resultados da pesquisa empírica. Deste modo, será construído o modelo específico para rede de inovação em implementações de Teoria das Restrições.
Finalmente, para detalhar o modelo e facilitar sua comunicação será apresentada a representação do modelo proposto em uma linguagem de modelagem amplamente adotada: UML (Unified Modeling Language).
5.3.1. A Construção do Modelo Proposto para Redes de Inovação
5.3.1.1. O Ponto de Partida - Um Modelo de Redes de Inovação na Perspectiva Econômica
Para definir as contribuições teóricas da pesquisa empírica da dissertação conforme o processo de formação de uma teoria proposto por Christensen (2004), será necessário confrontar os achados empíricos com um modelo teórico já existente.
Além disso, Hodgson (1993) considera que a melhor maneira de gerar novas idéias em uma determinada área de conhecimento é capturar conceitos de outros âmbitos de estudo. Por este motivo, procura-se gerar um modelo para a gestão das operações organizacionais de inovação com base em um modelo proposto por pesquisadores de outra área de conhecimento, como a economia.
O modelo teórico escolhido é o modelo de Pyka, Gilbert e Ahrweiler (2002), representado na Figura 24. Esse modelo, já comentado no capítulo de revisão bibliográfica, apresenta a vantagem de resultar de pesquisas empíricas em quatro setores econômicos e de apresentar uma teoria que relaciona as variáveis de uma rede de inovação de forma dinâmica e sistêmica.
O modelo desses pesquisadores europeus, parte de um agente, ou seja, de uma organização que realiza Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) para ampliar sua base de conhecimento. No modelo computacional, os autores representam a base de conhecimento de uma empresa por um conjunto de competências e habilidades técnicas e organizacionais. De tal base de conhecimento, a empresa cria uma inovação potencial que é avaliada por uma instituição denominada pelos autores como “oráculo da inovação” que vai julgar se a inovação potencial terá sucesso ou fracasso. Se a empresa tiver sucesso na inovação, então receberá uma recompensa financeira que valoriza suas ações de capital, viabilizando futuros projetos de P&D.
Para acelerar o desenvolvimento de sua base de conhecimento e a chance de sucesso de uma inovação potencial, uma empresa pode buscar uma outra organização para uma parceria de inovação, de acordo com a sua estratégia de desenvolvimento de novos produtos. Caso o parceiro potencial também se interesse pela parceria, então ocorre uma mútua coincidência de intenções e a parceria é efetivada.
A parceria de inovação viabiliza que a empresa tenha duas fontes para desenvolver a sua base de conhecimento: o seu próprio P&D e a base de conhecimento do parceiro. Novamente, a base de conhecimento resultante da parceria cria uma inovação potencial que é avaliada pelo “oráculo de inovação”. No caso de fracasso, a parceria pode buscar um novo projeto ou, eventualmente, se dissolver. No caso de
Figura 24 – Modelo de Redes de Inovação Adaptado de Pyka, Gilbert e Ahrweiler (2002).
Rede Base de Conhecimento Base de Conhecimento Base de Conhecimento P&D Saída Ações de capital do agente Distribui recompensa à rede Entrada Oráculo da Inovação Procura por um parceiro Parceria Recompensa Meios para realizar P&D e para co-operar
Inovação Potencial De acordo com a
sua estratégia Mútua coincidência
Convite
Acordo de colaboração Resultado da inovação
Rede Base de Conhecimento Base de Conhecimento Base de Conhecimento P&D Saída Ações de capital do agente Distribui recompensa à rede Entrada Oráculo da Inovação Procura por um parceiro Parceria Recompensa Meios para realizar P&D e para co-operar
Inovação Potencial De acordo com a
sua estratégia Mútua coincidência
Convite
sucesso da inovação, os parceiros são financeiramente recompensados e o parceiro não- integrante da rede de inovação ganha a reputação necessária para ser convidado pelo parceiro integrante da rede a participar da mesma. Com isso, o número de membros da rede cresce e aumentam as fontes de desenvolvimento das bases de conhecimento para cada membro.
Fazendo parte da rede de inovação, o membro recém convidado passa pelo mesmo ciclo de desenvolvimento da base de conhecimento através do aprendizado a partir do conhecimento dos outros integrantes da rede, para criar uma nova inovação potencial, que será avaliada pelo “oráculo de inovação”. No modelo, um certo número sucessivo de fracassos implica na dissolução da rede, enquanto que inovações bem sucedidas resultam em recompensas financeiras que são distribuídas entre os agentes da rede, conforme o acordo de colaboração.
Esse processo é representado visualmente, por meio da linguagem unificada de modelagem, UML, na Figura 25 e na Figura 26.
O Diagrama de Caso de Uso proporciona uma visão macro da utilidade de um processo, de acordo com a perspectiva dos beneficiados pelo mesmo. Cada Caso de Uso representa uma solução diferente com valor para o cliente do processo. O “oráculo da inovação” é o receptor das inovações resultantes da rede, por meio do caso de uso de validação do valor da inovação. Se a inovação for bem sucedida, as ações de capital dos agentes integrantes da rede se beneficiam, por meio do caso de uso representado pelo recebimento das recompensas financeiras.
Rede de Inovação
Ações de capital dos agentes
P&D dos agentes Oráculo da
Inovação (mercado)
Validar o valor da inovação
Receber recompensa pelas inovações Oráculo da Inovação (mercado) Rede de Inovação Ações de capital dos agentes
P&D dos agentes Oráculo da
Inovação (mercado)
Validar o valor da inovação
Receber recompensa pelas inovações
Oráculo da Inovação (mercado)
Figura 25 – Casos de Uso de Redes de Inovação pelo Modelo de Pyka, Gilbert e Ahrweiler (2002) em UML. (CALIA, 2005)
O Diagrama de Atividades descreve como ocorre o caso de uso dentro da rede de inovação.