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Os mecanismos de ação para o desenvolvimento local através dos arranjos organizacionais de aglomerações industriais geográficas, têm diversos modos de se estruturar sendo constituídos na forma de distritos ou parques industriais, centros de pesquisa, condomínios empresariais, parques tecnológicos e também incubadoras de empresas.

Seguindo um movimento mundial, o Brasil, sob as mais diferentes formas, e com a participação de importantes instituições, passou a apoiar esta idéia de incubadoras empresariais e, assim, a partir da segunda metade da década de 80, foram surgindo exemplos em todos os estados da federação, chegando ao ponto de que, atualmente, segundo dados da ANPROTEC (2004) o montante de incubadoras já tenha ultrapassando o expressivo número 250 unidades, conferindo ao Brasil uma marca de destaque no posicionamento mundial (FURLANETTO, 2006).

Este movimento tomou dimensões tais que passou a chamar a atenção de importantes instituições como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas - SEBRAE o qual, a partir do reconhecimento do seu compromisso com às micro e pequenas empresas brasileira, compromisso esse que se confunde com sua própria missão, o SEBRAE elaborou o seu Programa de Incubadoras de Empresas. Com isso, o SEBRAE passou, via editais, a apoiar a criação de incubadoras de empresas nos mais diferentes estados brasileiros (FURLANETTO, 2006).

A origem do que se conhece hoje como incubadora de empresas data de 1959, quando surgiu o modelo precursor do processo de incubação de empresas, mais precisamente ele ocorreu no estado de Nova Iorque, nos Estados Unidos (ANPROTEC, 2004 apud FURLANETTO, 2006).

Entretanto, foi nos anos 70, na região do Vale do Silício, também nos Estados Unidos, que as incubadoras surgiram como importante meio de incentivar universitários recém-graduados a, com suas inovações tecnológicas, principalmente os empreendimentos ligados à tecnologia da informação, abrir seus próprios negócios (FURLANETTO, 2006).

Segundo dados da ANPROTEC (2004), a importância deste processo para o Brasil é significativa e alguns números merecem destaque, a saber: i) 30 mil é o número de postos de trabalho diretos gerados nas incubadoras, parques tecnológicos e empresas incubadas; ii) 600 é o número de empresas incubadas, graduadas ou associadas a incubadoras e; iii) R$40 milhões é o que, aproximadamente tem sido investido anualmente pelas entidades que apóiam as incubadoras de empresas e parques tecnológicos (FURLANETTO, 2006).

Passados mais de quarenta anos após o surgimento da primeira incubadora e mais de trinta com sucesso no Vale do Silício, a incubação de empresas é realizada em quase todo mundo, não apenas em universidades, para beneficiar jovens recém graduados, mas como uma importante tendência da denominada “nova economia”. Em todo o mundo este sistema, geralmente, conta com parcerias estratégicas, aplicação de capital de risco e apoio financeiro e institucional provenientes das esferas privada, estatal e pública (FURLANETTO, 2006).

A origem das incubadoras no Brasil remonta à década de 1980 quando, por iniciativa da então Secretaria de Indústria, Comércio, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo, foi instalado, em 1984, o Centro de Desenvolvimento da Indústria Nascente – CEDIN, no município de São Carlos (FONSECA, 2000 apud FONSECA e JABBOUR, 2006).

Fundação Parque de Alta Tecnologia de São Carlos – ParqTec e a Incubadora Empresarial Tecnológica, em Florianópolis (ALMEIDA, 2004 apud FONSECA e JABBOUR, 2006).

Em 1987 é criada a ANPROTEC, com o objetivo de representar o movimento e elaborar políticas e mecanismos de fomento à ampliação e fortalecimento das incubadoras no país, por meio de incentivos das esferas pública e privada (ANPROTEC, 2005 apud FONSECA e JABBOUR, 2006).

Desde então, a idéia passou a difundir-se, no inicio de forma lenta, adquirindo maior velocidade e amplitude no início da década de 1990 (Figura 3).

Inicialmente, cresceram mais em número as incubadoras do tipo tecnológico. Já no final daquela década, o que se observa é uma redução na proporção de incubadoras de base tecnológica, ao mesmo tempo em que ocorre um crescimento, também contínuo, no número de incubadoras mistas.

igura 2 – evolução das incubadoras no Brasil, ANPROTEC (204). Figura 3 – Evolução do número de incubadoras no Brasil

Fonte: ANPROTEC (2004)

A incubadora de empresas é, na verdade, uma forma de apoiar a inovação de serviços e produtos sem que a empresa nascente se lance imediatamente e de forma isolada no mercado para consolidar o seu negócio. Este incentivo é dado por

instituições, que criam espaços físicos e desenvolvem mecanismos para manutenção de um quadro de empresas residentes (FURLANETTO, 2006).

Segundo Dornelas (2002, p. 18), “as incubadoras de empresas podem ser sem ou com fins lucrativos. As sem fins lucrativos, além de mais antigas, têm predominado na maioria dos países, sendo programas de auxílio aos empreendedores na fase inicial do negócio”.

Embora tenham surgido para dar suporte essencialmente a empreendimentos inovadores e de base tecnológica, mais recentemente, tanto no Brasil como no mundo, este movimento se estendeu, também, a empreendimentos da chamada “velha economia”, as denominadas “tecnologias maduras”, ou “tradicionais”. Entretanto, segundo a classificação do próprio Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT, 2005), para o empreendimento ser classificado como incubadora de empresas, as empresas incubadas precisam incorporar inovações, ou seja, novos produtos ou processos, mesmo as tradicionais (FURLANETTO, 2006).

Atuando em rede o processo de inovação tecnológica, inicialmente interno, volta-se para o exterior e se converte em uma atividade aberta que envolve integrantes internos e externos. Em ambientes efêmeros, especialmente em mercados não consolidados, os empreendedores buscam parceiros externos para dividir seus riscos, para diminuir os custos de desenvolvimento de produtos e para assegurar retornos crescentes de adoção. (ANPROTEC, 2005 apud FURLANETTO, 2006)

Portanto, sob estes aspectos o papel desenvolvido por uma incubadora não se fixa apenas no fornecimento de uma “infra-estrutura básica de apoio ao empreendedor”, mas, acima disto, visa prover uma rede de contatos e interações com potenciais clientes, associados, fornecedores e, também, concorrentes, sendo,

desta forma, fundamental a forma de gestão empregada tanto no caso da incubadora, como na sua rede (FURLANETTO, 2006).

O êxito que os programas de incubação no Brasil vêm alcançando é bastante considerável, desde o desenvolvimento das empresas incubadas ao desenvolvimento das respectivas economias locais e regionais (FURLANETTO, 2006).

No entanto, como salienta ARANHA (2002) apud Furlanetto (2006), nos últimos anos o movimento de incubadoras tem sido questionado acerca de sua eficiência no Brasil e no mundo. De acordo com o autor e, particularmente no Brasil, tal questionamento se dá por causa da ausência de modelos de gestão e de avaliação, que melhorem o desempenho das incubadoras.

Em geral, a entidade gestora-coordenadora é composta por um conselho superior, o qual é responsável pelo aconselhamento técnico e orientação; uma gerência da incubadora que é constituída por gerente, secretária e auxiliares de serviços gerais e; de um comitê de consultores, os quais são responsáveis pelas análises das propostas de ingresso de novas empresas, pelo acompanhamento e avaliação das empresas incubadas (FURLANETTO, 2006).

Medeiros e Atas (1995) apud Furlanetto (2006) apontam fatores/problemas que refletem no desempenho das incubadoras, todos ligados à imagem que o mercado faz da empresa incubada, destacando-se: fragilidade organizacional, falta de experiência empresarial e escassez de recursos.

Do ponto de vista de Bizzotto (2002) apud Furlanetto (2006), a questão-chave para definição de um modelo de gestão é o entendimento sobre as características do objeto de estudo, seus processos principais, suas competências centrais, suas relações com os agentes externos que influenciam seu desempenho e sua

estratégia de atuação. Portanto, a criação de um modelo de gestão para incubadoras deve considerar as particularidades destas organizações, que envolve vários atores com diversas instâncias decisórias, além de incorporar a interação desses agentes com o ambiente externo em sua dinâmica.