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Henrik Sørensen og det sovjetiske kunstlivet

In document Visning av Volum 20 (sider 44-51)

Quando questionados sobre as potencialidades da relação profissional os participantes destacam três temas: os contributos para a intervenção; o aumento da autoestima da pessoa e o desenvolvimento humano e profissional do assistente social.

Nas narrativas dos estudantes ressalta que a relação profissional estabelecida permite conhecer pormenorizadamente a situação da pessoa, defendendo-se: “(…) é fundamental porque o facto de estabelecermos uma relação e se for uma relação positiva com a pessoa acho que é uma potencialidade para tu começares a desconstruir o problema da pessoa” (E2). Neste sentido, a relação “oferece

50 mensagens que não irias ter se não tivesses essa relação, por isso vai-se abrindo portas que não se abriria” (E5). De acordo com os participantes, a (des) construção das narrativas com as pessoas abrange o conhecimento aprofundado da situação o que determinará a adequação da intervenção:

“(…) torna possível uma melhor compreensão do problema e nesse sentido maximiza a intervenção na sua adequação à pessoa e à sua situação (…) é a partir da relação que consegue-se trabalhar com a pessoa, que se consegue identificar quais é que são as forças, quais é que são as fraquezas, qual é que é a necessidade. E como é que a partir da necessidade, das forças e das fraquezas nós conseguimos trabalhar a situação, tendo em conta todo o sistema em que a pessoa está inserida não é?” (E12).

“(…) ajuda na resolução, em todo o processo, porque se calhar se não estabelecermos uma boa relação a pessoa não vai dizer certas coisas e depois mais para a frente com a relação que constróis com ela se calhar vai dizer-te outras coisas e aí acabas por ter um diagnóstico melhor e se calhar a tua intervenção acaba por ser mais bem sucedida, digamos assim, do que se for só aquela e acaba ali” (E7).

Dependendo da área de intervenção este fundamento relacional possibilita a compreensão das necessidades que podem não ser tão “objetivas”, mas que orientam a intervenção do assistente social que visa a valorização da pessoa contribuindo para a dignidade e bem-estar humanos. Assinala-se que este discurso refere-se aos propósitos profissionais essencialmente promocionais, mencionados anteriormente:

“(…) aquelas necessidades que não são tão objetivas: ali não se precisa de comer porque se tem fome. Não, aqueles idosos precisam de um espaço onde possam demonstrar o seu talento, a sua capacidade de desenhar, de escrever, de dizer piadas e que se sintam valorizados, porque isto depois está relacionado: claro que vai contribuir para o aumento do seu bem-estar, vai contribuir para o aumento da sua dignidade... ou seja, aqui a relação permite conhecer as particularidades e as singularidades da pessoa que está à nossa frente” (E11).

Outra potencialidade da relação para a intervenção associa-se à diminuição do tempo de intervenção resultante da colaboração e participação da pessoa nesse processo.

“(…) poupa imenso tempo porque a pessoa acredita em nós e acredita que estamos fazer aquilo para o seu bem reduzimos o tempo (…) vai-nos ajudar a encontrar o melhor caminho: ajuda-nos… não nos obriga a insistir, insistir, insistir…” (E10).

A relação proporciona sentimentos de aceitação favorecendo a abertura e segurança da pessoa para manifestar os seus interesses, em qualquer momento, e independentemente de eventuais mudanças a esse nível:

“(…) assim que se estabelece essa relação a pessoa também se sente mais à vontade quando mudou de ideias e sabe que mesmo que transmitir essa mudança de ideias não vai levar por tabela por assim dizer, por alterar. Ou se eu acho que o melhor para aquela pessoa é isso e ela tem esse à vontade para me dizer «mas os meus interesses são outros»” (E3).

Por outro lado, se a relação estabelecida propicia uma maior transparência da pessoa, aponta-se como potencialidade da relação a maior recetividade da pessoa para alternativas propostas pelo assistente social.

51 “(…) se nós sugerirmos alguma coisa que nunca passou pela cabeça àquela pessoa, a pessoa tem confiança em nós e pensa: se esta pessoa sugeriu isto para mim, que me conhece, que me ouve, que está comigo: se calhar posso experimentar. Eu acho que pode abrir portas e pode quebrar barreiras, nós conseguirmos que as pessoas confiem em nós ao máximo” (E4).

A relação apoia o processo de intervenção pelo que tanto nos avanços como nos possíveis retrocessos a pessoa sabe que pode contar com a presença e o apoio do profissional. Nesta aceção, a relação traduz-se no “elo de ligação aos utilizadores dos serviços quando a intervenção sofre algum revés” (Pena, 2012:204).

“(…) neste caso: o objetivo é uma autonomização da medida, acho que a relação permite que a pessoa por muitos altos e baixos que saiba que está ali, que pode ir ali e pode pedir ajuda. E… que estamos sempre presentes e aí forma uma intervenção contínua. E para haver esta intervenção contínua não pode não haver uma relação” (E8).

Em uníssono com Núncio (2015), “o Serviço Social assenta num fundamento de relação com o cliente, ou clientes. É nessa relação que se constrói o conhecimento das situações, que se perspectivam futuros, que se avaliam potencialidade e obstáculos, que, enfim, se traçam, em conjunto, planos de intervenção” (…) (Núncio, 2015:165). Com base nos discursos dos estudantes, é também no contexto dessa relação que se reavaliam projetos, que se lida com os sucessos e com os possíveis retrocessos ou constrangimentos nesse âmbito.

Além das potencialidades para a intervenção, os estudantes identificam como potencialidade da relação a crença que o assistente social tem e que transmite à pessoa, reforçando a sua autoestima (Howe, 2009). A autoestima “significa a transformação psicológica que anula as avaliações negativas anteriores e incorporadas ao longo do desenvolvimento individual e estimula a autossatisfação, uma visão positiva de si, a confiança, a perceção de que é uma pessoa com capacidades, talentos e competências” (Oliveira, 2016:67).

Conforme indicado por uma participante é indispensável: “(…) não só tu acreditares no utente mas o utente acreditar… ou seja, tu acreditares no utente e o utente perceber que tu acreditas nele e nas potencialidades dele (…) ele próprio pode-se ajudar a si” (E2). Neste seguimento, “(…) a autoestima da pessoa também acaba por se fortalecer e isso faz ir à luta e ir tentar melhorar a sua vida, porque vêm que há uma pessoa por detrás que está disposta a ajudar, a apoiar e respeitar aquilo que é o interesse da pessoa” (E3). Prosseguindo, com a conceção da relação como meio para demonstrar a crença na pessoa, reforçando a sua autoestima e trazendo à superfície novas possibilidades imediatas e futuras:

“(…) a relação pode também fazer com que a pessoa se sinta melhor com ela porque praticamente todas as vezes nós lidamos com situações muito sensíveis em que as pessoas não estão no melhor momento da sua vida e às vezes duvidam muito da sua maneira de estar, de si mesmos. E conseguir ter uma relação com alguém que acredita neles pode ser potencializador para essas pessoas conseguirem alcançar outras coisas que não estariam à espera se não tivessem nenhuma relação de sucesso na vida deles” (E4).

52 “(…) acho que pode muito potenciar o próprio utente. Se eu consigo, com a relação que estabeleço com o utente, diagnosticar as suas potencialidades, os seus pontos fortes, os seus aspetos bons e lá está utilizar um certo empoderamento desses aspetos da pessoa…” (E6).

“(…) acho que está muito mais autonomizada para responder. Como quem diz: «ah, eu já passei por esta situação já vou ser capaz de resolver outras, sou capaz de solucionar aquela situação porque eu já vivi isso». E se a pessoa se lembra: «já me disseram que sou realmente bom e que sou capaz de fazer vou ser capaz de saltar mais etapa, mais este passo»” (E10).

Por último, a relação constitui-se como um contexto propício ao desenvolvimento humano e profissional do assistente social, proporcionando a aprendizagem e o desenvolvimento relativamente a valores, características e competências:

“(…) vamos trabalhando certas características como a paciência (…) o saber ouvir (…) e respeitar também é importante, aprendemos a respeitar. Eu acho que também deixamos de parte aquela ideia que a nossa ideia é a mais importante” (E3).

“(…) quanto mais criamos relações profissionais, e isso assim, mais nós nos vamos moldando: nós vamos aprendendo com as outras pessoas (…) E é uma potencialidade também para pessoas inibidas, pessoas que não são muito faladoras, muito comunicativas (…) acabam por se desinibir também porque são obrigados, por assim dizer, numa relação” (E4).

“(…) acho que a relação profissional também ajuda numa fase posterior a trabalhar fora do próprio ambiente profissional a sua maneira de ser (…) ajuda muito a pessoa a saber - a saber não, a ser quase “obrigado” (entre aspas) - a ter que digerir e saber digerir e não demonstrar as emoções para não influenciar o próprio tipo de intervenção…” (E10).

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