• No results found

Grunnleggende tegneoperasjoner (“grafiske primitiver”)

In document Programutvikling med "VISUAL BASIC" (sider 22-26)

As discussões envolvendo modo de vida têm em Louis Wirth, pesquisador da Escola de Chicago, um dos seus expoentes, em virtude do mesmo ter apresentado o conceito de “urbanismo como modo de vida” em 193815. O termo cunhado pelo autor recebeu, por sua vez, influências da obra “A metrópole e a vida mental” do sociólogo alemão Georg Simmel. Na perspectiva de Wirth (1979), o modo de vida urbano está vinculado ao processo de crescimento das grandes cidades, às marcas que surgem dentro dos grandes aglomerados de pessoas que passam a difundir ideias e práticas que caracterizam a “civilização”. Segundo o autor esse fenômeno que as cidades vivenciam caracterizaria o mundo contemporâneo como “urbano”. Este não é concebido somente pela proporção das pessoas que moram nas cidades, mas, principalmente, pelas influências que a cidade exerce na vida social dos indivíduos, no seu modo de morar, no ambiente de trabalho, nas formas de lazer, de alimentar, etc. A vida na cidade imprimiria e irradiaria a partir do seu controle da vida econômica, política e cultural, um novo modo de vida.

O processo de urbanização dos modos de vida influenciaria, inclusive, as formas de trabalho e de consumo das pessoas no campo. Wirth (1979) concebia a “sociedade urbano-industrial” e a “sociedade rural” como tipos ideias, apoiando-se nas concepções

15

38 de Georg Simmel e Max Weber. Assim, para o autor, o campo e a cidade já não poderiam ser vistos como opostos, em função do modo de vida urbano se irradiar da cidade para todos os espaços. Wirth (1979) concebe o “modo de vida” como um conjunto de elementos vinculados às esferas sociais, culturais, econômicas e políticas portadores dos valores da “civilização”.

Na mesma direção que Wirth (1979), mas detendo-se mais no processo de apropriação que os rurais estabelecem face à “Cultura Urbana” está Placide Rambaud. Em sua obra “Société Rurale et Urbanisation”, do final da década de 60, o autor analisa as mudanças nos modos de vida dos rurais, destacando que este processo se dá em ritmos diferenciados dentro das sociedades rurais e segundo a escolha realizada pelos indivíduos. A urbanização é interpretada por ele de forma bastante próxima a de Wirth, ou seja, como um modo de vida que nasce na cidade e se irradia para o campo. Contudo, Rambaud destaca o poder de decisão e escolha dos rurais em seu processo de absorção da “Cultura Urbana”. Os rurais, em diferentes ritmos, passam a absorver as técnicas modernas, o apreço pelo lucro, pelo lazer, pelos esportes, pelo jornal, pela educação. Contudo, estes mediadores da “Cultura urbana” são introduzidos em suas vidas, sendo interpretados e absorvidos de acordo com os seus repertórios culturais e com as especificidades de cada região.

Contudo, o modo como as pessoas vivem se modifica quando elas incorporam hábitos de consumo, têm acesso às tecnologias da comunicação e da informação, aos serviços públicos e às políticas governamentais. O acesso a estes bens e serviços materiais e culturais refletiria-se nas suas condições materiais de vida, tal como no seu padrão de moradia, no tempo gasto para realizar as suas atividades domésticas e produtivas, bem como nas suas formas e possibilidades de lazer (RAMBAUD, 1973). Segundo o autor, este processo de aculturamento poderia, contudo, seguir o ritmo e os desejos dos indivíduos, em sociedades rurais marcadas por uma maior coesão social. Ao contrário, naquelas marcadas por um tecido social desarticulado, o processo de aculturação poderia causar uma completa descaracterização dos seus modos de vida.

Na mesma época em que Placide Rambaud realizava a pesquisa no campo francês, Antônio Cândido iniciava no Brasil, a sua pesquisa de doutorado sobre os caipiras paulistas no município de Bofete na década de 40 a 60. Na sua pesquisa, Cândido (1964) procurou verificar as transformações dos meios de vida dos caipiras paulistas, buscando compreender quais eram os novos meios de vida por eles incorporados, como

39 os obtinham, bem como a forma como os mesmos afetavam a vida social. Para realizar a sua pesquisa, o autor buscou nos documentos de viajantes dos séculos XVIII e início do século XIX, referências e indícios sobre a vida do homem da roça e interrogou velhos caipiras de lugares isolados, a fim de compreender como era os “tempo antigos”.

A pesquisa de Candido (1964) constatou que na sociedade caipira tradicional o homem elaborava as suas técnicas com conhecimentos próprios e adequados para a exploração dos recursos naturais que o cercavam e que lhe propiciava uma dieta compatível dentro da vida social de tipo fechada e com base na economia de subsistência em que vivia. No entanto, as influências advindas da sociedade urbano- industrial contribuíram para que acontecesse a incorporação de outros costumes diferentes da estrutura tradicional que levaram os lavradores a migrarem para cidade e culminou no surgimento de novos estilos de vida para aqueles que permaneceram no campo. A monetarização da vida econômica penetra no campo atrelada a novos padrões de consumo adquiridos pelos caipiras e contribuem para criar ou intensificar os vínculos com a vida das cidades. Assim, a influência urbana introduz novos hábitos que contribuem para transformar os seus modos de morar, trabalhar e alimentar.

Setubal (2005) também discorre sobre os caipiras paulistas e faz alusão sobre o seu modo de vida na obra “Vivências Caipiras: pluralidade cultural e diferentes

temporalidades”. Esta obra traz uma descrição acerca do modo de vida do homem do

interior, seus valores e costumes, a partir dos documentários e textos escritos pela equipe do Projeto Terra Paulista. O objetivo central da autora foi o de enfatizar as características e os modos de vida que formaram as várias identidades caipiras, construídas e reconstruídas ao longo do tempo, mediante às transformações advindas dos processos de urbanização e industrialização. De acordo com a discussão apresentada no texto podemos afirmar que os modos de vida corresponderiam aos aspectos culturais, econômicos e sociais que comporiam a vida do caipira e definiriam o seu modo de ser, os seus valores e costumes.

Brandão (2011) considera que o modo de vida dos rurais está em estreita relação com o espaço à sua volta, ou seja, com a natureza e com as suas condições materiais de existência. Nas diferentes pesquisas realizadas pelo autor no campo brasileiro, foram abordadas questões relacionadas com a construção cultural do espaço e do tempo nas comunidades rurais. Desta forma, os modos de vida se expressariam nos padrões de uso do tempo e do espaço que permitiriam aos sujeitos sociais construírem as interligações

40 entre a natureza e a cultura. Na modernidade, segundo Canclini (1998), os modos de vida sofreriam as influências da expansão industrial e tecnológica, visíveis na circulação dos bens consumidos, na aproximação entre os espaços e na aceleração do tempo. O contato do modo de vida tradicional com o modo de vida moderno pode provocar fenômenos como o “hibridismo cultural”, uma mistura de estilos (CANCLINI, 1998; BURKE, 2000).

Com base no aporte teórico dos autores supracitados adota-se, nesta dissertação, a caracterização do modo de vida como as condições materiais e simbólicas que permeiam as esferas sociais, econômicas e culturais, referentes a um grupo. O modo de vida se expressa nas relações familiares, nos costumes, nos valores, nos hábitos, na estrutura da casa e no modo de morar, no vestuário, na alimentação, nas relações de trabalho e no uso do tempo a ele dedicado, nas práticas culturais e religiosas, nas atividades de lazer, entre outras.

Com o intuito de categorizar variáveis relativas e ao conceito de modo de vida supracitado elaborou-se um quadro com base nos tipos ideais weberianos para o modo de vida rural e modo de vida urbano. Para Weber (2000) os tipos ideias (puros) permitem realizar classificações a partir de um constructo de variáveis que estão relacionadas aos fenômenos sociais e atuam como instrumento para analisar uma realidade social. São “conceitos úteis para finalidades especiais e para orientação” (WEBER, 1974, p. 345), ou seja, os tipos ideiais são modelos balizadores de percepção de padrões relativos, no caso da presente pesquisa elaborou-se um conjunto de váriaveis relacionadas a modos de vida rural e modos de vida urbano que se relacionam.

Ressalta-se que o objetivo do quadro não é apresentar uma visão dicotômica de ambos, mas sim ter um apoio para analisar na prática. A construção do quadro é constante por acreditar-se que o mesmo é flexível de acordo com as pesquisas e teste de hipóteses realizadas por diferentes pesquisas vinculadas ao Grupo de Pesquisa GERAR. O Quadro 2 a seguir, sintetiza os pressupostos teóricos expostos acerca das concepções sobre os modos de vida discutidos pelos autores referendados..

Quadro 2 - Características constitutivas do perfil relativo ao “Modo de vida rural” e ao “Modo de vida Urbano”.

MODO DE VIDA MODO DE VIDA RURAL MODO DE VIDA URBANO 1 Padrões de consumo

1.1 Alimentação Predomínio do autoconsumo Gastos com alimentação (alimentos

comprados e locais de alimentação)

1.2 Vestuário Gasto raros com vestuário

(ocasiões especiais)

41

1.3 Lazer Gasto restrito com lazer Gastos casuais com lazer

2 Modos de Morar

2.1 Móveis Predomínio de mobília que passa

de geração para geração

Predomínio de mobília adquirida anualmente.

2.2 Eletrodomésticos Básicos Diversificados

2.3 Meios de comunicação Básicos Diversificados

2.4 Meios de transporte Coletivo Próprio

2.5 Estrutura física da casa

(número de cômodos,

existência ou não de saneamento básico, de eletricidade).

Pouco alterada ao longo dos anos Alterada com constância ao longo dos anos

3 Uso do Tempo

3.1 Para o trabalho Sem demarcações para descanso e lazer

Com demarcações para descanso e lazer

3.2 Para o lazer Pequena importância Grande importância

3.2.1 Praticas culturais e de lazer

- Práticas Religiosas Muito expressiva Secundárias

-Práticas Esportivas Masculinas Masculinas e Femininas

- Bailes Em datas tradicionais Casuais e com a presença de jovens e

idosos.

- Frequência a bares Sem especificidades geracional Com especificidade geracional

- Festas Predominantemente religiosas Predominantemente profanas

4 Práticas Políticas e associativas

4.1 Sindicato Masculino Presença feminina constante

4.2 Partido Masculino Presença feminina constante

4.3 Movimentos sociais Masculino Presença feminina constante

4.4 Associação/ Cooperativa

Masculino Presença feminina constante

5 Capital Cultural

5.1 Anos de estudo Não passa de 4 anos Acima de 6 anos

5.2 Qualificação Profissional Ausente Presente

6 Capital Econômico

6.1 Renda Predominantemente agrícola Predominantemente não-agrícola

6.2Pensão, aposentadoria, Utilizada nas atividades agrícolas Utilizada nas atividades não agrícolas

6.3 Auxílio do governo Acessado por homens Acessado constantemente por

mulheres

7 Frequência de deslocamento para a cidade.

Esporádica Semanal

8 Trabalho

8.1 Tipo de vínculo de trabalho Sem contrato/sem carteira assinada

Com contrato/carteira assinada

8.2 Realização do trabalho Pela família Com mão de obra contratada

esporádica e permanentemente

8.3 Assistência técnica Ocasional Frequente

8.4 Práticas produtivas Passadas de pai para filho Adquiridas através de capacitação profissional

8.5 Forma de gerir a propriedade.

Sem utilizar planilha de custo Utilizando planilha de custos

9 Aparato tecnológico produtivo

Artesanal Industrializado

9.1 Máquinas Pouco presentes Diversificadas

9.2 Insumos químicos Pouco usados Muito usadas

10 Acesso a Serviços Públicos Ocasional Regular

Escola (Graus) Ensino básico e fundamental Ensino Médio e Superior

Hospitais, postos de saúde Uso Municipal Uso regional

42

Outros Pouco presentes Variados

11 Formas de pensar e juízos de valor:

11.1Concepção acerca da vida

conjugal: casamento,

separação, amigamento, união entre pessoas do mesmo sexo.

Valorização do casamento religioso e entre pessoas da família ou da localidade.

Desimportância do casamento religioso e entre da família ou da localidade.

11.2 Concepcão acerca da divisão sexual do trabalho:

Homem deve ser o provedor e a mulher cuidar da casa, dos filhos e do marido.

Tendência a valorização do compartilhamento na divisão das

tarefas domésticas e no

reconhecimento do direito da mulher a trabalhar fora.

11.3 Concepção de lucro e rentabilidade

Racionalidade voltada para a autossubsistência e para a venda do excedente.

Reconhecimento da necessidade do uso de investimentos tecnológicos, de empréstimos para investimento etc. 11.4 Perspectiva de felicidade A felicidade está voltada para a

valorização da vida local

A felicidade está voltada para o alcance de bens materiais e profissionais.

12 Vínculo com a terra Central Periférico 12.1 Padrões de herança Existência de sucessor segundo

padrões culturais

Inexistência de sucessor. Igualdade na distribuição do patrimônio familiar.

Fonte: Arquivo do Grupo de Pesquisa GERAR.

O Quadro teórico elaborado com base teórica servirá de guia para as análises que serão apresentadas no decorrer do texto.

In document Programutvikling med "VISUAL BASIC" (sider 22-26)