PART I – EXTENDED ABSTRACT
2. Positioning the study in higher education research
2.2. Higher education governance and steering
Na concepção de Darío Rodríguez Mansilla49, a origem da teoria
organizacional possui três vertentes distintas. A primeira é proveniente da sociologia que possuía orientação acadêmica e intenção de compreender o fenômeno social em todas as suas manifestações. Nessa linha, faz-se necessário lembrar de Max Weber e seu clássico estudo sobre burocracia. A outra é derivada da Escola de Administração, relacionada a encontrar novas e eficientes formas de conseguir com que as organizações logrem êxito, como, por exemplo, a Escola Clássica da Administração e a da Administração científica (Taylor e Fayol). E a terceira está apoiada na Psicologia Social, que nasce da mesma preocupação pela busca de fatores que incidam na produtividade e no comportamento grupal, como os trabalhos
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Santiago/Chile: Ediciones Universidad Católica de Chile. 2011.
de Mayo, Lewin e a Escola das Relações Humanas. Entretanto, pode-se considerar ainda a Escola Neoclássica, pautada nas pesquisas de James March e Herbert Simon, que buscam resgatar os elementos da Escola Clássica aliada com fundamentos da Escola das Relações Humanas. Por esse motivo, faz-se necessário rever cada uma dessas concepções.
a) Max Weber e o estudo da Burocracia
A pesquisa científica em torno da burocratização começa com os estudos de Max Weber acerca do processo de secularização e racionalização experimentada pela sociedade ocidental. O trabalho de Weber50 se distingue por quatro ações: (a)
racionalidade orientada para a finalidade; (b) racionalidade direcionada para os valores; (c) ação afetiva, considerando o estado emocional do ator; e (d) ação tradicional.
Darío Rodríguez Mansilla51 observa que Weber via a racionalização do mundo
ocidental como um processo progressivo, tendo estudado eles em várias esferas (religiosa, legal, política, econômica, organizacional, etc.). Nesse sentido, a racionalização das operações nas empresas de grande escala (político, administrativo e econômico) tem-se traduzido numa forma burocrática de organização, até porque ela se caracteriza por sua superioridade técnica sobre qualquer outra forma organizacional, devido à sua racionalização, precisão, velocidade, clareza e redução de custos de materiais e de pessoal.52
Essas instituições se encontram organizadas sempre de acordo com os princípios racionais, ou seja, divisão de funções; hierarquia dos postos de trabalho; classificação técnica e registro, por escrito, de todos os atos administrativos, regras e decisões.53 Com a economia capitalista, as organizações necessitam que seus
negócios sejam realizados com precisão, certeza e com maior rapidez possível. Nesse sentido, o modelo burocrático pode oferecer uma combinação favorável.
50 WEBER, Max. Economia e Sociedade: fundamentos da sociologia compreensiva. Tradução de
Régis Barbosa e Karen Elsabe Barbosa. 4 ed. Brasília: Editora Universidade de Brasília, v. 1, 2009.
51 MANSILLA, Darío Rodríguez. Gestión Organizacional: Elementos para su estudio. 5. ed. atual.
Santiago/Chile: Ediciones Universidad Católica de Chile. 2011.
52 WEBER, Max. Ensaios de Sociologia. Tradução Waltensir Dutra. 5. ed. atual. Rio de Janeiro: LTC,
2013.
53 WEBER, Max. Economia e Sociedade: fundamentos da sociologia compreensiva. Tradução de
Para Max Weber54, as organizações burocráticas realizam cálculos racionais,
por isso, o rendimento individual de cada trabalhador é medido matematicamente, e seu comportamento torna-se previsível. Cada indivíduo se transforma em uma pequena engrenagem de uma grande máquina, sendo que sua aspiração é se converter em uma grande engrenagem. Darío Rodríguez Mansilla55 observa que as
consequências apontadas por Weber a respeito do indivíduo e referente à racionalização e burocratização são similares ao conceito de alienação em Marx, pois ambos reconhecem que os métodos modernos de organização têm aumentado a efetividade e a eficiência da produção e tem permitido ao homem um grande domínio da natureza. Entretanto, apesar dos benefícios para as organizações, esse modelo, a médio e longo prazos, poderá vir a desumanizar os indivíduos nela inseridos.
b) A Escola da Administração Científica
A Escola da Administração Científica, também denominada Escola Clássica da Administração, não tenta compreender os processos da sociedade, tampouco a elaboração de esquemas ideais que permitam a comparação entre as organizações. Ela, simplesmente, está focada em desenvolver uma investigação científica sistemática, sendo desenvolvida no intuito de explicar um sistema de regras e leis de comportamento, o qual, ao ser aplicado, resultará no máximo de eficiência para o sistema organizacional.
Entretanto, a teoria clássica divide-se em duas principais vertentes56. A
primeira, decorrente dos estudos de Frederick Taylor, enfatiza as atividades básicas que estão envolvidas no processo de produção, por meio da pesquisa dos tempos e movimentos. A segunda, caracterizada pelos trabalhos de Luther Gulick e Lyndall Urwick, preocupa-se com os grandes problemas das organizações, representando a divisão do trabalho e sua consequente departamentalização.
Frederick Taylor57 batizou a teoria como administração científica, pois queria
desenvolver uma ciência para cada elemento do trabalho individual. Para o autor, o
54 WEBER, Max. Economia e Sociedade: fundamentos da sociologia compreensiva. Tradução de
Régis Barbosa e Karen Elsabe Barbosa. 4 ed. Brasília: Editora Universidade de Brasília, v. 1 2009
55 MANSILLA, Darío Rodríguez. Gestión Organizacional: Elementos para su estudio. 5. ed. atual.
Santiago/Chile: Ediciones Universidad Católica de Chile. 2011.
56 MARCH, James G.; SIMON, Herbert A. Teoria das Organizações. Tradução de Hugo Wahrlich. Rio
de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1966.
princípio que deve reger as organizações é: oportunizar a máxima prosperidade para o empregador e também para o empregado, pois um não se sustenta sem o outro. Nesse aspecto, a divisão do trabalho foi o marco central desta teoria, já que, para o autor, não havia trabalho humano que não pudesse ser subdividido, simplificado e racionalizado; por esse motivo, havia a necessidade de assegurar uma divisão apropriada entre administradores e assalariados. Observa-se que Taylor separa, de forma definitiva, os aspectos da tomada de decisão e a execução do trabalho.
No que tange à segunda corrente da Escola Clássica, apresentam-se, aqui, os trabalhos de Gulik e Urwick58. Os autores demonstram quatro princípios de
especialização que irão servir de guia para a concentração das atividades; são eles: finalidade, processo, clientela e área geográfica. Entretanto, como qualquer outra teoria, esta também apresenta suas vantagens e desvantagens.
Darío Rodríguez Mansilla59, ao analisar esses estudos, realizou alguns
apontamentos. O primeiro deles é que a finalidade serve para orientar o grupo como um todo, a fim de alcançar os objetivos comuns, focando sempre na atividade que será desenvolvida por cada trabalhador, porém, essa prática poderá ocasionar uma duplicação de tarefas, tendendo a uma sobrecentralização. A respeito do processo, este permite o uso da especialização técnica, aceitando a utilização de mecanismos que auxiliam no trabalho, mas, em contrapartida, tendem a segmentar as metas gerais, requerendo, assim, maior atenção e coordenação. Com relação à clientela, observa-se uma redução no número de departamentos, minimizando o tempo gasto com cada tarefa; contudo, minimizam-se também as vantagens da especialização das funções, gerando um aumento de recursos e instalações. No que concerne à área geográfica, verifica-se um aumento de coordenação dentro das fronteiras físicas e uma melhora na adaptação do programa total e das necessidades locais. Entretanto, pode acarretar um aumento na dificuldade de manter as políticas gerais uniformes e um acréscimo no custo da supervisão.
Constata-se que, a partir da Escola da Administração Científica, se iniciou uma grande avalanche de pesquisas e trabalhos em universidade, que pretendiam determinar novas formas de racionalização de diversas atividades laborais. Ela era
58 GULIK, Luther; URWICK, Lyndall. Papers on the Science of administration. New York: Institut of
Public Administration, 1937.
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vista como um instrumento racionalmente planificado. Seus fins não eram discutidos. A estrutura devia procurar traduzir esses fins em condições de relações racionais e meios adequados para atingir os objetivos. A estrutura de autoridade era hierárquica e procurava integrar a organização em uma ordem que garantisse a adequação dos comportamentos. Tal modelo organizacional parecia ter se instalado definitivamente, mas este cenário de otimismo e confiança escondia um desastre (crise de 1929) 60
que levaria muitas empresas à falência.
c) A Escola das Relações Humanas
A Escola das Relações Humanas, também denominada Teoria das Relações Humanas, ganha relevo a partir da grande depressão gerada pela quebra da bolsa de valores de New York (crise de 1929)61. Essa teoria traz uma nova perspectiva no que
diz respeito à administração, pois procura identificar a interligação entre o sentimento e as atividades desenvolvidas pelos trabalhadores.
É a partir desse momento que o homem deixa de ser visto como “homem econômico”62 e passa a ser visto como “homem social”.63 Essa teoria passou a tentar
60 “Los logros acumulados en la época eran impressionantes, la confianza en lo que se llegaría a hacer
era enorme y creciente. La administración científica parecia haberse instalado definitivamente, como la forma más adecuada de dirigir y de contribuir al progresso ilimitado. Sin embargo, en este ambiente de optimismo y confianza en el futuro, se estaba incubando el desastre que llevaría a la quebra a muchas empresas y a la perdida de la confianza ciega en las possibilidades ilimitadas de racionalización del comportamento humano en las organizaciones: la crisis de 1929”. In: MANSILLA, Darío Rodríguez.
Gestión Organizacional: Elementos para su estudio. 5. ed. atual. Santiago/Chile: Ediciones
Universidad Católica de Chile. 2011.
61 No final da década de 1920, um grupo de pesquisadores realizou experimentos nos laboratórios da
Western Electric, em Hawthorne. A pesquisa estava pautada nos estudos da análise fisiológica do trabalho, uma vez que pretendia determinar o nível ótimo de iluminação requerido para aumentar a produtividade a índices máximos. Nesse caso, o resultado obtido em relação aos incrementos da produtividade, independente da quantidade de luz disponível, indicaria que a explicação não poderia ser deduzida dos princípios que orientaram a investigação.Por esse motivo, era necessário buscar uma alternativa teórica para responder tal fenômeno. Então, surge a Teoria das Relações Humanas, que, a partir dessa observação, elaborará uma justificativa para o fato. In: MANSILLA, Darío Rodríguez.
Gestión Organizacional: Elementos para su estudio. 5. ed. atual. Santiago/Chile: Ediciones
Universidad Católica de Chile. 2011.
62 A concepção de “homo economicus” surge no século XX, com a Teoria Clássica, preconizada por
Taylor, cuja preocupação era a máxima eficiência no trabalho concebida por métodos e sistemas de racionalização, e por Fayol, que estabeleceu princípios para a boa administração. Para a Teoria Clássica, o sistema de trabalho deveria ser aperfeiçoado por meio da racionalidade, sempre objetivando uma máxima eficiência. Sob essa perspectiva, observa-se que a teoria reduziu o indivíduo/trabalhador a um simples executor de tarefas repetitivas, motivado, exclusivamente, por recompensas econômicas e financeiras, mecanizando-se cada vez mais. (MOTTA, Fernando C. Prestes. Teoria Geral da
Administração. 2 ed. São Paulo: Ed. Pioneira, 2002).
63 A concepção de “homem social” surge a partir de 1930, tendo como grande estudioso Elton Mayo,
que propôs a Teoria das Relações Humanas. Essa teoria criticava a Teoria Clássica que primava pela eficiência técnica, reduzindo o indivíduo a um ser apenas motivado por recompensas econômicas e
compreender a importância dos fatores psicossociais como a atenção que se dedicava ao grupo ou aos processos grupais na produção. Ela estudava a influência do grupo sobre os indivíduos/trabalhadores e quais as suas motivações, chegando à conclusão de que as recompensas não econômicas eram muito importantes. Porém tal teoria também foi criticada, e uma das principais críticas diz respeito à facilidade com que os operários podem ser manipulados pelos empresários. Contudo, os trabalhos da Escola das Relações Humanas gerou um grande interesse dos círculos acadêmicos, por comprovações e descobertas de novos fenômenos relacionados com o trabalhador, entendido, agora, como um ser social.64 Em contrapartida, observa-se
que tal teoria se descuidou, totalmente, das condições estruturais, o que acarretou a formação de novos estudos.
d) Escola Neoclássica
No final dos anos 1950, houve a necessidade de se estudar uma nova conceituação para a teoria organizacional, capaz de retomar os aspectos estruturais de uma organização, sem deixar de lado o homem como ser social. Em 1958, James March e Herbert Simon65 publicaram a obra “Organizações”, a qual retoma o tema da
racionalidade e dos desenhos estruturais, sendo, por isso, considerado um enfoque neoclássico.
A diferença central com a teoria clássica tradicional se encontra no fato de que o enfoque é mais acadêmico do que normativo, visto que se estudam as formas efetivas em que as finalidades de uma organização são realizadas. March e Simon66
mostram a necessidade de considerar, no desenho organizacional, distintos mecanismos e unidades especializadas no cumprimento de funções indispensáveis para o seu adequado funcionamento. Nesse aspecto, contata-se que as organizações requerem instrumentos de controle para comprovar o cumprimento das ordens e a adesão efetiva aos regulamentos. O controle pode ser efetuado utilizando-se a
ou seja, como um homem social, humanizando este, pois o mesmo necessita de segurança, afeto, reconhecimento social, prestígio para obter a sua autorrealização. (CHIAVENATO, Idalberto. Teoria
Geral da Administração: abordagens prescritivas e normativas. 7 ed. São Paulo: Editora Manole, v.
1, 2013.
64 MANSILLA, Darío Rodríguez. Gestión Organizacional: Elementos para su estudio. 5. ed. atual.
Santiago/Chile: Ediciones Universidad Católica de Chile, 2011.
65 MARCH, James G.; SIMON, Herbert A. Teoria das Organizações. Tradução de Hugo Wahrlich. Rio
de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1966.
66 MARCH, James G.; SIMON, Herbert A. Teoria das Organizações. Tradução de Hugo Wahrlich. Rio
hierarquia de autoridade, porém, quando esta não é suficiente, tem-se de desenvolver agências de controle especializadas, com regras que deverão ser controladas.67
March e Simon68 indicam que não existe uma regra única para a forma de
desenho organizacional, sustentando que as organizações se baseiam em dois modos de divisão do trabalho: (a) a divisão do trabalho com vista em uma tarefa (especialização horizontal); (b) divisão do trabalho baseada no poder (especialização vertical); nesse caso, as tarefas são de execução ou de decisão. A tomada de decisão se divide de tal maneira que os níveis mais elevados estabelecem as linhas mais amplas de política, e os inferiores realizam esta política mais detalhadamente. Além desse enfoque, os autores ainda enfatizam a questão da resolução de conflitos organizacionais como forma de aumentar a eficiência dentro e fora das organizações.
2.3 A compreensão sistêmica das organizações e os elementos para redução