As versais são as letras em caixa-alta ou maiúsculas de uma de- terminada fonte. Aqui também há um problema de nomenclatura abordado por André Stolarski in Bringhurst (2011). Nesse livro, o tradutor dá nota que a divisão das maiúsculas tipográficas é reali- zada em duas classes: as versais, que têm a mesma altura de cai- xa-alta em si, sendo verdadeiramente maiúsculas, e os versaletes, que têm o mesmo desenho das versais, porém têm a altura de cai- xa-baixa. A preferência pelos termos versal e versalete se dá por serem mais precisos e técnicos que a palavra maiúscula. O termo capitular, muitas vezes usado como sinônimo de versal, fica reser- vado àquelas letras que geralmente ficam em destaque no início de parágrafos ou capítulos (BRINGHURST, 2011, p. 38).
É perceptível a falta de valores precisos ou que indiquem como a altura das versais em relação às ascendentes das letras minúscu- las deve ser comportar. Essa constatação pode ser observada em passagens como em Bringhurst (2011, p. 353), que nos fala que a “distância entre a linha de base e a linha de versal de um alfabeto (...) é frequentemente menor, mas às vezes maior, do que a altura das letras minúsculas com ascendentes”.
Henestrosa, Meseguer e Scaglione (2014), deixa claro que as questões de altura e percepção de formas são relativas ao indiví- duo, destacando seus níveis de subjetividade, o que faz com que toda fonte apresente inúmeras maneiras de ser trabalhada.
As questões tipográficas vinculadas à aparência das formas são, seguramente, as mais difíceis de definir, porque estão relacionadas com a parte subjetiva da percepção das for- mas. Há certas questões estéticas que se relacionam prin- cipalmente com a funcionalidade da tipografia. Por exemplo, em uma fonte para títulos não há nada de mau em ter maiús- culas com a mesma altura das ascendentes. No entanto, em uma fonte para textos contínuos, é saudável fazer as maiús- culas um pouco mais baixas do que as ascendentes. Além desse tipo de questão, existe, sem dúvida, uma memória vi- sual que, ao perceber as letras, provoca certas associações. (HENESTROSA, MESEGUER, SCAGLIONE, 2014, p. 25) A figura 3.13 nos mostra essa relação entre a altura das versais e das ascendentes em três fontes diferentes: Miller Text, Myriad Pro e Helvetica Neue. O primeiro exemplo deixa claro o comportamen-
86 RECOMENDAÇÕES DE DESENHO PARA UMA FONTE TIPOGRÁFICA DE SINALÉTICA PARA A UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ
to da grande maioria das fontes serifadas disponíveis. A diferença entre a altura das versais e das ascendentes é bastante explícita. Já na Myriad Pro, apesar de ser uma fonte sem serifa, apresenta
um traçado categorizado como humanista, o que a deixa com ca- racterísticas semelhantes às fontes serifadas recém-mencionadas. A Helvetica, com características mecânicas e modernistas, prati- camente não apresenta diferenças entre a altura das versais e a altura das ascendentes, comportamento observado em fontes de origem semelhantes a essa.
Figura 3.13 Diferenças entre
altura de ascendentes e versais.
Fonte Gerada pelo pesquisador.
Miller Text
Myriad Pro
CARACTERÍSTICAS DAS FONTES PARA TEXTO E DISPLAY 87
3.4.4 Altura de x
Existem, na construção tipográfica, várias linhas que dão base ao desenho e que determinam a relação dos caracteres em meio ao alfabeto. Uma dessas linhas é chamada altura de x (também cha- mada de altura-x), que consiste na altura média do desenho ou do grafismo da letra minúscula, excluindo os ascendentes ou descen- dentes de certas letras (LUPTON, 2006, p. 35).
As mais bem sucedidas fontes para texto apresentam alturas de x generosas. O significado disso é que a proporção entre a área do centro vertical das letras na caixa baixa (a altura de x) é maior em comparação ao comprimento de suas ascendentes e descen- dentes. Porém, alturas de x muito próximas das versais podem di- minuir a legibilidade da fonte (REYNOLDS, 2016; KLIEVER, 2016).
A relação da altura-x com a altura de versal é uma caracte- rística importante de toda fonte latina bicameral, enquanto a relação da altura-x com o comprimento do extensor é uma propriedade crucial de qualquer caixa-baixa latina ou grega. (BRINGHURST, 2011, p. 353)
Percebe-se geralmente esse efeito quando duas fontes diferen- tes são compostas uma ao lado da outra em mesmo corpo de tex- to. Fica evidente que algumas fontes aparentam ter um desenho maior, mesmo quando usadas em mesma escala. Lupton (2006, p. 37) nos fala que “as diferenças de altura de x, peso de linha e lar- gura afetam a escala aparente da letra”. Em nota, a autora afirma que durante o século xx tem-se adotado alturas de x maiores, que fazem as fontes parecerem também maiores graças ao aumento da área contida na dimensão da letra em geral.
Há fontes mais antigas completamente legíveis com alturas de x menores, mas a adoção de outras com alturas de x maiores pode maximizar a área de atividade. Letras como o a ou s podem se be- neficiar desse espaço extra e evitarem de se tornar muito escuras na linha de texto (REYNOLDS, 2016). A figura 3.14 faz uma compa- ração entre as alturas de x das fontes Times New Roman e Cochin.
Já a figura 3.15 faz um comparativo retirado de Lupton (2006). Um mesmo texto é redigido em algumas fontes do mercado, to- das em 14 pontos, para exemplificar como a altura de x influencia diretamente não só na mancha gráfica do texto em geral, como também na facilidade que cada fonte apresenta para leitura de seus caracteres.
88 RECOMENDAÇÕES DE DESENHO PARA UMA FONTE TIPOGRÁFICA DE SINALÉTICA PARA A UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ
Figura 3.14 Comparação entre
diferentes alturas de x.
Fonte Campos, 2016.
ALTURA DAS VERSAIS
ALTURA DE X
LINHA DE BASE
Times New Roman Cochin
Figura 3.15 Desempenho entre
diferentes alturas de x
CARACTERÍSTICAS DAS FONTES PARA TEXTO E DISPLAY 89