2. The Guinea Pig Club and Archibald Hector McIndoe
2.4. The Guinea Pig, the Goldfish, and the Rooksdown Clubs
A utilização de qualquer método de aprendizagem, na busca por atingir objetivos educa- cionais, demanda, intrinsecamente, uma concepção pedagógica em sua fundamentação. O comportamento do indivíduo que desempenha atividades de aprendizagem é estudado a par- tir das teorias que enfatizam o processo através do qual o universo de significados do in- divíduo tem origem. Essas teorias são: construtivismo, cognitivismo, socioaprendizagem, construcionismo e inteligências múltiplas.
Construtivismo
A teoria construtivista, que começou com Piaget 1 (1973a), é epistemológica e explica a
produção de conhecimento, o que é o saber e como se adquire este saber. Esta teoria é proveniente da Psicologia do Desenvolvimento, e concebe o desenvolvimento do conheci- mento como a construção de uma série ordenada de estruturas intelectuais que regulam os intercâmbios do sujeito com o meio [85].
Para o construtivismo, o conhecimento não pode ser concebido como algo predeterminado desde o nascimento, nem como o resultado do simples registro de percepções e informações. Ele resulta das ações e interações do sujeito com o ambiente em que vive. Todo conheci- mento é uma construção que vai sendo elaborada desde a infância, pelas interações do sujeito com os objetivos que procura conhecer, sejam eles do mundo físico ou cultural.
Construtivistas consideram que o estudante consegue aprender por meio de dois processos: resolução de conflitos e reflexão teórica. O estudante gera o conhecimento ao descobri-lo, sem esperar passivamente pelo professor. O estudante aprende pela descoberta, aprende
1Jean Piaget (1896-1980): biólogo/psicólogo suíço, estudou a evolução do pensamento, procurando entender os mecanismos mentais
que o indivíduo utiliza para captar o mundo. Como epistemólogo, investigou o processo de construção do conhecimento, sendo que nos últimos anos de sua vida centrou seus estudos no pensamento lógico-matemático.
fazendo, construindo seu conhecimento pela experiência e se convertendo em um agente ativo.
Cognitivismo
A teoria cognitiva de aprendizagem, desenvolvida pelo psicólogo Ausubel 2, se refere ao
estudo interdisciplinar da aquisição e uso do conhecimento. A teoria defende que o funda- mental no ensino é que a aprendizagem seja significativa, ou seja, o material a ser aprendido (conceitos, idéias, proposições, modelos, fórmulas) precisa fazer todo sentido para o estu- dante.
O conhecimento é alcançado quando a nova informação está estreitamente relacionada aos conceitos relevantes já existentes na estrutura cognitiva do aprendiz, quando ele é capaz de explicar situações com suas próprias palavras, quando é capaz de resolver problemas novos, quando ele compreende.
Esse processo em que o conhecimento vai sendo construído é altamente dinâmico. Ambos os conteúdos, o novo e o existente, se modificam. Desta forma, a estrutura cognitiva está constantemente se reestruturando durante a aprendizagem significativa.
A teoria de Ausubel envolve outros conceitos, dentre eles a hierarquia que se estabelece entre os conteúdos aprendidos. Essa variante serviu de suporte à Teoria dos Mapas Conceituais, Figura 4.1, desenvolvida em meados da década de 70 por Joseph Novak e seus colaboradores na Universidade de Cornell [1].
Socioaprendizagem
Esta teoria é baseada nas idéias de Vygotsky 3 sobre a aprendizagem. Ela enfatiza que a
inteligência humana provém da nossa sociedade ou cultura, e que ocorre em primeiro lugar pela interação com o ambiente social, aspecto importante que Piaget não considerou na sua teoria [101].
Vygotsky foi o primeiro autor a chamar a atenção para a importância do envolvimento ambi- ental no desenvolvimento do indivíduo e no processo de formação da mente. Ele incorpora o
2David Paul Ausubel (1918): psicólogo americano, que entendeu que a aprendizagem significativa se verifica quando o banco de
informações no plano mental do estudante se revela, através da aprendizagem por descoberta e por recepção.
3Lev Semynovich Vygotsky (1896-1934): psicólogo russo, que em sua teoria sociocultural sobre a aprendizagem enfatiza que a
inteligência humana provém da sociedade ou cultura, e que esta ocorre pela interação com o ambiente social, o que determina que o desenvolvimento cognitivo é limitado a um determinado potencial para cada indivíduo.
Figura 4.1: Um Mapa Conceitual de Navegação.
conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP): distância entre o nível de resolução de uma tarefa em forma independente e o nível que pode atingir o indivíduo pela mediação de um outro indivíduo mais experto ou um grupo.
Além do ZDP, incorporou também o conceito de Dupla Formação (DP): referida ao duplo processo da aprendizagem, no qual a aprendizagem se inicia a partir da interação de um indivíduo com outros (com o meio) e logo passa a formar parte das estruturas cognitivas do indivíduo em forma de novas competências [102].
Construcionismo
A teoria mais recente sobre a linguagem foi desenvolvida por Papert 4 em 1980, internaci-
onalmente reconhecido como um dos principais pensadores sobre as formas pelas quais a tecnologia pode modificar a aprendizagem. O construcionismo é baseado no construtivismo cognitivo de Jean Piaget, no construtivismo social de Vygotsky e na teoria da Aprendizagem Significativa de Ausubel.
Papert enfatiza a importância de criar as condições necessárias e disponibilizar recursos para a aquisição e construção de mais conhecimento. Foi pioneiro na defesa da introdução dos computadores nas salas de aula, como ferramentas a serviço da educação. Para ele, o compu-
4Seymour Papert (1928): psicólogo e matemático sul-africano, pioneiro no estudo da inteligência artificial e criado da linguagem
Logo. Estudou como o uso dos computadores pode mudar as formas de aprendizagem. Trabalhou com o psicólogo educativo Jean Piaget na Universidade de Geneva de 1959 a 1963.
tador reconfigura as condições de aprendizagem e pressupõe novas formas de aprender [83].
Teoria das Inteligências Múltiplas
Teoria da aprendizagem desenvolvida por Gardner5. Para este pesquisador o conhecimento
precisa da ação coordenada de todos os sentidos - tato, audição, visão, fala, movimento. Os sentidos agem como um todo, combinando e reforçando significados. Ele afirma que o conhecimento se dá dentro de cada indivíduo por um sistema de “inteligências”: verbal- linguística; lógico-matemática; musical; corporal; visual-espacial; interpessoal; e intrapes- soal. Segundo este pesquisador, as inteligências são habilidades interconectadas e inde- pendentes por estarem localizadas em diferentes regiões do cérebro, sendo que para cada indivíduo e cada cultura essas inteligências têm pesos ou valores diferentes.
Para os educadores, esta teoria implica que os indivíduos devam estruturar a apresentação do material em uma forma/estilo que envolva a maioria ou todas as inteligências. Neste as- pecto, os softwares educacionais podem favorecer o desenvolvimento dessas inteligências, principalmente pelo uso da multimídia e da realidade virtual. O estudante pode interagir com o computador de várias formas, por meio da visão, escrita, leitura, fala, audição, mu- sicalidade, resolução de problemas, jogos de lógica, estudo individual, escolhas pessoais, aprendizagem colaborativa, trabalhos em grupo, e outras opções que os softwares e os meios de comunicação possam suportar.