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The ‘group’: which group?

O exercício da atividade farmacêutica tem como objetivo fulcral a pessoa do doente [21]. O atendimento ao utente é transversal à imagem da farmácia. Um bom atendimento contribui para a formação e desenvolvimento de uma relação mais próxima entre o farmacêutico e o utente, levando à fidelização.

6.1. A interação com o utente e aspetos éticos associados

As funções assumidas pelo farmacêutico na sociedade portuguesa traduzem-se numa afirmação crescente que ultrapassa o seu papel enquanto técnico do medicamento. O farmacêutico, cuja presença constante é obrigatória em cada farmácia, está apto a prestar todos os esclarecimentos e aconselhamento, desde as interações medicamentosas, contraindicações e reações adversas à seleção do fármaco mais adequado, sendo este o último profissional com que o utente contacta antes de inicializar a terapêutica instituída [4]. Face à heterogeneidade da população com que o farmacêutico contacta torna-se necessário que haja uma adequação da postura e da linguagem de acordo com o nível sociocultural do utente, que deve ser sempre tratado com respeito. Para além da comunicação verbal, em alguns casos é demasiado importante que seja facultada informação por escrito. O farmacêutico tem a obrigação de se certificar que o utente entendeu a posologia do medicamento. Para tal, durante a fase de realização do estágio, solicitei inúmeras vezes aos utentes para repetirem informações que lhes transmiti, como a posologia, a forma de administração, as condições de conservação e/ou a duração do tratamento, pois só assim me conseguia assegurar que o utente efetuava um uso correto e racional do medicamento ou do produto de saúde. Registei, sempre que me era permitido, algumas informações nas embalagens dos medicamentos. Também recorri ao uso de pictogramas. Foi- me possível observar que ocorrem muitos erros de medicação, podendo ser justificação para esse facto, a insuficiência ou não perceção da informação facultada, a qualidade da informação prestada, e por consequência a falta de compliance do utente à sua terapêutica.

O farmacêutico deve ser regido por aspetos éticos profissionais. Fármacos integrantes do grupo dos ansiolíticos, sedativos e hipnóticos, mais concretamente as benzodiazepinas, são solicitados com muita frequência pelos utentes sem a presença de receita médica. Também verifiquei uma procura um tanto ao quanto constante de antibióticos sem qualquer prescrição médica. O farmacêutico de forma alguma deve ceder a esta procura devendo elucidar o utente relativamente ao porquê da sua repugnância da cedência destes fármacos, pelas razões científicas a eles associadas, zelando incessantemente pela saúde do utente e pela saúde pública. O farmacêutico deve reger-se por valores de credibilidade profissional, modéstia e acima de tudo competência.

6.2. Promoção e aplicação dos princípios da farmacovigilância

A farmacovigilância é definida como a ciência e as atividades relativas à deteção, avaliação, compreensão e prevenção de efeitos adversos ou qualquer outro problema de saúde [22]. O Sistema Nacional de Farmacovigilância (SNF), criado em 1992, é constituído pela Direção de Gestão do Risco de Medicamentos do INFARMED, I.P., que o coordena, e por quatro Unidades Regionais de Farmacovigilância (URF): Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, e Sul [23].

A notificação de reações adversas medicamentosas (RAMs) por profissionais de saúde ou utentes é fundamental para a monitorização contínua da segurança dos medicamentos.23 Cabe ao farmacêutico prevenir e/ou detetar precocemente algumas RAMs. Desta forma, se um profissional de saúde ou até mesmo o utente estiver perante uma suspeita de RAM deve notifica-la, tendo em conta a descrição da RAM (sinais e sintomas), bem como a sua gravidade, duração e evolução; a relação entre os sinais e os sintomas com a toma dos medicamentos; o medicamento suspeito; a data de início e de suspensão do medicamento; o seu lote; a via de administração; a indicação terapêutica; e outros medicamentos que o doente esteja a administrar (incluindo os MNSRM) [2]. Para tal, deverá efetuá-lo diretamente no site do INFARMED ou preencher ou formulário próprio em formato de papel (Anexo VII). As notificações devem ser enviadas tão rápido quanto possível em relação à data da ocorrência, sem ultrapassar os 15 dias consecutivos [24].

Durante o período de estágio, não foi necessário realizar nenhuma notificação de RAMs.

6.3. Conservação domiciliária de medicamentos

Existem medicamentos que requerem um modo de conservação particular, como insulinas, colírios, vacinas, etc.

Durante a minha frequência no presente estágio verifiquei que alguns utentes não estavam inquiridos acerca da correta conservação de medicamentos. No que concerne a certos antibióticos, alguns utentes referiram que não costumavam colocá-los no frigorífico, bem como demonstravam não saber que após a sua reconstituição, a suspensão tem validade de 14 dias. Relativamente a colírios, certos utentes faziam uma utilização superior a 30 dias.

6.4. Reencaminhamento de medicamentos fora de uso

Para além de muitos outros aconselhamentos aos utentes dados pelos farmacêuticos ao balcão da farmácia, a sensibilização para as boas práticas ambientais é mais uma ação relevante prestada por estes profissionais [25]. A Indústria Farmacêutica, responsável pela gestão dos resíduos de embalagens que coloca no mercado, associou-se às farmácias e a distribuidores para criar a VALORMED (Sociedade Gestora de Resíduos de Embalagens e Medicamentos, Lda.).

A FP está provida de contentores onde os utentes podem colocar embalagens de medicamentos de uso humano e veterinário, e outros produtos equiparados a medicamentos, cuja validade tenha sido ultrapassada, ou que por algum motivo, entre eles a interrupção da terapêutica, já não terão mais utilização. Quando estes contentores se encontram cheios, são selados e é preenchida uma ficha do contentor, onde se coloca a identificação da farmácia e respetivo código, o peso do contentor, o distribuidor que irá proceder à sua recolha, a data da recolha, e, por fim, a assinatura do operador. Esta ficha é levada pelo distribuidor que se encarrega de efetuar a devolução dos contentores à VALORMED, sendo que o duplicado fica guardado na farmácia por tempo indeterminado. Chegados à VALORMED é realizada uma triagem, em que os resíduos suscetíveis de serem reutilizados são reciclados, e os resíduos sem qualquer tipo de utilidade, destruídos por incineração [26].

Durante o estágio presenciei diariamente a entrega de medicamentos fora de uso. Os utentes da FP demonstraram estar sensibilizados para as questões ambientais, tão em voga hoje em dia, aderindo com sucesso ao programa da VALORMED.