• No results found

O trabalho aqui estudado leva em consideração três tipos de aparelhos expansores fixos: o dentossuportado colado à superfície oclusal dos dentes superiores, o dentomucossuportado, denominado tipo Haas, e ainda o também dentossuportado Hyrax. As conclusões entre os três tipos são semelhantes no que condiz à correção das mordidas cruzadas esqueléticas, aos possíveis movimentos anteriores da maxila, explicitamente demonstrados, que não ocorreram significantemente em nenhum grupo após o período de contenção. Houve sim, deslocamento maxilar para baixo, ocasionando rotação mandibular no sentido horário e agravamento da altura facial ântero-inferior.

Ao contrário do esperado, o aparelho com cobertura oclusal não trouxe maiores benefícios, em relação aos outros dois aparelhos avaliados, no que se refere à rotação mandibular e altura facial ântero-inferior, havendo um aumento significante dessas medidas para o aparelho Colado ao final do estudo. Tais alterações podem ser explicadas, talvez, devido à maior inclinação para vestibular dos dentes englobados por esse aparelho.

Vale ressaltar aqui, que os três aparelhos cumpriram o seu objetivo, levando à almejada separação, ao nível da sutura palatina e à conseqüente correção da mordida cruzada posterior. Os três aparelhos são considerados fixos, não dependendo de colaboração por parte do paciente, apesar de serem ativados em casa, diariamente, pelos pais ou responsáveis.

O estudo anterior, com o aparelho dentomucossuportado tipo Haas, segundo KAWAKAMI48, apresentou maior dificuldade na higienização da área palatina, tendo sido observados casos de estomatites, com lesões

Discussão Discussão 170

eritematosas e ulcerativas, decorrentes da compressão da mucosa palatina pelo acrílico, que poderá contra-indicar esse tipo de aparelho em alguns casos.

No entanto, em pacientes com idades mais avançadas, que necessitem de expansão maxilar, caso não haja abertura da sutura mediana durante a fase ativa, o aparelho Hyrax poderá levar à fratura da tábua óssea vestibular dos dentes de ancoragem, enquanto que no tipo Haas, a porção de acrílico pressionará a mucosa palatina e o paciente relatará uma sintomatologia dolorosa.

O aparelho expansor Colado apresenta a vantagem da ausência da fase das bandagens, poder ser utilizado em qualquer fase da dentição, independente do estágio de erupção dos dentes, em casos de dentes com coroas baixas ou expulsivas, ou ainda de dentes mal formados.

Como desvantagem, o aparelho Colado deve ser bem cimentado aos dentes de apoio, com um cimento resistente, capaz de suportar a fase ativa das expansões, devendo também ser removidos contatos prematuros, durante a oclusão, caso contrário, poderá favorecer o descolamento do aparelho.

Ao final do tratamento, notou-se uma gengivite generalizada nas papilas interproximais, recobertas pelo aparelho e regiões de tecido mole, próximas do acrílico, uma vez que a higienização nessa região torna-se prejudicada. Finalmente, foi necessário um tempo bastante grande para a remoção do aparelho, em alguns casos necessitando do seu seccionamento com brocas de alta rotação e de limpeza do cimento aderido aos dentes. Deve-se salientar que, em muitos casos de pacientes, na fase da dentadura

Discussão Discussão 171

mista, ocorreu a extração de dentes decíduos, junto com o aparelho, favorecendo a sensibilidade dolorosa do paciente e necessitando de anestesia local.

Como um dos pontos mais importantes, é necessário salientar que cabe ao clínico avaliar as condições e as necessidades dos pacientes e finalmente decidir sua opção pelo tipo de expansor a ser empregado na sua prática diária.

CONCLUSÕES

CONCLUSÕES

Conclusões Conclusões 173

7

7 –– CONCLUSÕES CONCLUSÕES

Examinando os resultados obtidos, segundo as condições do estudo e a metodologia, com relação às alterações dentoesqueléticas decorridas por meio da expansão rápida da maxila, pudemos chegar às seguintes conclusões:

7.1 - Imediatamente após a fase ativa de expansão, o grupo I do aparelho Colado foi o único que evidenciou um avanço estatisticamente significante da maxila para a anterior;

7.1.1 - Durante a fase ativa foi verificado que a espinha nasal anterior e a posterior (ENA e ENP) deslocaram-se inferiormente nos três grupos, induzindo a rotação mandibular no sentido horário, o que acarretou o aumento da altura facial ântero-inferior (AFAI);

7.2 - Da fase pós-expansão ao final do período de contenção, a maioria das alterações citadas anteriormente mostrou tendência a retornar aos valores iniciais, com exceção da rotação mandibular e da altura facial ântero-inferior, contudo sem significância clínica, o que provavelmente não alterou o perfil mole dos pacientes;

7.3 - Da fase pré-tratamento ao final do período de contenção, constatou-se que os três grupos apresentaram um deslocamento da maxila para baixo, estatisticamente significante e

Conclusões Conclusões

174

identificado pela ENA e ENP, que acarretou a rotação mandibular, com maior incidência nos grupos I e II. No entanto, a AFAI acentuou-se significantemente após esse período, para os três grupos;

7.4 - Na comparação direta entre os três grupos, os resultados estatísticos identificaram diferenças significativas na medida Sperp-A, entre os aparelhos Colado e Hyrax, na fase pós- expansão para a pós-contenção, em que o Colado demonstrou a retroposição do ponto A e o Hyrax, o avanço deste;

7.4.1 - A medida ENA-Me, na fase pré-expansão para a imediatamente pós-expansão e na fase pós-expansão para a pós-contenção, denunciou diferença estatística entre o aparelho Colado e o tipo Haas e o Colado e o Hyrax, claramente justificada pela presença da cobertura acrílica, característica do aparelho Colado, que causa a abertura da mordida anterior e, após sua remoção, o reposicionamento desta;

7.4.2 - A comparação geral de todas as medidas, entre o início e o final do período de contenção, para os três grupos, não demonstrou diferenças significativas entre eles, levando-nos a concluir que não há superioridade do aparelho Colado na prevenção de alterações desfavoráveis, no sentido vertical.