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Uma cadeia agroindustrial pode ser caracterizada como uma série de empresas ligadas entre si desde o início da produção agrícola até o consumidor final, sendo que os produtos crus são transportados podendo ou não ser industrializados (MATOPOULOS et al. 2007). De acordo com Batalha e Silva (2011), uma cadeia agroindustrial – vista como uma sequência de operações entre os elos de suprimentos, transformação de matéria prima e/ou produtos acabados e distribuição – aproxima-se bastante da gestão de operações em cadeias de suprimentos, ditas, tradicionais. Todavia, uma cadeia agroindustrial apresenta algumas diferenças em relação às demais cadeias de suprimentos. Por exemplo, parte significativa dos produtos oriundos de cadeias agroindustriais tem sua oferta baseada na sazonalidade da produção, o que impacta na regularidade do seu consumo. Este aspecto é particularmente crítico para produtos de baixa durabilidade, como as hortaliças – consumidas in natura – por não poderem ser estocadas a fim de serem consumidas fora da época de produção. Além disso, os produtos agroindustriais se diferenciam também segundo o grau de processamento. Alguns produtos exigem um processamento complexo, como o papel, enquanto outros

5 Segundo AZEVEDO (2001), uma mercadoria pode ser definida como commodity desde que atenda a três

requisitos mínimos: (a) padronização em bases de comércio internacional, (b) possibilidade de entrega nas datas acordadas e (c) possibilidade de armazenagem ou de venda em unidades padronizadas.

necessitam apenas de um acondicionamento adequado, como frutas e legumes in natura. Outra característica particular das cadeias agroindustriais refere-se ao comportamento do mercado diante de variações na relação oferta-demanda, pois, um aumento significativo nas quantidades produzidas tende a causar uma diminuição nos preços praticados, devido, em grande parte, aos produtos agroindustriais serem considerados bens de primeira necessidade e de baixo valor unitário (AZEVEDO, 2001).

Tabela 5 – Principais características que diferenciam as cadeias agroindustriais

Característica Autor:

Perecibilidade da material prima de base e dos

produtos em processo ou acabados. Ziggers e Trienekens (1999), (2007), Bolotova et al. (2008Aramyan et al. ), He e Lai (2012).

Sazonalidade na oferta de matéria prima, dos produtos intermediários, bem como para o consumo final.

Germain e Iyer (2006), Zuin e Queiroz (2006), Aramyan et al. (2007), Batalha e Silva (2011)

Exigência do consumidor em relação à uma maior segurança dos produtos, bem como dos métodos de produção.

Talamini et al. (2005), Desmond (2008),

Aramyane Kuiper (2009).

Variabilidade na qualidade da matéria-prima.

Maior dificuldade na padronização de produtos acabados.

Zuin e Queiroz (2006), Van der Vorst et al. (2007), Batalha e Silva (2011)

Necessidades e cuidados especiais no transporte e armazenagem de produtos em processo ou acabados.

Aramyan et al. (2007), Matopoulos et al. (2007), Aramyane Kuiper (2009).

Produção inicial (rural) dependente de fatores climáticos e naturais.

Ziggers and Trienekens (1999), Talamini et al. (2005), Aramyan et al. (2007), Zuin e Queiroz (2006).

Alguns atributos como certificação e identificação ou confiança em uma marca são fatores decisivos na escolha de um produto pelo consumidor.

Furlaneto (2002), Straete (2008), Zhao et al. (2008).

Atributos de qualidade dos produtos agroalimentares não são passíveis de avaliação pelo consumidor na hora da compra.

Furlaneto (2002), Santos (2008), Aramyan e Kuiper (2009), Sporleder e Boland (2011). Inovação está relacionada à eficiência da

produção, diferenciação do produto, exigências sanitárias e a necessidade de se enquadrar às exigências de mercado.

Matopoulos et al. (2007), Alves (2008), Ribeiro (2008), De Mori (2011).

Fonte: Elaborado pelo autor.

Como demonstrado na Tabela 5, algumas características podem impactar as cadeias agroindustriais de forma diferente das demais cadeias industriais. Como parte do conjunto que agrupa tais caracteristicas pode-se citar: a perecibilidade de produtos, a impossibilidade de estocagem (para alguns produtos) ao longo da cadeia, a dificuldade de padronização, incluindo (não raramente) a falta de qualidade devido aos problemas climáticos ou por aspectos biológicos, os riscos de contaminação, além de constante volatilidade nos preços. Todavia, riscos envolvendo o fornecimento e a demanda neste tipo de cadeia é uma questão que deve ser discutida à parte devido à escassez de estudos.

Sendo assim, cabe destacar que uma das pesquisas mais completas sobre riscos envolvendo cadeias agroindustriais foi financiada pelo Department for Environment, Food and Rural Affairs do Reino Unido (PECK, 2006b) e mostrou em detalhes o quadro de formação dos riscos em cadeias agroindustriais da Inglaterra. Nessa direção, os resultados evidenciaram a presença de vários tipos de riscos na cadeia em questão, entre os quais: a) falhas na segurança fito-sanitárias com relação ao processamento de produtos, que geraram contaminação (por exemplo, de comidas congeladas), afetando as marcas e a reputação de grandes empresas; b) baixo desempenho na logística de fornecimento de matéria-prima, bem como na distribuição de produtos ao longo da cadeia; c) falta de planos para alternativas no caso de interrupção no fornecimento, fazendo com que muitos elos da cadeia se tornem dependentes de um grande fornecedor nacional (ou global); d) sistemas de tecnologias da informação (TI) inoperantes ou insuficientes que demandam significativa força de trabalho para gerir o volume de transações; e) seguidas interrupções ao longo do ano na oferta de produtos frescos, e; f) alta dependência dos pequenos varejistas em relação aos grandes atacadistas, sendo um risco caso estes falhassem no fornecimento de produtos.

Outro ponto importante a ser observado quando se discute riscos em cadeias agroindustriais, diz respeito à garantia da qualidade dos produtos dessas cadeias. Nessa direção, Fearne et al. (2001), ao analisarem os riscos percebidos pelos consumidores na cadeia de carne bovina alemã e italiana, constataram que em países desenvolvidos, as questões acerca da qualidade dos alimentos (métodos de produção, rastreabilidade, frescor do produto, controle do bem-estar animal), e especificamente da carne bovina, tem sido um dos principais direcionadores nas mudanças dos padrões de relacionamento entre produtores, processadores, varejistas e consumidores finais. Ainda sob a perspectiva dos riscos em cadeias agroindustriais Ziggers e Trienekens (1999) lembram que podem ser incluídos neste conjunto, fatores como: a) perecibilidade da produção; b) variação na base de fornecedores ocasionando desabastecimento, uma vez que a atividade agrícola demanda tempo e condições climáticas adequadas, e; c) diferenças de lead-time entre as etapas produtivas, entre outros. Além disso, Matopoulos et al. (2007) ao tratarem de coordenação em cadeias agroindustriais, chamam a atenção para o fato de que a colaboração pode trazer consigo o risco da falha (no sentido de que a falha de um membro da cadeia pode provocar a falha de outros elos em uma CS), bem como o risco da dependência que, segundo os autores, é um dos riscos mais complexos neste tipo de cadeia.