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CHAPTER 1: INTRODUCTION

1.3 Global Trend

Ao tratar de política, devemos entender que essa na visão dos educados se constrói e foi construída conforme as vivencias por estes experimentadas. É possível perceber que as ideias e as concepções que se tem no que se refere à política no grupo de sujeitos que participaram do grupo focal são compostos principalmente por dois blocos: um que tem uma experiência de luta sindical, que no caso é composta por quatro sujeitos e estes ligam política a relação patronal e as relações de classe mesmo não sendo esquematizada; e um grupo que não tem acesso a discussão política de forma mais sistematizada além do espaço da escola, estes atrelam a política a governo, a gerencia do estado, algo em alguns momentos mais distante. As visões de cada grupo não são homogêneas elas se referem muito a experiência

práticas de cada indivíduo e o envolvimento que estes possuem nos seus coletivos (diretoria do sindicato, coordenação da escola, sala de aula, etc.). Nesse sentido iremos tratar aqui da visão política que aparece nas falas, que permite perceber a compreensão destes. Esse ponto é essencial na dissertação, pois ao tratarmos de formação política de trabalhadores, não podemos deixar de entender como que os sujeitos se posicionam e qual a compreensão de mundo estes possuem. Para iniciarmos essa análise uma fala introdutória se apresenta de forma oportuna, ela é de um diretor do sindicato que é educando da escola desde a sua fundação, nela ele trata de pontos que se referem ao significado da política e de seu papel na produção diária do trabalhador:

Então é o seguinte, eu vim pra cá eu não conhecia o que era negócio de individualismo e nem também conhecia um coletivo e de lá pra cá eu vim pegando esses conhecimentos. De vez enquanto a gente teve também um curso aí de um negócio de política, e ai que eu vim a conhecer o que é verdadeiramente a política. E a política é uma coisa muito boa, agora só que os políticos, esses politiqueiros que vivem por aí é que arrebenta com o povo e que arrebenta com a população e se o povo não saber defender num momentos desses aí, então vai tudo para o beleleu. No nosso caso aqui, nós já estamos politizados, que dizer, dentro desses coletivos nosso aqui eu acho que (pausa) no meu modo de pensar, que esses camaradas não vai rapar nada com nós aqui. Mas o pessoal lá fora, que tem menos conhecimento que nós, eles olha a coisa de outra forma, pensando que um camarada desse aí vai resolver a vida dele. Então, por ai que eles vêm a coisa mais diferente, por quê? Quanto menos você ser qualificado hoje, ter uma qualificação melhor, um conhecimento melhor eles te manobram com mais facilidade, agora se você tiver um conhecimento melhor para você combater e debater juntamente com esses camaradas aí, então as coisas mudam. (Eletricista)

Percebe-se que há a concepção e a noção de que existem diferentes ideais políticos, e esses aqui expostos de um lado coloca a política eleitoreira de partidos e em contraposição a que envolve a organização do povo. Essa afirmação não se apresenta de forma clara, mas se refere à posição que a escola apresenta sobre o que significa o parlamento e a defesa dos que estão na sua gerência e da necessidade que se tem do povo se organizar para conquistar o que é seu. Os cursos de formação política citado na fala, eram inicialmente, aulas direcionadas para se debater política e com o tempo são atividades pontuais (1º de maio, 8 de março, comemoração da Guerrilha do Araguaia, etc.) e também atividades que envolvem os conteúdos escolares. Essa posição se expressa na fala principalmente de membros do sindicato que tem um processo político formativo mais intenso, que se expressa não somente na teoria, mas na prática cotidiana. Esses devem se

posicionar, apoiar e expressar elementos sobre a política no contato com os trabalhadores diariamente, tanto no que se refere à luta econômica, como a luta diária a ser travada pelos trabalhadores por melhores condições de vida. A fala se acrescenta da ideia de qualificação, que se diferencia de falas apresentadas anteriormente sobre o papel da leitura e da escrita na vida e no ambiente de trabalho. A qualificação apresentada se refere ao salto qualitativo sobre o entendimento do que é a política e como aplicá-la como instrumento de organização do trabalhador. É possível visualizar que essa qualificação é diferenciada na escola, que ela traz a linguagem da classe operária, pode-se perceber esse fato na seguinte fala:

Então, eu olho a coisa de uma maneira mais diferente, eu acho que eu sempre tenho isso na minha mente, que nós trabalhadores nós temos que nos qualificar mais, ter mais conhecimento. E esse conhecimento nós vamos arrumar dentro da Escola Popular, porque essas outras escolas que tem lá fora, não vai falar essa língua, que nossos professores falam pra nós não, e nós não aprende. De maneira nenhuma! Lá fora a linguagem é diferente! Eu tirei minha quarta lá dentro da escola da empresa que eu trabalho, e lá é diferente, professor tem que trabalhar de acordo com a empresa. Ele não vai ensinar o que nós pegamos aqui, essa aula que nós pega aqui, nós não pega lá não companheiros. Lá é diferente! Professor já vem treinado com a língua da empresa, a língua do cliente e o colaborador só leva... (Eletricista)

Essa ideia de qualificação referente à política no espaço escolar está presente em outras falas e ela traz também a necessidade que se tem de aliar esses elementos à organização, como se expressa na fala:

Bom, eu acho assim que, a organização de todos trabalhadores nos canteiros de obra. Principalmente pra gente, pra nós que estamos aqui na escola é o ensinamento que a escola passa pra gente, a gente também passa no Sindicato, o conhecimento que a gente tem para passar pros companheiros lá no canteiro de obra. A gente tá agrupando mais com os companheiros, puxando os companheiros pro lado da gente, por exemplo, se a gente for correr atrás de um salário melhor, uma boa remuneração na nossa categoria. Ou seja, a gente agrupar com esses companheiros mais, explicar pra eles mais com o conhecimento que a gente tem aqui que a gente tem aqui passar pra eles lá dentro. Com certeza a gente vai ter um apoio maior do nosso lado, porque esses companheiros que tá do lado de fora é a mesma coisa da gente pegar dois copos com água e dois comprimidos sonrisal, vamos colocar um dentro do copo com água e vamos deixar um do lado de fora, o que ta dentro da água vai fazer efeito, o que tá aqui do lado de fora ele vai ficar parado, ele não vai ter efeito nenhum. Então, a mesma coisa eé o conhecimento da gente, aqui na Escola Popular e com os companheiros no canteiro de obra. Se a gente busca conhecimento aqui, tem o conhecimento aqui, tem o conhecimento lá do sindicato e outros conhecimentos também, que vem, por exemplo, do ministério do trabalho, os outros que a gente pega de fora, outras entidades

que a gente pega, ou seja, essas informações que a gente vai passar agrupar com esses companheiros lá dentro, ou seja, esses companheiros já vão ficar mais na atividade, vai falar assim: “Não, eu vou seguir o que o fulano ali tá falando porque ele buscou esse conhecimento lá fora, ele tem experiência de vida, o que ele tá passando aqui, então vamos seguir ele, vamos lutar com ele”. Ou seja, nós estamos buscando uma força, uma união com as pessoas ali para gente conseguir o que nós queremos. Porque, se, eu aprender aqui na escola, aprender com sindicato, mas não passar pros meus companheiros lá, não vai adiantar de nada eu aprender aqui! Porque meu aprendizado eu tenho que passar lá na obra pros meus companheiros. (Servente)

Essas falas representam a visão de sujeitos que tem um envolvimento com a escola e com o sindicato e é possível perceber que política se liga a organização de classe. Entre os que são educados da escola, mas não tem como atividade política o sindicato também existe a ideia de que existem concepções políticas diferentes, porém essa não significa uma relação com a organização de classe, mas com o conhecimento da realidade como podemos perceber na fala a seguir:

Aprendemos na escola popular que o ver não é só ter uma boa vista e nem ouvir essa tão boa vida. De acordo com nosso conhecimento da escola popular nós aprendemos, acerca até mesmo da política, das falsas políticas, que nós conseguimos enxergar não só com a boa vista, mas conseguimos discernir nas faces das pessoas as falsidades, as mentiras. Até onde eu falei que a escola popular eu acho ela muito parcial, isso também, por isso, porque ela nos leva a conhecer a verdade por ela ter um objetivo verdadeiro, ai nos leva também a conhecer mais de perto a verdade. (Pintor)

A concepção política que se apresenta no que se refere à relação com o patrão também é destacada, ela traz elementos referente à exploração, ao processo de mais valia e pode-se perceber pela fala do educando um processo de formação que traz conceitos de forma sintética tratados no campo do marxismo como a mais- valia:

Porque eu no meu ponto de vista eu vou morrer falando, se houver a oportunidade de eu falar na hora minha morte: Que nós trabalhadores da construção civil ou qualquer trabalhador, ele nunca teve patrão nem vai ter nunca patrão, porque patrão a gente fala assim entre aspas, como todo mundo já acostumou falar, negócio de patrão. Mas esses camaradas não é patrão de ninguém! Patrão somos nós, trabalhadores, que luta em prol de uns camaradas desses aí, para enriquecer eles ilicitamente, pra ele nos castigar. Você tem assim, um camarada carrasco, que ele vai lá, você trabalha o dia todo, e quando dá de tarde você tá morto e ele tá vivo! Por quê? A produção companheiros fica ali é só pra ele. No caso nós trabalhamos pra um indivíduo desse aí. Se nós fizermos, que às vezes eles pra dizer que você tá ganhando bem, eles te dá o negócio na metragem, ou vai te dá na produção, cada um de nós faz um pedacinho de parede desse aí, às vezes não dá nem cinco, seis metro. No final da tarde nós não ganhamos nada, no final do dia, nós não ganhamos nada. Mas dentro

dessas dez pessoas aqui que fez, cada um fez dez metros, seis metros, que dizer que é sessenta metros. De acordo com que ele pega, o preço que ele pega, aquele negócio lá, sessenta metro fica pra ele, nós não leva nada. É só cansaço! E sempre falo isso, e vou falar: Nós não temos patrão, nós temos carrasco, um camarada explorador, chupador de sangue, da categoria. E vocês aí! Não sei se os companheiros já pegou aula de falar do mais- valia. A mais valia é isso aí companheiros! (Eletricista)

No momento que se deu a discussão sobre a política e a condição do trabalhador um dos educados que é diretor do sindicato passou algumas fotos de um alojamento onde trabalhadores da construção não tem condições mínimas de vida, além de um desconhecimento total dos trabalhadores sobre a empresa que os contrataram. Nessa fala é ressaltado o papel que a escola tem com a defesa das condições de trabalho:

É gente diante dessa situação que os companheiros relataram a gente traz às aqui as fotos de muitos trabalhadores estão hoje nessa situação. Vocês vêem essa situação. Então, são trabalhadores que chegaram aqui em Belo Horizonte recentemente. São oito trabalhadores que vieram da região de Ipatinga, e olha como se encontra esse trabalhador! Então pra isso que a Escola Popular ta aí, pra cada vez mais pra ajudar os outros se defender, não é só defender nós, é nós defender a nossa categoria dessa situação que se encontra o trabalhador. (Pedreiro)

Podemos perceber que existe um entendimento da política aliado à defesa do trabalhador, de uma política que tem a finalidade no momento de fazer a denúncia das péssimas condições de trabalho e do processo de exploração grande em obras da construção civil além de ter a finalidade de agregar o trabalhador:

Que como eu comecei a falar que os caras fala de patrão, patrão, patrão e o operário é isso, o operário é aquilo. Gente, operário ele nunca teve partido, o operário ele foi partido. Por isso é que existem hoje várias categorias aí, cada uma com suas entidades diferentes, entidades que não fazem nada pelo trabalhador e nem representa a categoria. Isso aí muitos e muitos trabalhadores ainda não viu isso! Eles acham que o camarada que tá lá é que vai resolver o problema dele. (Eletricista)

A ideia de política se liga a de coletivo, visto que estes dois são elementos que andam em conjunto. No ponto a seguir focaremos nessa discussão de forma mais organizada permitindo entender como os sujeitos percebem o papel do coletivo e como este se agrega ao trabalho.

7.2.3.3 O coletivo e o trabalho na escola: dois instrumentos da prática da