem ganho força em ambientes hoteleiros. Bohdanowicz (2006-a) identificou que os hotéis estão a reutilizar os mobiliários e investem cada vez mais nos seus restauros ao invés de adquirir um novo.

55 A preferência por reutilizar materiais, também já é medida adoptada em hotéis. Práticas como substituir itens descartáveis por reutilizáveis, tais como baterias recarregáveis, usar recipientes para gel de duche e champos recarregáveis. Solicitar que os fornecedores levem de volta as caixas para a reutilização.

Uma outra medida que revela ser importante para a Gestão Ambiental dos hotéis é a sensibilização e a formação sobre questões ambientais aos colaboradores. A NBR ISO 14004 (2004) afirma que esta prática deve focar na execução dos objectivos e metas ambientais. Os empregados devem possuir uma base de conhecimento que inclui formação em métodos e competências necessários para desempenhar as suas tarefas de modo eficiente, bem como, consciencializar-se dos impactes que as suas actividades podem ter no ambiente, na sequência de um desempenho incorrecto. No entanto, conforme Bohdanowicz (2006 a), estas acções não são ainda muito comuns no sector de alojamento.

O uso excessivo ou impróprio, armazenamento e descarte de produtos químicos e outros resíduos perigosos na rotina de trabalho, pode causar poluição e contaminação dos recursos naturais. O uso de pesticidas, fertilizantes, herbicidas para jardinagem e controlo de insectos podem levar ao escoamento de tóxicos aos córregos, às águas litorâneas e até ao manto freático. Kirk (1996) afirma que o uso de produtos biodegradáveis e a redução do uso de produtos químicos em ambiente hoteleiro beneficia os funcionários (que manuseiam estes materiais), hóspedes e contribui igualmente com a qualidade do meio natural. Para além destes o Guia Prático para Boas Práticas da UNEP salienta que ao tomar decisões sobre paisagismo importa:

 Escolher plantas que necessitem de menos água, pesticidas, fertilizantes e herbicidas;

 Usar compostos e outros substitutos orgânicos ao invés de fertilizantes químicos;

 Utilizar doseador automático para produtos químicos usados na limpeza em geral e das piscinas para assegurar uma quantidade apropriada do uso do produto;

 Oferecer formação aos funcionários sobre o manuseio e o descarte dos produtos químicos e materiais perigosos de modo responsável e seguro;

56  Monitorar regularmente condicionadores de ar, bombas térmicas, frigoríficos, congeladores e equipamentos refrigeradores de cozinha a fim de detectar e eliminar vazamentos de CFC e HCFC.

A preocupação com a biodiversidade e conservação da natureza é uma dos aspectos que têm merecido mais atenção. A maioria dos Resorts e hotéis deste estudo usufrui de uma grande área natural como potencial turístico. Desta forma, os gestores das unidades hoteleiras devem procurar oportunidades para o meio natural. O Resort Lapa Rios, em Costa Rica, mantém uma reserva particular de 405 hectares como zona amortecedora à beira do Parque Nacional Corcovado de 40.500 hectares. Actualmente, Lapa Rios, apoia um projecto de conservação de gatos selvagens na região, com a finalidade de proteger e salvar as espécies ameaçadas (Lapa Rios, 2011 n.d.)