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A partir da década de 80 do século XIX registaram-se diversos esforços da sociedade civil para alterar o panorama de degradação habitacional que começava a atingir dimensões preocupantes, sendo que a disseminação de pátios foi lentamente substituída pela proliferação de vilas operárias (Leite & Vilhena, 1991; Teixeira, 1992, 1994; CML, 1994; Pereira, 1994; Pereira & Buarque, 1995; Antunes, et al., 2014). De acordo com os 405 elementos georreferenciados foi criada a estimativa de vilas operárias por km² apresentada na Figura 2.

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Da análise da Figura 2 destacam-se as seguintes concentrações de vilas operárias: a) Percurso Ocidental da Circunvalação de 1852: a concentração mais importante de vilas operárias na cidade de Lisboa localizava-se no percurso poente da Estrada da Circunvalação (actual rua Maria Pia), em particular na vertente Oriental do vale de Alcântara, naquilo que se pode definir como o eixo Alcântara - Prazeres - Santo Condestável - Campo de Ourique - Campolide; a1) De menor importância – mas geograficamente

contíguas – sublinham-se as vilas operárias existentes entre o Rato e Santa Isabel até às imediações da rua de São Bento; a2) Destacam-se, ainda, algumas concentrações anormalmente elevadas no mesmo

arruamento, como é o caso da rua Possidónio da Silva e da rua Saraiva de Carvalho. b) Núcleo Graça - Penha de França: assume-se como a segunda maior concentração de vilas operárias em Lisboa. Os moradores destas vilas operárias não estariam dependentes da ocupação fabril, supondo-se que as ocupações estivessem ligadas a outro tipo de actividades; b1) Imediatamente a Norte deste eixo destaca-

se, ainda, a rua Barão Sabrosa com uma concentração anormal de vilas operárias; b2) A Sul do eixo

Graça - Penha de França, destacam-se as vilas operárias existentes em Alfama, Mouraria e Socorro; De menor relevância: a) Núcleo Beato e Marvila: no extremo oriental da Circunvalação existia uma relevante concentração de vilas operárias. Estas vilas operárias consubstanciavam-se fundamentalmente como conjuntos habito-industriais e estariam directamente relacionadas com as indústrias ai existentes; b).Eixo Alcântara - Santo Amaro - Alto da Ajuda: conjunto de vilas operárias que se prolongava com intensidade de Belém à antiga foz da ribeira de Alcântara. Estes conjuntos habito-industriais estariam ligados às indústrias ribeirinhas existentes de Alcântara a Belém; c) Arrabalde da cidade: vilas operárias espacialmente dispersas, percebendo-se a sua disposição ao longo de velhos caminhos intersticiais. Sem definirem concentrações importantes, destaca-se o Rossio de Palma, Benfica, Carnide, Lumiar e Braço de Prata.

5. Conclusão

Os resultados da análise espacial indicam: a) os pátios tiveram uma vulgarização quantitativa e espacial superior às vilas operárias; b) no espaço endógeno à Circunvalação de 1852 os pátios apresentam os valores de concentração mais elevados; c) as áreas de expansão urbana da cidade na transição entre os séculos XIX/XX (1880-1920) mostram uma disseminação marcada pelas vilas operárias; d) nos espaços onde se localizavam as indústrias lisboetas oitocentistas torna-se evidente que os pátios tiveram uma disseminação quantitativamente superior às vilas operárias; e) apesar dos pátios serem em maior número, deve-se destacar que as vilas operárias eram, frequentemente, conjuntos habitacionais de maiores dimensões, pelo que o seu peso demográfico poderia eventualmente ser superior ao dos pátios. Os trabalhos realizados nas últimas décadas sobre os pátios e vilas operárias basearam-se na análise qualitativa e interpretativa, apresentando análises espaciais baseadas no conhecimento empírico e passiveis de contestação pela sua não validação. O artigo aqui apresentado pretende trazer uma nova

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dimensão de análise, nomeadamente quantificando espacialmente a distribuição dos fenómenos, tornando a sua validação mais defensável e rigorosa. Desta forma, dá-se uma evolução no conhecimento, transformando a informação qualitativa em resultados quantitativos, que permitem uma melhor compreensão da matriz espacial do fenómeno. Paralelamente, a metodologia apresentada pode ser adoptada para outras cidades e territórios, tanto em Portugal (e.g. ilhas do Porto) como no mundo. Devido à sua disseminação quantitativa e espacial os pátios e as vilas operárias assumiram um valor urbano significativo na viragem do século XIX para o século XX. Actualmente é indispensável reconhecer a sua relevância para melhor compreender o tecido urbano oitocentista da capital de Portugal. Estes conjuntos habitacionais constituem-se como testemunho e herança histórica do passado urbanístico da cidade, mais precisamente do período de incremento industrial do século XIX e dos seus efeitos sociais, culturais, económicos e urbanos.

6. Bibliografia

Antunes, G., Lúcio, J., Soares, N. P., Julião, R. P. (2014). Conjuntos de habitação popular na cidade de Lisboa – espacialização e morfologia dos pátios e vilas operárias. XIV Colóquio Ibérico de Geografia, 1033-1038;

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Pereira, N. T. (1994). Pátios e vilas de Lisboa, 1870-1930: a promoção privada do alojamento operário. Lisboa:

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Silveira, L., Alves, D., Painho, M., Costa, A., & Alcântara, A. (2013). The evolution of population distribution on the Iberian Peninsula. A transnational approach (1877-2001). Historical Methods. A Journal of Quantitative and

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Teixeira, M. (1992). As estratégias de habitação em Portugal, 1880-1940. Análise Social, Vol. XXVII, 65-89; Teixeira, M. (1994). A habitação popular no século XIX: características morfológicas, a transmissão de modelos: as ilhas do Porto e os cortiços do Rio de Janeiro. Análise Social, Vol. XXIX, 555-579;

Teixeira, M. (1996). Habitação popular na cidade oitocentista – as ilhas do Porto. Lisboa: Fundação Calouste

X CONGRESSO DA GEOGRAFIA PORTUGUESA

Os Valores da Geografia

Lisboa, 9 a 12 de setembro de 2015

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Alta de Lisboa – um Plano, três áreas