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Global Compact sett i et omgivelsesdeterministisk perspektiv

In document THE UNITED NATIONS GLOBAL COMPACT (sider 36-39)

2.4 Organisasjonsteori

2.4.6 Global Compact sett i et omgivelsesdeterministisk perspektiv

A determinação da abordagem metodológica é derivada de compreensões ontológicas e epistemológicas do pesquisador sobre o objeto de interesse (Godoi et al. 2006), sendo esse posicionamento definido ainda no planejamento da pesquisa e funcionando como base para o trabalho a ser realizado posteriormente. De outra forma, a reflexão sobre “a natureza pressuposta do objetivo de pesquisa (sua ontologia) e sobre os modos de apreendê-lo (sua epistemologia)” (Bulgacov, 2000, p. 24) é de fundamental importância na definição dos caminhos que serão escolhidos para o sucesso do projeto.

A maneira de enxergar o objeto de estudo varia conforme a da visão de mundo do pesquisador, que por sua vez sofre influência do paradigma filosófico adotado. Silva e Neto (2006) elencam três possiblidades: funcionalista, interpretativista e marxista. Conforme os autores, enquanto os funcionalistas enxergam a realidade como objetiva, concreta, os interpretativistas a veem de forma subjetiva, e por último, os marxistas entendem que a construção é social e histórica. O paradigma que guiou este estudo foi o interpretativista, por entender que a realidade social é um produto de experiências subjetivas e intersubjetivas dos

indivíduos. Apesar disso, os autores também ressaltam que as fronteiras entre os paradigmas não são claramente delimitadas, havendo possivelmente interação entre eles em vários momentos.

Ainda sobre a abordagem metodológica, Hartley (2004) entende que forças históricas, pressões contextuais e a dinâmica dos vários grupos de stakeholders na aceitação ou enfrentamento a processos inovadores é terreno fértil para adoção do estudo de caso. Além disso, ele ainda defende a adoção desta metodologia quando se deseja capturar e entender a complexidade da dinâmica das atividades e ações estabelecidas, sejam elas formais, informais, secretas ou mesmo ilícitas. A adoção do estudo de caso por este projeto de dissertação também se apresenta em consonância com o entendimento de Flick (2004) em que se deve partir de um caso único a ser examinado em profundidade antes de realizar análises comparativas. Afinal, o estudo de caso é útil ao promover uma análise mais profunda, considerando contexto e processo (Hartley, 2004), e com isso contribuir para a construção de novos conceitos e teorias a partir do fortalecimento ou do questionamento da validade das teorias já existentes (Eisenhardt, 1989).

Por fim, Stake (2000) entende que é possível identificar três tipos de estudo de caso: intrínseco, instrumental e coletivo. Ele chama de intrínseco aquele estudo de caso que deseja se aprofundar em um caso particular por enxergar que aquele caso específico é interessante, não porque ele represente outros casos. Por instrumental o autor entende aquele caso que é examinado com o intuito de fornecer insights no sentido de uma visão mais apurada sobre determinada questão ou para redesenhar a generalização. Por último, ele chama de estudo de caso coletivo aquele que já é instrumentalizado para comparar vários casos e a partir disso gerar principalmente uma contribuição teórica devido ao melhor entendimento e comparação entre os vários casos estudados. Dito isso, esta pesquisa está mais alinhada ao que Stake (2000) chama de estudo de caso instrumental, pois entende-se que o caso aqui estudado pode fornecer insights a partir de uma visão mais aprofundada sobre um caso específico, e com isso também oferecer contribuições teóricas.

3.1.1 Estudo de caso

A atividade de Bancos Comunitários se utiliza de ações formais que visam promover maior desenvolvimento da economia local através do maior acesso, uso e qualidade no uso de serviços financeiros, mas também se utiliza de ações informais para criar um ambiente de cooperação na comunidade, como roda de conversas e atividades recreativas. Pela perspectiva adotada nesta pesquisa em se aprofundar e compreender o processo de institucionalização

dessas organizações, assim como as dinâmicas envolvidas na implementação e adoção da moeda social digital dentro do modelo de economia solidária já utilizado pelos Bancos Comunitários, entende-se que o estudo de caso é a abordagem metodológica mais apropriada.

De acordo com a Rede Brasileira de Bancos Comunitários, no final de 2013 havia 103 Bancos Comunitários espalhados em comunidades carentes pelo Brasil. No ano seguinte foi lançada a primeira moeda social digital baseada em cartões magnéticos a partir da tecnologia desenvolvida pela empresa ValeShop, que se utilizava de máquinas POS para que os comerciantes cadastrados pudessem receber os valores em moeda social nos seus estabelecimentos. Acontece que em 2018 se inicia o uso da moeda social digital através da plataforma e-dinheiro, que trouxe várias mudanças para os usuários e também na forma de operacionalização da moeda social, passando da gestão e propriedade da tecnologia de uma empresa de mercado, desvinculada aos valores da economia solidária, para a gestão e propriedade da tecnologia pelo Instituto Banco da Periferia, antigo Instituto Banco Palmas, uma Organização Não Governamental (ONG) com sede na periferia de Fortaleza-CE que tem como missão “lutar contra a pobreza urbana e rural, desenvolvendo produtos e serviços financeiros alternativos, sob controle das comunidades, que assegure a dignidade e a inclusão social de território de baixa renda” (Instituto Banco da Periferia, 2018).

Devido ao uso recente das tecnologias e aos poucos trabalhos encontrados na literatura sobre moedas sociais digitais (Nascimento, 2015; Cernev e Proença, 2016; Diniz et al., 2016), e nenhum trabalho até o momento sobre a adoção da tecnologia baseada na plataforma e- dinheiro pelos Bancos Comunitários, percebeu-se a possibilidade de explorar o tema a partir dessa janela de oportunidade surgida em 2018. Além disso, deu-se uma conversa inicial com o Sr. Joaquim Melo, fundador do Banco Palmas e atualmente coordenador de projetos do Instituto Banco da Periferia, com o intuito de levantar possíveis casos que pudessem ser analisados. Na ocasião, ele ressaltou a recente mudança de tecnologia adotada no uso da moeda social digital no município de Maricá, no estado do Rio de Janeiro, e que essa mudança estava transformando a forma da moeda circular na região e a forma do Banco Comunitário operar. Ademais, apesar de outras comunidades também estarem utilizando a plataforma e-dinheiro, em nenhum outro local se percebe a intensidade do uso da moeda social digital como em Maricá.

A ampla adoção da tecnologia no município, entretanto, não é aleatória. Ela se deve à iniciativa da prefeitura que propôs tanto a formação de um banco comunitário, o Banco Mumbuca, quanto à utilização da moeda social digital, a moeda mumbuca, para fazer o pagamento dos benefícios do programa social, todos iniciados efetivamente em 2014. Em 2013,

entretanto, se deu a preparação regulatória e de articulação dos atores para que o projeto começasse a funcionar no ano seguinte, como será detalhado na apresentação do caso. Com a adoção, desde o início do programa, do pagamento dos benefícios na moeda mumbuca, a experiência em Maricá se diferencia das anteriores e se apresenta como um estudo de caso relevante para pensar em novos modelos de Bancos Comunitários.

Dessa forma, entende-se que o caso do Banco Mumbuca, em Maricá-RJ, é apropriado para o exame do processo de institucionalização dos Bancos Comunitários como promotores de inclusão financeira em comunidades onde eles se estabelecem, e em que medida a adoção de tecnologias da informação e comunicação pode interferir nesse processo. A pesquisa in loco do estudo de caso instrumental permitiu novos insights pela perspectiva da análise interpretativista e possíveis contribuições teóricas no decorrer do trabalho.

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