De maneira geral, pode-se dizer que os domicílios menores tendem a ter pessoas de referência pertencentes aos grupos etários mais avançados. Em 2050, para os domicílios unipessoais, a distribuição desses domicílios, apresenta uma distribuição etária diferente em função do sexo da pessoa de referência. Para o sexo feminino, a distribuição etária é maior para o grupo etário de 70 a 74 anos; ao passo que, para o sexo masculino, ela é maior para o grupo etário de 35 a 39 anos. Já para os domicílios de tamanho dois, a distribuição apresenta-se deslocada em direção aos grupos etários mais avançados, apresentando um pico para o grupo etário de 70 a 74 anos (13%), embora haja participação também dos grupos etários de 30 a 64 anos, sendo que cada grupo etário qüinqüenal apresenta porcentagem que varia de 6% a 8%. Para os domicílios de tamanho três, a distribuição etária da pessoa de referência apresenta-se deslocada em direção ao grupo de 65 a 69 anos. Para os domicílios de tamanho quatro, a idade da pessoa de referência concentra-se entre os grupos etários de 40 a 69 anos; ao passo que, para os domicílios de tamanho cinco ou mais, a distribuição etária da pessoa de referência apresenta-se deslocada em direção ao grupo etário de 40 a 44 anos.
O GRAF. 27 apresenta a distribuição percentual dos domicílios em função do tamanho e da idade da pessoa de referência, para os decênios entre 2000 a 2050. Essa distribuição assemelha-se a pirâmide populacional, mas ao invés da divisão da população por sexo, há a divisão dos domicílios em função do tamanho. Do lado esquerdo situam-se as distribuições percentuais dos domicílios com até duas pessoas; enquanto que, do lado direito, situam-se as distribuições dos domicílios com três ou mais pessoas.
24 Para o cônjuge feminino, em 2000, grande parte (72,5%) pertencia ao grupo etário de 20 a 49 anos; enquanto que, em 2050, distribuem-se entre os grupos etários de 20 a 29 anos (27,2%) e 60 a 69 anos (64,3%). Em 2000, quando a proporção de pessoas jovens era maior, grande parte das mães solteiras (46,4%) pertencia ao grupo etário de 20 a 39 anos; ao passo que em 2050, elas concentram-se no grupo etário de 60 a 69 anos (72,1%).
Gráfico 27: Distribuição percentual dos domicílios, em função do tamanho e do grupo etário da pessoa de referência, Belo Horizonte, 2000 a 2050
a) 2000 b) 2010
c) 2020 d) 2030
e) 2040 f) 2050
Nota: O último grupo etário engloba as idades maiores ou iguais a 80 anos, “5+” significa cinco ou mais pessoas. Fonte dos dados básicos: Censo Demográfico de 2000, IBGE.
-10,00 -5,00 0,00 5,00 10,00 15,00 15-19 25-29 35-39 45-49 55-59 65-69 75-79
1pessoa 2 pessoas 3 pessoas 4 pessoas 5+ pessoas
10 5 0 5 10 15 -10,00 -5,00 0,00 5,00 10,00 15,00 15-19 25-29 35-39 45-49 55-59 65-69 75-79
1pessoa 2 pessoas 3 pessoas 4 pessoas 5+ pessoas
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1pessoa 2 pessoas 3 pessoas 4 pessoas 5+ pessoas
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1pessoa 2 pessoas 3 pessoas 4 pessoas 5+ pessoas
10 5 0 5 10 15 -10,00 -5,00 0,00 5,00 10,00 15,00 15-19 25-29 35-39 45-49 55-59 65-69 75-79
1pessoa 2 pessoas 3 pessoas 4 pessoas 5+ pessoas
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1pessoa 2 pessoas 3 pessoas 4 pessoas 5+ pessoas
Em 2000, as proporções de domicílios com até duas pessoas não chegava a 5% em cada grupo etário; ao passo que a proporção de domicílios com três ou mais pessoas era superior a 10%, para os grupos etários de 30 a 44 anos. Ao longo do período de projeção, observa- se uma diminuição gradativa das proporções de domicílios de tamanho quatro e de tamanho cinco ou mais; sendo que, ao mesmo tempo, há um aumento das proporções de domicílios de tamanho um e dois, principalmente, para os grupos etários mais avançados.
Com exceção do ano 2000, os demais anos da projeção apresentam pequenas proporções de domicílios, cuja pessoa de referência pertence ao grupo etário de 15 a 19 anos, pois se assumiu que as transições de situação conjugal e parturição iniciam a partir de 15 anos, além de que, a taxa feminina de sair da casa dos pais é maior do que zero somente após a idade de 15 anos. Assim, dentre as pessoas pertencentes ao grupo etário anterior de 10 a 14 anos, há poucas oportunidades para que se tornem pessoas de referência no domicílio ao passar para o grupo etário de 15 a 19 anos. A cada decênio, a base da pirâmide populacional torna-se menor o que contribui para que haja, cada vez menos, pessoas de referência pertencentes ao grupo etário de 15 a 19 anos.
Observa-se no GRAF.27, que a proporção de domicílio, cuja pessoa de referência pertence ao grupo etário de 25 a 29 anos, é superior à proporção de domicílio cuja pessoa de referência pertence ao grupo etário de 15 a 19 anos no decênio anterior. Deve-se ressaltar que cada pessoa de referência do grupo etário de 15 a 19 anos, em cada decênio, pertencerá ao grupo etário de 25 a 29 anos na década seguinte, podendo permanecer como pessoa de referência ou não desse domicílio.
A idade média ao ter filhos e de sair de casa estão no grupo etário de 25 a 29 anos e também a idade média masculina ao primeiro casamento (26,9 anos), estando a idade média feminina ao primeiro casamento (24,2 anos) bem próxima a esse grupo. Como essas variáveis são as que levam a formação de novos domicílios, para se entender o processo, exemplificar-se-á como as coortes de pessoas de referência que, em 2000, pertenciam aos grupos etários de 15 a 19 anos e 20 a 24 anos vão, ao longo do tempo, se tornando pessoas de referência e experimentando mudanças em suas famílias, de forma que, em 2030, ao estarem com as idades de 45 a 59 anos, haja uma concentração de domicílios maiores.
Após 2030, essas coortes de 15 a 19 anos e de 20 a 24 anos parecem estar associadas à formação dos domicílios de tamanho um ou dois, já que, por volta de 2040, haverá maior
proporção de pessoas de referência pertencentes ao grupo etário de 55 a 59 anos e 60 a 64 anos, que, provavelmente, são casadas (ver GRAF. 22) e cujo filho(a) atinge idade propícia a deixar a casa dos pais. Quando há apenas um filho por casal, esse filho, ao casar, pode deixar a casa dos pais, contribuindo duplamente para a formação de domicílio de tamanho dois, pois forma um novo domicílio de tamanho dois e faz com que o domicílio de duas gerações (casal e filho), pertencentes aos pais, torne-se um domicílio de uma única geração (casal sem filho), que correspondem ao termo “ninho vazio” citado por Kobrin (1976, p. 130), quando os pais pertencem aos grupos etários mais avançados.
O decênio de 2030 é útil nessa análise, porque a coorte de pessoas pertencentes ao grupo etário de 15 a 19 anos em 2000 pertencerá ao grupo etário de 50 a 54 anos em 2035. Sob a suposição que grande parte delas torna-se pessoa de referência do domicílio até o ano de 2035, por deixar a casa dos pais ou ao casar e deixar a casa dos pais, é esperado um maior crescimento da proporção de domicílios de tamanho um e dois, respectivamente, e de tamanho três devido ao nascimento do primeiro filho. Em 2000, como a base da pirâmide abaixo de 15 anos é menor, o aumento da proporção de domicílios de tamanho um, dois ou três será menos intenso após 2035, conforme observado no GRAF. 24.
A distribuição dos domicílios em função do tamanho será utilizada no próximo capítulo para estimar a frota de automóveis de Belo Horizonte, ao se considerar apenas as mudanças demográficas da população, ou seja, sem considerar a influência de outras variáveis, dentre elas, as variáveis econômicas.