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Holdninger og erfaringer hos arbeidsgivere og arbeidstakere

In document Seniorpolitikk i staten (sider 23-39)

Giovanni Arrighi se apóia na teses de Fernand Braudel sobre ciclos sistêmicos e tendências seculares e na tese de Immanuel Wallerstein sobre recorrências das crises mundiais de hegemonia para desenvolver sua tese de que expansões financeiras assinalam transições de um regime para outro. Os ciclos sistêmicos estão ligados a idéia de ascensão e queda de Estados hegemônicos, estes reorganizam a economia mundial de forma desigual dividindo os países em países centrais, semi-periferias e periferias. A globalização para Arrighi deve ser vista dentro desta dinâmica cíclica, com a queda do Estado hegemônico norte-americano e a ascensão de uma nova configuração no Leste asiático.

As análises do sistema mundial feita por Arrighi situam a origem do fim desta hegemonia norte-americana entre 1967-73, que coincide com a mundialização da revolução científico-técnológica através da generalização do modelo microeletrônico. A visão de Giovanni Arrighi é de que em 1945-50 iniciou um ciclo de hegemonia dos Estados Unidos, que entrou em crise a partir de 1967-73, não havendo a possibilidade de sucessão de um novo Estado hegemônico. Estaríamos rumando para um período de caos sistêmico, no qual despontaria a questão sobre civilização e o espaço para se reinventar o sistema-mundo.

Arrighi arrisca afirmar que depois desta ruptura da hegemonia norte-americana, o novo modelo que virá, surgirá no Leste Asiático. Isto porque a região tem se consolidado como o centro mais dinâmico dos processos de acumulação de capital em grande escala.

Arrighi afirma que, está surgindo uma nova estrutura produtiva nesta região, diferente e contrária ao modelo norte-americano. Este novo modelo de produção asiático tem como característica fundamental a informalidade, em contraste com a formalidade do modelo dominante do capitalismo, ou seja, as grandes corporações norte-americanas.

O autor também procura evidenciar que o ponto crítico do que está ocorrendo na esfera produtiva neste começo de século é que, as grandes estruturas empresariais não têm mais condições de se adaptarem às contínuas flutuações nas demandas do consumidor, e ainda a acentuada competição a que se chegou no mercado mundial e às novas exigências na produção de modos mais flexíveis de trabalho e de interação entre as empresas.

Para o autor o novo modelo de produção seria o de companhias menores e mais ágeis, capacitadas à dar continuidade ao processo de desenvolvimento de novas tecnologias. Assim sendo, o novo modelo deveria ter como características básicas a descentralização, a

informalidade e a flexibilização (diferentes do modelo norte-americano de estruturas empresariais centralizadoras, rígidas e burocráticas).

Estas novas características estruturais têm transformado o Leste Asiático na nova “oficina” e “cofre” da economia mundial sob a liderança, na década de 80, do Japão (o Estado semelhante a uma empresa); e feito da China o “chão de fábrica” mundial:

Em suma, a “excepcionalidade” japonesa e do sudeste asiático, em meio à crise e à expansão financeira do regime norte-americano de acumulação, não pode ser avaliada, de forma adequada ou fidedigna, pela contínua e sustentada expansão industrial da região. O sinal mais importante da ascensão do leste asiático como novo epicentro dos processos sistêmicos de acumulação de capital é outro: várias de suas jurisdições fizeram grandes avanços da hierarquia do valor adicionado e na hierarquia monetária da economia mundial capitalista (Arrighi, 1996, p. 350-351).

É necessário ainda chamar atenção para esta emergência do Leste Asiático. Esta ascensão não significa o surgimento de um novo Estado hegemônico que irá dominar o poder mundial, mas é um evento que enfatiza os sinais da falência norte-americana; o sistema mundial está sofrendo um “caos sistêmico”, como foi denominado por Arrighi, não porque novas potências estejam ampliando o seu poder, mas porque os EUA estão enfraquecendo sua dominação: “Este deslocamento da sede primária da expansão material do capital, da

América do Norte para o leste asiático, constitui mais um poderoso estímulo à tendência, patrocinada pelos Estados Unidos, no sentido de formar estruturas supra-estatais de governo mundial” (Arrighi, 1996, p.351).

Para Arrighi ainda é difícil afirmar que uma liderança mundial surja exatamente nesta região do Leste Asiático onde se afiguram novos paradigmas, pois os centros financeiros destas regiões não demonstram estar capazes de formaram soluções para os problemas sistêmicos que serão deixados pela crise da hegemonia norte-americana. Mesmo porque, a região enfrenta contradições sociais que lhe deixa impotente para ser legalmente aceita pelas outras nações, já que o que é bem quisto é o exemplo de um modelo com um conjunto de regras unânime aceitas, como por exemplo, a democracia de forma igualitária, e assim, condutas consideradas como válidas, quer de modo absoluto para qualquer tempo ou lugar, e para todas as nações, como o é, o modelo tão bem aprovado mundialmente, seguido pelos Estados Unidos e seus órgãos de apoio como ONU, Nações Unidas, e seus primeiros ministros e seus “rituais” de diplomacia.

4.2.2 João Bernardo

Em conclusão, as companhias transnacionais têm a capacidade de prosseguir uma estratégia própria, independente dos governos tanto dos países onde estão implantadas as matrizes como daqueles onde se estabelecem as filiais. Elas não são um agente de um ou outro governo estrangeiro, como pensam aqueles que ainda hoje raciocinam em termos estritamente nacionais. As companhias transnacionais são elas mesmas um poder, o mais importante na época atual (Bernardo, 1998, p. 47).

João Bernardo fundamentou sua proposta teórica apoiando-se na teoria marxista e focalizando no que ele chamava de marxismo das relações sociais de produção e se opondo ao marxismo das forças produtivas, proposta radicalmente heterodoxa às bases do marxismo.

O modelo teórico marxista de João Bernardo também está baseado nas propostas do

Conselhismo, corrente do marxismo. Entre as teses do autor está a de que são nas contradições que surgem na prática do trabalho, que o trabalhador irá buscar subterfúgios para solucionar a questão que deu origem a insatisfação.

Para João Bernardo, Marx cometeu uma contradição ao afirmar que é o Mercado e seu modo de valorar as mercadorias que, são a base que caracterizam o Capitalismo. A livre concorrência e o arbitrário nos Mercados é que estabelecem o valor das mercadorias, no entanto, segundo Bernardo, no ambiente do trabalho não existe a livre concorrência da lógica do Mercado, o que existe é uma ordem, um equilíbrio da gestão que procura tornar mais eficiente os processos de trabalho. E será exatamente esta racionalização do trabalho que causará a ultrapassagem do capitalismo para o socialismo, por um controle do Mercado através de um modelo de gestão igual ao que se desenvolve no interior das unidades produtivas capitalistas: “Assim, o sistema de organização, as técnicas de gestão, a disciplina

da força de trabalho, a tecnologia e a maquinaria, nascidas e criadas no interior do capitalismo ao serem reordenadas com outro uso político e outro uso social (mercado controlado e disciplinado), forneceriam as bases, o germe do futuro modo de produção” (Bernardo, 1991, p. 310). Estas são as características do que o autor chama de marxismo das

Apresentamos até aqui, alguns aspectos das teses defendidas pelo autor para localizar o debate que será feito a seguir em torno da definição do Estado e das empresas transnacionais.

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