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Para implantação do SES é imprescindível a realização de prévio planejamento de atividades que compõem o estudo de concepção desse sistema, no qual são desenvolvidas alternativas de localização e tipo das unidades de coleta, elevação, tratamento e destino final, para posterior seleção da melhor alternativa segundo critérios técnicos, econômicos e ambientais.

Na NBR 9648/1986 são apresentadas às condições necessárias ao estudo de concepção de sistemas de esgoto sanitário do tipo separador absoluto, com amplitude suficiente para o desenvolvimento do projeto de todas ou qualquer das partes que os constituem, observada a regulamentação específica das entidades responsáveis pelo planejamento e desenvolvimento do sistema de esgoto sanitário (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRADE NORMAS TÉCNICAS, 1986b).

Essa norma define o estudo de concepção como o estudo de arranjos de diferentes partes de um sistema, organizados de modo a formarem um todo integrado e que devem ser qualitativa e quantitativamente comparáveis entre si, para escolha da concepção básica, sob os pontos de vista técnico, econômico, financeiro e social (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1986b).

Segundo a FUNASA (2003), a concepção é o conjunto de estudos e conclusões referentes ao estabelecimento de todas as diretrizes, parâmetros e definições necessárias e suficientes para a caracterização completa do sistema a projetar.

Na NBR 9648/1986 são apresentados requisitos das informações disponíveis da área de planejamento do sistema, tais como geográficas e hidrologias, demográficas, econômicas, tanto do sistema de esgoto sanitário como de outros sistemas urbanos existentes, do uso do solo e dos planos existentes de sua ocupação.

Alem Sobrinho e Tsutiya (2000) explicam ser necessário o desenvolvimento de diversas atividades para a concepção do sistema de esgotamento sanitário, como o levantamento de dados e das características da comunidade, a análise do sistema de esgoto sanitário existente, a realização de estudos demográficos e de uso e ocupação do solo, a definição de critérios e parâmetros de projeto, o cálculo das contribuições, a formulação criteriosa das alternativas de concepção, o estudo dos corpos receptores e o pré- dimensionamento das unidades dos sistemas desenvolvidos para a escolha da alternativa e estimativa dos custos como mostrado no Esquema 8.

Esquema 8 – Concepção do sistema de esgotamento sanitário. Fonte: Sobrinho e Tsutiya (2000)

Além disso, a concepção do SES deve apresentar elementos e informações como identificação e qualificação de todos os fatores intervenientes com o sistema de esgotos, escolha da alternativa mais adequada mediante a comparação técnica, econômica e ambiental, além de considerar os impactos negativos e positivos.

A NBR 9648/1986 apresenta as seguintes atividades inerentes ao estudo de concepção do SES:

a) Delimitação da área para a qual deve ser planejado o sistema; b) Fixação do alcance do plano e do ano de início de operação do

sistema

c) Estimativa das populações a considerar no estudo de concepção; d) Delimitação das bacias de esgotamento contidas na área de

planejamento;

e) Fixação preliminar das características do esgoto;

f) Estabelecimento das concepções sanitariamente comparáveis para encaminhamento do esgoto da região em estudo aos corpos receptores;

LEVATAMENTO DE DADOS E DAS CARACTERÍSTICAS DA COMUNIDADE

ANÁLISE DO SISTEMA DE ESGOTAMENTO SANITÁRIO EXISTENTE

REALIZAÇÃO DE ESTUDOS DEMOGRÁFICOS E DE USO E OCUPAÇÃO DO SOLO

DEFINIÇÃO DE CRITÉRIOS E PARÂMETROS DE PROJETO

CONCEPÇÃO DO SISTEMA DE ESGOTAMENTO

SANITÁRIO

CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES E FORMULAÇÃO DAS ALTERNATIVAS DE CONCEPÇÃO

ESTUDO DOS CORPOS RECEPTORES E PRÉ- DIMENSIONAMENTO DAS UNIDADES

g) Determinação das condições sanitárias e de autodepuração dos corpos receptores;

h) Verificação da possibilidade de aproveitamento das instalações existentes;

i) Fixação dos critérios para estimativa dos valores de investimento; j) Fixação dos critérios para estimativa dos custos de operação,

manutenção

k) Estabelecimento de etapas de implantação

l) Estudo técnico-econômico comparativo das concepções;

m) Descrição da concepção básica, com seus componentes em planta (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRADE NORMAS TÉCNICAS, 1986b).

FRIZZO E ECKMAN (2003) ressaltam que a concepção do SES envolve aspectos básicos, como o estudo de alternativas de traçado perfeitamente definidas para o interceptor e coletores tronco, seguindo as condições de drenagem natural impostas pela topografia local e acompanhando o sentido de escoamento dos cursos d’água que existem em grande quantidade cruzando o perímetro urbano da cidade.

Leme (1977) explica que todos os dados obtidos devem ser sistematizados e coordenados, a fim de que possam ser devidamente analisados no desenvolvimento do estudo de concepção, com conseqüente definição da alternativa a ser implementada.

Segundo Soares (2004), é importante destacar que a realização do pré-dimensionamento das unidades de elevação e tratamento depende do resultado dos cálculos hidráulicos da rede coletora de esgotos, sendo o desenvolvimento dessa etapa sujeito aos estudos de traçado da rede.

Mendonça et al. (1987) explicam que a concepção da rede coletora é desenvolvida na fase de projeto propriamente dita, sendo constituída no traçado e no dimensionamento.

Para o estudo da planta da cidade, é indispensável a definição do traçado da rede coletora, pois nela são identificados os diversos divisores de água e talvegues.

Após esse estudo, é necessário locar a posição da ETE e o ponto de lançamento final dos esgotos na planta (pelo menos a direção para esse ponto) para, então, elaborar o traçado dos condutos principais e possíveis canalizações interceptoras e emissários, dentro de uma concepção que reduza as dimensões em todos os níveis (FERNANDES, 1997).

Mendonça et al. (1987) ressaltam que a concepção depende dos seguintes serviços básicos:

a) Topografia: o serviço topográfico fundamental é o altimétrico, que consta de nivelamento ao longo dos eixos das ruas, pontos de mudança de declividade, fundo de vales, córregos, rios, etc;

b) Solo: inspeções preliminares, indicam sobre a profundidade da rocha no subsolo. Sondagens de percursão, além de revelar a presença e a natureza de rochas por acaso existentes, facultam a possibilidade de traçado de um perfil do subsolo, em diversos pontos da cidade, demonstrando o tipo de solo a ser escavado;

c) Bacias e sub-bacias: a área de esgotamento poderá ser dividida em grandes bacias e estas em sub-bacias, em função do traçado da rede e das características topográficas.

A seleção da melhor alternativa de traçado é baseada no estudo detalhado da concepção para esta unidade, implicando, normalmente, em reduções na extensão da rede, nos volumes de escavação/reaterro e no tempo de duração da construção da rede coletora de esgotos (SOARES, 2004).

A mesma autora enfatiza que, no estudo do traçado devem ser identificados os percursos problemáticos, sendo que o traçado urbanístico e a topografia são importantes ferramentas nessas atividades.