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Grand strategy implementation: political

De maneira geral, os resultados obtidos com a Modelagem de Equações Estruturais permitem concluir que o compartilhamento interorganizacional de informações na cadeia de suprimentos tem como efeito direto a mitigação de riscos tanto do fornecimento como da demanda para a empresa foco. No entanto, um ponto que chama a atenção é a diferença entre os valores encontrados para H1 e H2. A este respeito observa-se que, para o conjunto de empresas pesquisadas, o compartilhamento de informações apresentou um impacto mais significativo na mitigação de riscos envolvendo o fornecimento (У = 0.82) do que sobre a mitigação de riscos relacionados com a demanda (У = 0.11). Lembrando que “У” é a indicação do coeficiente de trajetória. Em termos de significância estatística na Modelagem de Equações Estruturais cabe notar que valores inferiores a 0.10 para o coeficiente de trajetória indicam baixa significância da hipótese ou efeito marginal11 entre os constructos. Ao passo que valores maiores do que 0.30 podem ser considerados coeficiente de trajetória com significância moderada, e, valores acima de 0.50 indicam um coeficiente de trajetória elevado ou substancial (KOTZAB, 2011), dito de outra forma, com alta significância estatística. Dessa forma, tendo em vista que as variáveis latentes (constructos) do modelo de hipóteses não foram medidas diretamente, mas estimadas por meio de um conjunto de indicadores (as questões utilizadas na pesquisa survey) em um modelo recursivo confiável; e considerando que este conjunto de indicadores apresentou confiabilidade na análise de validade interna (análise Alpha de Cronbach), os coeficientes de trajetória obtidos com a análise refletem duas possibilidades teóricas no que diz respeito ao compartilhamento de informações ter apresentado um resultado mais significativo na mitigação de riscos envolvendo o fornecimento do que sobre a mitigação de riscos relacionados com a demanda.

A primeira possibilidade é de que para o setor pesquisado (de empresas agroindustriais) a empresa foco seja tradicionalmente mais integrada com seus fornecedores do que com seus clientes, conforme indicam os estudos de Bolotova et al. (2008), Desmosnd (2008) e Arens et al. (2012). Embora seja necessário considerar que, para este tipo de cadeia, a tendência no longo prazo é de “deslocamento do poder de mercado para empresas mais próximas do consumidor final, tais como distribuidores ou grandes varejistas” (SPORLEDER e BOLAND, 2011 p. 38). Nos Estados Unidos, por exemplo, os principais

11 Neste caso, efeito marginal pode ser entendido como a não observação do relacionamento causal entre os

varejistas supermercadistas, como o Walmart, são chamados de "capitães da cadeia", uma vez que os mesmos possuem relativamente mais influência em muitas cadeias agroalimentares do que outros membros da cadeia, tais como processadores de alimentos (SPORLEDER e PETERSON, 2003). Quer se queira, quer não, em muitas cadeias, o poder de mercado dos “capitães da cadeia” é suficiente para influenciar o comportamento dos participantes em toda a cadeia, inclusive, no que diz respeito ao compartilhamento de informações (SPORLEDER e BOLAND, 2011). Contudo, para o setor de empresas agroindustriais, o entendimento do pesquisador é de que um alto grau de compartilhamento de informações necessita de elevada confiança entre os parceiros da cadeia (BAIHAQI e SOHAL, 2012), sendo que a confiança, nesse contexto, é um resultado natural de relacionamentos estreitos, duradouros e mais integrados (HUNG et al., 2011). Logo, é possível presumir que havendo pouca integração haverá pouco ou nenhum compartilhamento de informações, e vice e versa. Sendo assim, no caso dos resultados obtidos pela presente pesquisa, seria particularmente aceitável supor que o compartilhamento de informações apresenta um impacto mais significativo na mitigação de riscos envolvendo o fornecimento do que sobre a mitigação de riscos relacionados com a demanda devido ao fato de a empresa foco estar mais integrada com seus fornecedores do que com seus clientes. Todavia, somente dados estatísticos são insuficientes para apoiar tal conjuntura, que poderia ser mais bem averiguada por meio do estudo de casos.

A segunda possibilidade refere-se ao fato de que o compartilhamento de informações é a vontade de tornar os dados estratégicos e táticos de uma organização disponíveis para os parceiros que estão envolvidos no processo de gestão da cadeia de suprimentos. Um compartilhamento de informações eficaz e sem barreiras é o ligamento que mantém juntos os membros da cadeia de suprimentos (SKIPPER e HANNA, 2009). Sob esta perspectiva, no moderno contexto industrial assume-se que um elevado grau de compartilhamento de informações é caracterizado pelo alto grau de implementação de sistemas para troca de informações (BAIHAQI e SOHAL, 2012). De acordo com Skipper e Hanna (2009), sistemas de troca de informações fornecem a uma empresa, ou a uma rede de empresas, os meios para coletar, divulgar e utilizar informações em tempo hábil. Dessa forma, e considerando um ponto de vista prático, poderia se questionar se a diferença entre os valores encontrados para H1 e H2 decorreria do fato de que, para o conjunto de empresas pesquisadas, o grau de implementação de sistemas para troca de informações é menor entre a empresa foco e seus clientes do que na relação fornecedor-empresa foco. Cabe destacar que tal fato não seria algo tão atípico, pois em um estudo com 149 grandes empresas européias de diversos setores, Bagchi et al. (2005) constataram que apenas 10 por

cento das empresas pesquisadas ofereciam acesso direto (on line) – por meio de sistemas de troca de informações – a algum tipo de informação importante para os seus clientes.

Além disso, cabe acrescentar a esta questão o fato de que a qualidade das informações compartilhadas é um elemento importante no que diz respeito ao resultado que se pretende obter com as mesmas. Não basta apenas compartilhar informações é preciso compartilhar informações com qualidade, ou seja, que serão úteis aos parceiros no processo de gestão da cadeia de suprimentos (DAVIS et al, 2011). A este respeito, muitos estudos existentes focam apenas compartilhamento de informações entre os parceiros, sem olhar para a qualidade da informação e os sistemas utilizados para compartilhá-las (VANPOUCKE et al., 2009). Nessa direção, Hung et al. (2011) alertam que a qualidade das informações que são compartilhadas por empresas mais próximas do consumidor final – por exemplo, dados dos pontos de vendas, previsões de demanda, níveis de estoques, prazos de entregas e custos de inventários – são essenciais para que as outras empresas da cadeia possam responder rapidamente a uma série de incertezas que possam surgir, evitando que as mesmas venham a impactar o planejamento e/ou o controle de suas atividades produtivas. Naturalmente, o modelo analítico utilizado na presente pesquisa (SEM) permite aos pesquisadores testar estruturas de causalidade a partir da correlação entre os escores de seus constructos. Todavia, como destacado antes é evidente que somente testes de estruturas de causalidades são insuficientes para um entendimento amplo acerca de tais resultados.