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3. METHODOLOGY

4.4 Q UALITY OF CARE

4.4.2 Health Centre Observations:

Os diamantes e as pistolas muito podem sobre os espíritos; não obstante as palavras doces têm ainda mais força, sendo muito mais valiosas (PERRAULT, 2008, p. 252).

Wranghan e Peterson (1998) situam nossa agressividade na herança primata, principalmente os chimpanzés, seguindo os estudos de Morris (1969), que foi um dos primeiros autores a investigar nossa herança primata na década de 1960. É verdade que chimpanzés e humanos regularmente matam adultos da própria espécie. Os chimpanzés e os humanos também compartilham outros males; assassinatos políticos, espancamento e estupros (WRANGHAN e PETERSON, 1998, p. 164).

No livro O Macho Demoníaco (1998), os autores defendem a tese de que a agressividade humana é produto de nossa herança primata, que partilhamos principalmente com os chimpanzés, que possuem 99% do material genético semelhante ao dos humanos. Para Wranghan e Peterson (1998, p. 167), nos chimpanzés o gênero masculino responde por quase a totalidade dos atos agressivos . Sendo assim, além de nossa herança comum aos chimpanzés, para os autores, a agressividade estaria relacionada com o sexo masculino.

Ao comparar os chimpanzés com os bonobos27, outros tipos de primatas, os autores analisam a formação social, na segunda espécie de primatas, como matriarcal, constatando que os bonobos conseguem viver com pouca agressividade, em função da diminuição do poder dos machos.

Por exemplo, no âmbito desta linha de pesquisa, Frans De Waal (2007) desenvolve importantes estudos sobre a estrutura social e política de chimpanzés e bonobos, uma espécie de primata, cuja estrutura social é menos hierárquica, e o poder concentra-se mais em fêmeas, encontrando pouca agressividade intra e extraespécie.

No livro Chimpanzee politcs (1989), De Waal estuda o poder e a distribuição deste entre chimpanzés que possuem uma estrutura de hierarquia rígida e fronteiras intragrupais

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O bonobo foi descoberto em 1928, pelo anatomista estadunidense Harold Coolidge, representado por um crânio que está no museu de Tervuren, na Bélgica, o qual se acredita ter pertencido a um chimpanzé juvenil. A descoberta foi publicada em 1929. A espécie distingue-se por uma postura ereta, uma cultura matriarcal e igualitária, e o papel proeminente da atividade sexual em sua sociedade. Estudos genéticos apontam que os bonobos são os animais mais próximos dos humanos. Os bonobos é uma espécie de primata que se encontra em diversos locais da África. O estudo sobre eles tem avançado, principalmente a partir da década de 1990.

estreitas, em que a agressividade e a luta pelo poder são a norma. Nossa herança primata é gregária e, mesmo com a agressividade dos chimpanzés, quando passamos a analisar os bonobos, que também apresentam 99% do material genético semelhante ao nosso, entre essa espécie de primatas, a agressividade encontra-se diminuída. Entre os bonobos, a estrutura hierárquica é frouxa, o poder do macho é restrito, e o ambiente apresenta recursos mais abundantes para possibilitar a sobrevivência. Os bonobos apresentam também traços de temperamento que os torna mais pacíficos e dóceis.

Entre esses dois espectros, teríamos duas possibilidades de heranças primatas: uma que reforça a agressividade natural, e outra que relativiza a agressividade, como um fator de interação entre Biologia, meio ambiente e traços de temperamento, sendo a sociedade dos chimpanzés a primeira, e a dos bonobos a segunda possibilidade.

Não temos, em De Waal, uma separação entre agressividade e violência, mas uma inscrição do biológico em duas tendências, uma agressiva e hierárquica, com lutas pelo topo do comando, e outra com estrutura mais pacífica e menos agressiva.

Nos bonobos, segundo De Waal, a estrutura pouco competitiva, a maior tolerância intra e inter-espécie faz com que a resolução de conflitos seja mais eficaz. A paz entre essa espécie de primatas nos remete ao mito do bom selvagem de Rousseau. Os bonobos são produto de traços de temperamento herdados, menos agressivos, com estrutura social menos hierárquica, menos lutas pelo poder e ambiente ecologicamente favorável, o que faz com que se questione o determinismo genético, já que são capazes, para De Waal (2007, p. 78), de criar outra estrutura social, em que a colaboração e o altruísmo fazem desta sociedade um contraponto à sociedade dos chimpanzés.

Para De Waal, partindo dessas duas heranças de primatas, chimpanzés e bonobos, a natureza humana carrega uma bipolaridade que é reforçada, ora para o lado sombrio e agressivo, ora para o lado pacífico e apaziguador; esse reforço é sócio-político. Visão também compartilhada por autores, como Gould (1981) e Rüffiê (1980), na Paleontologia e Biologia.

Segundo De Waal:

Somos afortunados porque em nosso íntimo habita não um, mas dois grandes primatas. E os dois, juntos, nos permitem construir uma imagem de nós mesmos consideravelmente mais complexa do que a que a biologia nos tem apresentado nos últimos vinte e cinco anos. A ideia de nós, humanos, como criaturas puramente egoístas e perversas, com uma moralidade ilusória, carece de revisão (DE WAAL, 2007, p.291).

Baseando-nos nesses estudos, podemos tentar responder às seguintes questões: o ser humano é violento por natureza e necessita do poder da espada para coibir esta violência? Ou

a natureza humana é mais complexa, trazendo a propensão tanto para a agressividade desenfreada, como para a paz, estando, assim, inscrita em uma bipolaridade? A questão pode ser recolocada: até que ponto a herança primata fornece pistas para a violência humana, já que a agressividade é biológica? Nesse caso, podemos falar de chimpanzés mais agressivos e bonobos menos, mas a bipolaridade não serve para explicar a violência humana; no máximo, para apontar tendências biológicas agressivas, que, sob o efeito da estrutura social, propiciam uma maior violência entre os homens.

Passaremos a analisar agora o pensamento de Lorenz, que naturaliza a agressividade, porém não separa esta da violência. Diferente de De Waal, Lorenz não aprofunda nossa herança primata e estuda a agressão como instinto que, no homem, assume uma dimensão patológica28.

28 Um tipo de agressão emocional e geralmente impulsiva. É um comportamento que visa a causar danos

ao outro, independentemente de qualquer vantagem que se possa obter. Estamos face a face com uma agressão hostil, quando, por exemplo, um condutor bate propositadamente na traseira do automóvel que o ultrapassou. Esse comportamento só trouxe desvantagens para o próprio: tem de pagar os danos do seu carro, do carro do outro condutor, podendo ainda vir a ter problemas com a justiça. O termo raiva pode designar esse sentimento em oposição à agressão premeditada.

3.3. KONRAD LORENZ: A Agressividade Humana